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Arquivo da categoria: PALAVRA DE SABEDORIA

Família dentro da arca

Arca: metáfora de um lugar de refúgio e salvação, da Igreja e/ou do céu.

“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” – Josué 24:14,15.   

     A história de Noé é uma das mais lindas e enriquecedoras da Bíblia. No capítulo 6 de Gênesis, onde ela está registrada, vemos Deus decepcionado com o ser humano, a quem criara à sua imagem e semelhança, porque este havia se corrompido em extremo.   

     Por causa disso, o Senhor tomou a decisão de destruir a humanidade (versículos 7, 11, 12,13). Porém, quando olhou para a terra, ele viu alguém que não se corrompera: Noé. Por isso, no versículo 8, lemos o seguinte: “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor”.

     Deus mostrou sua benevolência a esse homem por ter visto nele algumas virtudes, conforme diz o versículo 9: “Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus”.  Percebeu?

     Havia um grande diferencial na vida de Noé. Ele não tinha se contaminado com a maldade existente em seu tempo. Por esse motivo, o Senhor reservou para ele uma missão de gigantesca relevância: construir uma arca, para que fossem preservadas as espécies que Deus considerava necessárias, ele próprio e a sua família. Por conseguinte, reconstruir a História da humanidade (Gn 6:14 ao 21).

     Você pensa que foi fácil cumprir essa missão? De modo algum. Para começar, nunca havia chovido na terra. Como falar de dilúvio, então? Além do mais, ele jamais fizera trabalho semelhante (Pelo menos não existe nenhum registro bíblico sobre isso.) e com tão poucos recursos tecnológicos.

    Para piorar, muito provavelmente as pessoas incrédulas zombaram dele durante todos os longos anos de construção. Por certo, muitos o chamavam de louco. No entanto, Noé se manteve fiel a Deus e focado naquilo que estava fazendo, pois sabia da importância de sua missão e que Deus cumpriria à risca Sua palavra.

     Todos os fatos dessa história são fantásticos, no bom sentido da palavra. Contudo, o que mais me chama a atenção é ele ter conseguido manter sua esposa, filhos e noras também crentes e confiantes durante todos esses anos.  

     Como ou por que ele conseguiu tal façanha? A resposta a essa indagação, segundo já vimos, está  em Gênesis 6:9. Quando olhamos para esse versículo, parece vir à tona o principal motivo por que isso foi possível: ele se mantivera justo no meio dos injustos.

     Esse homem continuara íntegro (intocado) no meio de pessoas que tinham sido tocadas por toda sorte de coisas impuras e desonestas. Por fim, a chave de ouro: Noé andava com Deus, enquanto os demais ao seu redor caminhavam em sentido contrário ao Altíssimo, fazendo tudo aquilo que agradava somente sua natureza pecaminosa e ao maligno.

    Pelo contexto, pode-se inferir (deduzir ou concluir) que ele continuou a servir e cultuar ao Senhor com fidelidade. Embora convivesse com aqueles que se haviam desviado completamente do caminho, passando a cultuar outros deuses ou já não tivessem nenhum tipo de crença ou fé, Noé se manteve fiel ao Senhor e, sem dúvida, motivou sua família a fazer o mesmo. 

     Penso que as três coisas citadas descortinam diante de nossos olhos o segredo de ele ter conseguido colocar sua família dentro da arca. Desse modo,  tinha a credibilidade e o respeito de cada um deles porque, antes disso, possuía moral perante Deus. Assim, mesmo que fosse difícil acreditar, dadas as circunstâncias, o exemplo desse marido, pai, sogro e sacerdote da família dava a todos a segurança de que estavam no caminho certo.

     E quanto a mim e a você? Será que também temos crédito com Deus e com nossa família? Será que quando nosso cônjuge, filhos ou mesmo outras pessoas olham para nós veem indivíduos confiáveis? Vale a pena refletir sobre isso, não é?

    Se quisermos que nossa família entre na “arca” preparada por Deus, quando o Senhor Jesus vier buscar sua Igreja, é preciso que, como Noé, sejamos justos no meio de tanta gente injusta. Que não sejamos contaminados pelo mal, mesmo vivendo no meio dele. Que andemos de mãos dadas com Deus, mesmo quando a maioria tem virado as costas para ele de forma explícita (através de suas atitudes e comportamentos) ou apenas em seu coração e mente, deixando de ser ou de expressar Sua imagem e semelhança.

     Em Lucas 17:26 e 27, Jesus declarou: “Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do homem. O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos”.

     O que o Mestre quis dizer é que as pessoas daquela época estavam preocupadas apenas com as coisas terrenas e temporárias. Por isso ou em consequência disso, haviam se esquecido das espirituais e eternas. Desse jeito, envolveram-se com todo tipo de maldade, trazendo como resultado o juízo de Deus.

    Veja o que diz Gênesis 6: 5 e 6: “O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra; e isso cortou-lhe o coração”.

    Hoje, não está muito diferente. Talvez a grande maioria esteja vivendo como naquele tempo. Afinal, a perversidade, a corrupção, o individualismo, o egoísmo, a frieza nos relacionamentos, a imoralidade, o culto à fama, ao dinheiro e a si mesmo e outros males vêm crescendo de forma alarmante.

