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E se for verdade?

25 dez

    Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29)      

    Há vários dias, venho pensando em escrever mais um artigo falando sobre o Natal, esta data tão importante para os cristãos, em todo o mundo. E, todas as vezes que esse pensamento povoa minha mente, vem acompanhado pela pergunta usada acima como título. Desse modo, entendo que o Senhor quer falar alguma coisa sobre ela conosco.

     No entanto, antes de tecer algumas reflexões sobre esse tema, sinto a necessidade de fazer algumas considerações, as quais suponho ser relevantes: 1. Todos nós temos o direito assegurado pela Constituição Federal em seu artigo quinto e também na Declaração Universal dos Diretos humanos (art. 18) de professar nossa fé, inclusive em público; 2. Quem não professa nenhuma fé religiosa também tem o direito garantido e deve ser respeitado.

     Agora, já posso começar a argumentação. Para isso, gostaria de retomar a pergunta “E se for verdade?”. Mas… a que ela se refere?

     Esse questionamento diz respeito às afirmações presentes na Bíblia, inclusive sobre a existência de Jesus. Será que de fato as Escrituras Sagradas falam a verdade e Jesus realmente existiu ou elas contêm apenas mitos e lendas?

     A princípio, vou usar uma declaração de Agostinho de Hipona, também conhecido como Santo Agostinho, o qual é considerado por muitos o patriarca mais importante da Igreja. Provavelmente,  ele é o mais conhecido, devido à sua obra Confissões, um relato pessoal de sua conversão ao cristianismo[1]: “Certa vez me perguntaram: Como você prova que Deus existe? Eu respondi: Para quem não quer crer, nenhuma prova é suficiente e, para quem quer crer, não precisa de prova”. 

     Mas sempre é bom saber que só do Novo Testamento existem mais de 5.300 cópias antigas (a mais antiga é de 130 d. C), fora umas 8.000 da Vulgata Latina e cerca de 9.300 em outras versões primitivas como o copta[2] e o siríaco. Por outro lado, o segundo livro mais antigo do mundo, A Ilíada, de Homero, tem apenas 643[3] e, mesmo assim, ninguém questiona sua autenticidade. Além disso, muitas outras obras, com pouquíssimas cópias, feitas muitos séculos depois do evento narrado, não são postas em xeque.

    Como meu objetivo principal é levar você a pensar sobre algumas questões, preciso fazer alguns registros, para que a compreensão seja mais completa:

1. O texto empregado no início deste artigo (João 20:29) faz parte do seguinte contexto: Jesus havia sido preso, torturado, crucificado e, claro, morto. Mas já havia ressuscitado. Porém, quando ele se apresentou aos discípulos, Tomé não estava presente. Por essa razão, quando os demais lhe contaram que o Senhor aparecera a eles, ele duvidou e falou: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” – João 20:25.

     Oito dias depois, novamente o Mestre se apresenta a eles e lhe diz a Tomé, agora presente: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente – João 20:27.

     Então, Tomé faz a seguinte declaração: “Senhor meu e Deus meu!” – João 20:28. E ouve de Cristo: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” – J João 20:29.  

     Dessa maneira, entendemos que, no tocante às coisas de Deus, a fé é muito mais importante do que aquilo que é palpável ou visível. Assim, o texto de Hebreus 11:1-3 amplia nossa visão espiritual ao declarar: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”.

      Portanto, precisamos estar atentos ao que diz o texto a seguir: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” – Hebreus 11:6.

2. Quando o primeiro casal desobedeceu à ordem expressa de Deus lá no Éden, o Senhor prometeu que enviaria alguém para resgatar o homem, que havia sido vencido pelo pecado e expulso do jardim.

3. Cerca de 700 anos antes da vinda de Jesus, o Messias, o profeta Isaías profetizou sobre o nascimento do Senhor: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Deus conosco) – Isaías 7:14.

     Ainda nesse livro, lemos o seguinte: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” – 9:6.

3. Em Lucas 2:26 ao 38, vemos o anúncio do nascimento do Messias: “Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai” – Lucas 1:30-32.   

4. Em Lucas 4:14 ao 22, vemos Jesus voltando do deserto e se apresentando como aquele sobre quem Isaías profetizara no capítulo 61, e finaliza dizendo: “Hoje se cumpriu a Escritura em vossos ouvidos” – Lucas 4:21.

     A partir desse evento, vemos o registro de muitos milagres e sinais feitos pelo Senhor. Também vemos os preciosos ensinos aos discípulos, os quais ecoam até hoje em nossos ouvidos e parecem mais atuais do que quando o Mestre os proferiu. Depois, encontramos o registro de sua prisão, sofrimento, morte e ressurreição.

     Quando chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 1:1-14, encontramos o relato do seu retorno ao céu e a promessa de que ele voltará. Todavia, antes desse episódio, encontramos Jesus dizendo: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E quando eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” – João 14:1-3.

