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Palavras em extinção

03 jul

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão – disse Jesus.” (Marcos 13:31)

    A língua não é estática. Ao contrário, ela está em constante movimento. Por isso, novas palavras são criadas com certa frequência, para atender às novas demandas do mercado de trabalho e empresarial. Além disso, grupos sociais diversos criam suas gírias, a fim de dar uma identidade exclusiva à galera e facilitar a comunicação entre seus pares.

    Mas não é somente isso. A língua oficial também sofre mudanças para, pelo menos em tese, tornar mais fácil e prática a comunicação através da escrita, conforme aconteceu faz alguns anos com os países falantes da Língua Portuguesa. Há, ainda, outro fenômeno interessante:  a extinção de algumas palavras e expressões. E esse acontecimento é algo natural.

    Por outro lado, existem algumas palavras que, indevidamente, estão sendo extintas ou, no mínimo, caindo em desuso, mas que não deveriam ser vítimas desse palavricídio, ou seja, assassinato de palavras. (Viu? Acabei de inventar uma! Esse processo se chama neologismo). Pelo menos, essas mortes não deveriam ocorrer pelas mãos de quem declara ser cristão, pois elas demonstram claramente que a fé professada é autêntica e profunda.

    Uma dessas palavras é arrependimento. Ela é de origem grega (μετάνοια, metanoia) e significa conversão (tanto espiritual como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos ou caráter, geralmente conotando uma evolução pessoal”.  

    Em se tratando do sentido bíblico, há verdadeiro arrependimento quando um indivíduo reconhece que pisou na bola com Deus ou mesmo com uma pessoa.  Consequentemente, sente um profundo pesar pelo que fez e está disposto a mudar de direção, de mente e de atitude, uma vez que a ação praticada ou o comportamento adotado afrontou ao Senhor ou causou danos a quem foi vítima disso.

    Diante dessa explicação, entendo que foi por esse motivo que Deus orientou João Batista a iniciar seu ministério como precursor do Messias (aquele que anuncia, prenuncia, prepara ou indica a vinda de alguém ou um acontecimento) pregando a necessidade de arrependimento. Veja o que a Bíblia diz: Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados – Lucas 3:3.  

    Algo semelhante aconteceu logo após a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Agora, cheio de autoridade, Pedro se levanta diante da multidão e anuncia o evangelho aos presentes. Muitos deles creram e perguntaram aos apóstolos o que deveriam fazer para ser salvos – Atos 2:37.

    Então Pedro lhes respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” – Atos 2:38. E foi isso que eles fizeram. Somente naquele dia, quase três mil pessoas se converteram,  porque tinham reconhecido que eram pecadoras e, por essa razão, precisavam do Senhor.


    Em outras palavras, uma conversão é autêntica quando vem precedida de arrependimento sincero. Caso contrário, pode até ser remorso, o qual, no sentido bíblico, é apenas um constrangimento por ter feito algo errado, mas que não é acompanhado de real mudança de comportamento, atitudes, mente e coração.

    Desse modo, quando uma pessoa se declara convertida, inevitavelmente deverá haver uma total rejeição àquilo que afronta a Deus. Por isso, ao ver alguém que se declara cristão dizer que não se arrepende de nada do que fez, conclui-se que tal pessoa não compreendeu o Evangelho e que uma conversão genuína passa, obrigatoriamente, por esse requisito. Afinal, é isso que as Escrituras Sagradas ensinam.

     O livro de Atos dos apóstolos, por exemplo, está repleto de eventos nos quais os homens de Deus falavam da necessidade de crer em Jesus e arrepender-se dos pecados cometidos. E o próprio Senhor fala em Lucas 15:7: Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Portanto, arrepender-se não é opção pessoal, porém uma condição estabelecida por Deus, para que um indivíduo tenha direito ao perdão de seus pecados e à salvação em Cristo.

    Outra palavra em processo de extinção é renúncia. Para entender melhor aonde almejo chegar, vejamos o significado dela: não querer; recusar, rejeitar; desistir da posse de alguma coisa; abdicar. Ou seja, quer dizer abrir mão daquilo que lhe pertence ou que gostaria de possuir, por alguma razão especial ou nobre. Por exemplo, deixar de descansar depois de um dia exaustivo para brincar com um filho que o esperou durante longas horas para passarem alguns momentos juntos.

    No entanto, tem acontecido algo preocupante na sociedade atual. Nessa cultura hedonista, isto é, dedicada ao prazer como estilo de vida, por vê-lo como o bem supremo e finalidade principal da existência, as pessoas têm aberto mão de valores humanos indispensáveis e se lançado de corpo e alma a toda sorte de práticas que contrariam a vontade de Deus.