     Mas isso não é novidade, nem nos surpreende. Apenas nos deixa de antena ligada, pois a Bíblia já falou sobre esse problema há quase dois mil anos. Veja: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” – 2 Timóteo 3:1-5. 

     A consequência de tudo isso, conforme disse o Senhor Jesus, será a mesma do tempo de Noé. Porém, você e a sua família também podem se abrigar na “arca”, como já vimos, se continuarem a andar cotidianamente com Deus, sendo justos, íntegros e se afastando do mal.

    Talvez, para muitos, Esse homem foi um pregador fracassado, pois somente a família dele lhe deu ouvidos. No entanto, penso que ele foi um verdadeiro sucesso por ter conseguido manter seus entes queridos e a si mesmo nos trilhos da fé e obediência. Também isso é o que almejo para mim. E você? Também tem esse desejo em seu coração?  

      Se seu coração anseia por conduzir sua famíla à presença do Senhor, siga o exemplo de Josué, o sucessor de Moisés, o qual fez a seguinte declaração quando falava com o povo de Israel: “Agora, pois, temei ao Senhor , e servi-o com sinceridade e com verdade, e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do rio e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor , escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor – Josué 24:14,15.

    

 

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Sabedoria do alto

     “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento.” (Provérbios 4:7)       

     Um dos tesouros mais importantes e valiosos que uma pessoa pode ter é sabedoria. Por outro lado, também é uma das coisas mais difíceis de se obter e manter porque muitos de nós a buscamos de forma equivocada e na fonte errada. Porém, quando a busca é feita com sinceridade de coração e recorremos a quem pode dá-la, certamente se torna uma joia da qual jamais desejaremos abrir mão.  

     Nas Escrituras Sagradas, essa palavra e outras correlacionadas a ela aparecem muitas vezes, especialmente nos textos que têm como objetivo nos orientar para uma vida relacional de qualidade. Mas não apenas nessa área. Também trata de um requisito básico e indispensável ao nosso relacionamento com Deus. No Salmo 111:10, por exemplo, encontramos o seguinte registro: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre”.

     Evidentemente, há alguns tipos de sabedoria: natural e terrena, que é fruto de uma excelente formação acadêmica e cultural. Existem muitas pessoas eruditas, ou seja, detentoras de um vasto saber sobre um determinado assunto ou, até mesmo, dominam várias áreas do conhecimento.

     Também há indivíduos que são sábios dada sua experiência de vida e maturidade. Nesse caso, mesmo não tendo frequentado a escola ou possuindo uma formação escolar mínima, conseguem se tornar grandes referenciais de vida e excelentes conselheiros ou mentores. Diante destes, devemos nos sentar para ouvir em silêncio suas experiências e instruções.

     Além dessas mencionadas, há outra cuja origem não é terrena, mas divina. E é justamente sobre essa que desejo lhe falar, pois sei que, assim como eu, você almeja ser sábio e, consequentemente, agir com sabedoria em todos os momentos da vida (Eu tenho batalhado para ser.). Para isso, tomarei como base para a argumentação diversos textos bíblicos, a começar por Tiago 3:13 ao 18.  

     No versículo 13, Tiago nos diz: “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria”. Pela leitura desse texto, entendemos que uma das demonstrações de sabedoria consiste em viver de forma honrosa. Isso quer dizer “de maneira respeitosa, que enobrece ou dignifica”.

     Para compreendermos melhor, basta-nos olhar em nosso entorno. Quantas pessoas que conhecemos andam exatamente na contramão do que ensina a Bíblia. Ou melhor: não são respeitosas para com Deus, muito menos com seu próximo. Ao contrário, agem de modo inapropriado, isto é, inadequado ou inconveniente. Sem contar que muitos sempre procuram uma oportunidade para se aproveitarem da boa-fé de seu semelhante, lesando-o financeira, emocional ou espiritualmente. Desse jeito, tratam com desdém a Palavra de Deus. Consequentemente, evidenciam falta da sabedoria dada pelo Senhor.     

     Outra evidência de sabedoria é o realizar boas obras com humildade. Hoje é muito comum a exposição através da mídia de tudo o que se faz. Alguns indivíduos vão realizar alguma doação de alimento, por exemplo, e fazem fotos e/ou vídeos que, posteriormente, serão postos nas redes sociais, constrangendo quem o recebeu.

     Por certo, em algumas ocasiões é importante e até necessário que determinadas obras sejam expostas para que outros também se sintam motivados a fazer o bem, especialmente quando se trata de uma instituição filantrópica. No entanto, cabe a cada um de nós, doadores, vigiar o coração para ver se nossas motivações estão pautadas no amor ensinado nas Escrituras ou não. Afinal, Jesus nos ensinou que nossa mão esquerda não deve saber o que a direita fez – Mateus 6:2-4. Em outras palavras: a motivação deve ser obedecer ao Senhor e demonstrar amor cristão ao próximo. Não receber os aplausos de outros.

