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Arquivo da categoria: Estudos Bíblicos

E se Deus simplesmente não existe?

“Deus está morto!” (Nietzsche)  

          Faz muitos dias que a pergunta do título tem vindo à minha cabeça. Geralmente, ela vem seguida por outros questionamentos, os quais almejo compartilhar com você. No entanto, não digo isso apenas pela força do hábito ou somente para justificar a escrita deste artigo. Ao contrário, realmente corresponde à verdade. Então, entendi que o Espírito Santo quer nos levar a refletir sobre o tema em questão.

     Dada a insistência dessas interrogações, perguntei à minha esposa, e aos meus filhos, grande parte do que registrarei aqui. Afinal, se foi bênção para nós, visto que nos levou à reflexão e ao diálogo, considero que poderá ser para você, sua família e outras pessoas de sua intimidade também.  

     Para início de conversa, preciso dizer que estes escritos não têm a mínima pretensão de ser um tratado teológico e, de fato, não o são. São apenas considerações. E, quem sabe, provocações, as quais poderão contribuir para aproximá-lo ainda mais do Senhor para, assim, desfrutar da companhia dele e de suas copiosas bênçãos.

     Desde os tempos mais remotos, o ser humano sempre tentou se relacionar ou se relacionou com a divindade. Evidentemente, na maior parte das vezes, o fez de modo equivocado, criando seus próprios deuses “à sua imagem e semelhança”, isto é, de acordo com aquilo que sua mente criativa (mas limitada e pecaminosa) pôde compreender*. Desse modo, surgiu aquilo que se chama idolatria, a qual é, terminantemente, proibida por Deus – Êxodo 20:1 ao 6. 

      Outros tomaram a decisão de não acreditar na existência de um Ser Supremo, Criador e Mantenedor de todas as coisas. Nietzsche (1844-1900, filósofo alemão), por exemplo, fez a célebre, mas infeliz declaração: “Deus está morto!”**. Entretanto, ele se foi sem conseguir provar a veracidade de sua afirmação. E, desde então, bilhões continuam a crer que há um Criador e Mantenedor do Universo.

     A partir desse ponto, quero fazer-lhe parte dos mesmos questionamentos que fiz à minha família e torço para que você também os faça aos seus entes queridos:

  • Se alguém decide crer na existência de Deus, que prejuízos pode ter?
  • Se decidir crer, que benefícios terá?
  • Se decide não crer, que perdas terá?
  • Se decide não crer, que benefícios terá?
  • Para alguém afirmar categoricamente que Deus simplesmente não existe, o que é necessário e indispensável?
  • Alguém já conseguiu esgotar todas as possibilidades sobre esse assunto?
  • Diante da resposta à questão anterior, qual é a escolha mais sábia a fazer?

     Fiz tais indagações à minha família em momentos diferentes e sem a interferência de um membro na resposta do outro. Todavia, as respostas foram praticamente iguais. Veja parte delas:

  • Quem optar por acreditar na existência de Deus deixará de “aproveitar” algumas coisas, tais como: sexo descompromissado, bebidas, drogas ilícitas, corrupção, fazer aquilo que vem à cabeça sem se preocupar com consequências eternas, não ficar preso a sentimento de culpa, não ser “escravo” de uma religião, e outros semelhantes a estes.
  • Escolhendo crer, terá uma vida de paz interior, evitará muitos problemas de saúde, com a lei, com a justiça, com a família. Porém, o principal de tudo é que desfrutará de uma eternidade com o Senhor: “E esta é a promessa que ele {Jesus} nos fez: a vida eterna” – 1 João. E mais: “Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus” – Filipenses 4:7 – Nova Versão Transformadora.

     Veja ainda o que Jesus disse que aconteceria àqueles que decidissem viver de acordo com a vontade do Senhor: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo…” – Mateus 25:34. E, quando questionado por Pedro sobre o que receberiam aqueles que decidiram segui-lo, Jesus Respondeu: “… todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna – Mateus 19:29. Ou seja: Cristo quis dizer que haverá muito mais benefícios do que prejuízos destinados a quem o seguir.

  • Decidindo não crer, deixará de desfrutar da comunhão e companhia do Pai, de uma vida de paz e, o pior de tudo, não passará a eternidade com o Senhor: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos…” – Mateus 25:41. Já em Marcos 16:15 e 16, o Mestre disse: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Que palavras fortes!
  • Caso tome a decisão de não crer, os “benefícios” serão poucos e temporários. Por exemplo: fazer determinadas coisas que dão prazer carnal, riquezas e status social, mas que poderão ser grandes laços, como diz Provérbios 16:25: “Há caminhos que a pessoa considera corretos, mas acabam levando à estrada da morte” – Provérbios 16:25 – NVT.

     Vale lembrar que muitas dessas “coisas” que grande parte da sociedade considera boas e prazerosas não são vistas com bons olhos ou não são aceitas nem por pessoas que se consideram ateias. Logo, não é algo que os “caretas e fanáticos cristãos” inventaram. Quaisquer indivíduos que buscam uma vida sensata, reta e saudável para corpo, mente, emoções, relações familiares e sociais batalham para viver o mais longe possível dessas “coisas”.  

  • Para um indivíduo bater o martelo sobre esse tema, ou seja, afirmar de forma categórica e irreversível que Deus simplesmente não existe, que é uma criação humana para justificar suas fraquezas ou mesmo ignorância, ele deve esgotar todas as possibilidades de controvérsia ou contestação. Isso significa provar de modo irrefutável que quem se opõe está errado. Então lhe pergunto: “Alguém já conseguiu essa façanha???”. Provavelmente, dirá que não. E estou nessa com você!

Que eu saiba, não há ninguém no mundo que conseguiu esgotar tudo que diz respeito a determinado assunto, seja ele qual for. Sempre existem outros que contribuem para o aperfeiçoamento da descoberta ou do invento. Basta pensar no avião, cujos inventores são o brasileiro Alberto Santos Dumont e os irmãos Wright (pelo menos, para os estadunidenses). Note que após essa invenção muitas coisas foram aprimoradas. E continuam sendo.

Do outro lado da ponte estão aqueles que decidiram crer, a despeito de qualquer coisa. Para exemplificar, basta ler a história de Noé (Gênesis, capítulos 6,7 e 8) e Abraão (a partir de Gênesis 12). Eles tinham tudo para duvidar da existência do Criador, pois as circunstâncias conspiravam contra eles. Entretanto, esses homens tomaram a sábia decisão de crer, e os resultados foram maravilhosos e eternos. O primeiro deu continuidade a espécie humana e o segundo deu origem ao povo de Israel, do qual Jesus é o descendente mais proeminente e ilustre. E mais: eles fazem parte da Galeria dos Heróis da Fé – Hebreus 11.

Sei que estes exemplos estão muito distantes na cultura e no tempo. Contudo, grandes cientistas que fizeram e fazem parte da História por causa de seus grandiosos feitos também creram em Deus, independentemente do que os incrédulos diziam. Veja alguns deles: Nicolau Copérnico (1473-1543), Johannes Kepler (1571-1630), Galileu Galilei (1564-1642), René Descartes (1596-1650), Isaac Newton (1642-1727), Robert Boyle (1791-1867), Michael Faraday (1791-1867), Gregor Mendel (1822-1884), Kelvin (William Thompson) (1824-1907), Max Planck (1858-1947), Albert Einstein (1879-1955) ***. Certamente, você já estudou sobre eles e seus feitos na escola.

 Além desses, que ainda estão distantes da nossa realidade, gostaria de citar Augusto Cury, um médico psiquiatra, professor e escritor brasileiro, famoso pelos seus livros na área de psicologia. Inclusive é o autor da Teoria da Inteligência Multifocal.

Esse homem que, provavelmente, é hoje o escritor brasileiro mais lido no mundo, declara com frequência que era um grande ateu. Por isso, passou a estudar a Bíblia, especialmente a História de Jesus, para desmascarar os cristãos. Mas, quanto mais estudava, mais se convencia de que estava errado. Mesmo aplicando métodos científicos para provar que tudo que os cristãos falavam era uma grande besteira, não tinha como humilhar os crentes. Por fim, foi fisgado por Deus e hoje é um grande defensor da fé no Senhor.   

     Quando lemos os capítulos de 37 a 42 de Jó, encontramos um diálogo de Deus com esse homem. Ele fizera alguns questionamentos e o Criador passou a lhe responder. Como a conversa é muito extensa, vou pegar apenas o capítulo 38:4, onde o Senhor lhe pergunta: “Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto” – Jó 38:4. (Se puder, leia o capítulo inteiro.)

     Evidentemente, Jó não tinha uma resposta satisfatória. Por isso, quando chegamos ao capítulo 42, vemos esse homem reconhecendo sua pequenez, humilhando-se diante de Deus e declarando: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza” – Jó 42:5,6.

     Vale lembrar que no capítulo 1º:1, lemos a seguinte declaração sobre Jó: “Na terra de Uz, vivia um homem chamado Jó. Era homem íntegro e justo; temia a Deus e se afastava do mal”. Mesmo tendo todas essas virtudes, parece-me que ele possuía apenas um conhecimento religioso-teórico do Senhor. Em outras palavras, ainda lhe faltava o mais importante: uma experiência e um relacionamento pessoal com Deus. Certamente foi por essa razão que afirmou já ter ouvido falar, mas que, a partir daquele momento, seus “olhos tinham visto o Senhor”.

     Diante de tudo isso, só me resta fazer algumas considerações:

  • Quando fiz esses questionamentos ao meu filho primogênito, ele disse: “Essa é a Proposta de Bleise Pascal”. (Confesso que não a conhecia.) E de fato está coerente com o que esse homem teorizou. Então, quero usar a mesma linha de raciocínio que Pascal empregou: Se você decidir não crer em Deus, estará correndo o perigosíssimo risco de trocar o que é eterno e infinito pelo que é temporário, efêmero e finito. Mas, caso decida acreditar, trocará o passageiro pelo eterno. O finito pelo infinito.
  •  Quanto a mim, a escolha já está feita: Como não posso esgotar todas as possibilidades para provar que Deus não existe, tomo a firme decisão de continuar crendo, pois não quero tocar a eternidade ao lado do Criador por uma eternidade longe dele. Por isso, sigo a máxima dos judeus: “Mesmo não entendendo, decido obedecer ao Senhor”.
  • Ademais, procuro lembrar-me do que disse Davi, o homem segundo o coração de Deus – Atos 13:22: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus” – Salmos 53:1. Já que não quero ser um néscio, opto por crer.
  • Talvez você me diga: “Mas eu creio em Deus. Já tive muitas experiências com ele”. Excelente!!! Que tal fazer esses questionamentos às pessoas que você ama, levando-as a uma reflexão, a um autoexame e a uma conversa rica e proveitosa? Assim, contribuirá para o êxito, a felicidade e salvação delas.
  • Quem sabe, você tem servido ao Senhor somente de maneira religiosa, ou seja, apenas seguindo uma tradição, sem se questionar se está agindo de acordo com o que a Bíblia ensina ou não. Há muitas pessoas que, apesar de toda a sinceridade e devoção, exercem sua fé sem fundamentá-la na Palavra de Deus, seguindo apenas o que a tradição religiosa ou o líder diz. Por isso, apenas cumprem tarefas ou rituais religiosos, sem nunca se relacionar intimamente com o Senhor como ele deseja: “Eu serei seu Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” – 2 Coríntios 6:18. É assim que Deus quer se relacionar com você e comigo: Pai perfeito e amável e filho.
  • Se você está entre aqueles que não creem em Deus, eu gostaria de, respeitosa e humildemente, pedir que fizesse esses questionamentos a si mesmo. Perguntasse se não está trocando o Eterno Deus e bênçãos eternas por coisas temporárias, fugazes. Caso o faça com sinceridade, veja o que o Altíssimo afirma: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” – Jeremias 29:13. Observe ainda: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. E mais: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito.” – Salmos 51:17; 34:8.

Em Mateus 5:5, Jesus declarou: “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança”. Em outras palavras, o Mestre estava a dizer que são felizes as pessoas cujo coração é humilde, porque terão uma herança da parte do Eterno Deus.

Um dos sentidos da palavra humildade é “reconhecimento de que não sabe tudo ou não consegue fazer tudo sozinho”. Portanto, talvez seja seu momento de reconhecer e ser humilde o suficiente para dizer ao Senhor que não acredita que ele existe, mas que, se ele de fato é real, se não é uma enganação ou fruto de fanatismo religioso, que se revele de alguma maneira. Afinal, se ele realmente existe, você só tem a ganhar aqui na terra e, por fim, uma eternidade junto com o Senhor.

Sei perfeitamente que não posso e não consigo convencer ninguém de que Deus existe. Na realidade, nem é o meu papel. Conforme disse Martinho Lutero: “Nosso trabalho é levar o evangelho aos ouvidos, e Deus levará dos ouvidos ao coração”. E Jesus ensinou que é o Espírito Santo quem convence e ensina cada um de nós sobre as coisas do Pai – João 14:26; 16:8.  

Para finalizar, incentivo você a ouvir o que Jesus disse a Tomé, o descrente, depois da ressurreição: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente. Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!” – João 20:27-29. Caso você atenda a esse chamado do Senhor para ser crente nele, haverá ganhos que repercutirão na eternidade. Afinal, como disse a personagem Maximus, do filme Gladiador, é lá que tudo reverbera. Pense nisso.    

Prof. Marcos Araújo

Sugestão de música: Bem Supremo – Adhemar de Campos (Acústico ao vivo)

Sugestão de filme: Em defesa de Cristo (baseado numa história real)

     *Leia mais em: https://super.abril.com.br/ideias/deus-esta-morto-nietzsche/

     ** Livro: O fator Melquisedeque – O testemunho de Deus nas culturas de todo o mundo – Don Richardson

    *** Cientistas que criam em Deus: http://www.monergismo.com/textos/apologetica/cientistas_famosos.htm

    **** Augusto Cury: https://www.ebiografia.com/augusto_cury/   

 

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Sinal Amarelo II

     “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo.”  (Marcos 13:33)

     Nestes últimos dias, temos nos defrontado novamente com uma situação que nos deixa sobressaltados, apreensivos e inseguros quanto ao futuro. Evidentemente, refiro-me à guerra envolvendo de forma direta a Rússia e a Ucrânia. Indiretamente, porém, ela atinge todo o mundo, uma vez que os reflexos econômico-financeiros e sociais podem atingir mesmo aqueles que estão, geograficamente, bem distantes dos referidos países.  

    Há dois anos, quando explodiram os casos de Covid-19, houve muitos questionamentos a respeito de ser um sinal ou não da volta de Cristo. Por isso, escrevi um artigo chamado Sinal amarelo https://palavradesabedoria.net/2020/03/30/sinal-amarelo/ , no qual falei um pouco sobre esse tema (Está no blog palavradesabedoria.net). Hoje, também tem havido muitas dúvidas e especulações sobre a chegada do anticristo e a volta de Jesus. Por essa razão, quero refletir mais um pouco com você a respeito desse tema.

     De início, é importante fazer uma analogia entre uma construção com rachaduras e o cumprimento das profecias bíblicas. Para muitos, eu sei, pode ser algo muito simplório (Que me perdoem os teólogos!), mas entendo que ajudará na compreensão desse tão relevante tema.

