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Arquivo da categoria: Estudos Bíblicos

Quem é Jesus para você? (Aconteceu de novo!!)

     “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra.” (Jeremias 5:30)       

     Em 2018, pela graça de Deus, escrevi um artigo bíblico chamado Quem é Jesus para você?” (você pode ler também no site da IEQ São Paulo). Nele, trato desse tema de tão grande relevância, especialmente em nossos dias. Agora, sinto-me novamente impelido pelo Espírito Santo a retomá-lo e a escrever mais uma vez sobre ele.

     No artigo anterior, o qual está no blog “palavradesabedoria.net”, refiro-me a dois “artistas” conhecidos através da mídia. Na ocasião, tais indivíduos dirigiram-se a Jesus de forma muito desrespeitosa. MAS, naquele episódio, meu questionamento não foi a eles e, sim, a mim mesmo e a você, leitor. E hoje o faço a nós outra vez.

     A mídia brasileira (televisão, rádio, jornais, internet etc.) tem divulgado grandes escândalos nestes últimos dias. Evidentemente, ela está fazendo o papel que lhe compete e, espero, com honestidade e imparcialidade, pois é o que o cidadão íntegro tem esperança que aconteça. Concorda?

     Sei que há muitos casos que poderiam ser tomados como base para a argumentação. No entanto, almejo destacar quatro deles, por considerá-los suficientes para entender e fazer uma autoavaliação, ou seja, uma avaliação de nós mesmos, das nossas ações, comportamentos e atitudes diante do Senhor, da sociedade, da nossa família e da própria consciência.

     Afinal, como dizem as Sagradas Escrituras em Romanos 14:10b,12: “Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. (…) Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. E, ainda sobre essa questão, em 2 Coríntios 10:5, lemos: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más”.

     Um desses casos trata de uma mãe que expulsou de casa um filho de APENAS dois aninhos de idade![1] Para piorar, ela disse que também já havia expulsado outro filho. Como diz o texto bíblico de abertura, coisa espantosa tem acontecido na terra.

     Quando se fala em mãe, logo pensamos no chamado “instinto maternal”, o qual a leva a fazer de tudo para proteger sua criança. Obviamente, isso também deve se aplicar ao pai. Porém, não foi o que aconteceu. E, lamentavelmente, temos visto muitos casos espantosos, horríveis e revoltantes assim.

     Os outros casos envolvem três líderes religiosos: uma pastora, um padre e um médium espírita. E o curioso é que há diversas coisas em comum entre eles: religião, poder, dinheiro e sexo. Além disso, o primeiro e o terceiro também englobam acusação de assassinato. Por causa disso, mais uma vez, tenho visto alguns setores da mídia explorando exaustivamente essas tragédias, da mesma forma que já vimos em outras ocasiões e com assuntos diversos.

     Atenção!!! Quero que você entenda que não estou dizendo que casos assim não devem ser noticiados. Precisam e devem ser para, além de informar, alertar-nos para a existência de lobos vestidos de cordeiros. Esse é o papel do jornalismo sério e imparcial.

     MAS também penso que os veículos de comunicação social precisam e devem colocar em evidência, e de modo mais frequente (talvez insistentemente), os bons exemplos, os quais, não existe dúvida, são em quantidade muito maior. Faço essa afirmação porque entendo que tudo aquilo que reforçamos produz um resultado maior. Logo, se reforçarmos os maus exemplos, eles é que ocuparão nossa mente. E o contrário também é verdadeiro. Veja que falei reforçar, não ignorar.

     Para ilustrar, quero que você volte comigo há quase dois mil anos. Em Mateus 4:12 ao 22, vemos Jesus iniciando o processo de seleção de 12 homens que iriam compor o grupo de ajudantes dele. A princípio, foram chamados de discípulos (do grego mathetes). Em seu sentido mais comum, significa ser um aluno, aprendiz ou seguidor de um Mestre.

     O mais curioso de tudo é que entre os selecionados havia um que iria trair Jesus: Judas Iscariotes, o qual se tornou mesmo o traidor. Estranho, não? Será que o Senhor não sabia que isso iria acontecer? E a resposta é: Sim, sabia. Então por que o Mestre o aceitou em seu grupo, se havia tantas pessoas melhores que esse cara?

     A resposta não é tão simples. Mas, pelo contexto bíblico, entendemos algumas coisas claramente: o Mestre dá oportunidade para pessoas de todos os tipos e índole, isto é, conjunto de traços e qualidades inerentes ao indivíduo desde o seu nascimento; caráter, inclinação, temperamento. Se não o fizesse assim, haveria uma contradição, pois a Bíblia diz que o Senhor não faz acepção de pessoas: “…porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” – Romanos 2:11.

     Além disso, Judas passaria por um longo período de treinamento e teria a oportunidade de mudar. Contudo, a decisão de acatar os ensinos do Mestre e de se tornar diferente estava nas mãos dele. Basta lembrar que o Senhor não impõe sua vontade. Ele a  expõe, dá bons exemplos, MAS a palavra final é de cada um de nós: “No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” – João 7:37,38. E hoje continua sendo assim. A escolha é pessoal. (Se quiser, leia Isaías 1:19.)

     Outra observação a fazer é que até no momento em que, traiçoeiramente, Judas entregou Jesus aos soldados ouviu a seguinte frase: “Amigo, a que vieste?” –  Mateus 26:50. Não é que o Senhor não sabia o motivo de estarem ali. Mas queria que esse homem refletisse sobre seus atos, especialmente o daquele momento.

    Sem dúvida, seria impossível reverter a situação. Todavia, Judas teve a oportunidade de se arrepender e de pedir perdão ao Senhor, o qual, certamente, o receberia de braços abertos e o restauraria. Infelizmente, porém, ele não aproveitou a chance e preferiu tirar a própria vida. Que triste!

     Também preciso relembrá-lo de que certa feita Jesus contou uma parábola sobre o trigo e o joio – Mateus 13:36 ao 43[2]. Essas duas espécies são bem parecidas. Crescem de modo muito semelhante. MAS o joio só tem aparência (casca), enquanto o trigo possui a essência, ou seja, os grãos.

     Conforme o Senhor deixou claro na parábola, foi o maligno que semeou o joio no meio do trigo. Porém, chegaria o tempo da colheita, quando cada um tomaria um rumo diferente. Veja: “Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça” – Mateus 13:40-43.

     Aparentemente, as pessoas que praticam o mal estão no lucro. No entanto, não foi isso que Jesus no ensinou. Haverá, sim, o dia no qual pagarão pelas atrocidades cometidas. Todavia, antes de a justiça de Deus ser executada, a justiça humana deve, urgentemente e de modo imparcial, cumprir seu papel, aplicando as punições previstas na lei. E isso independentemente de se tratar de rico ou pobre, religioso ou não-religioso, novo ou velho, branco ou de qualquer cor ou raça. Afinal, a sociedade merece ser protegida, não ficar vulnerável a todo tipo de mal, especialmente nossas crianças.  

     Outra coisa a registrar é que essas atrocidades não devem surpreender os verdadeiros cristãos. As Escrituras, há muito tempo, nos informam que tais coisas acontecerão. Se você ler 2 Timóteo 3:1 ao 9, verá claramente um desses avisos. Entretanto, não estou querendo dizer com isso que devemos nos acomodar e nos conformar. Antes, se somos genuínos servos de Deus, devemos lutar contra o mal, como nos ensinou o Senhor – Efésios 6:10-18.

     Outro lembrete a fazer é que Jesus nos diz o seguinte em Apocalipse 22:11:  “ Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se”. E na sequência, lemos: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão/recompensa que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. Ou seja: cada um de nós vai ser recompensado pelo Senhor de acordo com o que fez por meio do corpo, conforme já vimos em 2 Coríntios 5:10.

    Ainda preciso registrar o seguinte: nosso verdadeiro referencial é Cristo. Foi ele quem morreu na cruz em nosso lugar para perdoar os nossos pecados, nos reconciliar com Deus e nos garantir a salvação eterna, segundo lemos em 1 João 2:25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”.

     Na mesma carta, temos a seguinte declaração: “E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” – 1 João 5:11-13.

     Já em Hebreus 12:1 e 2, lemos: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos”.  

     Você percebeu? A Bíblia fala que temos de olhar para Jesus. Portanto, os maus exemplos jamais podem ser motivo para descrermos do Senhor, abandonarmos a fé e a Igreja, blasfemarmos, ou tomarmos quaisquer outras atitudes e decisões que não estejam pautadas na Palavra de Deus.

    Muito pelo contrário. Não devemos deixar de congregar: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas nos encorajemos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia – Hebreus 10:25.

     Em outras palavras: o verdadeiro servo do Senhor não se escandaliza, nem tem sua fé enfraquecida por causa de escândalos. Pode até se irar, se revoltar ou se entristecer. No entanto, não usará isso como muleta para justificar sua descrença em Deus ou deixar de frequentar sua igreja. Antes, entenderá que é tempo de se aproximar ainda mais do Senhor, pois só ele tem palavras da vida – João 6:68.

     Se você quiser olhar para os maus exemplos, certamente vai encontrar muitos. Mas, se decidir olhar para os bons, não tenho dúvida de que os encontrará em quantidade muito, muito maior.