     Também existem aqueles que usam os talentos e as habilidades dados pelo Espírito Santo não para glorificarem a Deus, mas com o intuito de serem admirados e aplaudidos. Obviamente, é muito bom receber aplausos (e todos nós gostamos de recebê-los).      Todavia, devemos estar cientes e conscientes de que nossa motivação, isto é, o motivo ou a força que aciona e direciona nosso comportamento, levando-nos à ação deve ser honrar ao Senhor e abençoar as pessoas colocadas por ele em nosso caminho. Agindo assim, sem dúvida seremos honrados pelo Altíssimo, pois “diante da honra vai a humildade”Provérbios 18:12.  

     Em Tiago 3:17, somos ensinados que “a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura”. A palavra pureza quer dizer “sem mistura; não alterado pela presença ou inclusão de impurezas ou de elementos estranhos; límpido, claro, transparente”. Ao fazer essa afirmação, esse servo de Deus nos informa, embora indiretamente, que a sabedoria terrena apresenta algum tipo de impureza ou alteração. 

     A princípio, até podemos discordar dele. Contudo, se pararmos uns instantes para analisar friamente, concluiremos que ele tem razão. Tudo que tem a intervenção humana, por menor que ela seja, vem vestido ou contaminado com a visão, conceito, preconceitos e opinião de pessoas limitadas, falíveis e pecadoras como eu e você. Logo, em algum aspecto ou momento vai revelar seus defeitos.

     Por outro lado, a sabedoria gerada em nós pelo Espírito Santo é totalmente pura, ou seja, não está contaminada por agentes humanos. Dessa maneira, ela representará exatamente a vontade de Deus para nossa vida, a qual, conforme nos ensinam as Escrituras Sagradas, é “boa, perfeita e agradável” – Romanos 12:2b.  

     Outra característica dessa sabedoria é que ela é pacífica. Em outras palavras: ela vem recheada pelo objetivo de promover a paz. Se conectarmos esse texto com a fala de Jesus em Mateus 5:9, veremos que tem tudo a ver. Observe: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.  

     Ser um pacificador vai muito além de gostar da paz ou de viver em paz. É ser uma pessoa que promove a paz, que se dedica a fazer reinar a paz. É aquele que através de seus atos e atitudes promove mudanças profundas no meio em que vive e convive. Logo, um indivíduo que apresenta essa característica só pode ser alguém que recebeu a sabedoria gerada pelo Espírito Santo. Sendo assim, ser um agente da paz segundo o conceito bíblico deve ser ou se tornar para cada um de nós um alvo a ser atingido, porque os pacificadores são bem-aventurados e chamados filhos de Deus.

     Ainda em Tiago 3:17, lemos que a sabedoria vinda do Senhor é tratável. Isso quer dizer que quem a possui é amável, afável ou agradável; que se pode tratar; que é gentil ou sociável. Por certo, você conhece muitas pessoas cujas ações, reações, atitudes e comportamentos tornam evidentes a inexistência dessa característica.

     Todos nós, indistintamente, precisamos estar atentos a isso. A Bíblia deixa claro que não podemos ser pessoas intratáveis, desagradáveis ou antissociais. Ao contrário, somos instruídos e admoestados a agir com doçura e mansidão: “… e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós…” – 1Pedro 3:15.

     Logicamente, Pedro referiu-se a uma situação específica. Porém, o princípio (a base de raciocínio) pode ser aplicado a todas as situações da vida. É óbvio que cada pessoa tem sua personalidade e temperamento. No entanto, entendo que o Espírito Santo pode e quer transformar não apenas nosso caráter, mas também o temperamento e até traços da personalidade que não são aprovados por Deus ou geram prejuízos relacionais.

      Tiago ainda declara que a sabedoria que vem do alto é cheia de misericórdia. Olhando para as Escrituras, passamos a saber que misericórdia está ligada a estas palavras hebraicas chenen, chesed e chen, as quais também deram origem à palavra graça, cujo sentido é favor a quem não merece.

      As palavras mencionadas (chenen, chesed e chen) nos informam que ser misericordioso é inclinar-se com bondade para com alguém, favorecer o necessitado e ajudar o pobre. E foi exatamente assim que o Pai Celestial agiu para conosco, mesmo sendo nós pecadores. Então, dentro daquilo que nos é cabível e possível, também precisamos ser cheios de misericórdia para com nosso semelhante, demonstrando sabedoria e entendimento da vontade de Deus para nós.

     Geralmente, queremos que Deus e as pessoas em geral nos tratem com benevolência, compaixão e empatia. Entretanto, quando é nossa vez de tratar nosso próximo, temos dificuldade de lhe estender a mão. Contudo, precisamos estar cientes de que agindo com misericórdia tornamo-nos habilitados para recebê-la também. Veja a declaração do Senhor Jesus em Mateus 5:7: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”

     Ainda no versículo 17, lemos que um indivíduo com essa sabedoria produz boas ações ou obras. Hoje, infelizmente, grande parte das pessoas sempre age com maldade. Aliás, a perversidade tem sido a marca registrada de muitos. Diariamente a mídia mostra casos de pessoas que são vítimas ou vitimadas por indivíduos perversos. Todavia, graças a Deus, ainda há aqueles cujas ações recheadas com compaixão e altruísmo promovem a paz e o bem aos necessitados, seja para suprir uma carência física, emocional, afetiva ou espiritual. Que esse seja o nosso caso!