     Hoje, para se dar bem ou ser “felizes”, muitos roubam, matam, fazem qualquer negócio ou praticam quaisquer tipos de imoralidade, não se importando se estão ferindo seu semelhante ou ao Senhor. Logo, atraem para si toda sorte de males físicos, morais, emocionais, psicológicos e, sobretudo, espirituais.

    Mas o pior é que mesmo entre os que professam a fé em Cristo há quem age dessa forma, ignorando, desse modo, os ensinos das Sagradas Escrituras. Esquecem-se de que, agindo assim, estão virando as costas para o Senhor, invalidando o sacrifício dele lá naquela sangrenta cruz e, em consequência disso, perdendo a salvação eterna. Aliás, muitos já nem acreditam nisso. Que pena! Que perigo!

     Quando olhamos para a Bíblia com os olhos revestidos de reverência e humildade, vemos Jesus dizendo: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” – Mateus 16:24. Lembra-se de que renunciar quer dizer recusar ou desistir da posse de alguma coisa

    Já em Marcos 8:34, o Mestre declara: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Parece ainda mais forte essa declaração do Senhor. Negar-se a si mesmo… Tomar a cruz… Segui-lo…  

    Como é difícil  abrir mão de coisas das quais gostamos!! Pode ser um vício. Um relacionamento com alguém. Um pecadinho de estimação. Um mau hábito. Um comportamento inadequado. Uma crença, um conceito ou outras coisas consideradas legais ou importantes. Como diz um humorista: “É difíci!… Muito difíci!”. Porém… se quisermos aquilo que o Senhor tem para nos oferecer, é necessário.

    Ao falar sobre tomar a cruz, preciso esclarecer umas coisinhas. Existem, por aí, pessoas crendo que tomar a cruz significa aceitar passivamente o sofrimento, a miséria ou quaisquer desgraças que podem sobrevir a nós. Ledo engano! Não tem nada a ver com isso. Cristo quis dizer que quem decide ser cristão, ou melhor, um discípulo dele deve assumir tal responsabilidade e cumprir seus compromissos de seguidor dele. Em outras palavras, deve andar como ele andou. Sobretudo ser reverente e obediente ao Pai – Filipenses 2:8.

    Mas há outra coisinha que não posso deixar de fora dessa argumentação. Quando Deus pede que renunciemos alguma coisa, neguemos a nós mesmos, tomemos nossa cruz e o sigamos, não está sendo um estraga-prazer. Ao contrário, ele o faz porque tem algo melhor para nos oferecer. Por exemplo: paz de espírito, segurança, felicidade, prosperidade e tantas outras tão importantes quanto essas.

    Para entender melhor, pense no que vou dizer a seguir. Contudo, já lhe peço que não me leve a mal por exemplificar dessa forma tão simplória: um cão faminto está roendo um osso sem nenhuma carne, pois é a única coisa que ele tem para enganar a fome. De repente, alguém lhe dá um suculento bife. O que ele vai fazer? Bingo! Você acertou! 

     Logicamente, vai largar o osso e comer com voracidade a carne, porque ela é melhor. Da mesma maneira, Deus faz conosco. Ele tem algo melhor a nos oferecer do que nossos vícios, conceitos, filosofias, pecadinhos de estimação ou outros semelhantes a esses. Basta aceitarmos de bom grado seu presente.

    Todavia, existe outra mais importante do que todas as mencionadas acima: a salvação eterna. Foi para isso que ele enviou Jesus: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16. Veja também I João 2:25: E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

   Mais uma palavra: obediência. Elatambém parece sufocada pela avalanche de males presentes na sociedade atual. Hoje, filhos pensam que não precisam ser obedientes a seus pais. Por esse motivo, os desrespeitam, inclusive publicamente. Por conseguinte, deixam de desfrutar das copiosas bênçãos divinas, já que Deus deu o seguinte mandamento: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá – Êxodo 20:12.

    Em Mateus 19:19, Jesus confirma o texto anterior, dizendo: Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. E em Efésios 6:1 ao 3, Paulo retoma esse mandamento: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  

    Portanto, entendemos que o filho que realmente quer ser abençoado deve levar em consideração essa ordenança divina. Agindo assim, só tem a ganhar. Entretanto, caso proceda de modo diferente, atrairá maldição sobre si. Veja o que diz Deuteronômio 27:16: Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. Então se pode supor que é por essa razão que a vida de muitos filhos não é a abençoada. Não são felizes nem prosperam ou até são bem-sucedidos financeiramente, mas infelizes.

    Observe o que a Bíblia diz em Isaías 1:19: Se vocês quiserem e estiverem dispostos a obedecer comerão o melhor dessa terra. Já em I Samuel 15:22 e 23: Porém Samuel disse a Saul: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria.