     Para cada pastor ruim, quantos bons há? Para cada padre ruim, quantos bons existem? Para cada mãe ruim, quantas boas você conhece? Para cada líder espírita, ateu ou de qualquer outro segmento religioso ou social corrupto ou imoral, quantos são homens e mulheres íntegros?

     Podemos até não concordar com aquilo em que eles creem, é um direito que assiste a cada um de nós, MAS temos o dever de reconhecer o valor que possuem e respeitá-los.

     Como vimos no texto inicial, as Escrituras já nos advertiram, dizendo: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra” (Jeremias 5:30). Portanto, a questão não são os outros e o que eles fazem. A questão somos nós: Quem é Jesus para nós?  

    Em Mateus 16:13 ao 18, vemos um bate-papo entre Jesus e seus discípulos. E o Senhor lhes faz o seguinte questionamento: “Quem os homens dizem que o Filho do homem é?” – v:13.   Mas, na realidade, o que ele queria mesmo saber era o que seus seguidores pensavam sobre isso: “E vocês?,  perguntou ele. Quem vocês dizem que eu sou?” – v 15.

    Naquele momento, Pedro recebeu a revelação de Deus e declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” – v:16. E hoje o Mestre também deseja que tenhamos essa revelação, pois, se a tivermos, nossos olhos estarão nele, não em pessoas falíveis como eu e você, as quais podem cometer erros gravíssimos, imperdoáveis aos nossos olhos, conceitos e julgamentos, e nos decepcionar.

    Mais uma coisa importante: devemos levar em consideração o conselho que as Escrituras nos dão em 1 Coríntios 10:12: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!”. Observe que o texto diz “aquele que julga estar firme” ou “estar de pé”, segundo outra versão.

     Muitas vezes, nossos julgamentos são equivocados, especialmente os que fazemos de nós mesmos, pois temos uma fortíssima tendência de sermos muito benevolentes conosco, ou melhor, dispostos a nos absolver, complacentes ou indulgentes.

     Por isso, sempre temos que estar atentos e julgar/avaliar nossas ações, atitudes e comportamentos à luz da Bíblia. Além do mais, constantemente precisamos perguntar a nós mesmos: “Quem é Jesus para mim?”.

      A resposta a essa interrogação, sem dúvida, vai revelar de modo muito claro em quem está alicerçada nossa fé e se somos cristãos genuínos ou apenas religiosos e meros cumpridores de tarefas religiosas. Isso porque a questão principal diante de Deus somos nós, não tais pessoas.

     Por fim, sinto que devo registrar esta declaração de Jesus: “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda” – Mateus 7:24-27. Então, que sua fé esteja edificada nele, que é a Rocha Inabalável.

 

Músicas para ouvir e refletir:

Casa na Rocha (Anayle Sulivan)    

Espera (Marcos Antônio)                 

     


[1] Cidade de Paranaíba – mãe expulsa filho de 2 anos de casa

[2] O trigo e o joio – Vídeo esclarecedor, feito na Suíça – 3:30 min.

 

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Um homem que andou com Deus

     “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3)      

     Uma das histórias bíblicas mais curtas, extraordinárias e enriquecedoras é a de Enoque – Gênesis 5:18 a 24. Por isso, gostaria de compartilhar com você algumas reflexões sobre ela.

     No entanto, antes de começar a discorrer a respeito desse tema tão apetitoso, preciso fazer uma pergunta simples, mas que o ajudará a refletir um pouco sobre sua vida: Com quem você tem andado? Todavia, como cada um de nós deve questionar-se a si mesmo, também vou fazê-la mais uma vez a mim: Com quem tenho andado? Agora, sim, estamos em pé de igualdade.  

     Conforme disse no primeiro parágrafo, é uma história bem curta. Por essa razão, não temos muitas informações sobre esse homem. Porém, as que temos são suficientes para alimentarmos a fé e, caso seja necessário, mudar a rota e atitudes impróprias diante de Deus.

    Uma das coisas que sabemos a respeito dele é que seu pai se chamava Jarede e que ele faz parte da sétima geração a partir de Adão. Também sabemos que viveu 365 anos, dos quais 300 ele andou com Deus – v 22 e 24 – e teve filhos e filhas. Portanto, era uma pessoa aparentemente comum à sua época, tal qual você e eu somos em nossa geração. 

     Segundo vimos, houve um período de 65 anos nos quais ele não andou com Deus. Por certo, Enoque cresceu ouvindo os mais velhos falarem a respeito do Senhor, da criação do Universo e, especialmente, sobre como Deus havia criado o ser humano – Gênesis 1:1 ao 28. Além disso, penso que ele conviveu com pessoas que lhe falavam da grandeza do Altíssimo e de como o Pai se importava com eles.

     Mesmo assim, decidiu seguir seu próprio caminho. Talvez, como tantas vezes acontece conosco, supôs que tinha condições de levar a vida sem a ajuda de Deus. Ou seja, bateu nele o sentimento de autossuficiência, tão comum a todos nós. Desse modo, foi viver segundo o que era conveniente e lhe aprazia, ou melhor, era agradável.  E seguiu seu rumo…

     Outra possibilidade é que tenha passado por uma grande adversidade, a qual o fez decepcionar-se com Deus, por considerá-lo injusto e mal. Quem sabe, nesse período, ele fez coisas muito ruins. Ou não. Entretanto, chegou um momento no qual sua vida passou por uma grande, significativa e definitiva mudança. E, a partir desse momento, Enoque passou a andar com o Senhor.

     Não sei se você é meio curioso (no bom sentido da palavra) ou imaginativo. Tenho que confessar que sou. E fico imaginando quais teriam sido os motivos que o levaram a mudar a rota. Uma doença? Um problema familiar? A morte de um ente querido? Um problema existencial? Uma experiência sobrenatural? Ou o quê?

    Talvez, antes de seu encontro com Deus, ele fora uma pessoa bem-sucedida financeiramente e também em sua vida relacional (mulher, filhos, pais, amigos e outros). Mas, ainda assim, sentisse um vazio interior ou existencial muito grande, vivia sem um propósito e, por causa disso, não via motivo para continuar existindo.

    Quer saber de uma coisa? Na realidade não importa qual foi a razão que o levou a uma mudança radical de vida. O que de fato importa é que esse camarada passou a viver de maneira diferente e isso agradou a Deus merecendo, inclusive, que sua história fosse inserida no livro de Gênesis e também na Galeria dos Heróis da Fé, a qual está em Hebreus 11: Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; ‘ele já não foi encontrado porque Deus o havia arrebatado’, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus” – v 5.  

    Agora, penso que o momento é oportuno para fazer-lhe mais uma pergunta: Mas, afinal, o que é andar com Deus?

     Para buscarmos as possíveis respostas, e isso com base bíblica, precisamos retornar e retomar o texto inicial: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? ” (Amós 3:3). E, para facilitar o entendimento, primeiro vamos ver sinais do que é não andar com o Senhor, lembrando que esse “andar” do texto traz o sentido de comungar, compartilhar, concordar ou ainda aprovar as ações e atitudes de outrem.

     Então, parece-me que quase consigo ouvir você me dizer: “Não! Não é possível andar com uma pessoa da qual discordamos”. Também penso assim. Talvez em coisas sem muita importância até é possível. Contudo, quando envolve questões realmente significativas, não dá para seguir o mesmo caminho. Evidentemente, não estou falando de cortar a amizade (a não ser que ela esteja nos levando para coisas ilegais ou que nos fazem infelizes), mas de atitudes, comportamentos e outros semelhantes.

    No Salmo 1º:1, lemos o seguinte: “Bem-aventurado o varão/o indivíduo que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Parafacilitar a compreensão, veja o mesmo versículo na versão NVI: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!”

    A palavra ímpio apresenta diversos sentidos: 1. Aquele que age com crueldade; desumano.; 2. Que não expressa humanidade nem demonstra piedade ou consideração; cruel, bárbaro, desapiedado. Também pode significar “que não cumpre seus deveres” ou ser usado como o contrário de justo, o que é mais comum nas Escrituras Sagradas.

    Quando o salmista diz: “… nem se detém no caminho dos pecadores…”, ele quer dizer “daqueles que, deliberadamente ou intencionalmente, vivem na prática do pecado”. Isso porque todos nós somos pecadores (Romanos 3:23; 6:23). No entanto, existe uma grande diferença entre cometer um erro por acidente de percurso, sem intenção ou premeditação e viver fazendo o que é mal, mesmo sabendo que está errado e que deve mudar de atitude.  

     Infelizmente, o mundo está cheio de pessoas que se espelham nos que praticam coisas más e reproduzem suas perversidades. Muitas vezes, fazem até pior do que viram outros fazerem. Há muitos exemplos disso na sociedade, seja na política, nas relações comerciais e conjugais, na família. E ainda mais grave: até no meio religioso. Porém, o autêntico cristão sabe que sua referência e maior exemplo é Cristo – Hebreus 12:1,2 –, não pessoas, mesmo as que são corretas, uma vez que elas também são falíveis e em algum momento podem escorregar e decepcioná-lo.  