     Finalizando o versículo 17, Tiago declara que essa sabedoria não trata os outros com parcialidade nem com hipocrisia. Quando se fala em parcialidade, pode-se entender como “qualidade de quem toma partido ao julgar a favor ou contra, tendo em conta sua preferência, sem se importar com a justiça ou com a verdade”. Lamentavelmente, essa tem sido uma prática muito comum no Brasil. Provavelmente, nós também já agimos desse jeito. Assim, fica claro que precisamos da sabedoria que provém do alto.

     Em João 7:24, Jesus ordenou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Erroneamente, muitos de nós entendemos a palavra julgar somente como sentenciar ou condenar alguém. Mas existem muitos sentidos que fazem parte desse pacote. Por exemplo: avaliar, examinar, considerar, pensar, calcular e outros. Nesse sentido, precisamos, e devemos, analisar. Porém, para não cometermos injustiças, tem de ser feito segundo a reta justiça e recheado com misericórdia. E o que é a reta justiça? Para o autêntico cristão, é aquilo que ensina e ordena a Palavra de Deus.

     E mais: cada um deve julgar a si mesmo. Como disse o apóstolo Paulo: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”1 Coríntios 11:31,32. Note que o texto diz que “somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Portanto, aceitar uma avalição segundo a reta justiça é mais do que uma evidência de humildade, amor-próprio e da sabedoria que vem do Altíssimo. É uma prova cabal.

     Para entender melhor, leia o texto que segue: “O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro” – Provérbios 14:16. Observe que Salomão usa duas palavras contrastantes (sábio x tolo) para nos admoestar. Nesse caso, a evidência de sabedoria é demonstrada por temer e desviar-se do mal, enquanto de tolice é o enraivecer-se e se sentir seguro em relação ao mal.

     Outro texto bastante esclarecedor e importante é: “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” – Provérbios 3:7. Aqui, entendemos claramente que ser sábio aos próprios olhos é um grande perigo. Quem se sente assim, tende a tomar decisões completamente equivocadas, inclusive leva-o a aproximar e até mesmo a aliar-se ao mal ou a pessoas más. Portanto, é imprescindível ser sábio aos olhos de Deus, usando as ferramentas que ele nos oferece gratuitamente em sua Palavra.

     Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, encontramos muitos exemplos de pessoas que agiram com sabedoria, desviando-se das coisas erradas aos olhos do Senhor. Uma delas foi Jó: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal – Jó 1:1.

     Em Eclesiastes 7:13 ao 18, lemos algo muito interessante sobre a relevância de ser sábio. Nesse relato, lemos que um sábio pobre livrou sua pequena cidade de um grande rei usando como arma de guerra a sabedoria. Mas é necessário observar um detalhe: ninguém se lembrava dele. Muitas vezes, é assim. Poucos valorizam essa qualidade. Porém, o Senhor a valoriza e muito.

     Fazendo uma conclusão desse registro, Salomão declara: “Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada e as suas palavras não foram ouvidas. As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitos bens” – Eclesiastes 9:16-18.

     Há ocasiões nas quais as armas de guerra são as palavras ditas no calor de uma discussão. Geralmente, o resultado delas são pessoas gravemente feridas, casamentos mortos, famílias e amizades destruídas. Mas veja o que Salomão diz: “Favo de mel são as palavras suaves: doces para a alma e saúde para os ossos” – Provérbios 16:24. Logo, usando as palavras com sabedoria, em vez de guerras e destruição, geramos paz (saúde mental e emocional) e saúde física. 

     No versículo 17, o rei diz que as palavras de um sábio devem ser ouvidas em silêncio. Segundo estudiosos, um dos segredos do sucesso dos judeus é que eles gostam de ser corrigidos e ensinados. Por isso, valorizam os mentores/conselheiros. Portanto, considero fundamental aprender com eles também. E, quando estivermos diante de um sábio, aprendamos a ficar em silêncio, absorvendo e anotando tudo o que ele disser.

     Mas quem é um sábio? – Talvez essa seja sua dúvida. E eu lhe respondo: É todo aquele que ministra a Palavra de Deus como está registrada nas Escrituras. É todo aquele que usa a inteligência para promover o bem e a paz. Também é aquele que sabe de boas coisas que não sabemos ou já teve experiências que ainda não tivemos. Portanto, sempre que estiver perto de alguém, fique atento, pois da boca desse indivíduo, por mais simples que ele seja, pode jorrar palavras de sabedoria.

     Penso que foi por isso que Salomão declarou: “Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal” – Provérbios 13:20. Com quem você quer andar? A colheita será de acordo com a semeadura. Por isso, espero e oro para que faça a escolha certa, receba as mais copiosas bênçãos de Deus e viva vitoriosamente.

     Caso você sinta que ainda lhe falta a sabedoria que vem do alto ou do Altíssimo Senhor, siga a instrução de Tiago, o servo do Senhor: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” – Tiago 1:5. Afinal, a sabedoria é a coisa principal e “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Porque melhor é a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a sua renda do que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que os rubis; e tudo o que podes desejar não se pode comparar a ela. Aumento de dias há na sua mão direita; na sua esquerda, riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz. É árvore da vida para os que a seguram, e bem-aventurados são todos os que a retêm”Provérbios 3:13-18

Força e Sabedoria – Anderson Freire
 

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Mal transformado em bem

“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos. (Gênesis 50:20)       

     Certamente todos nós já fomos vítimas de alguma injustiça ou, pelo menos, nos consideramos injustiçados por alguém. Afinal, as relações humanas são muito complexas e, às vezes, mesmo que uma pessoa não perceba, age de maneira injusta ou algo que fez, até inconscientemente, é interpretado como um ato injusto, causando muito sofrimento à vítima.