    Quando chegamos a 1 Coríntios 5:10, lemos: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” – 2  Coríntios 5:10.

     Já em Hebreus 9:27-28 está escrito: “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” – Hebreus 9:27,28

     E se tudo for verdade? Você já parou para pensar seriamente sobre isso?

     Sei que você tem observado que grande parte das pessoas até estão ansiosas pela chegada do Natal. Muitas demonstram uma enorme empolgação e expectativa pela chegada dessa data (talvez, este ano não percebemos tanto, por causa da pandemia e de suas terríveis consequências). Porém, em outros anos tudo isso fica evidente.

     Mas de qual Natal estamos falando?

     Como assim? Quase ouço você me fazendo essa indagação. E eu lhe respondo já-já.

    Existem pelo menos dois natais: um que inclui Jesus na festa de celebração e na vida cotidiana e outro que o exclui tanto da festa quanto da vida. 

     Obviamente, nós sabemos o que Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Entretanto, independentemente de ser essa data ou não, o nascimento do Senhor deve ser festejado pelos cristãos, não apenas em um dia do ano, mas em todos eles. Afinal, ele veio como cumprimento da promessa e do amor do Pai: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16.

     Para tais pessoas, Jesus tem um lugar preparado especialmente para ele: o coração. Assim, o Senhor é celebrado e, acima de tudo, reverenciado como o Messias ou o Cristo, ou seja, o Ungido de Deus, enviado para nos resgatar das garras do adversário da nossa alma e reconciliar com o Pai: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” – 1 Timóteo 2:5,6.  

     E se o que foi dito realmente for verdade?

     Para aqueles que excluem Jesus das celebrações, essa data é apenas uma oportunidade de reunir a família e amigos ou de fazer uma viagem, a fim de fugir da rotina exaustiva e estressante de um ano inteiro de trabalho. Mas seria apenas esse o objetivo do Natal?

     Para finalizar, almejo fazer mais algumas considerações:

1. Certa ocasião, Pedro e João foram levados diante do Sinédrio (uma espécie de tribunal dos judeus) e foram severamente advertidos para que não mais falassem de Jesus. No entanto, eles disseram: “Então, chamando-os novamente, ordenaram-lhes que não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: ‘Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos’. Depois de mais ameaças, eles os deixaram ir. Não tinham como castigá-los, porque todo o povo estava louvando a Deus pelo que acontecera” – Atos 4:18-21.  

     E se o que eles viram e ouviram for verdade?

2. Em Apocalipse 22:10-12, Jesus disse: “ Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo. Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.

3. Se você estivesse fazendo aniversário e seus amigos decidissem realizar uma festa para comemorar, MAS não convidasse VOCÊ, como você se sentiria ou como encararia essa situação?

    Por certo, acharia um absurdo, um desrespeito e se sentiria muito triste. Logo, se o Natal é uma data para celebrar o nascimento de Jesus, é obvio que ele deve ser convidado para a festa.

     Por fim, quero dizer o seguinte: Há muitas coisas que não vemos, não ouvimos, não sentimos, não entendemos (talvez a maioria delas). Mas, apesar disso, elas existem e são importantes.

     Mas eu tenho muitas dúvidas sobre Deus, Jesus e Espírito Santo. O que eu faço, então?

     Quem sabe você diga isso. E vou dizer algo que eu já disse para muitas pessoas, inclusive para meu filho: Não há nada de errado em ter dúvidas. Talvez todos nós ou a maioria de nós as tem. A questão de fato é: O que fazer com elas?

    Existem duas possibilidades: 1. Usá-las como pretexto para fugir de Deus ou pegar todas elas, levá-las diante do Pai e dizer: “Senhor, aqui estão minhas dúvidas. Não sei se o Senhor realmente existe, se a Bíblia é de fato a tua palavra, nem se esse negócio de céu e inferno tem algum fundo de verdade. Por isso, gostaria de te pedir que, se o Senhor realmente existe, me ajude a crer e a entender”.  

     Agindo assim, com sinceridade e humildade, o Senhor vai se manifestar de alguma forma e você deixará de ter dúvidas ou, pelo menos, não deixará que elas o levem para longe de Deus, mas para bem pertinho dele.

   E se tudo o que você leu for verdade?

      Pense nisso. E que Deus o abençoe e guarde. Que ele lhe dê um fim de dia de Natal sobremodo feliz e abençoado. Que Jesus seja o centro da sua celebração e da sua vida.


[1] https://paodiario.org.br/publicacoes/dia-a-dia-com-os-pais-da-igreja/agostinho/?gclid=EAIaIQobChMIv5HA_5fn7QIVQQuRCh1BLQynEAAYASAAEgK3wvD_BwE

[2] Copta: https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa_Copta

[3] Livro “Escavando a verdade – A arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia”, Rodrigo P. Silva, p. 148

Sugestão de música: Ao único – com Ministério Koinonya de Louvor

Sugestão de Filme: Em defesa de Cristo

 
 

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