    A última parte do versículo fala: “… nem se assenta na roda dos escarnecedores”. A palavra escarnecer tem o sentido de debochar, humilhar, avacalhar, ridicularizar, achincalhar, ironizar e outros parecidos. Quando se trata do texto bíblico, escarnecedores são aqueles que agem dessa forma desrespeitosa em relação a Deus e a tudo que lhe diz respeito.  

     Sempre houve pessoas que procederam dessa maneira. Porém, hoje me parece que muitas pessoas perderam completamente a noção e o fazem sem nenhum escrúpulo, inclusive através dos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, internet etc.). Mas o pior é que só o fazem porque normalmente têm uma plateia para aprovar e aplaudir aquilo que dizem. Lamentável!!!

     Tudo o que foi dito nesse versículo são sinais de que um indivíduo não anda com Deus. Entretanto existem outras coisas que evidenciam ainda mais esse não caminhar com o Senhor. Por uma questão de tempo e espaço, mencionarei apenas alguns, à luz da Palavra de Deus, para que possamos fazer uma autoavaliação: “Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta/abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos” – Provérbios 6:16-19.

     Agora, preciso dizer algo para você: todos nós temos a liberdade de acreditar ou não no que ensina a Bíblia. Ninguém é obrigado a seguir seus ensinos. O Senhor sempre deixou muito claro que cada pessoa tem o direito de fazer suas próprias escolhas. Afinal, ele não quer que sejamos robôs teleguiados, nem quem nos aproximemos dele por medo ou para obtermos privilégios.

     Ao contrário, o Pai deseja que nos acheguemos a ele por amor e reconhecimento de que ele nos ama, tem um plano de salvação para quem crê – João 7:37 e 38 – e merece nosso respeito.  Mas, caso você acredite, tenha sede de Deus, deseje andar com ele e obedecer à sua palavra, existem promessas maravilhosas para sua vida e família. Veja algumas delas:

  • “Bem-aventurado/verdadeiramente feliz aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! (Salmos 128:1 – Leia todo o salmo e entenderá melhor)
  • “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”. (Salmos 1:3)
  • “Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra.” (Isaías 1:19)
  • “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
  • “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. ” (Mateus 6:33)
  • “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu.” (Hebreus 10:35,36)
  • “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos- Disse Jesus.” (Mateus 28:20)
  • “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: ‘Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou’. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’ E acrescentou: ‘Escreva isso, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança’.” (Apocalipse 21:3-5)

     Essas promessas são apenas alguns exemplos, a fim de refrescar sua memória e fortalecer sua fé. Entretanto existem muitas outras, as quais servem de motivação para almejarmos conhecer melhor o Senhor. Agora, porém, é hora de retornarmos a Enoque. Vamos lá?

      Penso que ele procurou ser e agir como ensina o Salmo 1º: não andar segundo o conselho dos ímpios, não se deter no caminho dos pecadores, nem se assentar na roda dos escarnecedores. Em sua época, pelo que vemos nas Escrituras, muitos já não honravam ao Senhor. MAS ele escolheu ser diferente. E o resultado de sua escolha foi a que já vimos: “Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; ‘ele já não foi encontrado porque Deus o havia arrebatado’, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus.” (Hebreus 11:5)

     Em João 14: 1 ao 6; vemos Jesus falando que ia para junto do Pai e que voltaria para nos levar para o céu. E em Mateus 25:34, ele fala: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo”.

     Desse modo, entendemos que Deus não quer apenas Enoque e mais uns gatos pingados juntos dele. Ao contrário, há um lugar VIP (Very Important Person1) reservado para cada pessoa que aceitar o Mestre como Senhor e Salvador da sua vida, porque Jesus “veio para o que era seu {o povo judeu}, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, a todos os que creram em seu nome, deu-lhes o direito/o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” – João 1:11-13.  

     Então, para concluir, preciso ressuscitar as perguntas: Com quem você tem andando? Com quem eu tenho andado?

     Como só podemos andar com o Senhor se estivermos de acordo com ele, desejo dar a mesma resposta que o apóstolo Pedro deu a Jesus quando muitos deixaram de seguir o Mestre. Também gostaria que você fizesse o mesmo, declarando: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 6:68,69).

     Depois que (re) fizermos essa declaração, vamos prosseguir caminhando com o Senhor até ele voltar para buscar sua Igreja, a qual é formada por todos quantos tomaram ou tomarem a decisão de segui-lo.

Sugestão de música:  

Anda com Deus – Ludmila Ferber ( https://www.youtube.com/watch?v=N7GFkthWuBQ)                                  

 

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Are you carrying unnecessary weight?

Let me tell you a story. There was a road, and by that road’s side was a man, carrying a very heavy burden. The burden was so heavy that the man was barely able to carry it. A cart driver passing by had mercy on that man and offered him a ride, which the burdened man accepted. After a while the cart driver looked at the man and was surprised to see that he still had the burden on his back! So he said: “I offered you a ride so that you could rest from your burden’s weight. Why do you insist on carrying it?”, to which the man answered: “You were very kind, offering me the ride, I can’t expect your animal to carry both my burden’s weight and my own!”.

Dear reader, what do you take from that story? More specifically, what do you think about that man’s behaviour? If you are smart, which I am sure you are, I’d guess you are thinking: “What an unwise man! The animal pulling the cart would be carrying his burden’s weight regardless of it being on his back or with the rest of the load.” And to that i say you are absolutely correct. But what if I told you that you may be acting just as the burdened man from our story?

It is possible that you are carrying a burden of guilt with you. Guilt from sins you have committed in the past. And, up to a point, this is acceptable; since being indulgent towards sin is not a trace of the godly character a christian must develop as he walks with Christ. However, maybe, just maybe, the weight of guilt that rests on your shoulders is greater than you can bear; and you find yourself in a situation very similar to that man’s: struggling to walk the road while a burden you can barely carry lies on your shoulders.

If you are perceptive, you are probably thinking: “Well, since the writer compared me to the burdened man, he will probably introduce someone to compare the cart driver to” to which i say: you are absolutely correct. If you are the man, the cart driver is our Lord Jesus Christ. 

Now that all the “pieces” are on the table, let us start to form the picture. When we profess faith in Jesus Christ, we declare to believe that He came to the World as a man, died on the cross to pay for our sins and that He rose from the dead at the third day; ascending, after forty days, to heaven, where He sits at the right hand of God the Father. And yes, that may seem obvious, but the fact some christians still carry guilt from the past with them reveals a lack of comprehension as to how our Lord’s precious sacrifice affects them.

What you, dear reader, need to understand is that forgiveness of sin is something that Jesus paid for when He went to the cross. That is, He offered us a ride to eternity with him without having to carry the weight of guilt. However, sometimes, we insist on carrying this unbearable burden, which He offered to free us from, and, in doing that, we put ourselves in a place of tremendous pain and might even start to doubt our own salvation; not recognizing the effectiveness of God’s grace in us. 

Can you relate to this? Do you feel like you still carry a burden of guilt from the sins you have left in the past? If your answer is yes, I tell you that I completely understand the pain you are in. Believe me, I do. But, even though it might be difficult, in situations like this you need to ignore the storm raging inside of you and look to the only unfailing references we have: our Lord and his word.

Talk to our Father. It does not need to be an hour-long prayer, it could be simply: Father, I need help. In fact, you may just sit in silence and let your heart and tears do the talking. I assure you, dear reader, a few words spoken in sincerity,  a couple of minutes expressing what you feel through tears may bring you closer to the Lord than you imagine.

As to the Lord’s word, please allow me to show you a couple of texts.

 I John 1:9  “If we confess our sins, He is faithful and just to forgive us our sins, and to cleanse us from all unrighteousness.”

I John 2:1-2 “ My little children, these things write I unto you, that ye sin not. And if any man sin, we have an advocate with the Father, Jesus Christ the righteous. And He is the propitiation for our sins, and not for ours only, but also for the sins of the whole world.”

I John 2:12 “I am writing to you, dear children, because your sins have been forgiven on account of his name.”

Romans 5:1-2 “Therefore, being justified by faith, we have peace with God through our Lord Jesus Christ, by whom also we have access by faith into this grace wherein we stand, and rejoice in hope of the glory of God.”

Romans 8:1 “There is therefore now no condemnation for those who are in Christ Jesus, who walk not according to the flesh, but according to the Spirit.”

Based on all that has been said, I want to tell you this: if you believe in Jesus and accept him as your saviour, if you repented from your sin and confessed it to the Lord, if you no longer live a life of intentional sin, you are forgiven. You may, however, feel the need to confess your transgressions to someone; in which case I advise you to seek the Lord’s guidance so as to choose someone reliable and able to aid you in this process of inner healing.

Lastly, dear reader, i would like to propose you a challenge: whenever you feel like picking up that old and heavy burden, ask the Holy Spirit to do as the Scriptures say He would: testify that you are a child of the Lord (Romans 8:16 “The Spirit himself testifies with our spirit that we are God’s children.”). Trust the Lord’s grace and His forgiveness, and you will know true peace.

Grace, mercy and peace be with you from God the Father and from Jesus Christ, the Son of the Father, in truth and love.