     Conforme já ouvi de alguns construtores, inclusive de quem construiu minha casa, existe uma movimentação natural do terreno. Isso, segundo eles, pode provocar algumas rachaduras, mas, a princípio, não precisa ser motivo de preocupação. No entanto, entendo ser necessário estar atento, pois, se a fendas começarem a aumentar de tamanho, profundidade e em quantidade, pode ser a evidência de que há algo sério ocorrendo com a estrutura da casa. Comprometendo, dessa forma, a segurança de seus moradores, porque pode fazê-la desabar a qualquer momento.

     Quando olhamos para as Sagradas Escrituras, vemos diversas profecias que já se cumpriram como, por exemplo, as que se referiam ao nascimento de Cristo, sua paixão, morte e ressurreição (Isaías 7:14; 9:1 ao 7; 53:1 ao 12; Lucas 2…). Outras estão se cumprindo e ainda existem aquelas cujo cumprimento se dará apenas quando Cristo vier buscar Sua Igreja. 

     Desse modo, pode-se dizer que o mundo tem sido como uma casa. Nele, sempre houve trincas, as quais, ao longo da História, o ser humano sempre tentou remendar. Algumas tentativas deram certo e o problema foi resolvido. Outras até apresentaram bons resultados, porém temporariamente. Logo o problema reapareceu e com mais força ainda. Há, ainda, algumas coisas que não foram e jamais serão resolvidas, já que a ambição, a ganância, o orgulho, a sede de poder, o sentimento de autossuficiência e o desejo, consciente ou não, de ser deus continuarão a existir na História da humanidade.

     “Então o que caracterizaria a proximidade da volta do Senhor?” ─ Talvez seja essa sua indagação. E muito justa, por sinal. Isso nos leva de volta à analogia feita no início. Se as rachaduras existentes em uma casa passarem a aumentar de tamanho e profundidade, se continuarem a surgir novas trincas e se espalharem pelas paredes, laje e piso, é preciso sair imediatamente dali, visto que pode desabar a qualquer momento. Caso alguém insista em continuar sob aquele teto, certamente se tornará vítima da sua decisão tresloucada.

     Quanto ao mundo, o raciocínio é o mesmo. E temos visto que as rachaduras têm aumentado assustadoramente. Compare o que disse o apóstolo Paulo há cerca de 1900 anos com o que você tem presenciado na sociedade atual e reflita a respeito: “Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes” – 2 Timóteo 3:1-5.   

    Já no tocante às profecias proferidas por Cristo, temos presenciado o cumprimento de várias delas. Veja uma: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” – Mateus 24:12.  Outra trata da perseguição aos cristãos. Estudos diversos têm constatado um grande aumento disso em todo o mundo   (https://noticias.r7.com/internacional/mais-de-360-milhoes-de-cristaos-foram-perseguidos-em-2021-19012022).

     Em Mateus, Cristo fala sobre diversos acontecimentos que podem ser considerados como sinais anunciadores da proximidade de seu retorno, não para pisar esta terra, mas para buscar Sua Igreja. Veja alguns dos versículos nos quais ele revela vários desses sinais de alerta: “Jesus respondeu: Cuidado, que ninguém os engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo! E enganarão a muitos. Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes, {e pestes}, e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores. “Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo. E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” – Mateus 24:4-14. 

     Esses eventos mencionados por Cristo devem ser motivo de uma reflexão pessoal. Se fosse somente uma rachadura, até não deveria ser motivo de tanta preocupação. Todavia, por se tratar de muitas trincas, é preciso e necessário estarmos atentos. Caso você pare para analisar questões relacionadas à moralidade, por exemplo, perceberá quanta coisa mudou nestas últimas décadas.

    Isaías profetizou algo cerca de 700 anos antes de Cristo, entretanto parece que foi hoje de manhã: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes diante de si mesmos! Ai dos que são poderosos para beber vinho e homens forçosos para misturar bebida forte! Ai dos que justificam o ímpio por presentes e ao justo negam justiça!” – Isaías 5:20-23.

     Por acaso, você não tem visto exatamente essa inversão hoje? E mais: o materialismo/secularismo, o hedonismo   (dedicação ao prazer como estilo de vida), a violência em todos os níveis e com todas as suas facetas têm sido algo notório. Enfim, todo tipo de corrupção está devorando a sociedade atual e, infelizmente, se percebe isso até na vida de pessoas que se dizem cristãs (Aliás, todos nós corremos esse risco!).

     Diante de tudo isso, cabe-nos estar atentos aos sinais da vinda de Cristo. No entanto, é urgente cada um de nós fazer uma incursão dentro de si mesmo, com a intenção de analisar a própria vida à luz das Escrituras. O apóstolo Paulo, ensinando a igreja de Corinto sobre a Ceia do Senhor, diz: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo (…) Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo” – 1 Coríntios 11:28, 31,32.   

     Obviamente, quando Paulo trouxe o ensino acima, estava falando sobre a Ceia do Senhor e como se comportar nessa ocasião. Contudo, o princípio é o mesmo em relação a nós. Ou seja: cada um de nós precisa examinar-se e julgar a si mesmo, tomando como referência a Palavra de Deus, para que entenda se está ou não preparado para o encontro com Cristo, quando ele vier buscar “um povo seu especial, zeloso de boas obras” – Tito 2:14. 

     Geralmente, temos o costume de analisar a vida do nosso próximo. Afinal, quem gosta de enxergar erros em si mesmo? Porém, a Bíblia diz que cada um vai prestar contas de seus próprios atos a Deus. Veja: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” – 2 Coríntios 5:10 (Hebreus 9:27 e Apocalipse 14:13; 20:12 e 13 e 22:12 também falam sobre isso). 

     Portanto, independentemente de essa guerra ser um prenúncio da iminência da volta de Cristo ou não, porque “um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” – 2 Pedro 3:8; Salmo 90:4 – é muitíssimo importante estarmos preparados para esse evento. Para quem morrer nessa guerra ou para qualquer outra pessoa que partir, é como se o Senhor tivesse voltado, pois já não há mais a possibilidade de mudar de vida. No entanto, para nós que ainda vivemos, há tempo, e ele é mais do que oportuno para nos achegarmos mais e mais a Deus. As Escrituras declaram: “Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração” – Tiago 4:8.  

    Então, é hora de observarmos as rachaduras desse mundo corrompido e corruptor e de praticarmos o que disse Jesus: “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” – Marcos 13:33. Somente agindo assim, ouviremos a doce voz do Senhor a dizer: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” – Mateus 25:34. Eu quero ser recebido pelo Senhor desse jeito juntamente com minha família. E você?

Uma música antiga e mais que atual.
 

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Senhor, salva-me!

    “Mas, quando [Pedro] reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” (Mateus 14:30)      

    Criticar Pedro seria muito fácil. Mas andar sobre as águas como ele andou seria muito difícil. Por acaso, você já ouviu falar de outra pessoa, além dele e de Jesus, que fez isso sem nenhum tipo de apoio?

     Considero essa história bíblica uma das mais enriquecedoras e impressionantes. Ela está registrada em Mateus 14:22 ao 36 e ocorreu logo após a morte do profeta João Batista.

     Depois de ser informado desse fato, Jesus foi para um lugar deserto, pois queria ficar a sós. No entanto, descobriram para onde ele tinha ido e uma grande multidão foi aonde o Mestre estava. Aliás, sempre havia muitas pessoas nos lugares em que o Senhor se encontrava.

     Foi nesse dia que Cristo fez a primeira multiplicação de pães. Nessa ocasião, com apenas cinco pães e dois peixes, ele alimentou quase cinco mil homens, fora as mulheres e as crianças ali presentes – Mateus 14:13 ao 21. Em seguida, o Senhor ordenou a seus discípulos que entrassem no barco e fossem para a outra banda, onde ficava Genesaré – Mateus 14:22, 34.

     Quando terminou de despedir a multidão, o Mestre subiu ao monte para orar, como era seu costume – v 23. Ele sempre tirava um tempo especial para conversar com o Pai.

     Certamente, nesses momentos, Jesus compartilhava com Deus tudo que havia feito para ensinar e abençoar o povo. Não que o Pai não soubesse (ele é onisciente), mas por ter prazer em dividir suas alegrias e tristezas com ele.

    Enquanto isso, o barco dos discípulos estava no meio do mar, sendo açoitado pelas ondas, uma vez que o vento era contrário – v 24. Para aqueles homens experientes, os quais viviam pescando naquele ambiente, tempestades não eram novidade. Todavia, parece-me que, apesar da experiência deles, não estavam conseguindo avançar rumo à Genesaré.

     Como diz o ditado, “O que está ruim, pode piorar”. E piorou porque Jesus não estava com eles. Desse modo, o desfecho da história poderia ter sido trágico. Afinal, sabemos que, mesmo hoje, como embarcações gigantescas e com a existência sofisticados sistemas e instrumentos de navegação, ainda acontecem naufrágios. Imaginem, então, naquela época! Esses homens tinham apenas remos, velas, a cara e a coragem, como se diz popularmente.

     Por não estar escrito na Bíblia, não posso afirmar. Porém, pelo contexto, entendo que os discípulos ficaram meio perdidos, visto que ninguém consegue resistir à força de um mar revolto. Penso que muitos deles já tinham sido tomados pelo medo de morrer. Entretanto, felizmente, isso não aconteceu, pois, às três horas da manhã, o Senhor foi até eles andando por cima das águas – v 25.

     O que ocorre a seguir chega a ser meio cômico. Dadas as circunstâncias e, possivelmente, por algumas crenças que tinham, supuseram que estavam vendo fantasma e começaram a gritar – v 26. Imagine a cena! Um monte de homem barbado gritando de medo! Não é mesmo algo risível?

     Mas, a partir desse momento, a história começou a mudar. Cristo, imediatamente, lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo” – v 27. Então, Pedro, sempre ele, falou: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas” – v 28. Que coragem! Que fé! Pero no mucho, ou seja, mas não muito.

     A seguir, Jesus lhe falou: “Venha”. E Pedro realmente foi – v 29. Contudo, quando sentiu o vento forte, teve medo e começou a afundar – v 30. Nesse ponto, talvez a maioria de nós se atreva a declarar que ele foi um fraco. Talvez, estúpido. Mas… Será mesmo?

     Entendo que ele não foi um fraco, como possamos pensar a princípio. Porém, mesmo que tenha sido, isso definitivamente não é mais importante nesse episódio. Aqui, o que importa de verdade são alguns ensinamentos que podemos e devemos aprender e praticar. Então, vamos lá!

  • Quanto ao que fez Jesus, aprendemos que também precisamos reservar periodicamente um tempo para conversar com Deus. O Senhor sempre fazia isso. Assim, tinha comunhão com o Pai e se fortalecia espiritualmente.
  • O Senhor permitiu que os discípulos passassem por aquela adversidade, para que amadurecessem espiritual e emocionalmente. Além disso, percebe-se com clareza que não era o objetivo do Mestre deixá-los perecer, mas lhes ensinar algo que os ajudaria a conhecê-lo melhor. Além disso,  conheceriam a si mesmos e suas limitações.
  • Também quis mostrar que, por mais experientes, habilidosos e/ou inteligentes que sejamos, não somos autossuficientes. Ao contrário, sempre precisamos da intervenção do Senhor para nos ajudar a vencer os desafios e as adversidades que surgem ao longo da nossa trajetória aqui na terra.  

     Embora hoje muitos ensinem que devemos falar repetidamente para nós mesmos “eu posso” ou “eu consigo” (a Teologia do Coaching), Jesus continua declarando a quem tem ouvidos para ouvir: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma – João 15:7.

  • Outra lição que podemos aprender é que sempre haverá “ventos contrários”. Ninguém passa pela vida em total calmaria. Sempre há desafios e dificuldades a serem superadas, mas não estamos sozinhos. Veja o que Jesus declarou: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” – João 16:33.
  •  Precisamos tomar cuidado com nossas crenças equivocadas. Aqueles homens não conseguiram reconhecer Jesus. Pensaram ser um fantasma que se aproximava deles. E isso os deixou em pânico, impedindo-os enxergar o Salvador e a salvação que acabaram de chegar.

Hoje também as dificuldades que se nos apresentam podem se tornar insuportáveis, se nossa religiosidade ou incredulidade nos impedirem compreender que o Senhor ainda acalma tempestades, pois ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente – Hebreus 13:8. 

  • Jesus se apresentou a eles, dizendo: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo”. Ele ainda continua se apresentando a nós. De que maneira? Através dos registros das Escrituras Sagradas, mas também gerando uma grande paz interior, mesmo em meio ao caos exterior. Em alguns momentos, o Senhor usa pessoas e eventos para dizê-lo. E, em algumas situações, ele realmente fala de maneira audível.

     Veja o que diz o Senhor em Isaías 41:10: “Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa”.

  • Pedro teve a coragem de atender ao convite de Cristo, andou um pouco sobre as águas, mas depois sua fé vacilou. Por esse motivo, começou a afundar. Contudo, o Senhor não o deixou perecer. Antes, estendeu-lhe a mão e o salvou.

Conosco não é diferente. Muitas vezes, temos a ousadia de começar a fazer algo ou de crer em um milagre. No entanto, quando surgem as ondas desse imenso mar revolto (que é o mundo), fraquejamos e nossa fé foge de nós. Mas tenho uma boa notícia para você: o Senhor Jesus continua estendendo sua mão para nos sustentar e salvar em situações assim. Portanto, não se desespere, nem se desanime. Continue crendo, a despeito do que está vendo, sentindo, ouvindo ou de experiências negativas do passado.

  • Vendo-se numa situação em que sua força, capacidade e experiência eram insuficientes, ou mesmo nulas, Pedro fez uma sábia oração, usando apenas três palavras: “Senhor, salva-me!”.

Veja que ele não ficou enrolando, nem demonstrando todo o seu conhecimento teológico ou religioso. Também não teve receio de pedir ajuda. Naquele momento, não lhe importava o que os demais discípulos pensariam dele. Ao contrário, foi sincero e objetivo. E o socorro veio imediatamente.

Há momentos assim em nossa vida. Neles, não existe tempo para ficarmos planejando uma oração bonita para impressionar Deus (Como se isso fosse possível!), nem para preconceitos ou para demonstração de profundo conhecimento teológico, bíblico ou religioso. Só precisamos agir com sinceridade e objetividade para com o Senhor, que ele estenderá sua mão e nos salvará.

A palavra salvação, que se origina do latim salvare, pode ser tanto aplicada ao bem-estar físico quanto espiritual. Também tem origem na palavra grega soteria, a qual pode ser empregada com o sentido de cura, recuperação, redenção, remédio e resgate. Já no hebraico essa palavra envolve a ideia de segurança.

Assim, podemos ver que seu emprego engloba todas as áreas da nossa vida. No caso de Pedro, era necessário um tipo de salvação. No seu e no meu, pode ser outro. Mas isso tem pouca importância. O que de fato é relevante é que no Senhor há salvação para todos nós.   

  • Conforme vemos no versículo 32, logo que subiram no barco, o vento cessou. Isso aconteceu porque, a partir daquele momento, Jesus estava presente e no controle. Afinal, ele tem poder sobre tudo, inclusive sobre os elementos da natureza.

Conosco ocorre algo semelhante. Quando clamamos ao Senhor, ele nos estende a mão, entra no nosso barco e traz a calmaria, a paz e a segurança das quais tanto necessitamos, especialmente em dias tão conturbados como os atuais.