     Para piorar, quando a injustiça é praticada por alguém muito próximo e, principalmente por uma pessoa a quem amamos, a dor se torna muito maior. Como resultado, muitos adoecem gravemente por não suportarem esse terrível fardo. Outros passam a planejar uma maneira de se vingar. Tais pessoas consideram que pagando o mal com outro mal se sentirão melhor. Mas seria realmente a melhor forma ou a que o Senhor ensina a fazer?

     Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, encontramos diversas histórias de pessoas que foram vítimas de algumas injustiças e traições. Em especial, Jesus. Embora nunca tenha praticado o mal contra ninguém, muitos agiram de forma completamente injusta para com ele, mesmo tendo recebido dele apenas o bem. No entanto, hoje, quero tomar como referência uma das histórias mais enriquecedoras: a de José, filho de Jacó (ou Israel), a qual está registrada em Gênesis, do capítulo 35 ao 50.

    José era o penúltimo filho. Os irmãos dele o consideravam o “queridinho do papai”. Para piorar, o pai o mandava ir aonde os demais filhos pastoreavam os rebanhos e trazer um relatório do que estava acontecendo nos campos. Obviamente, os outros o consideravam um fofoqueiro. Além disso, passou a ter uns sonhos um tanto esquisitos, os quais levaram seus irmãos a entender que José governaria sobre eles, e isso os deixou ainda mais furiosos. Mas a gota d’água foi o fato de o pai deles dar uma túnica colorida para esse jovem, indicando que ele seria o líder. Isso os fez sentir inveja e tomar a decisão de se livrarem daquele peso – Gênesis 37: 1 ao 24.

     Primeiramente, queriam matá-lo – vv 18 – 20. Quando Rúben, o primogênito soube, interveio e não os deixou tirar a vida do irmão. Porém, lançaram-no num poço. Mais tarde, quando passou uma caravana de comerciantes ismaelitas, Judá sugeriu que vendessem José, mesmo sem o consentimento do primogênito, o qual era naturalmente o líder deles. E foi isso que aconteceu. O jovem foi vendido e levado para o Egito – v 25 ao 31. Posteriormente, contaram ao pai aquela história de que uma fera o havia devorado. Essa foi a primeira grande injustiça sofrida pelo moço.

     No capítulo 39, lemos o relato de que José foi vendido como escravo a Potifar, o capitão da guarda do faraó. Lá, Deus o fez prosperar grandemente: “E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio” – Gênesis 39:2.

     Ao perceber que José era uma pessoa diferenciada e abençoada, Potifar o colocou como administrador de todas as coisas em sua casa. E, em consequência disso, veja o que ocorreu: “E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo” – Gênesis 39:3 ao 6.

    Por ser um jovem atraente e de boa aparência, a mulher do patrão começou a cobiçá-lo e desejava se relacionar sexualmente com ele. Contudo, José lhe respondeu dessa forma: “Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo e entregou em minha mão tudo o que tem. Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” – Gênesis 39:8,9.

    A mulher, porém, estava decidida convencê-lo. Como o rapaz se recusava a trair Potifar, e sobretudo ao Senhor, ela inventou a história de que José tinha tentado forçá-la a se relacionar com ele. Isso fatalmente o levou à prisão. Afinal, o que supostamente ele fizera era gravíssimo – Gênesis 39:10 ao 20. Assim se torna vítima de mais uma enorme injustiça.   

     Paremos um pouco aqui. Responda-me com sinceridade: Esse jovem não tinha motivos mais do que suficientes para se revoltar contra Deus e as pessoas que lhe provocaram tanto sofrimento? Já que ele estava longe de casa e tendo a possibilidade de se dar bem até com a mulher do “chefe”, a qual devia ser bonita e atraente, por que não o fez? Para a maioria das pessoas de hoje, certamente esse jovem era um grande tolo. Mas… Será que era mesmo?

     Na sequência, mais uma vez encontramos algo maravilhoso: O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere; e ele fazia tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele; e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava – Gênesis 39:21-23.  

    No capítulo 40, encontramos o relato de que o padeiro e o copeiro do rei cometeram um “deslize” e foram parar no cárcere. Lá, cada um deles teve um sonho e o contaram para José, o qual lhes deu a interpretação. E aconteceu exatamente como fora dito. Então, José fez um pedido ao copeiro: “Porém lembra-te de mim, quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito, para que me pusessem nesta cova” – Gênesis 40:14,15. No entanto, o copeiro se esqueceu da promessa feita ao intérprete de seu sonho – Gênesis 40: 23. Então, mais uma injustiça foi anotada na lista.

    Segundo vemos no capítulo 41 que, passados dois anos do sonho do copeiro, o faraó teve uns sonhos estranhos, aos quais nenhum dos adivinhadores e sábios do Egito soube dar a interpretação. Nesse momento, o copeiro se lembrou de José, da promessa que lhe fizera e contou para o faraó o acontecido na prisão – Gênesis 41: 9 ao 13.