 
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Publicado por em 10/06/2020 em Estudos Bíblicos

 

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E se Deus não fizer?

“Mas, se ele não nos livrar, fica sabendo, ó rei, que não cultuaremos aos teus deuses, tampouco adoraremos a estátua que ergueste!” (Daniel 3:18 – Versão King James)      

     Temos vivido tempos trabalhosos em todo o mundo. Infelizmente, no Brasil não também tem sido assim. No entanto, tal problema não chega a nos surpreender (ou não deveria) porque as Escrituras Sagradas deixam bem claro que isso ia acontecer. Basta lermos II Timóteo 3:1 ao 5.

    Há pelos menos três meses, temos convivido com o fantasma do covid-19. Para piorar, a mídia sensacionalista explora tanto esse mal para obter audiência e lucrar com o caos, que muitas pessoas estão apavoradas, adoecendo com crises de ansiedade, de pânico e depressão. Além de outros males psicossomáticos. Existem também aqueles que se jogam na pornografia, no álcool e em outras drogas buscando uma fuga, um refrigério e um descanso para sua alma aflita.

    Além disso, a tensão causada pelas manifestações contra a discriminação racial se soma às preocupações de todos nós. Um câncer que surpreendentemente ainda atinge nossa sociedade, o racismo foi responsável pela morte do americano George Floyd, motivando o início dos justos protestos não apenas nos Estados Unidos, mas também diversas partes do Mundo, inclusive no Brasil.

     Do outro lado de tudo isso, também temos convivido na igreja com uma teologia triunfalista, um dos ramos da teologia da prosperidade que, muitas vezes, mais confunde do que ajuda as pessoas. Segundo os ensinamentos dessa linha teológica, o cristão tem que viver totalmente isento de problemas e doenças. Caso não vivam assim, é consequência de sua falta de fé ou pecado. Desse modo, geram grande confusão na cabeça das pessoas, levando muitos a se decepcionarem com Deus e a abandonar a Casa do Pai. 

    Quando olhamos para os ensinos bíblicos como um todo, percebemos claramente que o triunfalismo é fruto de uma interpretação distorcida ou equivocada das Escrituras. Evidentemente, temos base bíblico-teológica para orar ao Senhor pedindo-lhe suas bênçãos. Por exemplo, em Lucas 18:1 ao 8, Jesus conta-nos uma parábola na qual nos ensina a orar sempre e nunca desanimarmos.

    Todavia em João 16:33, o Senhor Jesus faz a seguinte declaração, que soa como um alerta para todos nós: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” – João 16:33. Diante disso, que parece soar como um impasse teológico, quero dizer que entre esses dois ensinos está algo que se chama “soberania divina”.

    Para fundamentar a argumentação, vou convidar você a caminhar comigo pelo capítulo 3 do livro de Daniel. Nele, encontramos a história de três jovens hebreus, cujos nomes são Misael, Ananias e Azarias, os quais haviam sido levados cativos para a Babilônia quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém, no ano de 586 antes de Cristo.

    Em determinado momento de seu reinado, Nabucodonosor ordenou que construíssem uma grande estátua de ouro. Assim que ficou pronta, o rei fez uma cerimônia de determinou que quando os músicos tocassem todos deveriam se prostrar diante dela e cultuá-la (v 5). Entretanto, os jovens hebreus não se curvaram diante daquela imagem.  

    Vendo isso, a turma do bocão se aproximou de Nabucodonosor e denunciou os hebreus (v 8 ao 12). Então o rei ficou furioso e mandou chamar os rebeldes. Quando chegaram, questionou-os por que não obedeceram às ordens e determinou-lhes que, ao ouvirem o toque dos instrumentos novamente, se curvassem e prestassem culto à imagem. Do contrário, seriam jogados na fornalha – v 13 ao 16. E disse-lhes mais: “E vos indago: Que deus poderá livrá-los das minhas mãos?”.

    Diante disso, veja com seus próprios olhos a resposta dos rapazes: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” – Daniel 3:16-18 –  Versão King James.

    Agora que você já passou a conhecer ou relembrou um pouco dessa história, vamos analisar algumas coisas importantes, em especial aquelas que tratam do entendimento da soberania de Deus e da fidelidade de Ananias, Misael e Azarias. Vamos lá?

    Os jovens não ficaram se defendendo diante do rei. Eles estavam cientes de que seriam mesmo jogados na fornalha. Ainda assim, não ficaram justificando sua fé e decisão. Além disso, demonstraram que realmente conheciam o Deus a quem serviam. Por essa razão, deixaram clara a certeza de que o Senhor podia livrá-los e de que o Pai livrá-los-ia.  

     Por outro lado, também estavam cientes de que o Senhor é soberano, ou seja, exerce o poder, a autoridade e o domínio supremos. Desse modo, pode ou não fazer aquilo que a pessoa espera. Então eles falam: “Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”.

     Para mim, é um dos exemplos mais claros de respeito à soberania divina e de fé no meio da adversidade. A vida deles estava em jogo. Seria uma morte cruel, crudelíssima. Já imaginou morrer dessa forma? Contudo, para eles, ainda que isso viesse a acontecer, não prestariam culto àquela imagem. Sabiam que havia algo muito maior do que a vida terrena: a eternidade juntamente com o Senhor.

    A fé deles não estava alicerçada nas coisas que Deus pode fazer ou faz, mas naquilo que o Senhor é. Em outras palavras: estavam cientes de que recebendo ou não livramento da fornalha, ele continuaria sendo Deus e, por esse motivo, digno de confiança e de adoração exclusiva.   

    Agora, gostaria de pedir sua licença para dar um testemunho de família. Meu irmão mais velho era um pastor muito querido e usado nas mãos de Deus. Adoeceu seriamente. Milhares de irmãos em Cristo oravam constantemente, suplicando ao Senhor que o curasse. Ele foi curado da dor, mas morreu aos 39 anos em consequência da doença, que evoluiu e os médicos nada puderam fazer para salvá-lo.

    Por outro lado, minha irmã mais velha, que tinha um problema gravíssimo de coluna, e foi desenganada por muitos médicos, foi agraciada pelo Senhor com um milagre, tempos depois da morte do meu irmão. E, depois de mais de vinte e cinco anos, continua sem problemas na coluna.

     E agora??? Como entender isso? Deus é bom, meio bom ou não é bom? Mesmo sofrendo muito pela perda do meu irmão (principalmente meus pais), continuamos crendo e servindo a Deus com alegria e fé. Faz quase vinte e sete anos que isso aconteceu. Ainda sofremos a dor da saudade. Agora mesmo, estou emocionado ao relatar essa história. Mas entendemos que Deus é soberano. Que continua sendo justo e fiel, embora não respondeu às orações como desejávamos.  

    Outro fato que presenciamos nesses últimos dias foi a morte da cantora cristã Fabiana Anastácio, vítima do covid-19. Mesmo sendo uma mulher de Deus, ela morreu. Muitos outros servos de Deus também morreram. Porém, a respeito dela, muitos incrédulos começaram a escarnecer, questionando sua fé e também o nosso Deus. E talvez isso até deixou alguns cristãos em dúvida, abatidos ou revoltados.

    Talvez você seja uma das pessoas que estão meio confusas ou decepcionadas com Deus por causa de orações não respondidas ou cuja resposta foi diferente do que desejava seu coração. Quem sabe, seja também uma vítima da teologia triunfalista. Por isso, gostaria que lesse com os olhos do coração bem abertos o texto seguinte: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei” – Deuteronômio 29:29. 

    Há coisas que jamais compreenderemos, pois nossa mente é limitada. No entanto, se as analisarmos à luz da Palavra de Deus, o Espírito Santo nos dará o entendimento necessário. E, por certo, uma das coisas que ele nos mostrará é que enquanto estivermos aqui na terra estamos sujeitos a doenças, problemas (financeiros, conjugais, familiares, existenciais), ao desemprego, à incompreensão por parte das pessoas, mesmo as que mais amamos e tantas outras dificuldades. 

     Outra coisa que ele vai nos mostrar é a que Paulo disse: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” – Filipenses 3:20,21. Em outras palavras: o mais importante para nós não é uma vida livre de problemas e dificuldades aqui na terra, mas o destino final traçado pelo Pai, isto é, a vida eterna ao lado dele.  

    E, quando soar a última trombeta, acontecerá o que disse o apóstolo João em Apocalipse 21:4: “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” –  Apocalipse 21:4. Consegue imaginar esse momento?  

    Para concluir, preciso fazer algumas considerações:

  • Deus livrou aqueles jovens hebreus. Por causa disso, o rei passou a crer no Senhor e determinou que em todo o império babilônico as pessoas servissem ao Deus de Israel.
  • Jamais conseguiremos entender todas as coisas que nos acontecem, uma vez que somos limitados.
  • Deus é soberano e justo. Por isso, ainda que não entendamos, a vontade dele é boa, perfeita e agradável – Romanos 12:2. 
  • O melhor que o Senhor preparou para nós não está aqui nesta vida, mas na eternidade juntamente com ele. Foi para isso que Cristo veio e morreu em nosso lugar.
  • Deus continua sendo Deus, mesmo que as circunstâncias sejam completamente adversas, como lemos em Malaquias 3:6: Porque eu, o Senhor, não mudo”.
  • Mesmo que você tenha dúvidas, decida correr para mais perto do Senhor, não para longe dele: Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece” – Jeremias 33:3 – NVI).
  • Siga a instrução de Paulo: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” – 1 Coríntios 15:58.
  • Mantenha sua fé firme no Senhor. Assim você também poderá declarar como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” – 2 Timóteo 4:7,8.  
  • Só encontramos refrigério, alívio e descanso para nossa alma em Jesus – Mateus 11:28 ao 30. 

