Espírito Santo – Fernanda Brum
Quando lemos o versículo em que Jesus se coloca à disposição de Deus totalmente, – “ Pai, passa de mim esse cálice, todavia seja feita a Tua vontade.”- nos alegramos pelo fato de Jesus ter morrido na cruz em nosso lugar e por esse motivo temos livre acesso ao trono da Graça. Quando nos deparamos com Paulo que diz: “A tua graça me basta”, nos damos o direito de dizer como ele e nos colocar na plena dependência de Deus, crendo que seremos capazes de viver assim independente da situação. Onde pretendo chegar? Talvez nunca de fato imaginamos o que vem a ser viver apenas com a graça de Deus. Gostaria de refletir com você algumas situações:
- Se faltar o pão em nossa mesa e o dinheiro no nosso bolso, seremos capazes de dar graças por tudo e viver na dependência de Deus?
- Se faltar a saúde, diremos e faremos como Jó? Adoraremos a Deus mesmo assim?
- Se estivermos a beira da morte sem entender o motivo do nosso declínio, seguiremos adorando a Deus até nos restar um último suspiro?
- Se o Senhor pedir nossos filhos como fez com Abraão, seguiremos firmes na nossa fé?
- Se o Todo Poderoso Deus entregar em nossas mãos uma criança com necessidades especiais, seremos capazes de entender a vontade de Deus e continuar O adorando em espírito e em verdade?
Talvez nunca tenhamos pensado tão friamente quão falhos somos e como nos será difícil passarmos por circunstâncias semelhantes a essas. As histórias que nos são relatadas na Palavra são tão verídicas como a nossa própria existência! Se ficaram registradas para que pudéssemos lê-las em pleno século XXI, Deus realmente queria que nossa fé fosse aumentada a ponto de dizermos ou fazermos como Paulo, Jó, Abraão…
Para que sejamos fortalecidos a ponto de suportar qualquer situação e não descrer em Deus, devemos estar convictos de que só conseguiremos com a ajuda preciosa do Espírito Santo. Será Ele quem orará através dos nossos lábios quando não conseguirmos elaborar palavras por conta própria; que nos fará clamar por Cristo quando parecer que não estamos mais presentes em nós mesmos; será Ele que dará testemunho por nós quando não formos mais capazes para tanto.
Parece absurdo pensar assim quando não presenciamos nada parecido. Nesse final de 2009 e início de 2010 perdemos uma pessoa muito querida da nossa família, vítima de câncer. Ao visitá-lo, quando ainda podia falar com lucidez, me disse: “…quero ver uma pessoa ser realmente crente se chegar onde cheguei continuando a crer e a não duvidar da Soberania de Deus”. Entre lágrimas, ainda crendo que poderia ser curado, louvava a Deus e não saía de sua boca nenhuma palavra de desabonasse o Senhor. Nos últimos dias, já sem poder conversar, o ouvíamos chamar pelo nome de Jesus. O Senhor o levou, é fato, no entanto, até em sua morte o nome de Deus foi glorificado. Foi essa a razão que me fez parar para refletir a respeito desses questionamentos que apresentei acima.
Cremos que Deus em sua infinita bondade e misericórdia nos levará para si de alguma forma. No entanto, devemos pedir ao Espírito Santo que nos ajude em todos os momentos, de modo que a nossa vida seja bênção aos que estão ao nosso redor independente do que tivermos que viver.
Dizer que a graça de Deus nos basta vai muito além. Pedir que a vontade de Deus seja feita implica em estarmos preparados para que ela se cumpra de fato, ainda que isso nos custe algo. Quero convidá-lo a refletir e a buscar a clareza das coisas que falamos ou que cantamos nos louvores das reuniões alegres de fim de semana. Deus responde às orações. E as palavras que cantamos muitas vezes são fruto das orações de quem as compôs. Não há nada de errado nisso, desde que saibamos o que de fato estamos falando.
Desejo que você permita que o Espírito Santo fale ao seu coração assim como falou ao meu e que de fato sirvamos a Deus com plena convicção de quem Ele é, e não apenas pelo que Ele fez e faz por nós. Deus é Deus! E sua vontade é soberana, inquestionável e com certeza tem um fim específico: glorificar Seu Santo Nome! Deus o abençoe ricamente.