     Após esse relato, o monarca ordenou que trouxessem José. Então, contou-lhe tudo o que sonhara e ouviu a explicação sobre o significado do sonho. Mas, além da interpretação dada, houve também a sugestão de como o governante deveria agir a partir daquele momento – Gênesis 41:14 ao 37. Nesse dia, começou a mudança radical na vida desse jovem tão fiel a Deus e às pessoas em seu entorno.

     Conforme lemos nos versículos de 38 a 47, José foi nomeado a governador de todo o Egito, sendo menor em poder e autoridade apenas em relação ao faraó. Tudo estava nas mãos desse homem honrado, agora com trinta anos de idade.

     Com a autoridade dada pelo rei, José começou a colocar o plano indicado por Deus em ação. E tudo foi acontecendo como já era de se esperar, pois o Senhor o fez prosperar nesse negócio também – Gênesis 41: 48 ao 57. Mas o melhor da restituição de Deus ainda estava por vir. E veio.

    No capítulo 42, passamos a saber que a fome também chegara à terra de Canaã e, consequentemente, à casa de Israel/Jacó, pai de José. Por isso, quando souberam que no Egito havia alimento para comprar, seus irmãos receberam autorização de Israel para irem até lá adquirir mantimentos. E foram.

     Tempos depois, acabando a comida, seus irmãos precisaram ir novamente ao Egito. Lá, José se revela a eles e recebe autorização do faraó para toda a família morar naquele lugar. Aliás, receberam tudo o que era bom e necessário para viverem naquele país. E assim aconteceu.

     No entanto, passados vários anos, o pai deles morreu. Como seus irmãos ainda tinham a consciência pesada pelo mal que fizeram, ficaram muito temerosos, supondo que José ia se vingar de todos eles: “Vendo, então, os irmãos de José que o seu pai já estava morto, disseram: Porventura, nos aborrecerá José e nos pagará certamente todo o mal que lhe fizemos” – Gênesis 50:15.  

    Em consequência desse medo, enviaram representantes para falar com José: “Portanto, enviaram a José, dizendo: Teu pai mandou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam” – Gênesis 50:16,17.   

    Depois desse episódio, eles mesmos foram ter com o irmão, prostraram-se diante dele e disseram: “Eis-nos aqui por teus servos” – Gênesis 50:18. Certamente, estavam reconhecendo não apenas seus erros do passado, mas também o poder e autoridade de José sobre eles. Isso os deixava amedrontados e sentindo-se reféns daquela situação. Assim, supunham que seriam punidos pela injustiça cometida há tantos anos. E, pelo que declararam, estavam dispostos a aceitar a posição de servos.

     Para dizer a verdade, analisando a situação do ponto de vista humano, José tinha todo o direito de se vingar de seus irmãos e de transformá-los em seus escravos. Afinal, eles o prejudicaram severamente. Quantas coisas ele deixou de viver junto com o pai, o irmão mais novo, amigos e, talvez, com uma namorada! Quanto sofrimento físico e emocional!… Quem sabe, poderia ter se casado, gerado filhos, sido feliz…

    Mas agora o jogo mudara. Estavam no território governado justamente por quem havia sofrido tantas injustiças da parte deles. Portanto, seria mais do que compreensível se o coração desse homem estivesse cheio de ódio, mágoa, ressentimentos, traumas e revoltas a ponto de culminar com uma punição à altura de sua dor. Porém, não foi o que aconteceu.

     Não?! Não! Veja o que José lhes disse: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” – Gênesis 50:19-21.

     Agora chegamos à parte mais importante dessa história. Sendo assim, gostaria que você estivesse atento a cada palavra a seguir:

  • Por que Deus estava com esse jovem e o fazia prosperar em tudo que ele realizava lá no Egito, conforme lemos em algumas passagens bíblicas?

“E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gênesis 39:2)

“O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor.” (Gênesis 39:21)

Entendo que o Senhor o fez prosperar porque, apesar de ter sofrido tantas injustiças, ele, como Jó – Jó 1:22, não pecou nem atribuiu falta/culpa alguma a Deus. Muitas pessoas, mesmo que indireta ou inconscientemente, culpam o Senhor pelas injustiças ou desgraças que lhes sobrevêm. Por isso, se revoltam e viram as costas para ele.

Ademais, mesmo distante da casa de seu pai e estando no meio de um povo com costumes e valores diferentes dos seus, esse jovem manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade ao Senhor.

Em tese, para ele teria sido muito mais fácil aceitar a proposta da mulher de Potifar. Certamente, isso lhe traria alguns benefícios, regalias e prazer. Sem contar que sua família jamais ficaria sabendo. No entanto, veja a declaração dele: “Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus? – Gênesis 39:9.

Infelizmente, é muito comum vermos pessoas que de fato foram vítimas de injustiças e traição ou que se sentem prejudicadas se vingarem fazendo o mesmo ou algo semelhante.

Por exemplo: Quando um cônjuge é traído e faz o mesmo, não está revelando somente a deformidade de caráter do outro, mas do seu próprio. Dessa maneira, abrem mão de seus valores e compromisso com Deus e pecam também. Será que agindo assim são, aos olhos de Deus, diferentes dos outros?