Cristo ainda continua chamando: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” – Mateus 11:28-30.  

Sendo assim, se ouvirmos a sua voz e atendermos ao seu chamado, não há dúvida de que haverá salvação plena para cada um de nós.

  • Depois de terem presenciado esse tão grande salvamento, os discípulos se aproximaram do Senhor, adoraram-no, declarando: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus” – Mateus 14:33.

Observe que existem três coisas importantes a serem destacadas aqui:

  1. Aproximaram-se do Senhor. Com eles, isso aconteceu de forma literal, ou seja, achegaram-se fisicamente a ele. Você e eu também não apenas podemos, mas devemos achegar-nos espiritualmente ao Senhor.

     Muitos, lamentavelmente, estão fazendo o contrário, ou melhor, afastando-se cada vez mais dele. Todavia, você pode agir de modo diferente e fazer o correto: aproximar-se.

2. Eles o adoraram. Um autêntico judeu jamais adoraria um ser ao qual não reconhecesse como sendo o Deus verdadeiro. Desde pequenos, ouviam e memorizavam o seguinte texto: “Ouve, ó Israel; o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, ao SENHOR teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” – Deuteronômio 6:4-9.

Desse modo, ao prestarem adoração a Jesus, estavam afirmando explicitamente que o reconheciam como Deus. Isso também é algo que precisamos fazer. Caso contrário, não teremos direito à salvação eterna: “Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” – João 17:3.

3. Os discípulos disseram: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus”. Note que eles não apenas o reconheceram como o Filho de Deus, mas verbalizaram. Nós Também precisamos fazer essa declaração pública da nossa crença e fé, pois “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação. Como diz a Escritura: Todo o que nele confia jamais será envergonhado” – Romanos 10:9-11.

Agora, só me resta dizer que, independentemente do problema pelo qual está passando, você pode fazer como Pedro, isto é, orar, dizendo: “Senhor, salva-me!”. Muitos talvez o tenham criticado por agir por impulso e depois fracassar. Quem sabe, você também tenha agido impensadamente e falhado. Mas, se clamar por socorro, certamente o Senhor lhe estenderá a mão e o levará em paz e segurança para o seu barco.   

Prof. Marcos Araújo

     Sugestão de música: Salva-me – Cynthia Nascimento

     Link: https://www.youtube.com/watch?v=NvbCSgfH7sY

 

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Mal transformado em bem

“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos. (Gênesis 50:20)       

     Certamente todos nós já fomos vítimas de alguma injustiça ou, pelo menos, nos consideramos injustiçados por alguém. Afinal, as relações humanas são muito complexas e, às vezes, mesmo que uma pessoa não perceba, age de maneira injusta ou algo que fez, até inconscientemente, é interpretado como um ato injusto, causando muito sofrimento à vítima.

     Para piorar, quando a injustiça é praticada por alguém muito próximo e, principalmente por uma pessoa a quem amamos, a dor se torna muito maior. Como resultado, muitos adoecem gravemente por não suportarem esse terrível fardo. Outros passam a planejar uma maneira de se vingar. Tais pessoas consideram que pagando o mal com outro mal se sentirão melhor. Mas seria realmente a melhor forma ou a que o Senhor ensina a fazer?

     Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, encontramos diversas histórias de pessoas que foram vítimas de algumas injustiças e traições. Em especial, Jesus. Embora nunca tenha praticado o mal contra ninguém, muitos agiram de forma completamente injusta para com ele, mesmo tendo recebido dele apenas o bem. No entanto, hoje, quero tomar como referência uma das histórias mais enriquecedoras: a de José, filho de Jacó (ou Israel), a qual está registrada em Gênesis, do capítulo 35 ao 50.

    José era o penúltimo filho. Os irmãos dele o consideravam o “queridinho do papai”. Para piorar, o pai o mandava ir aonde os demais filhos pastoreavam os rebanhos e trazer um relatório do que estava acontecendo nos campos. Obviamente, os outros o consideravam um fofoqueiro. Além disso, passou a ter uns sonhos um tanto esquisitos, os quais levaram seus irmãos a entender que José governaria sobre eles, e isso os deixou ainda mais furiosos. Mas a gota d’água foi o fato de o pai deles dar uma túnica colorida para esse jovem, indicando que ele seria o líder. Isso os fez sentir inveja e tomar a decisão de se livrarem daquele peso – Gênesis 37: 1 ao 24.

     Primeiramente, queriam matá-lo – vv 18 – 20. Quando Rúben, o primogênito soube, interveio e não os deixou tirar a vida do irmão. Porém, lançaram-no num poço. Mais tarde, quando passou uma caravana de comerciantes ismaelitas, Judá sugeriu que vendessem José, mesmo sem o consentimento do primogênito, o qual era naturalmente o líder deles. E foi isso que aconteceu. O jovem foi vendido e levado para o Egito – v 25 ao 31. Posteriormente, contaram ao pai aquela história de que uma fera o havia devorado. Essa foi a primeira grande injustiça sofrida pelo moço.

     No capítulo 39, lemos o relato de que José foi vendido como escravo a Potifar, o capitão da guarda do faraó. Lá, Deus o fez prosperar grandemente: “E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio” – Gênesis 39:2.

     Ao perceber que José era uma pessoa diferenciada e abençoada, Potifar o colocou como administrador de todas as coisas em sua casa. E, em consequência disso, veja o que ocorreu: “E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo” – Gênesis 39:3 ao 6.

    Por ser um jovem atraente e de boa aparência, a mulher do patrão começou a cobiçá-lo e desejava se relacionar sexualmente com ele. Contudo, José lhe respondeu dessa forma: “Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo e entregou em minha mão tudo o que tem. Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” – Gênesis 39:8,9.

    A mulher, porém, estava decidida convencê-lo. Como o rapaz se recusava a trair Potifar, e sobretudo ao Senhor, ela inventou a história de que José tinha tentado forçá-la a se relacionar com ele. Isso fatalmente o levou à prisão. Afinal, o que supostamente ele fizera era gravíssimo – Gênesis 39:10 ao 20. Assim se torna vítima de mais uma enorme injustiça.   

     Paremos um pouco aqui. Responda-me com sinceridade: Esse jovem não tinha motivos mais do que suficientes para se revoltar contra Deus e as pessoas que lhe provocaram tanto sofrimento? Já que ele estava longe de casa e tendo a possibilidade de se dar bem até com a mulher do “chefe”, a qual devia ser bonita e atraente, por que não o fez? Para a maioria das pessoas de hoje, certamente esse jovem era um grande tolo. Mas… Será que era mesmo?

     Na sequência, mais uma vez encontramos algo maravilhoso: O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere; e ele fazia tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele; e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava – Gênesis 39:21-23.  

    No capítulo 40, encontramos o relato de que o padeiro e o copeiro do rei cometeram um “deslize” e foram parar no cárcere. Lá, cada um deles teve um sonho e o contaram para José, o qual lhes deu a interpretação. E aconteceu exatamente como fora dito. Então, José fez um pedido ao copeiro: “Porém lembra-te de mim, quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito, para que me pusessem nesta cova” – Gênesis 40:14,15. No entanto, o copeiro se esqueceu da promessa feita ao intérprete de seu sonho – Gênesis 40: 23. Então, mais uma injustiça foi anotada na lista.

    Segundo vemos no capítulo 41 que, passados dois anos do sonho do copeiro, o faraó teve uns sonhos estranhos, aos quais nenhum dos adivinhadores e sábios do Egito soube dar a interpretação. Nesse momento, o copeiro se lembrou de José, da promessa que lhe fizera e contou para o faraó o acontecido na prisão – Gênesis 41: 9 ao 13.

     Após esse relato, o monarca ordenou que trouxessem José. Então, contou-lhe tudo o que sonhara e ouviu a explicação sobre o significado do sonho. Mas, além da interpretação dada, houve também a sugestão de como o governante deveria agir a partir daquele momento – Gênesis 41:14 ao 37. Nesse dia, começou a mudança radical na vida desse jovem tão fiel a Deus e às pessoas em seu entorno.

     Conforme lemos nos versículos de 38 a 47, José foi nomeado a governador de todo o Egito, sendo menor em poder e autoridade apenas em relação ao faraó. Tudo estava nas mãos desse homem honrado, agora com trinta anos de idade.

     Com a autoridade dada pelo rei, José começou a colocar o plano indicado por Deus em ação. E tudo foi acontecendo como já era de se esperar, pois o Senhor o fez prosperar nesse negócio também – Gênesis 41: 48 ao 57. Mas o melhor da restituição de Deus ainda estava por vir. E veio.

    No capítulo 42, passamos a saber que a fome também chegara à terra de Canaã e, consequentemente, à casa de Israel/Jacó, pai de José. Por isso, quando souberam que no Egito havia alimento para comprar, seus irmãos receberam autorização de Israel para irem até lá adquirir mantimentos. E foram.

     Tempos depois, acabando a comida, seus irmãos precisaram ir novamente ao Egito. Lá, José se revela a eles e recebe autorização do faraó para toda a família morar naquele lugar. Aliás, receberam tudo o que era bom e necessário para viverem naquele país. E assim aconteceu.

     No entanto, passados vários anos, o pai deles morreu. Como seus irmãos ainda tinham a consciência pesada pelo mal que fizeram, ficaram muito temerosos, supondo que José ia se vingar de todos eles: “Vendo, então, os irmãos de José que o seu pai já estava morto, disseram: Porventura, nos aborrecerá José e nos pagará certamente todo o mal que lhe fizemos” – Gênesis 50:15.  

    Em consequência desse medo, enviaram representantes para falar com José: “Portanto, enviaram a José, dizendo: Teu pai mandou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam” – Gênesis 50:16,17.   

    Depois desse episódio, eles mesmos foram ter com o irmão, prostraram-se diante dele e disseram: “Eis-nos aqui por teus servos” – Gênesis 50:18. Certamente, estavam reconhecendo não apenas seus erros do passado, mas também o poder e autoridade de José sobre eles. Isso os deixava amedrontados e sentindo-se reféns daquela situação. Assim, supunham que seriam punidos pela injustiça cometida há tantos anos. E, pelo que declararam, estavam dispostos a aceitar a posição de servos.

     Para dizer a verdade, analisando a situação do ponto de vista humano, José tinha todo o direito de se vingar de seus irmãos e de transformá-los em seus escravos. Afinal, eles o prejudicaram severamente. Quantas coisas ele deixou de viver junto com o pai, o irmão mais novo, amigos e, talvez, com uma namorada! Quanto sofrimento físico e emocional!… Quem sabe, poderia ter se casado, gerado filhos, sido feliz…

    Mas agora o jogo mudara. Estavam no território governado justamente por quem havia sofrido tantas injustiças da parte deles. Portanto, seria mais do que compreensível se o coração desse homem estivesse cheio de ódio, mágoa, ressentimentos, traumas e revoltas a ponto de culminar com uma punição à altura de sua dor. Porém, não foi o que aconteceu.

     Não?! Não! Veja o que José lhes disse: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” – Gênesis 50:19-21.

     Agora chegamos à parte mais importante dessa história. Sendo assim, gostaria que você estivesse atento a cada palavra a seguir:

  • Por que Deus estava com esse jovem e o fazia prosperar em tudo que ele realizava lá no Egito, conforme lemos em algumas passagens bíblicas?

“E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gênesis 39:2)

“O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor.” (Gênesis 39:21)

Entendo que o Senhor o fez prosperar porque, apesar de ter sofrido tantas injustiças, ele, como Jó – Jó 1:22, não pecou nem atribuiu falta/culpa alguma a Deus. Muitas pessoas, mesmo que indireta ou inconscientemente, culpam o Senhor pelas injustiças ou desgraças que lhes sobrevêm. Por isso, se revoltam e viram as costas para ele.

Ademais, mesmo distante da casa de seu pai e estando no meio de um povo com costumes e valores diferentes dos seus, esse jovem manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade ao Senhor.

Em tese, para ele teria sido muito mais fácil aceitar a proposta da mulher de Potifar. Certamente, isso lhe traria alguns benefícios, regalias e prazer. Sem contar que sua família jamais ficaria sabendo. No entanto, veja a declaração dele: “Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus? – Gênesis 39:9.

Infelizmente, é muito comum vermos pessoas que de fato foram vítimas de injustiças e traição ou que se sentem prejudicadas se vingarem fazendo o mesmo ou algo semelhante.

Por exemplo: Quando um cônjuge é traído e faz o mesmo, não está revelando somente a deformidade de caráter do outro, mas do seu próprio. Dessa maneira, abrem mão de seus valores e compromisso com Deus e pecam também. Será que agindo assim são, aos olhos de Deus, diferentes dos outros?

Tais pessoas se esquecem de que seu caráter não é e não pode ser formado a partir do caráter de outros, mas do caráter de Cristo, pois o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2) e o exemplo a ser seguido é ele, não seus semelhantes – João 13:15. Em outras palavras: José não usou como pretexto ou justificativa o pecado dos que o prejudicaram para pecar também.

  • Outra razão é que esse moço não permitiu que o ódio e outros sentimentos ruins tomassem conta de seu coração. Isso fica claro em suas conversas com seus irmãos, quando diz: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus?” – Gênesis 50:19.

Evidentemente, se ele fosse movido por sentimentos ruins, jamais diria essa frase. Ao contrário, teria aproveitado a oportunidade para jogar na cara os erros dos irmãos e vingar-se da melhor maneira que conseguisse.

José entendeu o que muitos de nós não entendem: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor. (…) Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” – Romanos 12:19, 21.

A justiça humana é sempre imperfeita e parcial, pois somos limitados e não conseguimos ir além daquilo que está diante dos nossos olhos. Mas a de Deus é perfeita e imparcial. Logo, nada melhor do que entregar nossas questões nas mãos dele, pois ele pelejará por nós, e nós nos calaremos – Êxodo 14:14.

  • Outra coisa importantíssima está registrada em Gênesis 50:20: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20.

     Ao dizer isso, ele nos traz algumas revelações muito relevantes: não era aquela forma que Deus ia usar para garantir a sobrevivência e a continuidade de seu povo. Ele sempre tem um plano muitíssimo melhor para seus filhos: “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” – Jeremias 29:11.

     Além disso, vemos a clareza de entendimento de José ao dizer que seus irmãos realmente haviam intentado o mal contra ele, mas que o Senhor tinha transformado o mal em bem. Ele não agiu com hipocrisia. Também entendeu por que o Deus fizera essa transformação.

     Quando estamos no olho do furacão, geralmente não conseguimos enxergar com essa clareza. Ao contrário, vemos apenas a tragédia. Entretanto, penso que hoje Deus também age assim. Até podem planejar o mal contra nós e, a princípio, parece-nos que atingiram seu objetivo. Mas, se tivermos a ajuda do Espírito Santo, certamente teremos condições de ver a ação do Senhor em nosso benefício.

     Talvez, você esteja pensando: “Ele está falando isso por não conhecer a minha história nem a minha dor”. Isso é verdade. Todavia, ainda que eu as conhecesse, provavelmente não faria muita diferença. O que importa de fato é que o Senhor sabe tudo a seu respeito. E, apesar de serem histórias, épocas, culturas e motivações diferentes, o princípio da ação de Deus continua sendo o mesmo: cuidar de seus filhos – Mateus 7:7 ao 11.