     Por último: aqueles jovens decidiram não se curvar diante da estátua. Então decida não se curvar diante dos deuses deste mundo nem das adversidades, por mais assustadoras que elas pareçam ser ou que de fato sejam, pois em Mateus 28:20, o Senhor Jesus nos diz: “… eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” –  Mateus 28:20

        Sugestão de música: Deus é Deus (Delino Marçal)

       Assista, no Youtube, ao edificante testemunho do Delino Marçal.

       Link do testemunho: https://www.youtube.com/watch?v=rqkg_tp13vk

 

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Quebrando paradigmas e escolhendo ser diferente

Já faz um bom tempo que esse tema tem povoado minha mente. Para dizer a verdade, não sei exatamente por que ele teima em ir e vir. Porém, devo confessar a você que quando isso ocorre entendo que o Senhor tem algo a me ensinar sobre ele. E por que não a você também?

     Partindo, portanto, desse ponto de vista, eu o convido a meditar um pouco sobre ele. Para isso, antes de começar a argumentação, preciso relembrar que paradigma, do grego paradeigma, é algo que serve de modelo, exemplo ou padrão a ser seguido em determinada situação.

     Mas vai além disso. A ideia mais aceita de paradigma remete ao filósofo Thomas Kuhn (1922-1996), autor da obra A Estrutura das Revoluções Científicas (Perspectiva, 1997), em cujas palavras “paradigma é uma estrutura mental composta por teorias, experiências e métodos que serve para organizar a realidade e seus eventos no pensamento humano”.

    Ao analisar a definição dada pelo filósofo, percebemos a abrangência, a complexidade e a importância de tratar dessa questão, especialmente quando o analisamos à luz das Escrituras Sagradas. Razão pela qual desejo falar dessa quebra em algumas áreas da vida: social, espiritual, familiar e pessoal, uma vez que tais modelos ou padrões interferem diretamente em nosso dia a dia, seja de forma positiva ou negativa.

    Para começar a argumentar, convido você a refletir comigo sobre alguns relatos bíblicos, os quais ajudarão a compreendê-lo mais profundamente e poderão nos auxiliar a fazer determinadas quebras e a escolher algo melhor.

    O primeiro deles está em 2 Reis 16:1 ao 9 e trata da história do rei Acaz. No versículo 2, encontramos a seguinte declaração: “… e não fez o que era reto aos olhos do Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai/antepassado”. E, nos versículos seguintes, há uma lista de coisas erradas que ele fez e também das consequências de suas atitudes e ações, as quais atingiram em cheio não apenas o monarca, mas também sua família e todo o povo de Israel.

    O segundo relato está registrado em 2 Reis 18:1 ao 12 e em Isaías 38. Esses textos se referem a Ezequias, filho de Acaz e seu sucessor no trono. Já no versículo 3, encontramos a seguinte declaração: “E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai/antepassado”. A seguir, também temos o registro de diversas ações desse rei, as quais demonstram claramente por que ele foi digno dessa menção honrosa.

    Que interessante!!! Ele cresceu num ambiente cheio de paradigmas nocivos. O pior é que os exemplos ruins vinham de seu próprio pai. Desse modo, o mais provável seria reproduzir aquilo que observava nele. No entanto, vemos que ele ESCOLHEU ser diferente, e para melhor. Por isso, suas ações e seu governo foram aprovados pelo Senhor.  

     Vejamos algumas de suas obras que receberam a aprovação de Deus: ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, não a seus próprios olhos (v 3); aboliu a idolatria (v 4); confiou no Senhor com todo o seu coração (v 5); não se apartou de Deus e guardou seus mandamentos (v 6); conduziu-se com prudência e se revoltou contra a servidão ao rei da Assíria e não o serviu (v 7).  

     Suas ações como rei trouxeram benefícios não só a ele, como também a todos os israelitas. Por amá-lo e aprovar seu governo, quando adoeceu, o Senhor enviou o profeta Isaías para avisá-lo de que deveria pôr sua casa em ordem porque ia morrer. Então ele orou a Deus e foi atendido, recebendo de presente mais 15 anos de vida (Isaías 38). Percebemos, assim, que ele tinha crédito com o Altíssimo.

   A terceira história que quero mencionar é a de Manassés, filho de Ezequias e seu sucessor (2 Reis 21:1 ao 18). Pela lógica, por ser filho de uma pessoa temente a Deus, ele também seria um homem íntegro diante do Senhor. Porém, veja o que se relata dele: “E fez o que era mal aos olhos do Senhor…” (2 Reis 21:2).

    Na sequência, existe uma grande lista de coisas más que ele realizou: praticou as mesmas coisas abomináveis que os povos pagãos (v 2); era profundamente idólatra (v 3 ao 5); envolveu-se com a feitiçaria e outras práticas ocultistas, o que era proibido por Deus – v 6 – (Ver Deuteronômio 18:9 ao 14; Isaías 8:18) e derramou muito sangue inocente (v 16). Além disso, leia o que ele fez: “Porque Manassés de tal modo os fez errar {fez o povo errar}, que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel” – 2 Reis 21:9.

    Nos versículos 6 e 7, ainda lemos o seguinte: “… e instituiu adivinhos e feiticeiros, e prosseguiu em fazer mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira. Também pôs uma imagem de escultura, do bosque que tinha feito, na casa de que o Senhor dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre”.

    Observe que ele fez tais coisas para provocar a ira do Senhor. Note que ele era um sujeito petulante, atrevido, desabusado. Desafiou a Deus, como se ele pudesse lutar contra o Senhor. Mesmo tendo o bom exemplo do pai, Manassés ESCOLHEU ser diferente, mas para o lado negativo. Evidentemente, isso trouxe sérios prejuízos a si mesmo e ao povo que governava, gerando muito sofrimento.

    Em 2 crônicas 33:10, lemos: “E falou o Senhor a Manassés e ao seu povo, porém não deram ouvidos”. Observe que Deus tentou trazê-los de volta à razão e à fé. Entretanto, não deram ouvidos e, por essa razão, veio o julgamento do Senhor. Quando o rei caiu em si, arrependeu-se, converteu-se de seus maus caminhos e clamou a Deus, e este usou de misericórdia para com Manassés e o abençoou.

    Veja o que diz o texto: “E ele, angustiado, orou deveras ao Senhor, seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus pais, e lhe fez oração, e Deus se aplacou para com ele, e ouviu a sua súplica, e o tornou a trazer a Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o Senhor é Deus” – 2 Crônicas 33:12,13.

    Diante do caos, Manassés DECIDIU ser diferente e se voltar para Deus. Assim, teve uma segunda chance e a agarrou com unhas e dentes, sendo totalmente restaurado pelo Senhor, o qual sempre está disposto a perdoar e a acolher o pecador arrependido, como lemos em 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

     Mas… e quanto a nós hoje?

     Certamente também é necessário que quebremos determinados paradigmas sociais e escolhamos ser diferentes. A sociedade na qual estamos inseridos está recheada de exemplos ou modelos a não serem seguidos.

     Quando observamos as ideologias que a mídia incansavelmente tenta incutir em nossa mente, vemos o quanto precisamos estar enraizados no que nos ensina a Palavra de Deus para não sermos vitimados por elas. Afinal, como disse o salmista no Salmo 119:105: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”.

     Se a Palavra de Deus é lâmpada e luz para o cristão, e é, deve estar acesa ou ligada. Caso contrário, não cumprirá seu papel. Logo sua Bíblia deve estar aberta e ser lida, estudada e analisada minuciosamente. E isso porque é o que dizem as Sagradas Escrituras, não a mídia, que deve iluminar seus pés e seu caminho e nortear suas ações, comportamentos e crenças.

     Novelas, seriados exibidos pela televisão, filmes e desenhos animados (aparentemente inocentes) e letras de músicas transmitem costumes e comportamentos totalmente contrários aos que o Senhor nos ensina. Basta lembrar as ideologias que determinados Youtubers, chamados de influencers digitais, disseminam e tentam incutir na cabeça de todas as pessoas, especialmente as mais jovens.

     Vemos isso claramente ao tratarem de questões relacionadas ao casamento. À sexualidade, à família, ao culto ao corpo, à busca desenfreada pelo prazer sexual. Ao desrespeito aos pais e ao próximo e tantas outras coisas que são explícitas e, pior ainda, aquelas que vêm de forma implícita ou subentendida e vão, sorrateiramente, se alojando na mente de todos nós.