Tais pessoas se esquecem de que seu caráter não é e não pode ser formado a partir do caráter de outros, mas do caráter de Cristo, pois o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2) e o exemplo a ser seguido é ele, não seus semelhantes – João 13:15. Em outras palavras: José não usou como pretexto ou justificativa o pecado dos que o prejudicaram para pecar também.

  • Outra razão é que esse moço não permitiu que o ódio e outros sentimentos ruins tomassem conta de seu coração. Isso fica claro em suas conversas com seus irmãos, quando diz: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus?” – Gênesis 50:19.

Evidentemente, se ele fosse movido por sentimentos ruins, jamais diria essa frase. Ao contrário, teria aproveitado a oportunidade para jogar na cara os erros dos irmãos e vingar-se da melhor maneira que conseguisse.

José entendeu o que muitos de nós não entendem: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor. (…) Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” – Romanos 12:19, 21.

A justiça humana é sempre imperfeita e parcial, pois somos limitados e não conseguimos ir além daquilo que está diante dos nossos olhos. Mas a de Deus é perfeita e imparcial. Logo, nada melhor do que entregar nossas questões nas mãos dele, pois ele pelejará por nós, e nós nos calaremos – Êxodo 14:14.

  • Outra coisa importantíssima está registrada em Gênesis 50:20: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20.

     Ao dizer isso, ele nos traz algumas revelações muito relevantes: não era aquela forma que Deus ia usar para garantir a sobrevivência e a continuidade de seu povo. Ele sempre tem um plano muitíssimo melhor para seus filhos: “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” – Jeremias 29:11.

     Além disso, vemos a clareza de entendimento de José ao dizer que seus irmãos realmente haviam intentado o mal contra ele, mas que o Senhor tinha transformado o mal em bem. Ele não agiu com hipocrisia. Também entendeu por que o Deus fizera essa transformação.

     Quando estamos no olho do furacão, geralmente não conseguimos enxergar com essa clareza. Ao contrário, vemos apenas a tragédia. Entretanto, penso que hoje Deus também age assim. Até podem planejar o mal contra nós e, a princípio, parece-nos que atingiram seu objetivo. Mas, se tivermos a ajuda do Espírito Santo, certamente teremos condições de ver a ação do Senhor em nosso benefício.

     Talvez, você esteja pensando: “Ele está falando isso por não conhecer a minha história nem a minha dor”. Isso é verdade. Todavia, ainda que eu as conhecesse, provavelmente não faria muita diferença. O que importa de fato é que o Senhor sabe tudo a seu respeito. E, apesar de serem histórias, épocas, culturas e motivações diferentes, o princípio da ação de Deus continua sendo o mesmo: cuidar de seus filhos – Mateus 7:7 ao 11.

    O que quero dizer é que, independentemente do que lhe aconteceu, o Senhor pode mudar por completo o rumo da sua história, como fez com José. Quando tudo indicava que ele ficaria por um longo tempo na prisão, Deus deu sonhos ao faraó, o que gerou a oportunidade perfeita para honrar seu filho. Hoje, ele pode fazer algo semelhante com você.

     Há ainda outro motivo pelo qual Deus fez com que José fosse bem-sucedido em tudo o que fazia, embora não pareça aos olhos humanos, e o tornou governador. Estou me referindo à sua capacidade de perdoar. (Isso está totalmente ligado ao que já foi dito.) Como vimos, com a morte de Jacó, os irmãos pensaram que iam ser punidos. Mas foram perdoados. Aliás, ao que tudo indica, já haviam sido perdoados há muito tempo.

     Perdoar é fundamental. Não porque o ofensor merece. Primeiro, é preciso por ser um mandamento do Senhor: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” – Mateus 6:14.  E mais: “Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas” – Marcos 11:26. 

     Outro motivo pelo qual devemos perdoar é para nos libertarmos do pesado fardo cheio de mágoa, amargura, ressentimento, ódio e revolta. Tais sentimentos, segundo a Ciência, mas também segundo a Bíblia, só nos fazem adoecer em todas as áreas (emocional, mental, relacional, física e espiritual).

     O apóstolo Paulo apresenta mais uma razão pela qual devemos liberar perdão. Veja o que ele disse: “E a quem perdoardes alguma coisa também eu; porque o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás, porque não ignoramos os seus ardis” – 2 Coríntios 2:10,11.

     Mas… Como seríamos vencidos pelo maligno? Simples: Ele usaria esses sentimentos ruins para nos torturar. Poderia levar-nos à depressão, ao desejo de vingança, à revolta contra Deus por supor que ele é o culpado pelo nosso infortúnio ou infelicidade. Para piorar, em muitos casos, ele sugere o suicídio como maneira de se livrar do sofrimento ou um assassinato. E o tiro de misericórdia é conduzir-nos à perdição eterna, pois quem não perdoa também não recebe o perdão de Deus – Mateus 6:15. Por isso, quando tomamos a decisão de perdoar, o maior beneficiado somos nós mesmos.