    O que quero dizer é que, independentemente do que lhe aconteceu, o Senhor pode mudar por completo o rumo da sua história, como fez com José. Quando tudo indicava que ele ficaria por um longo tempo na prisão, Deus deu sonhos ao faraó, o que gerou a oportunidade perfeita para honrar seu filho. Hoje, ele pode fazer algo semelhante com você.

     Há ainda outro motivo pelo qual Deus fez com que José fosse bem-sucedido em tudo o que fazia, embora não pareça aos olhos humanos, e o tornou governador. Estou me referindo à sua capacidade de perdoar. (Isso está totalmente ligado ao que já foi dito.) Como vimos, com a morte de Jacó, os irmãos pensaram que iam ser punidos. Mas foram perdoados. Aliás, ao que tudo indica, já haviam sido perdoados há muito tempo.

     Perdoar é fundamental. Não porque o ofensor merece. Primeiro, é preciso por ser um mandamento do Senhor: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” – Mateus 6:14.  E mais: “Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas” – Marcos 11:26. 

     Outro motivo pelo qual devemos perdoar é para nos libertarmos do pesado fardo cheio de mágoa, amargura, ressentimento, ódio e revolta. Tais sentimentos, segundo a Ciência, mas também segundo a Bíblia, só nos fazem adoecer em todas as áreas (emocional, mental, relacional, física e espiritual).

     O apóstolo Paulo apresenta mais uma razão pela qual devemos liberar perdão. Veja o que ele disse: “E a quem perdoardes alguma coisa também eu; porque o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás, porque não ignoramos os seus ardis” – 2 Coríntios 2:10,11.

     Mas… Como seríamos vencidos pelo maligno? Simples: Ele usaria esses sentimentos ruins para nos torturar. Poderia levar-nos à depressão, ao desejo de vingança, à revolta contra Deus por supor que ele é o culpado pelo nosso infortúnio ou infelicidade. Para piorar, em muitos casos, ele sugere o suicídio como maneira de se livrar do sofrimento ou um assassinato. E o tiro de misericórdia é conduzir-nos à perdição eterna, pois quem não perdoa também não recebe o perdão de Deus – Mateus 6:15. Por isso, quando tomamos a decisão de perdoar, o maior beneficiado somos nós mesmos.

     Agora, o motivo final da ação de perdoar é libertar a pessoa que ofendeu e prejudicou. Sei que em muitos casos a pessoa não está nem um pouco preocupada com isso. Nesse caso, a responsabilidade é toda dela e as consequências também. O que importa de fato é que façamos a nossa parte, em obediência a Deus.

     Juntando-se a tudo o que já foi dito, existe outro motivo que o levou a ser honrado: reconhecer que sua capacidade de interpretar sonhos não vinha de si mesmo, mas do Senhor. Veja: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” – Gênesis 41:16. Isso demonstra que realmente conhecia a Deus e era humilde. Afinal, ele poderia aproveitar a oportunidade para se autopromover. Porém, não o fez. Deus a glória ao Senhor.

     Agora, só me resta dizer que faz alguns meses que venho refletindo sobre a história de José, especialmente sobre a parte na qual ele diz: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20. E, mais uma vez, a conclusão a que cheguei é que Deus continua transformando o mal em bem, com um propósito: conservar-nos   com saúde relacional, física, mental, emocional e espiritual, ou seja, com vida de verdade. Talvez, seja por querer conservar seu casamento, sua família, seus filhos, sua integridade e dignidade, sua igreja e assim por diante.  

     Também concluí novamente que o caráter de uma pessoa não está diretamente ligado à sua idade, mas ao seu compromisso com o Senhor. Quando José foi para o Egito, tinha cerca de dezessete anos. Era muito jovem ainda. Mesmo assim, manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade a Deus, a despeito de todas as dificuldades e tentações por que passou.

      Por isso, tentar justificar suas falhas com base na idade é, no mínimo, falta de hombridade e de humildade para reconhecer que errou. Mas não podemos nos esquecer das seguintes palavras: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” – Provérbios 28:13. E ainda: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1João 1:9.

     Por fim, preciso registrar: Deus não aceita desculpas ou justificativas para o erro. Mas “a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” – Salmos 51:17.

 

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Palavras com que se escreve uma nova história

     “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.”               (Salmos 119:18 – ARC)

     Se eu lhe perguntasse quantas vezes leu ou ouviu palestras sobre a Parábola do filho pródigo, certamente você teria dificuldade para dizer a quantidade. No entanto, penso que foram muitas. Afinal, mesmo quem tem pouca familiaridade com as Escrituras Sagradas, conhece alguma coisa a respeito dessa narrativa.

     Desse modo, a princípio parece desnecessário escrever mais um artigo sobre essa história contada por Jesus. Porém, a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de água para o sedento e sempre existe algo para aprender com ela ou, pelo menos, relembrar. E entendo ser justamente por esse motivo que mais uma vez fui levado pelo Espírito Santo a ministrar sobre ela e, agora, a escrever a seu respeito.

     Quando olhamos para o início do capítulo 15 de Lucas, encontramos o seguinte registro: “E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” – 15:1 e 2. Por causa dos comentários inconvenientes desses homens, o Senhor contou três parábolas: A ovelha perdida, A dracma perdida e O filho pródigo.

     A partir do versículo 11, o Mestre começa a contar essa história, dizendo: “Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda” – Lucas 15:11,12.

     Pedir a herança antes da morte do pai era um grande desrespeito. Soava como se desejasse que ele morresse ou que já estivesse morto. Contudo, esse não é o único significado problemático por trás do pedido do jovem. Pedir sua parte antecipadamente era consequência da ingratidão que habitava sua alma. E o efeito disso não podia ser outro: ele não conseguia ver o que desfrutava estando na casa do pai: amor, proteção, segurança, suprimento para suas necessidades básicas e, sobretudo, a presença de seu genitor.

     A ingratidão sempre culmina com a insatisfação. Por isso, todas as coisas materiais ou imateriais recebidas ou não eram vistas ou não eram valorizadas. O simples fato de estar ali o sufocava e, talvez, o revoltava. Quem sabe, ele se sentia reprimido. Impossibilitado de fazer o que viesse à sua cabeça. De satisfazer todos os seus desejos carnais. Assim, para esse jovem, a casa do pai deixou de ser um lar e passou a ser uma prisão.

     O texto continua: “E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente” – Lucas 15:13

     Uma coisa relevante é que aquele filho não saiu de casa logo após ter recebido a parte da herança que lhe cabia por direito, mas alguns dias depois.

     Essa informação é muito interessante e importante. Indica que ele teve tempo para refletir sobre o que fizera. Para se arrepender e se corrigir diante do pai. Talvez, ele tenha vivido um grande conflito interior. Quem sabe, a consciência o acusou e mostrou a necessidade de que pedisse perdão ao pai. Mas não o fez. Não deu ouvidos a ela e convenceu a si mesmo de que ir para longe do pai era o melhor a fazer.

     E se foi. Resoluto. Inconsequente. Com mil planos em sua cabeça, vislumbrando apenas os supostos benefícios resultantes da decisão tomada. Sem dúvida, se lhe passava na mente algum pensamento negativo, logo ele o afugentava bravamente. Afinal, ele era jovem. Dono da própria vida. Sabia o que estava fazendo. A seus próprios olhos, onipotente.

     Esse cenário é diferente do que vemos hoje? Penso que não. Quantas pessoas conhecidas abandonam a Casa do Pai por se sentirem desse jeito! Infelizmente, muitos de nós, em algum momento, desejamos fazer isso também. E, se não a deixamos fisicamente, o fazemos espiritualmente.

     Como diz a Bíblia em Atos 7:39, muitos hebreus que deixaram o Egito sob a liderança de Moisés, o libertador enviado pelo Senhor, voltaram para lá em seu coração (Atos 7:39). Da mesma maneira, voltamos ou nos voltamos para o mundo, deixando-nos enganar pela suposta liberdade que há fora da Casa do Pai e, como o jovem da parábola, tornamo-nos pródigos também.

     Ainda no versículo 13, somos informados de que esse rapaz foi para uma terra longínqua. Isso nos leva a entender que ele almejava romper completamente os laços com seu pai e com seu irmão. Não queria correr o risco de sofrer interferências indesejáveis ou indesejadas.

     No início, parece que tudo transcorreu como ele sonhara. Geralmente quem possui dinheiro consegue fazer muitos “amigos”. Ter os namorados ou as namoradas que desejar. Sexo à vontade. E muito mais… Mas, sempre que acaba o dinheiro, tais pessoas desaparecem, como num passe de mágica, pois a riqueza pode “comprar” momentos de atenção e prazer e supostas amizades. Todavia, jamais comprará amor verdadeiro ou amigos de fato.

     Em minha cidade natal, houve um jovem que ganhou milhões na loteria. Comprou uma fazenda, de porteira fechada – com todo o maquinário, toda a estrutura e o todo o gado que nela havia. Carro novo. Conquistou mulheres. Vivia cercado de “amigos”. Sentado num bar, pagava comida e bebida para todos. Entretanto, quando o dinheiro acabou, os supostos amigos e as moças que o bajulavam passaram a ignorá-lo. O choque de se ver sem todas as regalias compradas pelo dinheiro o deixou doente e, por fim, foi parar num hospital psiquiátrico. Quando recebeu alta, passou a ser “invisível”. Aqueles que antes se diziam seus amigos, agora fugiam dele, fingindo não o conhecer.     

     Por certo, ocorreu algo semelhante com a personagem dessa narrativa. No versículo 13, lemos que o moço desperdiçou todos os seus bens, vivendo irresponsavelmente. Para piorar, veio uma grande fome sobre aquela terra e ele começou a passar necessidade (v 14). O tempo de glória acabara.

     Com fome e sem o dinheiro da herança, o jovem busca trabalho para se sustentar e, desesperado, aceita um cargo que nenhum judeu jamais pensaria ocupar: cuidador de porcos.

      Segundo a lei do Antigo Testamento, porcos eram animais impuros, de maneira que aquele que tivesse contato com esses animais também se tornaria impuro. Portanto, a aceitação desse trabalho, demonstra a total degradação a que chegara esse rapaz.

      Por acaso, não acontece algo semelhante com muitos dos que abandonam a Casa do Pai? Ao chegarem espiritual e financeiramente ao “fundo do poço”, fazem coisas que antes eram inimagináveis, por serem impuras, imorais, degradantes ou humilhantes aos olhos de Deus. 

     Apesar de ter conseguido um trabalho, a história relata que o jovem continuava a passar fome, chegando a desejar a comida que era dada aos porcos, mas nem isso lhe davam – Lucas 15:15 e 16. Em outras palavras: naquele momento, ele estava sendo tratado como um ser inferior àqueles animais.

     Quando esse rapaz passa a ser tratado como inferior aos porcos, podemos dizer que, para a cultura da época, ele não tinha mais valor nenhum. Mas, surpreendentemente, este não foi o seu fim. Que bom!

     O início da grande reviravolta começa a acontecer quando entra em cena outra palavra: reconhecimento. No versículo 17, lemos: “E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!”.

     Para entendermos melhor, preciso dizer que, quando escreve “caindo em si”, o autor quer dizer que o jovem reconheceu a situação em que estava e como havia errado com seu Pai. Num sentido comum ou corriqueiro, reconhecer significa tomar conhecimento, trazer à mente de novo, certificar-se. Mas vai além disso.Na prática, quer dizer: ter um novo conhecimento ou olhar com outros olhos para o mesmo objeto ou situação. E, ao fazer isso, a pessoa consegue enxergar aquilo que até então não lhe era visível.

     Agora, com seus olhos abertos, ele consegue fazer um julgamento correto da situação na qual se encontrava e uma comparação justa entre sua vida atual e a que tivera na Casa do Pai. Assim, o reconhecimento torna-se o pontapé inicial para a transformação da história desse rapaz.

     O arrependimento autêntico é o primeiro efeito causado pelo reconhecimento. O segundo, a humildade: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores/jornaleiros” – Lucas 15:18,19.

     Arrependimento verdadeiro sempre é acompanhado pela humildade. Sem ela, até pode haver remorso, vergonha de uma atitude tomada, mas nunca verdadeiro arrependimento. Sem a humildade, é possível que o jovem decidisse ir para uma terra ainda mais distante, para evitar que seu pai, irmão e conhecidos soubessem de sua situação degradante. Entretanto, sendo humilde, ele decide não fugir, mas voltar à Casa do Pai.  

     Seu arrependimento é tão verdadeiro e profundo que entende não mais merecer ser tratado como filho. Para o jovem, era mais prudente pedir que seu pai o aceitasse como um trabalhador diarista, sem compromisso formal, recebendo por dia trabalhado. De fato, ele havia compreendido a gravidade do que fizera. Mas o pai tinha outros planos para seu filho. Como Deus também tem para todos nós, pródigos, que decidimos voltar para Casa.

     No versículo 20, vemos que o jovem realmente volta para casa. Penso que houve um grande conflito interior, que aconteceu uma batalha entre o orgulho e a humildade. Suponho que o jovem temeu enfrentar o pai e que, muito provavelmente, pensou em desistir. Mas prosseguiu. Felizmente!

     Ainda nesse versículo, vemos que o pai avistou o filho ainda longe, correu até ele, e o beijou. Algo parece errado. Não era o filho quem devia correr em direção ao pai? Aliás, esse jovem deveria ter se prostrado aos pés do pai em sinal de arrependimento e humildade. Seria o mais lógico a fazer.

     Há muitas lições importantes nessa parte da história, para as quais devemos atentar. Uma delas é que quando decidimos voltar para a Casa do Pai, ele está à espera e ansioso por esse momento. Observe que o pai o avistou ao longe. Ora, isso dá a entender que esse homem estava olhando para a estrada a esperar o retorno do filho. Como o Pai Celestial também sempre aguarda, ansioso, o regresso de filhos pródigos que compreenderam que a Casa dele é o melhor lugar onde um filho pode estar.

     Outra lição é: o pai sabia que, ao voltar para casa, o filho demonstrava estar arrependido, tendo reconhecido os próprios erros. Por isso, o pai o recebe de braços abertos. Assim também Deus, quando nos vê no caminho de volta para casa, recebe-nos calorosamente, sem apontar para nós um dedo de acusação e/ou nos repreender pelas atitudes vergonhosas.

     Para aquele pai, assim como para nosso Pai Celestial, o arrependimento sincero era mais importante do que os erros cometidos. Como sinal disso, o pai pede a seus empregados que tragam para o filho: roupas novas (para cobrir uma possível nudez), restaurando sua dignidade; um anel (para restaurar seu status de filho e herdeiro) e sandálias, para que pudesse caminhar seguro, sem se ferir.

     Em seguida, aquele pai ordena que tragam o bezerro cevado, reservado para eventos especiais, para fazerem um churrasco e comemorar o retorno do filho – Lucas 15:23. Aquela era uma ocasião especialíssima. Logo, merecia uma festa. Isso lembra o que Jesus disse: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” – Lucas 15:7.  

      A seguir, o pai justifica o motivo da celebração: “… porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se” – Lucas 15:23. Que maravilha! Agora aquele filho estava reintegrado à família! Ele certamente enfrentaria problemas em consequência de seus atos (como a rejeição do irmão). No entanto, ele venceria porque novamente estava na casa e na presença de seu pai e podia contar com ele para ajudá-lo.