     Inclusive, com o passar do tempo, tudo isso pode ser reproduzido por nós como se fossem as coisas mais normais ou corretas do mundo. Por isso, não apenas precisamos, mas devemos confrontar aquilo que tem se tornado comum em nosso dia a dia com aquilo que as Escrituras Sagradas ensinam. Assim, não seremos seduzidos e enganados pelo brilho do mal, o qual vem disfarçado com aroma, sabor e cores do bem.

     Outros paradigmas que precisamos quebrar estão ligados a práticas religiosas. Muitas vezes, herdamos de nossos pais ou antepassados determinadas crenças que, apesar de serem repassadas a nós com as melhores intenções e sinceridade, não estão em harmonia com o que a Bíblia ensina.   

   Em Deuteronômio 18:9 ao 14 e Isaías 8:18, por exemplo, vemos que o Senhor abomina e proíbe o ocultismo e todas as suas ramificações. Já em Êxodo 20:1 ao 6, vemos Deus proibindo a idolatria, ou seja, que se considere qualquer ser ou objeto como digno de ser cultuado ou venerado.

    Sendo assim, mesmo que nossos pais nos ensinaram a fazer isso, não podemos fazê-lo, pois a Palavra do Senhor deve prevalecer. Como disse o apóstolo Pedro e outros apóstolos quando queriam obrigá-lo a fazer algo contrário à vontade do Altíssimo: “Mais importa obedecermos a Deus do que aos homens” – Atos 5:29. Ou como está na versão King James: “Ao que Pedro e os demais apóstolos disseram: É necessário que primeiro obedeçamos a Deus; depois, às autoridades humanas”.

     Evidentemente as Escrituras nos ensinam a honrarmos aos nosso pais. Em Efésios 6:1 ao 3, está escrito: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isso é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que vivas bem e tenhas vida longa sobre a terra” (Ver também Êxodo 20:12).

    No entanto, quando os ensinamentos dos nossos pais vão em sentido contrário aos do Senhor, devemos optar por fazer a vontade de Deus. Por outro lado, é preciso explicar com todo o respeito as razões bíblicas pelas quais decidimos cultuar a Deus de outra maneira.

     Em outras ocasiões, precisamos romper padrões familiares ligados não diretamente à forma de cultuar ao Senhor, mas em relação a certos conceitos ou hábitos que não são saudáveis. Em algumas famílias, por exemplo, é comum xingar ou falar palavrões. E, ao olharmos para a Bíblia, vemos que lá está escrito que não devemos falar palavras torpes, mesmo que sejam culturalmente aceitas. Em outras, existe o hábito de beber ou fumar, o que também não é aprovado pelo Senhor, dados os riscos que traz à saúde e à sociedade.  

     Por fim, existem paradigmas pessoais que devem ser destruídos. No meu caso (permita-me dar dois exemplos pessoais), precisei quebrar o complexo de inferioridade, o qual me fazia sentir incapaz de realizar as coisas que chegavam às minhas mãos, mesmo os outros enxergando capacidade em mim. É óbvio que isso me impediu de conquistar muitas coisas.  

    No entanto, quando o Senhor desvendou os meus olhos e me fez enxergar que eu também era capaz, mudei da água para o vinho. Não foi fácil, mas foi necessário. Às vezes, até hoje esse “bicho” quer me atrapalhar; porém, agora tenho as armas de Deus (descritas na sua Palavra) que me ajudam a derrotar esse gigante. E ESCOLHER ser diferente, pois também sou feito à imagem e semelhança do Senhor e posso pedir sua ajuda – Tiago 1:5.  

    Outro paradigma que precisei quebrar diz respeito à demonstração de carinho a meus filhos e à minha esposa. Meus pais não tinham o hábito de falar palavras carinhosas (E não os estou culpando, pois certamente os pais deles também não tinham; apenas fazendo uma constatação). Eles demonstravam amor de outras formas, como preocupação com nosso bem-estar, por exemplo. Mas eu ESCOLHI ser diferente, e Deus tem me ajudado a ser.

     Sei que muitos de nós temos que derrotar alguns gigantes que nos atrapalham e quebrar alguns modelos, sejam eles sociais, espirituais, familiares ou pessoais. Também tenho convicção de que quase sempre não é fácil ou que muitas vezes relutamos e não queremos reconhecer que tais paradigmas existem e também a necessidade de os destruir. Todavia, quando tomamos consciência disso e agimos, passamos a nos sentir livres de um pesado fardo que carregávamos sobre os ombros. Assim, podemos caminhar a passos largos, firmes e constantes em direção aos sonhos que temos e que desejamos realizar.

    Portanto, quero encorajá-lo a fazer uma busca ou uma varredura em seu interior, a fim de verificar se ainda há algum paradigma a ser rompido. Também o incentivo a escolher ser diferente (para melhor). A escolha é sua. Ninguém pode tomar essa decisão em seu lugar. Só você. Contudo, se achar que não consegue sozinho, quero lembrá-lo de que você tem um ajudador que o ajuda a vencer suas fraquezas: o Espírito Santo – Romanos 8:26.

    Sugestão de músicas:Gênesis” (Brother Simion) e   “Quero Que Valorize/O Mover Do Espírito” (Ludmila Ferber )  

 
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Publicado por em 01/06/2020 em Estudos Bíblicos

 

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Âncora ou asas?

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” (Hebreus 11:1)

Antes de começar a escrever sobre o tema que desejo compartilhar com você, gostaria de fazer-lhe uma pergunta: Em sua opinião, o que é mais difícil na nossa caminhada, seja ela profissional, espiritual ou em outras áreas da vida?

Para mim, uma das coisas mais difíceis é ter paciência e perseverança (ou persistência). Em diversas situações, comecei até bem um determinado empreendimento, mas, com o decorrer do tempo, fui deixando-o de lado. Às vezes, com razões fortes e compreensíveis; outras, por ter perdido o ânimo para prosseguir ou o foco. Assim, evidentemente deixei de conquistar algumas coisas que poderiam ser muito importantes na minha vida e, por extensão, àqueles que convivem comigo.

Quando olho para a palavra de Deus, vejo Jesus contando uma parábola sobre a necessidade de se manter firme em relação a determinado propósito, mesmo que a princípio pareça que não conseguirá conquistar o anseia seu coração. Essa história está em Lucas 18:1 ao 8, e nos traz preciosíssimas lições, às quais devemos dar uma atenção especial.

No versículo primeiro, está escrito que a intenção do Mestre era mostrar aos discípulos que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ora, se o Senhor decidiu transmitir-lhes esse ensinamento, por certo percebeu a existência dessa necessidade ou que poderia haver em situações futuras. Considerando que gente é gente em todos os tempos, culturas e lugares, entendo que essa palavra é extremamente atual e cabe como uma luva nos dias de isolamento social pelos quais estamos passando.

Sei que esses dias não estão sendo fáceis. Mesmo para aqueles que declaram ser pessoas de fé, é um período no qual suas crenças estão sendo postas à prova. Especialmente para aqueles que se tornaram vítimas do desemprego e estão vendo sua despensa se esvaziar, ou que tiveram redução de salário ou ainda que viveram na própria pele os efeitos do covid-19 (talvez viram alguém muito próximo sofrendo e até morrendo por causa da doença), a situação é ou parece desesperadora.

A partir do versículo 2, o Senhor começa a contar a história, que tem como uma das personagens centrais uma viúva, a qual leva diante do juiz sua causa, pedindo que ele faça justiça contra o adversário (ou inimigo) dela. Aqui, não temos o registro de qual era o problema que incomodava essa mulher. No entanto, havia algo que a importunava. Talvez, a intenção de Jesus ao não revelar qual era o problema foi deixar em aberto, a fim de que nós assumamos o lugar dela e coloquemos nossa causa ou necessidade.

Para ela, quem sabe, a queixa era contra alguma importunação relacionada à sua vida financeira. Aproveitando-se da fragilidade dela em razão da viuvez, queria cobrar uma dívida inexistente. Poderia ser um assédio sexual. Talvez ele é que devesse algum dinheiro e agora queria se aproveitar da morte do marido dela para não quitar o débito. Enfim, não se sabe o real motivo de ela ter procurado o juiz. Porém, o que importa aqui é que nós entendamos que também podemos levar até o Justo Juiz as nossas causas, sejam elas quais forem (Salmos 7:11; 119:137).

Nos versículos 2, 4 e 5, Jesus nos apresenta as características do juiz diante do qual a mulher levou a causa. Para resumir, vemos que ele era um homem de conduta pessoal e profissional reprovável. Mesmo assim, para não ser importunado ou molestado, ele resolveu fazer-lhe justiça.

Quem sabe, em razão de tudo o que temos visto em nosso país, ou melhor, diante de todas as injustiças Read the rest of this entry »

 
 

Tempo de refletir

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1)

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Em maio de 2016, escrevi um artigo chamado “Tempo para tudo”, o qual também está no blog. Naquela ocasião, teci algumas reflexões sobre a importância de administrar adequadamente esse bem precioso chamado tempo, que recebemos de Deus.

Apesar de não fazer tanto tempo que falei desse assunto, senti em meu coração a necessidade de tecer algumas reflexões sobre ele novamente. Deve ser porque nunca houve na geração da qual fazemos parte um momento tão oportuno para promovermos uma viagem dentro de nós mesmos, com o objetivo de avaliarmos ou reavaliarmos alguns conceitos, comportamentos, atitudes e valores até então considerados bons ou “normais”.