    Você percebeu? Para Deus a obediência é algo extremamente importante. Quando somos obedientes a ele, demonstramos reconhecê-lo como Senhor da nossa vida e que é o provedor de todo bem. Por isso, o Senhor abre as janelas do céu e derrama bênçãos sobre o filho obediente. E, mesmo se vierem adversidades, não nos sentiremos sozinhos e descansaremos Nele, em paz e segurança.

   Existem mais palavras seguindo o mesmo rumo dessas que vimos. No entanto, desejo falar sobre mais uma apenas: reverência. Buscando seus significados no dicionário, encontramos os seguintes: veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal; respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência.

    Muito interessantes essas informações que o dicionário nos traz. E, se observarmos atentamente aquilo que acontece ao nosso redor, também concluiremos que ela está caminhando para a extinção. Hoje, o que mais vemos são pessoas completamente irreverentes. Muitas delas, em nome da democracia, da liberdade de expressão e da arte, têm desrespeitado a Deus e a tudo o que lhe diz respeito. A televisão e outras mídias exibem diariamente cenas que ultrajam ao Senhor e aos seus servos.

    Tais indivíduos são verdadeiros escarnecedores. Desse modo, mesmo que sejam aplaudidos pelas multidões, são reprovados pelo Altíssimo. Obviamente, a Constituição Brasileira garante o direito à liberdade de expressar opiniões, e isso é assaz importante. Contudo, não se pode usar dessa liberdade para ofender a fé das pessoas. Não é sensato fazê-lo, porque todos têm o direito de expressar sua fé, mesmo que alguém não concorde com ela. 

    Quanto a esse fato, Jesus já nos havia prevenido. Veja o que o Mestre disse em Mateus 5:10 ao 12: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.   

    No entanto, o que mais incomoda é que muitos cristãos têm sido irreverentes de várias maneiras. Uma delas é compactuando com esses escarnecedores direta ou indiretamente. Por exemplo, assistindo a seus programas e shows, nos quais ridicularizam Deus e seus servos, aplaudindo como se fossem dignos de aplausos.

    Outra forma é também zombando de homens e mulheres de Deus, como se Deus os estivesse colocado como juízes. Esquecem-se de que nós fomos chamados para ser testemunhas de Jesus, não juízes, pois não temos parâmetros para julgar ninguém e a Bíblia diz que não podemos tocar nos ungidos do Senhor. Somente Deus, que é o justo juiz, julga com equidade, ou seja, faz um julgamento justo e imparcial.  

    Além disso, existem muitos cristãos que não agem com reverência mesmo dentro da igreja. Vão ao culto como se fossem a qualquer lugar. Só para exemplificar, pense em alguém que vai a um tribunal para participar de uma audiência com um juiz. Será que tal indivíduo pode se apresentar diante dele de qualquer maneira, com qualquer roupa, com linguagem imprópria, ou usar o celular ali? Por certo, você dirá que não. Então, por que quando vão à Casa de Deus alguns supõem que podem fazê-lo de maneira irreverente?  

    As Escrituras dizem que devemos guardar nossos pés quando entramos na presença de Deus. Isso quer dizer que devemos agir de maneira respeitosa para com ele. Mas o que temos visto hoje? Pessoas completamente sem noção, supondo que Deus não leva em conta sua conduta. Porém, estão redondamente enganadas. Em Gálatas 6:7, Lemos: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.


    Agora, só resta fazer algumas considerações para terminar essa reflexão. Primeiro: precisamos pedir que o Espírito Santo ilumine os olhos da nossa mente e do nosso coração, para que vejamos e creiamos no que ele tem para nós. Em segundo lugar, carecemos de sabedoria e humildade, a fim de entendermos que, se o Senhor nos pede para renunciarmos alguma coisa, é porque tem algo melhor a oferecer. Com o tempo, aquilo que considerávamos “legal” pode nos prejudicar. Em terceiro, não podemos permitir que essas palavras sejam extintas da nossa vida, pois são sinais de que realmente entendemos a mensagem do Evangelho.    

  Sendo assim, se você é um cristão genuíno, não se esqueça de que só pode trocar sua salvação por alguma coisa mais valiosa ou que tenha, no mínimo, o mesmo valor que ela. Mas, como não existe nada assim, jamais abra mão desse precioso presente de Deus por algo que o mundo lhe oferece, pois, por melhor que seja, é passageiro e não se compara àquilo que o Senhor já nos deu e ainda dará, especialmente a salvação eterna.

Para ouvir:

O melhor desta terra – Nani Azevedo

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