     Para concluir, bastam apenas algumas considerações:

  • Ainda que sejamos ou ajamos como pródigos, o Pai Celestial sempre está de braços abertos para receber aqueles que reconhecem seus erros, arrependem-se sinceramente e retornam para Casa.
  • Ainda que o filho não entendesse o que significa graça (favor a quem não merece) e perdão, foi justamente o que o Pai, generosamente, lhe ofereceu. Você pode não entender profundamente também. Não importa. Mesmo sem compreender, é isso que o Senhor tem para lhe oferecer quando decidir voltar para a Casa Dele.
  • Você é mais importante do que seus erros. Por isso, Deus enviou Jesus para morrer em seu lugar: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16
  • Os erros sempre trazem consequências negativas, como aconteceu com Davi. Mas, estando na Casa do Pai, você receberá a ajuda necessária para vencer (Romanos 8:26).
  • Não existe dúvida de que depois do perdão e aceitação recebidos na Casa do Pai, aquele filho tornou-se grato por tudo.
  • Estando na casa do Pai, mesmo que não tenha tudo o que deseja ou pensa que merece, você tem o bem maior – a presença e o amor do Pai.
  • Não seja como muitos, que querem a parte da herança (as bênçãos), mas não querem o Pai e a presença dele.

     Compreendemos, dessa maneira, que não existe nada melhor para alguém do que estar e viver na Casa de Deus. Ainda que as propostas do mundo sejam tentadoras, certamente são apenas passageiras e ilusórias. Assim, a alegria e o prazer que geram não valem a pena. Milhões de pessoas já se iludiram com elas e, depois de muito sofrerem, compreenderam que estavam erradas e voltaram.

     Portanto, se esse for o seu caso, volte também. E, se você não saiu fisicamente, mas seu coração já está no mundo, ainda é tempo de refletir e de tomar a decisão de permanecer na Casa do Pai. Por fim, lembre-se de que seu reconhecimento, arrependimento, humildade gerarão graça, perdão, aceitação e acolhimento da parte do Pai Celestial. E é com elas que se escreve uma nova história de vida, de paz, vitória e felicidade verdadeira.

Para ouvir: Filho Pródigo – Voz da Verdade

 

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Palavras em extinção

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão – disse Jesus.” (Marcos 13:31)

    A língua não é estática. Ao contrário, ela está em constante movimento. Por isso, novas palavras são criadas com certa frequência, para atender às novas demandas do mercado de trabalho e empresarial. Além disso, grupos sociais diversos criam suas gírias, a fim de dar uma identidade exclusiva à galera e facilitar a comunicação entre seus pares.

    Mas não é somente isso. A língua oficial também sofre mudanças para, pelo menos em tese, tornar mais fácil e prática a comunicação através da escrita, conforme aconteceu faz alguns anos com os países falantes da Língua Portuguesa. Há, ainda, outro fenômeno interessante:  a extinção de algumas palavras e expressões. E esse acontecimento é algo natural.

    Por outro lado, existem algumas palavras que, indevidamente, estão sendo extintas ou, no mínimo, caindo em desuso, mas que não deveriam ser vítimas desse palavricídio, ou seja, assassinato de palavras. (Viu? Acabei de inventar uma! Esse processo se chama neologismo). Pelo menos, essas mortes não deveriam ocorrer pelas mãos de quem declara ser cristão, pois elas demonstram claramente que a fé professada é autêntica e profunda.

    Uma dessas palavras é arrependimento. Ela é de origem grega (μετάνοια, metanoia) e significa conversão (tanto espiritual como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos ou caráter, geralmente conotando uma evolução pessoal”.  

    Em se tratando do sentido bíblico, há verdadeiro arrependimento quando um indivíduo reconhece que pisou na bola com Deus ou mesmo com uma pessoa.  Consequentemente, sente um profundo pesar pelo que fez e está disposto a mudar de direção, de mente e de atitude, uma vez que a ação praticada ou o comportamento adotado afrontou ao Senhor ou causou danos a quem foi vítima disso.

    Diante dessa explicação, entendo que foi por esse motivo que Deus orientou João Batista a iniciar seu ministério como precursor do Messias (aquele que anuncia, prenuncia, prepara ou indica a vinda de alguém ou um acontecimento) pregando a necessidade de arrependimento. Veja o que a Bíblia diz: Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados – Lucas 3:3.  

    Algo semelhante aconteceu logo após a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Agora, cheio de autoridade, Pedro se levanta diante da multidão e anuncia o evangelho aos presentes. Muitos deles creram e perguntaram aos apóstolos o que deveriam fazer para ser salvos – Atos 2:37.

    Então Pedro lhes respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” – Atos 2:38. E foi isso que eles fizeram. Somente naquele dia, quase três mil pessoas se converteram,  porque tinham reconhecido que eram pecadoras e, por essa razão, precisavam do Senhor.


    Em outras palavras, uma conversão é autêntica quando vem precedida de arrependimento sincero. Caso contrário, pode até ser remorso, o qual, no sentido bíblico, é apenas um constrangimento por ter feito algo errado, mas que não é acompanhado de real mudança de comportamento, atitudes, mente e coração.

    Desse modo, quando uma pessoa se declara convertida, inevitavelmente deverá haver uma total rejeição àquilo que afronta a Deus. Por isso, ao ver alguém que se declara cristão dizer que não se arrepende de nada do que fez, conclui-se que tal pessoa não compreendeu o Evangelho e que uma conversão genuína passa, obrigatoriamente, por esse requisito. Afinal, é isso que as Escrituras Sagradas ensinam.

     O livro de Atos dos apóstolos, por exemplo, está repleto de eventos nos quais os homens de Deus falavam da necessidade de crer em Jesus e arrepender-se dos pecados cometidos. E o próprio Senhor fala em Lucas 15:7: Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Portanto, arrepender-se não é opção pessoal, porém uma condição estabelecida por Deus, para que um indivíduo tenha direito ao perdão de seus pecados e à salvação em Cristo.

    Outra palavra em processo de extinção é renúncia. Para entender melhor aonde almejo chegar, vejamos o significado dela: não querer; recusar, rejeitar; desistir da posse de alguma coisa; abdicar. Ou seja, quer dizer abrir mão daquilo que lhe pertence ou que gostaria de possuir, por alguma razão especial ou nobre. Por exemplo, deixar de descansar depois de um dia exaustivo para brincar com um filho que o esperou durante longas horas para passarem alguns momentos juntos.

    No entanto, tem acontecido algo preocupante na sociedade atual. Nessa cultura hedonista, isto é, dedicada ao prazer como estilo de vida, por vê-lo como o bem supremo e finalidade principal da existência, as pessoas têm aberto mão de valores humanos indispensáveis e se lançado de corpo e alma a toda sorte de práticas que contrariam a vontade de Deus.

     Hoje, para se dar bem ou ser “felizes”, muitos roubam, matam, fazem qualquer negócio ou praticam quaisquer tipos de imoralidade, não se importando se estão ferindo seu semelhante ou ao Senhor. Logo, atraem para si toda sorte de males físicos, morais, emocionais, psicológicos e, sobretudo, espirituais.

    Mas o pior é que mesmo entre os que professam a fé em Cristo há quem age dessa forma, ignorando, desse modo, os ensinos das Sagradas Escrituras. Esquecem-se de que, agindo assim, estão virando as costas para o Senhor, invalidando o sacrifício dele lá naquela sangrenta cruz e, em consequência disso, perdendo a salvação eterna. Aliás, muitos já nem acreditam nisso. Que pena! Que perigo!

     Quando olhamos para a Bíblia com os olhos revestidos de reverência e humildade, vemos Jesus dizendo: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” – Mateus 16:24. Lembra-se de que renunciar quer dizer recusar ou desistir da posse de alguma coisa

    Já em Marcos 8:34, o Mestre declara: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Parece ainda mais forte essa declaração do Senhor. Negar-se a si mesmo… Tomar a cruz… Segui-lo…  

    Como é difícil  abrir mão de coisas das quais gostamos!! Pode ser um vício. Um relacionamento com alguém. Um pecadinho de estimação. Um mau hábito. Um comportamento inadequado. Uma crença, um conceito ou outras coisas consideradas legais ou importantes. Como diz um humorista: “É difíci!… Muito difíci!”. Porém… se quisermos aquilo que o Senhor tem para nos oferecer, é necessário.

    Ao falar sobre tomar a cruz, preciso esclarecer umas coisinhas. Existem, por aí, pessoas crendo que tomar a cruz significa aceitar passivamente o sofrimento, a miséria ou quaisquer desgraças que podem sobrevir a nós. Ledo engano! Não tem nada a ver com isso. Cristo quis dizer que quem decide ser cristão, ou melhor, um discípulo dele deve assumir tal responsabilidade e cumprir seus compromissos de seguidor dele. Em outras palavras, deve andar como ele andou. Sobretudo ser reverente e obediente ao Pai – Filipenses 2:8.

    Mas há outra coisinha que não posso deixar de fora dessa argumentação. Quando Deus pede que renunciemos alguma coisa, neguemos a nós mesmos, tomemos nossa cruz e o sigamos, não está sendo um estraga-prazer. Ao contrário, ele o faz porque tem algo melhor para nos oferecer. Por exemplo: paz de espírito, segurança, felicidade, prosperidade e tantas outras tão importantes quanto essas.

    Para entender melhor, pense no que vou dizer a seguir. Contudo, já lhe peço que não me leve a mal por exemplificar dessa forma tão simplória: um cão faminto está roendo um osso sem nenhuma carne, pois é a única coisa que ele tem para enganar a fome. De repente, alguém lhe dá um suculento bife. O que ele vai fazer? Bingo! Você acertou! 

     Logicamente, vai largar o osso e comer com voracidade a carne, porque ela é melhor. Da mesma maneira, Deus faz conosco. Ele tem algo melhor a nos oferecer do que nossos vícios, conceitos, filosofias, pecadinhos de estimação ou outros semelhantes a esses. Basta aceitarmos de bom grado seu presente.

    Todavia, existe outra mais importante do que todas as mencionadas acima: a salvação eterna. Foi para isso que ele enviou Jesus: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16. Veja também I João 2:25: E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

   Mais uma palavra: obediência. Elatambém parece sufocada pela avalanche de males presentes na sociedade atual. Hoje, filhos pensam que não precisam ser obedientes a seus pais. Por esse motivo, os desrespeitam, inclusive publicamente. Por conseguinte, deixam de desfrutar das copiosas bênçãos divinas, já que Deus deu o seguinte mandamento: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá – Êxodo 20:12.

    Em Mateus 19:19, Jesus confirma o texto anterior, dizendo: Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. E em Efésios 6:1 ao 3, Paulo retoma esse mandamento: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  

    Portanto, entendemos que o filho que realmente quer ser abençoado deve levar em consideração essa ordenança divina. Agindo assim, só tem a ganhar. Entretanto, caso proceda de modo diferente, atrairá maldição sobre si. Veja o que diz Deuteronômio 27:16: Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. Então se pode supor que é por essa razão que a vida de muitos filhos não é a abençoada. Não são felizes nem prosperam ou até são bem-sucedidos financeiramente, mas infelizes.

    Observe o que a Bíblia diz em Isaías 1:19: Se vocês quiserem e estiverem dispostos a obedecer comerão o melhor dessa terra. Já em I Samuel 15:22 e 23: Porém Samuel disse a Saul: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria.

    Você percebeu? Para Deus a obediência é algo extremamente importante. Quando somos obedientes a ele, demonstramos reconhecê-lo como Senhor da nossa vida e que é o provedor de todo bem. Por isso, o Senhor abre as janelas do céu e derrama bênçãos sobre o filho obediente. E, mesmo se vierem adversidades, não nos sentiremos sozinhos e descansaremos Nele, em paz e segurança.

   Existem mais palavras seguindo o mesmo rumo dessas que vimos. No entanto, desejo falar sobre mais uma apenas: reverência. Buscando seus significados no dicionário, encontramos os seguintes: veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal; respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência.

    Muito interessantes essas informações que o dicionário nos traz. E, se observarmos atentamente aquilo que acontece ao nosso redor, também concluiremos que ela está caminhando para a extinção. Hoje, o que mais vemos são pessoas completamente irreverentes. Muitas delas, em nome da democracia, da liberdade de expressão e da arte, têm desrespeitado a Deus e a tudo o que lhe diz respeito. A televisão e outras mídias exibem diariamente cenas que ultrajam ao Senhor e aos seus servos.

    Tais indivíduos são verdadeiros escarnecedores. Desse modo, mesmo que sejam aplaudidos pelas multidões, são reprovados pelo Altíssimo. Obviamente, a Constituição Brasileira garante o direito à liberdade de expressar opiniões, e isso é assaz importante. Contudo, não se pode usar dessa liberdade para ofender a fé das pessoas. Não é sensato fazê-lo, porque todos têm o direito de expressar sua fé, mesmo que alguém não concorde com ela. 

    Quanto a esse fato, Jesus já nos havia prevenido. Veja o que o Mestre disse em Mateus 5:10 ao 12: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.   

    No entanto, o que mais incomoda é que muitos cristãos têm sido irreverentes de várias maneiras. Uma delas é compactuando com esses escarnecedores direta ou indiretamente. Por exemplo, assistindo a seus programas e shows, nos quais ridicularizam Deus e seus servos, aplaudindo como se fossem dignos de aplausos.

    Outra forma é também zombando de homens e mulheres de Deus, como se Deus os estivesse colocado como juízes. Esquecem-se de que nós fomos chamados para ser testemunhas de Jesus, não juízes, pois não temos parâmetros para julgar ninguém e a Bíblia diz que não podemos tocar nos ungidos do Senhor. Somente Deus, que é o justo juiz, julga com equidade, ou seja, faz um julgamento justo e imparcial.  

    Além disso, existem muitos cristãos que não agem com reverência mesmo dentro da igreja. Vão ao culto como se fossem a qualquer lugar. Só para exemplificar, pense em alguém que vai a um tribunal para participar de uma audiência com um juiz. Será que tal indivíduo pode se apresentar diante dele de qualquer maneira, com qualquer roupa, com linguagem imprópria, ou usar o celular ali? Por certo, você dirá que não. Então, por que quando vão à Casa de Deus alguns supõem que podem fazê-lo de maneira irreverente?  

    As Escrituras dizem que devemos guardar nossos pés quando entramos na presença de Deus. Isso quer dizer que devemos agir de maneira respeitosa para com ele. Mas o que temos visto hoje? Pessoas completamente sem noção, supondo que Deus não leva em conta sua conduta. Porém, estão redondamente enganadas. Em Gálatas 6:7, Lemos: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.


    Agora, só resta fazer algumas considerações para terminar essa reflexão. Primeiro: precisamos pedir que o Espírito Santo ilumine os olhos da nossa mente e do nosso coração, para que vejamos e creiamos no que ele tem para nós. Em segundo lugar, carecemos de sabedoria e humildade, a fim de entendermos que, se o Senhor nos pede para renunciarmos alguma coisa, é porque tem algo melhor a oferecer. Com o tempo, aquilo que considerávamos “legal” pode nos prejudicar. Em terceiro, não podemos permitir que essas palavras sejam extintas da nossa vida, pois são sinais de que realmente entendemos a mensagem do Evangelho.    