Para começar, devo dizer que não vou defender a tese de que o Covid-19 é uma peste ou praga enviada por Deus. Ora, se os estudos de 2007, assinados por diversos cientistas, apontam que esse vírus é comum em determinados animais (o morcego, por exemplo), que ele só contaminou o ser humano porque existem pessoas que os consomem e que havia o risco de uma propagação em massa, eu não seria justo se dissesse que Deus tem responsabilidade nisso (CORONAVÍRUS: O QUE NÃO CONTARAM PARA VOCÊ). Ao contrário, entendo que o próprio homem é responsável pelo que está acontecendo.

Feitas essas considerações, quero “emprestar” a fala de José a seus irmãos, lá no Egito. Por terem sido os responsáveis pelas “desgraças” que aconteceram ao irmão, eles estavam com medo de que ele se vingasse, especialmente a partir daquele momento, porque o pai deles havia morrido. No entanto, José os surpreendeu dizendo o seguinte: “Vós bem intentastes o mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20.

José era um homem de Deus e havia compreendido com precisão que acima da vontade inicial de seus irmãos, a qual era prejudicá-lo, estava a do Senhor, que era abençoá-lo e torná-lo um instrumento de salvação para toda a sua família (pais, irmãos, sobrinhos, cunhados etc.), pois a fome que atingira toda aquela região poderia ter levado todos eles à morte.

Hoje não é diferente. Mesmo que esse mal tenha sobrevindo a nós como consequência de uma falha humana, Deus, que é riquíssimo em misericórdia, conforme declara o apóstolo Paulo em Efésios 2:4, pode transformá-lo em bênção. Porém, isso só será possível se estivermos com os olhos e os ouvidos atentos àquilo que esse caos, para o meio do qual fomos arrastados, têm mostrado e falado.

Diante disso, a primeira reflexão que podemos fazer, e até devemos, deve envolver nossa família. A correria da vida moderna muitas vezes nos faz deixar de investir tempo nela. Veja que eu disse investir e não gastar. Muitos de nós estamos tão preocupados com o sucesso profissional e financeiro, que acabamos por sacrificar o tempo com o cônjuge e com os filhos. E até certo ponto é necessário e justificável. Contudo, quando isso começa a gerar conflitos, a perda dos vínculos e, consequentemente, o afastamento (embora às vezes continuem vivendo sob o mesmo teto), é hora de rever os valores e as prioridades. E, se ainda não havia caído a ficha, este momento é bem oportuno e propício para ver como a convivência familiar é importante e necessária para um ajudar e apoiar o outro. E mais: para um sentir que precisa do outro.

A segunda reflexão a fazer está diretamente relacionada à necessidade de perceber o quanto nosso trabalho é importante, mas também o do outro. Geralmente não paramos para pensar sobre o quanto é fundamental o serviço do caminhoneiro, do profissional da saúde e de tantos outros. Pior ainda: valorizamos excessivamente a ocupação de algumas pessoas, sem nos dar conta de que as mais necessárias ficam deixadas de lado – I Coríntios 12: 12 ao 27 – e a sociedade é parecida com a Igreja do Senhor.

A terceira é que Read the rest of this entry »

 

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Paz em meio à tempestade

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)

paz tempestade

Uma das coisas que mais afligem e causam danos às pessoas é o medo.  Dentre os diversos tipos que existem, certamente o que é provocado pela incerteza de qual e como será o futuro é um dos que mais atormentam um indivíduo.

No entanto, infelizmente, não é apenas ele. Há muitos outros causadores de estragos como, por exemplo: fobia social (medo de conviver em sociedade), claustrofobia, síndrome do pânico, a qual é o estágio mais avançado do medo etc., etc., etc…

Provavelmente seja por essa razão que encontramos tantas vezes nas Escrituras Sagradas a expressão “não temas” e muitas outras com sentido equivalente.

Por ser um mal tão presente em nossos dias, quero compartilhar com você uma palavra dita aos discípulos por Jesus, o Príncipe da paz, a fim de colhermos as pérolas reservadas a nós pelo Senhor. Ela está registrada em João 14:1, onde lemos: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim”.

Mas… por que Cristo disse essa palavra?

O Senhor sentiu a necessidade de proferi-la porque ia falar a eles que seria preso, crucificado, morto, ressuscitaria e depois voltaria para o céu. Ele sabia que isso iria deixá-los confusos, inseguros e profundamente temerosos em relação ao que lhes aconteceria, pois estavam acostumados com a presença de seu Mestre e com a proteção, o conforto e a segurança que ele lhes propiciava.

Dizendo isso, eles ficariam sem rumo, sem chão. Porém o Senhor se antecipou e lhes trouxe logo esse conforto de que tanto careciam.

Primeiro ele disse: “Não se perturbe o coração de vocês…”. Ou seja: vocês não precisam ficar preocupados, aflitos, confusos, intranquilos, desnorteados, desassossegados, alterados. Em suma: em situação de caos interior.

Muitas vezes, também nos falam algo semelhante ou até o mesmo quando estamos imersos numa adversidade e temerosos em relação ao amanhã. Entretanto não podem ir muito além dessas palavras. Pouco ou nada podem fazer por nós. Logo tais declarações são apenas paliativas. Não são um remédio eficaz contra nossas feridas e preocupações.

Não é fácil não ficar com o coração turbado. Mesmo para cristãos fiéis não é, especialmente em situações que nos fazem sentir como se de repente o chão fosse tirado de sob nossos pés, como temos vivido agora por causa do Covid-19 e de suas respectivas consequências.

Pense, por exemplo, em uma pessoa totalmente saudável a qual repentinamente recebe o diagnóstico médico de que está com o Coronavírus ou um câncer devastador. É fácil?

Pense num pai de família que está bem empregado e vai feliz para o trabalho. Mas naquele dia fatídico é informado de que não faz mais parte do quadro de funcionários da empresa, isto é, está demitido. É fácil?

Pense naquele indivíduo que é perfeito física e intelectualmente falando e sofre um acidente, o qual o faz ficar deficiente, talvez paraplégico ou mesmo tetraplégico. É fácil?

Pense num cônjuge, cujo casamento, segundo o seu parecer, é sólido, perfeito, feliz, confiável e, em dado momento, descobre que está sendo covardemente traído e tremendamente humilhado publicamente pela pessoa a quem ama e que dizia amá-lo também. Pense que ela descobriu da pior forma que havia construído seu castelo sobre a areia. É fácil?

Mil vezes, não! É revoltante! É desesperador! É mais do que o suficiente para cair numa depressão profunda ou para jogar tudo para o alto! Para amaldiçoar seu Deus e morrer (mesmo que seja espiritualmente), como disse a mulher de Jó quando ele havia, aparentemente, perdido tudo, inclusive o amor do Senhor (Jó 3:9,10).

No entanto, é justamente para esses que Jesus está dizendo: “Não se perturbe o coração de vocês…”.

Não é fácil não ficar perturbado. É necessário exercitar a cada dia a fé, a confiança, a persistência e uma viva esperança em Deus. E diariamente matar não um, mas Read the rest of this entry »

 

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Sinal amarelo

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“Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo.”    (Marcos 13:33)

 

Antes de qualquer coisa, quero dizer que não desejo afirmar neste artigo que a situação pela qual todos nós estamos passando é consequência de uma ação orquestrada pela China para tirar proveito do caos e se estabelecer como a maior potência econômica e militar do mundo. Se assim o fizesse, eu estaria sendo leviano, pois não tenho provas que me deem autoridade e argumentos para sustentar essa tese.

Além disso, preciso dizer que não posso e também não tenho a pretensão de afirmar que essa peste (Covid-19) é o anúncio de que Jesus está voltando, assim como não o foi a Gripe espanhola, também conhecida com A Gripe de 1918, a qual matou muitos milhões de pessoas. Afinal, quando questionado por seus discípulos sobre sua volta para buscar a Igreja (a qual é composta por todos aqueles que o convidaram para ser seu Senhor e Salvador- João 1:9 ao 14), ele fez a seguinte declaração: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai” – Mateus 24:36. Sendo assim, seria uma grande temeridade da minha parte fazer tal afirmação.

Feitos esses registros e considerações, gostaria de convidá-lo a refletir comigo sobre tudo isso que temos visto pela mídia, ouvido e presenciado. Para começar, quero pensar com você sobre o semáforo, o qual também conhecido como farol ou sinaleira. Conforme sabemos, ele é composto por três cores (verde, amarelo e vermelho) e tem a função de organizar o trânsito, especialmente nas grandes cidades, para evitar o caos e acidentes resultantes da desorganização e desobediência de motoristas e de pedestres também. Por acaso, você já viu imagens do horário de pico na Índia?

Mas o que tem isso a ver com a reflexão que almejo fazer? Penso que tudo. Isso porque todos nós sabemos que, quando o sinal está verde, temos o direito de seguir em frente, sem aparentes riscos. Essa sensação de liberdade e direito geralmente nos leva a desligarmos nosso “radarzinho” e a andarmos no piloto automático, ou seja, deixamos de ficar atentos àquilo que acontece ao nosso redor, pois confiamos que estamos protegidos. No entanto, segundo disse acima, a ausência de riscos é apenas aparente. Basta lembrar que não é tão incomum motoristas imprudentes ou sob o efeito de alguma droga invadirem a preferencial e provocar terríveis acidentes.