  Sendo assim, se você é um cristão genuíno, não se esqueça de que só pode trocar sua salvação por alguma coisa mais valiosa ou que tenha, no mínimo, o mesmo valor que ela. Mas, como não existe nada assim, jamais abra mão desse precioso presente de Deus por algo que o mundo lhe oferece, pois, por melhor que seja, é passageiro e não se compara àquilo que o Senhor já nos deu e ainda dará, especialmente a salvação eterna.

Para ouvir:

O melhor desta terra – Nani Azevedo

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A verdadeira paz

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)        

    Existem assuntos que são extremamente atuais e importantes. Paz é um deles. Já meditei sozinho ou com a minha família sobre ele, escrevi diversas vezes e fiz palestras a seu respeito. Mas o “curioso” é que faz mais de quinze dias que, muitas vezes, me pego pensando nele novamente.

     Assim, como sempre digo, entendo que preciso falar mais um pouquinho sobre paz.  Entretanto, não baseado no conceito terreno, o qual nos leva a pensar que ela é fruto da ausência de problemas ou que é apenas algo efêmero, isto é, temporário ou passageiro.  A abordagem se dará baseada fundamentalmente no que dizem as Sagradas Escrituras, a qual é a base inegociável de fé e prática do cristão.  

     Para começar, é fundamental saber a origem da palavra paz (do hebraico Shalom –    שלום). Segundo o professor de hebraico Renato Santos[1], ela tem como raiz o vocábulo Shalam, e seu significado primário é “estar seguro na mente e no corpo; estar completo ou tranquilo. Já a professora Karla Damasceno[2] ensina que traz o sentido de “prosperidade geral”, não apenas financeira.

      No sentido comum, geralmente encontrado nos dicionários, essa palavra expressa a ideia de ausência de problemas, violência ou de conflitos, seja na relação com outras pessoas ou consigo mesmo. Logo, parece ser algo totalmente inatingível, pois, seja em âmbito pessoal ou social, sempre existem indivíduos, coisas ou situações que nos desagradam. Consequentemente, tiram-nos a tranquilidade, a alegria, o sono e, para algumas pessoas, a razão de viver.

     No entanto, ao olharmos para a Bíblia, vemos algo reconfortante. Deus se revela com Yahweh-Shalom, que significa: “O Senhor é a nossa paz” – Juízes 6:24. Além disso, quando lemos as profecias sobre a vinda do Messias, encontramos o seguinte: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Deus conosco)” – Isaías 7:14.

     Ainda a respeito do Messias, o Senhor nos fala em Isaías 9:6: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Sar-Shalom)”.

     Diante disso, almejo refletir um pouco com você, a fim de compreendermos melhor esse assunto à luz da Palavra de Deus. Vamos lá?

  • Se o Senhor é a nossa paz, como está registrado em Juízes 6:24, é nele que a temos que buscar. Porém, o que geralmente fazemos é exatamente o contrário disso. Nós a buscamos em coisas materiais, pessoas, formação acadêmica, sexo, drogas, filosofias, ideologias, remédios, dinheiro ou quaisquer distrações desse mundo que nos pareçam adequadas ou promissoras.

     Evidentemente, isso pode até gerar momentos de paz ou de prazer e satisfação. Mas logo tudo, ou quase tudo, volta a ser como antes, deixando-nos preocupados, incomodados, inseguros, insatisfeitos ou perturbados. Portanto, se de fato ansiamos pela paz duradoura, devemos procurá-la na fonte inesgotável, ou seja, no Senhor.

  • Em Jó 22:21, lemos: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”.

     Que revelador esse texto!! Veja que ele nos diz para nos unirmos a Deus. O resultado direto da ação de nos unir ao Senhor é termos paz e desfrutar do bem que nos sobrevirá. Todavia, muitos de nós, ou muitas vezes, nos unimos a tudo e a todos, menos ao Pai. Consequentemente, não usufruímos desse sentimento tão necessário a uma vida de estabilidade emocional, mental e espiritual. Em outras palavras: só podemos ter o sentimento de segurança no corpo, na alma e no espírito se estivermos unidos ao Senhor.

  • Em João 14:27, encontramos Jesus, o Emanuel, dizendo: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo”.

     Primeiro, é importante lembrar que Jesus é nosso Sar-Shalom, ou seja, o Príncipe ou o Principal da Paz. Em segundo lugar, cabe-nos atentar bem para o que Cristo diz: ele ia deixar a paz DELE, a qual é bastante diferente daquela que o mundo dá. A dele é autêntica e duradoura. A do mundo você já sabe como é: passageira e circunstancial, ou seja, depende das circunstâncias/situações que nos envolvem. Por fim, a paz do Senhor anula o medo e a perturbação de espírito.

  • Seguindo essa mesma linha de raciocínio, o Mestre ainda declarou aos discípulos, quando os avisava sobre que seria preso e morto: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” – João 16:33.

     Parece-nos incoerente ou insensato o que Cristo falou para eles. Disse que aconteceriam coisas ruins e tristes e, ao mesmo tempo, que era para terem paz. Obviamente, temos dificuldade de entender e de aceitar o que foi dito. Porém, é justamente aqui que se revela de forma clara o que á a paz do mundo (que é circunstancial e temporária) e a do Senhor, a qual vai muito além do que se pode ver ou sentir.

     Quando refletimos sobre o texto de abertura desse artigo, conseguimos compreender mais profundamente o conceito divino de paz. O apóstolo Paulo nos fala de uma paz que excede todo o entendimento, ou melhor, que está acima ou além da compreensão humana. Por quê? Justamente porque provém de Deus. E mais: ela “guardará os nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus.”

  • Outra coisa que preciso lhe dizer é: “Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo, pois ele é a nossa paz…” – Efésios 2:13,14.

     Observe que o texto fala que Cristo é a nossa paz. Não é uma filosofia de vida. Não é uma ideologia. Não é o sexo. Não são as drogas. Não é o dinheiro e tudo o que ele pode nos proporcionar. Não é um casamento feliz (ainda que seja muitíssimo importante e devemos contribuir para isso). Não são bons amigos (mesmo que sejam preciosos). Não é simplesmente ter uma religião ou cumprir tarefas religiosas. É Cristo. É ter Cristo.

     Mas como podemos desfrutar dessa paz tão importante e necessária?

     Primeiramente, devo dizer que não dá para desfrutar dessa paz, se não estivermos em paz com Deus.

     Confuso, não é? Mas já esclareço. Muitas vezes, o que tira nossa paz é o sentimento de culpa por algo que fizemos diretamente contra Deus, desrespeitando seus mandamentos ou contra nosso semelhante. Nesse caso, segundo a Bíblia, só existe uma maneira de mudar esse quadro: pedindo perdão a Deus ou à pessoa a quem magoamos e abandonando qualquer conceito ou prática contrários aos mandamentos do Senhor. Afinal, não é possível estar em paz, se estamos na contramão daquilo que Deus espera de nós. Veja:

     “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia. Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal”. (Provérbios 28:13,14)

     “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (1 João 1:7-9)

     “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”. (Romanos 5:1,2)

     Esta manhã, assim que acordei, a história de várias pessoas veio à minha mente. E sinto que devo compartilhá-la com você. Mas antes tenho que falar algo que também veio: talvez, você fez algumas coisas das quais se envergonha e se arrepende amargamente. Quem sabe praticou um aborto ou forçou seu cônjuge ou namorada a fazê-lo e o peso da culpa tem se tornado um torturador que continuamente tira sua paz e o faz sofrer. Talvez traiu alguém, cônjuge ou não, causando muita dor e sofrimento e isso também está corroendo sua vida. 

     Talvez você que está lendo este artigo assassinou uma pessoa ou provocou um acidente, estando embriagado ou mesmo sóbrio, e as consequências desse ato têm tirado sua paz, levado à depressão, a crises de ansiedade ou de pânico, ou ainda às drogas (álcool ou outras), tentando se esquecer ou amenizar a dor que todas essas coisas lhe causam. 

     Quem sabe o que lhe tem provocado sofrimentos semelhantes aos que já foram ditos são outros. Não importa. Os terríveis efeitos são os mesmos ou semelhantes, uma vez que se resumem a estas palavras: pecado culpa arrependimento vergonha = falta de paz interior.

      Mas tenho uma boa notícia para você: existe solução para tudo isso.

     Quando olhamos para o Salmo 32, que é de Davi, conseguimos entender um pouco mais sobre a gravidade do pecado e das consequências dele. Esse homem havia cometido dois erros gravíssimos: adulterado com Bate-Seba, que era casada com Urias, um soldado valoroso do exército de Davi. Para que não fosse descoberto, já que a mulher engravidara, ordenou que marido dela fosse posto na linha de frente da batalha para ser morto pelos soldados inimigos.

     Consequentemente, passou a sofrer muito. Veja o que ele declara: “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia! Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões ao Senhor”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os atingirão. Tu és o meu abrigo; tu me preservarás das angústias e me cercarás de canções de livramento” – Salmos 32:1-7.

  • Os versículos 3 e 4 mostram claramente o estado físico, mental, emocional e espiritual em que o rei se encontrava por causa do pecado e da culpa. Ele estava sendo vítima de doenças psicossomáticas, isto é, que se manifestam na mente e emoções e refletem diretamente no corpo. Por exemplo: ansiedade, pânico ou depressão, que provocam sinais físicos, tais como gastrite, falta de apetite, dor de cabeça e muitos outros. E talvez você esteja se sentindo exatamente desse jeito.

     Lembrete importante: Não estou afirmando que esse é o seu caso. Para ter um diagnóstico, deve procurar um profissional competente, que o ajudará a identificar as causas, mas também fazer um autoexame. No entanto, algumas coisas que o fazem sofrer são tão evidentes, que você já pode e deve buscar a ajuda e o perdão de Deus.

  • No versículo 5, há o registro da confissão a Deus.
  • No 6 e no 7, começamos a ver as mudanças que já estavam acontecendo na vida dele. 
  • Mas é nos versículos 1 e 2 que se encontra o que almejo destacar: por duas vezes o rei usa a palavra feliz ou bem-aventurado para iniciar o que vai dizer. A seguir ele explica a razão dessa felicidade ou bem-aventurança: transgressão perdoada, pecado coberto, maldade não imputada (não atribuída a responsabilidade por algo praticado) e ausência de engano no espírito.  
  • Se você ler o salmo 32 até o fim (é curtinho), verá os efeitos reais da confissão do pecado a Deus e do perdão recebido. Agora, Davi já é uma pessoa restaurada. E foi depois disso que o Senhor declarou: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus…” – Atos 13:22,23.

     Que coisa maravilhosa!!! Sem a iluminação do Espírito Santo, é difícil ou mesmo impossível entender isso. Esse homem pecou tão gravemente e, ainda assim, é visto como uma pessoa segundo o coração de Deus? Sim. Biblicamente falando, quando existe arrependimento sincero, o Pai nos perdoa completamente e nos restaura. Depois nos permite escrever uma nova história em parceria com ele e realizar o bem. Veja que Jesus é descendente de Davi.

    Certa vez, os escribas e os fariseus estavam murmurando contra Cristo porque ele se sentava à mesa para comer e beber com pessoas consideradas pecadoras. Então Jesus disse-lhes: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” – Lucas 5:31,32.

     Outro bom exemplo de completa restauração é Pedro, o discípulo que traiu Cristo. Ele também foi completamente restaurado e se tornou uma das colunas da Igreja do Senhor. Antes, negou o Mestre; depois, com grande ousadia, disse a quem o tentava intimidar: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” – Atos 4:19,20. E mais: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Atos 5:29.

     Além desses exemplos citados, há muitos outros na Bíblia. Mas a maior parte deles não está registrada nas Escrituras. São bilhões de pessoas perdoadas e restauradas pelo Senhor ao longo da História. Pessoas que eram consideradas a escória da sociedade, casos-perdidos, irrecuperáveis, mas que foram completamente transformadas por Deus, após tomarem a decisão de convidarem Jesus para ser seu Senhor e Salvador, abandonando a vida de pecado ou de religiosidade mecânica e vazia que levavam. Afinal, Cristo disse sobre Zaqueu: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem {Jesus} veio buscar e salvar o que estava perdido” – Lucas 19:9,10.

     Conosco também pode acontecer o mesmo. Espiritualmente falando, também somos filhos de Abraão e herdeiros das promessas do Pai – Gálatas 3:29. Então, assim como Deus fez uma aliança eterna com Davi, também pode e quer fazer com cada um de nós. Basta nos voltarmos humildemente para ele, que encontraremos perdão, restauração, salvação e abrigo em seus braços de amor. E digo mais: ainda que existam pessoas (talvez dentro da sua própria casa) que não acreditem em sua mudança, o que importa de fato é o que Deus pensa a seu respeito: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – 2 Coríntios 5:17.  Veja o que diz o Senhor: “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados me não lembro” – Isaías 43:25.

     Por outro lado, quem sabe, sua falta de paz não é consequência de pecados cometidos, mas por causa dos problemas que tem vivido, especialmente em tempos de pandemia. Não importa o motivo. Deus também tem paz para você. Veja o que o Senhor nos diz: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso/ou aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” – Mateus 11:28,29.

     E o apóstolo Pedro orienta: “Lancem sobre ele {Deus} toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” – 1 Pedro 5:7.

     Faz quase dois mil anos que Jesus e Pedro disseram essas palavras. Contudo, parece-me que foram ditas agorinha mesmo, de tão atuais que são. E o melhor: o Senhor diz: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” – Marcos 13:31. Ou seja: o que ele fez enquanto esteve na terra também o faz hoje na vida daqueles que se voltam para ele com um coração sincero e humilde.

     Diante de tudo isso, apenas me resta dizer que, independentemente do motivo pelo qual você perdeu sua paz interior, o Senhor pode e quer restaurar sua vida. Lembre-se do que está escrito em Jó 22:21: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”. Portanto, aqui está o segredo para ter uma paz que excede todo o entendimento e que guarda sua mente e seu coração: estar unido a Deus. Assim, mesmo quando vierem as tempestades da vida, você não se sentirá sozinho. Antes, o sentimento de segurança e confiança andará de mãos dadas com você, pois vai experimentar o que está escrito no Salmo 91:1: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”.       


[1] Prof. Renato Santos: https://www.youtube.com/watch?v=b21kwW5GpL8

[2] Profa. Karla Damasceno: https://www.youtube.com/watch?v=NCutX1b6jvM

 

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A escolha de Moisés

“A vida é feita de escolhas. Quando você dá um passo para frente, alguma coisa fica para trás.” (Autor desconhecido)     

     Você já precisou fazer muitas escolhas ao longo da sua vida?

     A pergunta parece tola, pois a resposta obviamente é sim. Mas ela serve para entendermos a linha de raciocínio que será seguida no artigo.

     Algumas dessas escolhas são muito simples. Por exemplo, a roupa que vai usar para trabalhar ou mesmo para ficar em casa. Porém, outras são muito importantes e sérias. Logo, requerem profunda reflexão, uma vez que as consequências podem afetar toda a vida, inclusive a de pessoas que amamos ou até de quem não se relaciona conosco diretamente.

     Já faz um bom tempo que a história de alguém que precisou fazer uma importante escolha fica saltitando em minha mente: Moisés. Por certo, para muitos, ela não passa de uma narrativa de ficção, o que deve ser respeitado. Afinal, é um direito que lhes assiste. Mas, para aqueles que creem que a Bíblia é a Palavra de Deus e que já tiveram uma experiência pessoal com o Senhor, ela é real e traz grandes e atuais ensinamentos. E esses indivíduos também merecem respeito. 

     Só para relembrar os fatos, segue um breve resumo do que está em Gênesis 41 ao 50 e nos primeiros capítulos de Êxodo: Por causa de uma grande seca em Canaã, os descendentes de Abraão foram morar no Egito, quando José era o Governador. Lá, cresceram muito e prosperaram. E isso começou a incomodar o faraó que governava, o qual não conhecia a história de José. Assim, com medo de os descendentes de Abraão quererem tomar o poder, decidiu oprimi-los, transformando-os em escravos.

     Para complicar, o governante ordenou que matassem os meninos de dois anos para baixo e também que as parteiras matassem os que nascessem a partir daquele decreto. Desse modo, enfraqueceria o povo hebreu e o manteria subjugado. E assim o fez.

     No entanto, Joquebede conseguiu esconder seu filho por três meses. Porém, chegou um momento em que isso não mais era possível. Por isso, colocou o garoto em um cesto e o pôs no rio. Lá, ele foi resgatado pela filha do faraó, a qual decidiu adotá-lo como filho e deu-lhe o nome de Moisés (do hebraico Moshe, que quer dizer “criança”, “filho” ou “tirado das águas”).

     Moisés cresceu no palácio. Foi instruído em toda a ciência do Egito e era poderoso em palavras e obras, como lemos em Atos 7:22. Contudo, chegou o momento no qual ele descobriu que não era egípcio e, sim, hebreu. Por conseguinte, não concordava com as injustiças sofridas por seu povo. Então, quando viu um egípcio ferindo um hebreu, interveio, matando o agressor. E, para não ser  pego e punido, fugiu (Êxodo 2:11-22).

     Nesse ponto da história, quero fazer uma pergunta: Se estivesse no lugar dele, vivendo com todos os privilégios que lhe eram oferecidos no palácio, você iria se preocupar com meros escravos?

     Para dizer a verdade, talvez, se fosse eu, iria fingir que não tinha visto nada ou que não tinha nada a ver com aquele povo escravizado. Afinal, agora eu era filho da princesa, respeitado e quem sabe mimado. Além disso, não tinha nenhuma culpa de ter sido criado como egípcio. Portanto, para que me envolver em questões que não me diziam respeito?

    Mas não foi isso que aconteceu. Veja o que as Escrituras registram em Hebreus 11:23-27: “Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei. Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”.

      Evidentemente, essa história vai ter muitos fatos novos como, por exemplo, a retirada do povo hebreu do Egito e sua condução à Terra de Canaã. Todavia, quero destacar alguns pontos importantes e fazer uma contextualização que nos envolve também.

  • “Pela fé…”: A decisão de Moisés foi tomada não apenas como resultado da razão ou da racionalidade, mas envolveu a fé.

Penso que se ele tivesse usado apenas a razão não teria feito o que fez. Logo, entendo que existem situações nas quais a fé deve se sobrepor à razão. Isso porque a fé inteligente inclui Deus e o coloca no comando. Porém, a razão normalmente exclui o Senhor e nos coloca no controle, podendo gerar consequências catastróficas, sobretudo quando envolvem questões relacionadas à vida espiritual.

Veja: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem” – Hebreus 11:1.

  • A consequência direta da fé foi receber forças e discernimento para fazer uma escolha que mudaria para sempre a vida dele e de seu povo.

Essa escolha, como já vimos, o fez perder sua posição de filho da princesa e todas as regalias resultantes disso. Conosco não é diferente. Muitas vezes, também somos levados a tomar decisões que parecem resultar em perdas. E isso pode nos deixar apreensivos ou mesmo nos desesperar. Mas, quando elas têm a direção de Deus, gerarão conquistas muito maiores e melhores do que os prejuízos.

Especialmente quando decidimos entregar nossa vida ao Senhor e nos tornar seus discípulos, a impressão que temos é que vamos perder muitas coisas. Por exemplo: alguns argumentam que não vão poder fumar, beber, se relacionar sexualmente com muitas pessoas, ir a determinados lugares ou perder amigos.

No entanto, aquilo que ganhamos do Senhor é tão maravilhoso que todas essas “coisinhas de estimação” não fazem nenhuma falta, pois o Espírito Santo nos faz sentir plenos, saciados e realizados com aquilo que o Pai aprova. Assim, para se sentir feliz ou ter prazer, você não precisará daquilo que Deus desaprova. E Deus lhe dará amigos de verdade, pois, se o deixarem por causa da sua fé, não eram de fato seus amigos.

Como você sabe (ou talvez não saiba), o Egito é uma figura ou uma metáfora do mundo, o qual oferece um prazer momentâneo como foi o do povo hebreu naquele lugar, ou ilusório, que escraviza, que faz sofrer. Assim, ao decidir cortar o cordão umbilical que o ligava àquele lugar, Moisés vai começar a andar no centro da vontade de Deus. Foi fácil? Em hipótese alguma! Mas necessário. 

  • “… tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa”.

No versículo acima, entendemos que pela fé Moisés já visualizava um futuro muito melhor do que aquilo que fazia parte da realidade atual dele. E ele sabia que a recompensa divina de fato compensava as perdas do momento. Ele já possuía a convicção de que passaria a eternidade com Deus: “E esta é a promessa que ele {Jesus} nos fez: a vida eterna” – 1João 2:25.  

  • “Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”.

    Aqui, quero destacar três coisas: ele deixou o Egito pela fé. Considerando que o Egito é uma figura do mundo (esse sistema corrupto e corruptor que nos cerca), quebrar os vínculos que tem com ele não é nada fácil, mas é preciso e possível.

     A fé tira o temor. Tudo o que é novo ou desconhecido causa temor. Porém, a fé inteligente (não teórica ou com fanatismo) substitui o medo e a insegurança pela ousadia, confiança e segurança em Deus. 

     Ele ficou firme, como vendo o invisível. Isso também é resultado da fé. Ela nos mantém firmes e constantes, pois é como se víssemos aquilo que é invisível.

     O apóstolo João nos lança luz sobre isso ao dizer: “Quem crê no Filho de Deus em si mesmo tem o testemunho; quem em Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus – 1 João 5:10-13.

     Em outras palavras: a fé genuína nos permite saber que temos a vida eterna, conquistada por Cristo para nós através da sua morte e ressurreição. E isso faz toda a diferença em nossa vida.  

     Para finalizar, almejo fazer mais algumas considerações:

  • A cada passo que damos para a frente, deixamos algo para trás, conforme diz o texto de abertura. Nesse caso, o que Moisés deixou parecia ser grandioso, mas ele conquistou coisas muito maiores, inclusive a certeza de que estava no centro da vontade de Deus. E mais: o Senhor falava diretamente com ele: “E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo…” – Êxodo 33:11 – e por meio dele libertou o povo hebreu da escravidão. Por isso, ele tipifica Cristo, que nos liberta do mundo de pecados e injustiças de toda sorte.
  • Se fizermos as escolhas certas, se escolhermos o Senhor, se obedecermos aos seus mandamentos, se entregarmos nossa vida a Cristo, para que ele seja nosso Senhor e Salvador, nós também receberemos uma grande recompensa: paz de espírito hoje e a vida eterna ao lado do Senhor (João 3:16).
  • Diante disso, cabe a cada um de nós colocar na balança aquilo que o sistema mundano, corrupto e corruptor, tem a nos oferecer e aquilo que o Senhor quer nos dar. Aquilo que pesar mais na balança deve ser o que escolheremos. O mundo oferece prazeres momentâneos e, muitas vezes, ilusórios, que provocam mais sofrimento e insatisfação do que paz interior. Mas o Senhor dá algo eterno e pleno.
  • Assim, compete a cada um de nós decidir se crê na existência de Deus ou não; se Jesus de fato existiu ou não; se as Escrituras Sagradas são a Palavra de Deus ou não; se existe vida eterna ou não; se existe céu e inferno ou não; se vale a pena ou não assumir um compromisso com o Senhor ou não.
  • O que escolher então? Como já foi dito, está em nossas mãos o poder de escolha. Mas, “Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra” – Isaías 1:19. E, se estivermos dispostos a crer e a obedecer ao Senhor, passaremos a eternidade com o Pai: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo…” – Mateus 25:34.
  • Jesus disse aos discípulos que quem escolhe servi-lo não fica sem recompensa: “Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna – Mateus 19:28,29.

Sendo assim, faço a mesma escolha que Josué: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor – Josué 24:15.

Para ouvir: Eu escolho Deus – Thalles Roberto

 
 

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Graça: cerca que protege a vida

“Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens.” (Tito 2:11- Versão Católica)      

     Um dos assuntos mais importantes das Escrituras Sagradas, se assim posso dizer, é a graça do Senhor para conosco. Portanto, entender o que é a graça e suas implicações em nossa vida precisa e deve ser um dos objetivos de todo aquele que deseja compreender o plano de salvação, elaborado por Deus.

     A princípio, precisamos lembrar que, quando criou o ser humano, Deus estabeleceu um limite, o qual Adão devia respeitar. Veja: “E o Senhor Deus ordenou ao homem: — De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá” – Gênesis 2:16,17 – NAA).  

     Ao estabelecer esse limite, o Senhor não estava agindo como um “estraga prazer”. Ao contrário, desejava ensinar o princípio da obediência ao seu Criador. Também queria mostrar que acima deles havia alguém no comando, a quem precisavam respeitar. Ademais, o Pai pretendia protegê-los do sentimento de autossuficiência, o qual sempre leva as pessoas a suporem que conseguem viver e ser felizes por sua própria capacidade. Talvez, em nossos dias, isso fique ainda mais evidente do que antes.

    Como bem sabemos, Eva não resistiu aos encantos da árvore e à sedução do maligno (ali representado pela serpente), e comeu. Seu marido também fez o mesmo: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e deu também ao marido, e ele comeu” – Gênesis 3:6.

     Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não estou dizendo que a Mulher é que pisou na bola. Pelo contrário. O Senhor tinha dado a ordem a Adão, e foi a ele que se dirigiu primeiro e questionou sua atitude pecaminosa. Mas, como os dois cederam à tentação, ambos sofreram as consequências do pecado, que acabara de entrar no mundo por causa da desobediência a uma ordem expressa do Senhor.

     Quando caíram em si, e viram que haviam desobedecido ao Pai, tentaram dar um jeitinho, fazendo aventais de folhas de figueiras, para esconderem sua nudez – Gênesis 3:7. No entanto, era o ser humano tentando resolver as coisas do seu próprio jeito, o que foi impossível, como o é também hoje e sempre o será.

    Ao ouvirem a voz de Deus no final do dia, tentaram se esconder, como se isso fosse possível – Gênesis 3:8 ao 24. Já no versículo 15, vemos que o Senhor deu uma sentença e fez uma promessa: da semente (descendência) da mulher nasceria alguém que pisaria a cabeça da serpente, ou seja, do maligno. Obviamente, era uma referência à vinda do Messias, para resgatar o ser humano das garras do adversário da nossa alma e do pecado.

     Chegando ao versículo 21, lemos: “O Senhor Deus fez roupas de peles, com as quais vestiu Adão e sua mulher” – Gênesis 3:21. Fazendo isso, o Senhor estava dizendo: “Não é do jeito de vocês que as consequências do pecado vão ser resolvidas, mas do meu jeito”. Aliás, o jeito de Deus é sempre o melhor em tudo, conforme falo com minha família, quando é pertinente ou necessário.

    Aqui, preciso registrar que para fazer as túnicas de pele certamente um animal ou dois tiveram que morrer. Provavelmente, foram ovelhas ou cordeiros que perderam sua vida para que a nudez humana fosse coberta. Isso já apontava para Cristo, o qual é comparado com um cordeiro e com uma ovelha em Isaías 53;7. E, em João 1:29, Jesus é chamado de “O cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

    Em Gênesis 3:22 ao 24, leremos que as consequências da desobediência e do pecado foram a expulsão do jardim do Éden, cujo significado é estepe, planície, prazer ou delícia. Tal fato indica a seriedade do erro. Em Romanos 3:23, Paulo diz: “… pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. Ou melhor: o pecado nos expulsou da presença de Deus.

    Se a história do ser humano terminasse aqui, seria muito triste. Trágica. Porém, graças a Deus, não termina assim. Antes, o plano de resgate, elaborado pelo Senhor, começa a ganhar corpo. Isso porque ninguém consegue, através de seus próprios esforços, se religar a Deus.

    Quando lemos Efésios 2:1 ao 9, isso fica bem claro. Observe: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” – NVI.

    Segundo você viu no texto acima, o pecado gerou morte. Física e espiritual. Quando se fala de morte espiritual, refere-se ao afastamento ou à separação definitiva de Deus. Assim, para reverter esse terrível quadro, foi preciso isto: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus. A condenação é esta: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal detesta a luz e não se aproxima da luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” – João 3:16-21.

     Como você viu, todos nós estávamos espiritualmente mortos. Por isso, Deus, em seu infinito amor para conosco, enviou Jesus Cristo para anunciar o evangelho, morrer na cruz e ressuscitar ao terceiro dia, para que nos trouxesse de volta à vida, fôssemos reconciliados e religados ao Pai e pudéssemos ter a certeza de que um dia iremos morar definitivamente com ele.

    Mas, como você leu em Efésios 2:8 e 9, a salvação é pela graça, por meio da fé – Romanos 1:16 e 17. Não vem das obras para que ninguém se glorie, isto é, não é fruto de esforços que resultam em merecimento pessoal. Em outras palavras: ninguém pode salvar-se a si mesmo. Afinal, no Novo Testamento, a palavra grega traduzida como graça é “charis”, a qual tem o sentido de favor a quem não merece. Também pode ser entendida como misericórdia, bondade ou benevolência de Deus para com o homem.

     Desse modo, fica mais fácil entender o que Jesus disse em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ora, se quisermos chegar a São Paulo, não podemos pegar a rodovia rumo ao interior, e vice-versa. Logo, caso desejemos chegar a Deus, Jesus se apresenta como único caminho, que aqui quer dizer meio, forma ou jeito. Não nos adianta procurarmos alternativas, pois simplesmente não existem, segundo dizem as Escrituras Sagradas.

    Os textos a seguir também nos ajudam a perceber claramente que em se tratando de mediador ou intermediário entre Deus e o homem só existe Jesus Cristo. Veja: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” – Atos 4:12 – e 1 Timóteo 2:5,6: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem, que deu a si mesmo em resgate por todos, testemunho que se deve dar em tempos oportunos” – NVI.

    Afinal, o Mestre foi o único que morreu na cruz em nosso lugar e para nossa justificação: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual obtivemos também acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” – Romanos 5:1,2 – NVI.

     Quando voltamos ao Primeiro Testamento, também encontramos a palavra graça em muitas passagens. Normalmente, é empregada חסד, cuja transliteração é chesed, significando bondade, favor, benevolência, benignidade, misericórdia, amor e caridade. Isso demonstra claramente como Deus sempre manifestou sua graça ao seu povo. No salmo 136, por exemplo, há 26 vezes essa palavra.

     Além do vocábulo acima, existe outro bastante usado nas Escrituras: Chên (חֵן). Ele é formado pelas letras hebraicas chêt, cujos significados são cerca, guardar e proteger e num, a qual representa vida e vigor. Sendo assim, podemos entender que graça é aquilo que protege a vida ou ainda cerca que protege a vida. Portanto, no sentido bíblico, a graça de Deus é mais do que um favor a quem não merece (eu, você, todos nós). Mais do que amor ou generosidade incondicionais. É a cerca que protege ou guarda a nossa vida.