Fazendo uma analogia com nossa vida, verificamos que não é tão diferente. Muitas vezes, temos a sensação de que tudo está bem e, em consequência disso, baixamos a guarda e não prestamos atenção aos acontecimentos em nosso entorno. Por isso, levamos a vida de qualquer maneira, adotando ideologias e conceitos do momento, sem refletirmos sobre o que ou quem está por trás deles, quais os reais interesses daqueles que os propagam e quais danos eles podem produzir na nossa vida como indivíduo ou em nossa família, casamento, relacionamentos e na sociedade como um todo. Desse modo, é mister que mantenhamos os olhos e os ouvidos bem abertos, a fim de não sermos envolvidos nesse caos moral e espiritual, que são verdadeiras armadilhas, prontas para nos capturar e, se possível, destruir-nos.

Quando olhamos para as Sagradas Escrituras, vemos o Senhor Jesus dizendo o seguinte: “Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do homem {Jesus}. O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos. Aconteceu a mesma coisa nos dias de Ló. O povo estava comendo e bebendo, comprando e vendendo, plantando e construindo. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e os destruiu a todos. Acontecerá exatamente assim no dia em que o Filho do homem {Jesus} for revelado” – Lucas 17:26-30.

Se pararmos um pouco para pensar e observar o que acontece no mundo atual, veremos que a história se repete. Na época de Noé e de Ló, a maioria das pessoas havia se corrompido moralmente, ignorando por completo os parâmetros estabelecidos por Deus. Elas só pensavam em si mesmas e em como satisfazer seus desejos carnais, e isso a qualquer custo. Como resultado, veio o julgamento de Deus. Percebemos, então, que a segurança deles era apenas aparente, não real e inabalável.

O apóstolo Paulo escreveu assim a Timóteo, seu filho na fé: “Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes” – 2 Timóteo 3:1-5. Mesmo tendo vivido e escrito há mais de 1.900 anos, parece-me que ele estava falando diretamente com a geração atual. Portanto, precisamos estar atentos a esses sinais dos tempos.

E agora, o que vem depois do sinal verde? “Evidentemente, o amarelo” – você me dirá. E não existe dúvida de que está certo. Também todos sabem que esse sinal tem a função de alertar tanto motoristas quanto transeuntes de que deve tomar determinados cuidados, para que não sejam vítimas ou os causadores de um acidente. Continuando a analogia à luz da Bíblia, os sinais da iminência da volta de Jesus são Read the rest of this entry »

 

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Ver ou conhecer Jesus?

zaqueu e jesus

“Zaqueu, desça depressa, porque, hoje, me convém pousar em sua casa.” (Lucas 19:5)

Como já disse em outros artigos, Jesus sempre estava em movimento. O que não significa, porém, que ele vivia numa correria desenfreada. Ao contrário, tudo era feito com planejamento e sabedoria, com o propósito de alcançar com a mensagem do evangelho, ou seja, com as boas-novas de salvação a maior quantidade de pessoas possível.

Em uma dessas ocasiões, o Mestre havia decidido ir a Jericó. Estando já perto dessa cidade, um cego chamado Bartimeu soube que era ele quem passava por ali e clamou com insistência por misericórdia, sendo atendido prontamente pelo Senhor, que o curou de sua cegueira – Lucas 18:35 ao 43.

A seguir, vemos Cristo entrando em Jericó. E, tendo entrado na cidade, ia passando. Havia ali, um homem chamado Zaqueu, o qual era cobrador de impostos, que queria vê-lo. No entanto, como era de pequena estatura, correu e subiu numa figueira brava, pois a multidão o impediria de ver o Senhor – Lucas 19:1 ao 5.

Naquele tempo, os cobradores de impostos, também chamados de publicanos, eram detestados pelos judeus, porque frequentemente se envolviam com corrupção e cobravam mais do que deviam. Além disso, muitos deles eram judeus; por isso, o povo os considerava como traidores da pátria. Desse modo, não se “encaixavam” nem entre seus compatriotas nem entre os romanos.

Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse para Zaqueu descer depressa. A partir desse momento, a vida desse homem começaria a seguir um novo rumo. Apesar de a Bíblia não registrar por que ele desejava ver o Mestre, podemos formular algumas hipóteses, considerando todo o contexto no qual esse fato ocorre.

Uma delas é que ele já ouvira falar dos grandiosos feitos do Senhor. Em Mateus 9:31, lemos que a fama dele foi divulgada por toda aquela terra. Portanto, é possível ou provável que, enquanto fazia suas cobranças, Zaqueu tenha escutado o relato das maravilhas operadas por Jesus, despertando nele algo que move o mundo há muito tempo: a curiosidade de ver de perto aquele homem.

Outra suposição é que esse homem, mesmo tendo uma ótima condição financeira, resultante de seu ofício, sentia-se com um grande vazio interior, não tinha paz de espírito, vivia tomado pela solidão e não enxergava nenhum sentido para sua vida. Assim, ao escutar as histórias dos milagres, brotaram em seu coração uma fagulha de fé e uma grande esperança de que tudo podia ser diferente.

Assim, quando o Mestre lhe dirigiu a palavra, desceu rapidamente e o recebeu com júbilo, ou melhor, com uma alegria extrema – Lucas 19:6. A Edição Revista e Corrigida diz que ele recebeu Jesus gostoso. Prefiro essa tradução, porque transmite a ideia de que Zaqueu teve um enorme prazer em receber o Senhor.

Mas, como sempre, a turma do bocão logo se apresentou e começou a criticar Cristo, dizendo que ele iria ser hóspede de um homem pecador. Contudo, Jesus sabia muito bem quem era e o que viera fazer. Por esse motivo, não deu nenhum crédito para tais murmuradores. Antes, dedicou total atenção a Zaqueu.

Nesse ponto, preciso dizer-lhe algumas coisas importantes. Muitas vezes, quando estamos fazendo o que a grande maioria faz, mesmo que estejamos errados, não recebemos críticas (às vezes, somos aplaudidos de pé). Entretanto, se decidirmos fazer o que é certo, ou seja, seguir as instruções do Senhor, logo se levanta a turma do bocão para apontar o dedo, chamar de caretas, de fanáticos e de outros adjetivos depreciativos. Todavia, como disse o apóstolo Pedro e os demais apóstolos, em certa ocasião na qual estavam sendo julgados injustamente: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Atos 5:29.

Não posso deixar de mencionar que nesse ponto a presença de Jesus já havia tocado profundamente a vida desse homem. Desse modo, mesmo que o Senhor não lhe fizera nenhuma acusação ou cobrança, ele se levantou e disse: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais” – Lucas 19:8.

É bom destacar que em nenhum momento a Bíblia diz que Zaqueu era ladrão ou corrupto. Embora muitos cobradores de impostos fossem, não se pode afirmar que ele era. No entanto, a presença do Senhor certamente o fez se reconhecer como pecador e despertou nele a sede de fazer o que era certo. Inclusive caíram por terra seu egoísmo e sua ganância, os quais deram passagem para a entrada do altruísmo (amor desinteressado ao próximo) e da generosidade também, conforme lemos no versículo 8.

É sempre assim. Quando temos um encontro pessoal com o Senhor, caem as escamas que provocam cegueira e nossa visão espiritual é ampliada. Logo, brota em nosso coração a consciência de que somos falhos e o desejo de fazer o que é correto. Por certo, foi por isso que o apóstolo Paulo declarou em II Coríntios 5:17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

Na sequência, vemos o Mestre fazer a seguinte declaração: “Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” – Lucas 19:9 e 10. Ao dizer isso, Cristo está reconhecendo que Zaqueu foi sincero em suas declarações. Afinal, ele conhecia muito bem o que se passava no coração e na mente das pessoas com quem ele dialogava.

Por outro lado, os fariseus e outras pessoas presentes naquela ocasião só tinham pedras para jogar em Zaqueu, pois conseguiam ver apenas o exterior, baseados em seus próprios conceitos ou preconceitos. Hoje também somos assim. Por isso, quando alguém que levava uma vida totalmente fora daquilo que é correto decide mudar de vida, nós nos juntamos à turma do bocão e ao grupo dos atiradores de pedras. E nos esquecemos de que a salvação também pode chegar à casa dessa pessoa, porque ela também foi criada à imagem e semelhança de Deus.

Outra coisa de que não nos lembramos é que “Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Ele não veio para aqueles que se consideram bonzinhos ou santinhos de acordo com seus próprios conceitos e critérios. Antes, veio para os que estavam ou estão fora da curva e que se reconhecem carentes da graça e do perdão de Deus.

Em Lucas 5:31 e 32, vemos o Senhor falando: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento”. Se olharmos o versículo anterior, veremos os fariseus (e sempre há fariseus em nosso meio) murmurando contra Jesus porque estava no meio dos publicanos. Evidentemente, não era para fazer o que eles faziam de errado, mas Read the rest of this entry »

 
 
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