    Como vimos anteriormente em Romanos 3:23, todos nós pecamos, isto é, erramos o alvo, transgredimos ou desobedecemos ao Pai. Por essa razão, fomos destituídos da glória de Deus. Já em Romanos 6:23, lemos o seguinte: “… porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Ainda em Romanos 3:24, encontramos estas palavras motivadoras: “…sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus”.

     Como é maravilhoso ler essas palavras! Sabemos que nossa natureza é essencialmente má. Basta olharmos ao nosso redor que veremos que até as crianças, embora inconscientemente, fazem coisas más ou erradas. Na medida em que crescem, também podemos observar tais ocorrências. E, se olharmos para nós mesmos, adultos, verificaremos que, por mais que tentemos ser bons, muitas vezes agimos mal e até somos estúpidos ou vis em algumas situações.

     Desse modo, biblicamente falando não existe nenhuma possibilidade de sermos merecedores do perdão de Deus e da salvação eterna. MAS, quando aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador e o convidamos para fazer morada permanente em nosso coração, somos justificados gratuitamente, por meio da redenção conquistada por Jesus lá na cruz do Calvário.

    Em João 1:11-13, lemos estas maravilhosas palavras: “{Jesus} Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus”.

    Quem não o recebeu? Grande parte dos judeus, especialmente aqueles que eram apenas religiosos e se consideravam detentores absolutos da verdade como, por exemplo, os líderes judaicos. Por outro lado, está escrito que aos que receberam Cristo e creram em seu nome, ou seja, que ele era o Ungido do Senhor ou o Messias passaram a ser, espiritualmente falando, filhos de Deus. Obviamente, isso também quer dizer que passaram a ter direito à salvação eterna, como está escrito em 1 João 2:25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”.

     Há, ainda, algo que considero importante deixar registrado neste artigo: a graça de Deus se manifesta em três tempos distintos, com seus aspectos característicos, produzindo:

  • 1º: Santificação inicial (a porta de entrada): A graça removendo a culpa. Isso acontece quando reconhecemos que somos pecadores e que precisamos do favor de Deus, de seu amor e generosidade incondicionais, uma vez que jamais conseguiremos ser justos o suficiente diante de Deus por mérito ou esforços próprios – Efésios 2:1-9.
  • 2º. Santificação progressiva (o caminho ou a caminhada): Como o sentido da palavra já indica, é algo que avança; que evolui, segue em frente; que se desenvolve gradualmente, aos poucos ou por etapas. Isso quer dizer que é o período da nossa caminhada terrena, no qual o Espírito Santo vai nos aperfeiçoando: “Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” –  2 Coríntios 7:1. 
  • 3º Santificação final (o Alvo a ser alcançado): É a manifestação da plenitude do processo de santificação, ou seja, de consagração a Deus ou de afastamento daquilo que é condenável e condenado pelo Pai. Mas é sobretudo o ponto máximo da vida com Cristo, quando haverá a redenção final. 

A palavra redenção refere-se diretamente ao ato de soltar ou libertar os escravos, através do pagamento do valor estipulado pelo dono. Em se tratando do sentido bíblico ou teológico, trata da libertação e salvação de Deus para a humanidade, por meio de seu filho Jesus Cristo.

A relação existente entre a redenção de escravos (física) e a nossa (espiritual) é que, antes de o Espírito Santo iluminar os olhos do nosso entendimento no que tange às coisas espirituais, éramos escravos do maligno e do pecado, o qual se manifesta de diversas formas, especialmente no desejo de vivermos e de fazermos as coisas do nosso jeito, não da maneira como o Senhor estabeleceu e requer de nós.

Por isso, ao escrever aos irmãos da cidade de Éfeso, o apóstolo Paulo declara: “Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força”Efésios 1:18,19.  

     Assim, a redenção final se dará quando Jesus vier buscar Sua Igreja, a qual é composta por todos aqueles que entenderam a mensagem do Evangelho, que o convidaram para vir morar em seu coração e ser seu Senhor e Salvador. Nesse dia, Cristo dirá a tais pessoas: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” – Mateus 25:34. E eu quero estar entre estes!

     Para finalizar, gostaria de dizer que a graça de Deus, manifesta através do Senhor Jesus Cristo, é um especialíssimo presente do Pai Celestial para cada um de nós. Também quero lembrá-lo de que ela é a cerca que protege nossa vida de tudo aquilo que nos afasta do Senhor e nos causa danos terríveis.

     Ainda preciso falar que cerca parece ser algo negativo, pois traz a imagem de algo que nos limita, tira a liberdade ou impede de seguirmos nosso caminho. MAS, no sentido bíblico, tem o objetivo de nos livrar dos “predadores” deste mundo tenebroso e até de nós mesmos, visto que nosso orgulho e sentimento de autossuficiência muitas vezes nos fazem cair nas armadilhas espalhadas ao longo do caminho onde cumprimos nossa jornada terrena. Então, a quem almeja estar dentro dos limites estabelecidos por ela, essa “cerca” só traz benefícios e paz de espírito.

    Agora, só me resta fazer-lhe uma pergunta: Quando você recebe um presente de uma pessoa especial, o que você faz com ele? Quase ouço você dizer que cuida dele com muito carinho e lhe dá o devido valor. E quanto ao presente que Deus lhe deu, mencionado no texto de abertura deste artigo?

     “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção/especial, zeloso na prática do bem” – Tito 2:12-14” – Versão Católica).

    Sugestão de música: Graça maravilhosa (Voz da verdade)

 
 

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E se for verdade?

    Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29)      

    Há vários dias, venho pensando em escrever mais um artigo falando sobre o Natal, esta data tão importante para os cristãos, em todo o mundo. E, todas as vezes que esse pensamento povoa minha mente, vem acompanhado pela pergunta usada acima como título. Desse modo, entendo que o Senhor quer falar alguma coisa sobre ela conosco.

     No entanto, antes de tecer algumas reflexões sobre esse tema, sinto a necessidade de fazer algumas considerações, as quais suponho ser relevantes: 1. Todos nós temos o direito assegurado pela Constituição Federal em seu artigo quinto e também na Declaração Universal dos Diretos humanos (art. 18) de professar nossa fé, inclusive em público; 2. Quem não professa nenhuma fé religiosa também tem o direito garantido e deve ser respeitado.

     Agora, já posso começar a argumentação. Para isso, gostaria de retomar a pergunta “E se for verdade?”. Mas… a que ela se refere?

     Esse questionamento diz respeito às afirmações presentes na Bíblia, inclusive sobre a existência de Jesus. Será que de fato as Escrituras Sagradas falam a verdade e Jesus realmente existiu ou elas contêm apenas mitos e lendas?

     A princípio, vou usar uma declaração de Agostinho de Hipona, também conhecido como Santo Agostinho, o qual é considerado por muitos o patriarca mais importante da Igreja. Provavelmente,  ele é o mais conhecido, devido à sua obra Confissões, um relato pessoal de sua conversão ao cristianismo[1]: “Certa vez me perguntaram: Como você prova que Deus existe? Eu respondi: Para quem não quer crer, nenhuma prova é suficiente e, para quem quer crer, não precisa de prova”. 

     Mas sempre é bom saber que só do Novo Testamento existem mais de 5.300 cópias antigas (a mais antiga é de 130 d. C), fora umas 8.000 da Vulgata Latina e cerca de 9.300 em outras versões primitivas como o copta[2] e o siríaco. Por outro lado, o segundo livro mais antigo do mundo, A Ilíada, de Homero, tem apenas 643[3] e, mesmo assim, ninguém questiona sua autenticidade. Além disso, muitas outras obras, com pouquíssimas cópias, feitas muitos séculos depois do evento narrado, não são postas em xeque.

    Como meu objetivo principal é levar você a pensar sobre algumas questões, preciso fazer alguns registros, para que a compreensão seja mais completa:

1. O texto empregado no início deste artigo (João 20:29) faz parte do seguinte contexto: Jesus havia sido preso, torturado, crucificado e, claro, morto. Mas já havia ressuscitado. Porém, quando ele se apresentou aos discípulos, Tomé não estava presente. Por essa razão, quando os demais lhe contaram que o Senhor aparecera a eles, ele duvidou e falou: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” – João 20:25.

     Oito dias depois, novamente o Mestre se apresenta a eles e lhe diz a Tomé, agora presente: “Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente – João 20:27.

     Então, Tomé faz a seguinte declaração: “Senhor meu e Deus meu!” – João 20:28. E ouve de Cristo: “Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram” – J João 20:29.  

     Dessa maneira, entendemos que, no tocante às coisas de Deus, a fé é muito mais importante do que aquilo que é palpável ou visível. Assim, o texto de Hebreus 11:1-3 amplia nossa visão espiritual ao declarar: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem. Pois, pela fé, os antigos obtiveram bom testemunho. Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”.

      Portanto, precisamos estar atentos ao que diz o texto a seguir: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” – Hebreus 11:6.

2. Quando o primeiro casal desobedeceu à ordem expressa de Deus lá no Éden, o Senhor prometeu que enviaria alguém para resgatar o homem, que havia sido vencido pelo pecado e expulso do jardim.

3. Cerca de 700 anos antes da vinda de Jesus, o Messias, o profeta Isaías profetizou sobre o nascimento do Senhor: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Deus conosco) – Isaías 7:14.

     Ainda nesse livro, lemos o seguinte: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” – 9:6.

3. Em Lucas 2:26 ao 38, vemos o anúncio do nascimento do Messias: “Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai” – Lucas 1:30-32.   

4. Em Lucas 4:14 ao 22, vemos Jesus voltando do deserto e se apresentando como aquele sobre quem Isaías profetizara no capítulo 61, e finaliza dizendo: “Hoje se cumpriu a Escritura em vossos ouvidos” – Lucas 4:21.

     A partir desse evento, vemos o registro de muitos milagres e sinais feitos pelo Senhor. Também vemos os preciosos ensinos aos discípulos, os quais ecoam até hoje em nossos ouvidos e parecem mais atuais do que quando o Mestre os proferiu. Depois, encontramos o registro de sua prisão, sofrimento, morte e ressurreição.

     Quando chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 1:1-14, encontramos o relato do seu retorno ao céu e a promessa de que ele voltará. Todavia, antes desse episódio, encontramos Jesus dizendo: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E quando eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” – João 14:1-3.

    Quando chegamos a 1 Coríntios 5:10, lemos: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” – 2  Coríntios 5:10.

     Já em Hebreus 9:27-28 está escrito: “Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” – Hebreus 9:27,28

     E se tudo for verdade? Você já parou para pensar seriamente sobre isso?

     Sei que você tem observado que grande parte das pessoas até estão ansiosas pela chegada do Natal. Muitas demonstram uma enorme empolgação e expectativa pela chegada dessa data (talvez, este ano não percebemos tanto, por causa da pandemia e de suas terríveis consequências). Porém, em outros anos tudo isso fica evidente.

     Mas de qual Natal estamos falando?

     Como assim? Quase ouço você me fazendo essa indagação. E eu lhe respondo já-já.

    Existem pelo menos dois natais: um que inclui Jesus na festa de celebração e na vida cotidiana e outro que o exclui tanto da festa quanto da vida. 

     Obviamente, nós sabemos o que Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Entretanto, independentemente de ser essa data ou não, o nascimento do Senhor deve ser festejado pelos cristãos, não apenas em um dia do ano, mas em todos eles. Afinal, ele veio como cumprimento da promessa e do amor do Pai: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16.

     Para tais pessoas, Jesus tem um lugar preparado especialmente para ele: o coração. Assim, o Senhor é celebrado e, acima de tudo, reverenciado como o Messias ou o Cristo, ou seja, o Ungido de Deus, enviado para nos resgatar das garras do adversário da nossa alma e reconciliar com o Pai: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” – 1 Timóteo 2:5,6.  

     E se o que foi dito realmente for verdade?

     Para aqueles que excluem Jesus das celebrações, essa data é apenas uma oportunidade de reunir a família e amigos ou de fazer uma viagem, a fim de fugir da rotina exaustiva e estressante de um ano inteiro de trabalho. Mas seria apenas esse o objetivo do Natal?

     Para finalizar, almejo fazer mais algumas considerações:

1. Certa ocasião, Pedro e João foram levados diante do Sinédrio (uma espécie de tribunal dos judeus) e foram severamente advertidos para que não mais falassem de Jesus. No entanto, eles disseram: “Então, chamando-os novamente, ordenaram-lhes que não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: ‘Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos’. Depois de mais ameaças, eles os deixaram ir. Não tinham como castigá-los, porque todo o povo estava louvando a Deus pelo que acontecera” – Atos 4:18-21.  

     E se o que eles viram e ouviram for verdade?

2. Em Apocalipse 22:10-12, Jesus disse: “ Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo. Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.

3. Se você estivesse fazendo aniversário e seus amigos decidissem realizar uma festa para comemorar, MAS não convidasse VOCÊ, como você se sentiria ou como encararia essa situação?

    Por certo, acharia um absurdo, um desrespeito e se sentiria muito triste. Logo, se o Natal é uma data para celebrar o nascimento de Jesus, é obvio que ele deve ser convidado para a festa.

     Por fim, quero dizer o seguinte: Há muitas coisas que não vemos, não ouvimos, não sentimos, não entendemos (talvez a maioria delas). Mas, apesar disso, elas existem e são importantes.

     Mas eu tenho muitas dúvidas sobre Deus, Jesus e Espírito Santo. O que eu faço, então?

     Quem sabe você diga isso. E vou dizer algo que eu já disse para muitas pessoas, inclusive para meu filho: Não há nada de errado em ter dúvidas. Talvez todos nós ou a maioria de nós as tem. A questão de fato é: O que fazer com elas?

    Existem duas possibilidades: 1. Usá-las como pretexto para fugir de Deus ou pegar todas elas, levá-las diante do Pai e dizer: “Senhor, aqui estão minhas dúvidas. Não sei se o Senhor realmente existe, se a Bíblia é de fato a tua palavra, nem se esse negócio de céu e inferno tem algum fundo de verdade. Por isso, gostaria de te pedir que, se o Senhor realmente existe, me ajude a crer e a entender”.  

     Agindo assim, com sinceridade e humildade, o Senhor vai se manifestar de alguma forma e você deixará de ter dúvidas ou, pelo menos, não deixará que elas o levem para longe de Deus, mas para bem pertinho dele.

   E se tudo o que você leu for verdade?

      Pense nisso. E que Deus o abençoe e guarde. Que ele lhe dê um fim de dia de Natal sobremodo feliz e abençoado. Que Jesus seja o centro da sua celebração e da sua vida.


[1] https://paodiario.org.br/publicacoes/dia-a-dia-com-os-pais-da-igreja/agostinho/?gclid=EAIaIQobChMIv5HA_5fn7QIVQQuRCh1BLQynEAAYASAAEgK3wvD_BwE

[2] Copta: https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa_Copta

[3] Livro “Escavando a verdade – A arqueologia e as incríveis histórias da Bíblia”, Rodrigo P. Silva, p. 148

Sugestão de música: Ao único – com Ministério Koinonya de Louvor

Sugestão de Filme: Em defesa de Cristo

 
 

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