     Agora, o motivo final da ação de perdoar é libertar a pessoa que ofendeu e prejudicou. Sei que em muitos casos a pessoa não está nem um pouco preocupada com isso. Nesse caso, a responsabilidade é toda dela e as consequências também. O que importa de fato é que façamos a nossa parte, em obediência a Deus.

     Juntando-se a tudo o que já foi dito, existe outro motivo que o levou a ser honrado: reconhecer que sua capacidade de interpretar sonhos não vinha de si mesmo, mas do Senhor. Veja: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” – Gênesis 41:16. Isso demonstra que realmente conhecia a Deus e era humilde. Afinal, ele poderia aproveitar a oportunidade para se autopromover. Porém, não o fez. Deus a glória ao Senhor.

     Agora, só me resta dizer que faz alguns meses que venho refletindo sobre a história de José, especialmente sobre a parte na qual ele diz: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20. E, mais uma vez, a conclusão a que cheguei é que Deus continua transformando o mal em bem, com um propósito: conservar-nos   com saúde relacional, física, mental, emocional e espiritual, ou seja, com vida de verdade. Talvez, seja por querer conservar seu casamento, sua família, seus filhos, sua integridade e dignidade, sua igreja e assim por diante.  

     Também concluí novamente que o caráter de uma pessoa não está diretamente ligado à sua idade, mas ao seu compromisso com o Senhor. Quando José foi para o Egito, tinha cerca de dezessete anos. Era muito jovem ainda. Mesmo assim, manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade a Deus, a despeito de todas as dificuldades e tentações por que passou.

      Por isso, tentar justificar suas falhas com base na idade é, no mínimo, falta de hombridade e de humildade para reconhecer que errou. Mas não podemos nos esquecer das seguintes palavras: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” – Provérbios 28:13. E ainda: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1João 1:9.

     Por fim, preciso registrar: Deus não aceita desculpas ou justificativas para o erro. Mas “a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” – Salmos 51:17.

 

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Palavras com que se escreve uma nova história

     “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.”               (Salmos 119:18 – ARC)

     Se eu lhe perguntasse quantas vezes leu ou ouviu palestras sobre a Parábola do filho pródigo, certamente você teria dificuldade para dizer a quantidade. No entanto, penso que foram muitas. Afinal, mesmo quem tem pouca familiaridade com as Escrituras Sagradas, conhece alguma coisa a respeito dessa narrativa.

     Desse modo, a princípio parece desnecessário escrever mais um artigo sobre essa história contada por Jesus. Porém, a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de água para o sedento e sempre existe algo para aprender com ela ou, pelo menos, relembrar. E entendo ser justamente por esse motivo que mais uma vez fui levado pelo Espírito Santo a ministrar sobre ela e, agora, a escrever a seu respeito.

     Quando olhamos para o início do capítulo 15 de Lucas, encontramos o seguinte registro: “E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” – 15:1 e 2. Por causa dos comentários inconvenientes desses homens, o Senhor contou três parábolas: A ovelha perdida, A dracma perdida e O filho pródigo.

     A partir do versículo 11, o Mestre começa a contar essa história, dizendo: “Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda” – Lucas 15:11,12.

     Pedir a herança antes da morte do pai era um grande desrespeito. Soava como se desejasse que ele morresse ou que já estivesse morto. Contudo, esse não é o único significado problemático por trás do pedido do jovem. Pedir sua parte antecipadamente era consequência da ingratidão que habitava sua alma. E o efeito disso não podia ser outro: ele não conseguia ver o que desfrutava estando na casa do pai: amor, proteção, segurança, suprimento para suas necessidades básicas e, sobretudo, a presença de seu genitor.

     A ingratidão sempre culmina com a insatisfação. Por isso, todas as coisas materiais ou imateriais recebidas ou não eram vistas ou não eram valorizadas. O simples fato de estar ali o sufocava e, talvez, o revoltava. Quem sabe, ele se sentia reprimido. Impossibilitado de fazer o que viesse à sua cabeça. De satisfazer todos os seus desejos carnais. Assim, para esse jovem, a casa do pai deixou de ser um lar e passou a ser uma prisão.

     O texto continua: “E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente” – Lucas 15:13

     Uma coisa relevante é que aquele filho não saiu de casa logo após ter recebido a parte da herança que lhe cabia por direito, mas alguns dias depois.

     Essa informação é muito interessante e importante. Indica que ele teve tempo para refletir sobre o que fizera. Para se arrepender e se corrigir diante do pai. Talvez, ele tenha vivido um grande conflito interior. Quem sabe, a consciência o acusou e mostrou a necessidade de que pedisse perdão ao pai. Mas não o fez. Não deu ouvidos a ela e convenceu a si mesmo de que ir para longe do pai era o melhor a fazer.

     E se foi. Resoluto. Inconsequente. Com mil planos em sua cabeça, vislumbrando apenas os supostos benefícios resultantes da decisão tomada. Sem dúvida, se lhe passava na mente algum pensamento negativo, logo ele o afugentava bravamente. Afinal, ele era jovem. Dono da própria vida. Sabia o que estava fazendo. A seus próprios olhos, onipotente.

     Esse cenário é diferente do que vemos hoje? Penso que não. Quantas pessoas conhecidas abandonam a Casa do Pai por se sentirem desse jeito! Infelizmente, muitos de nós, em algum momento, desejamos fazer isso também. E, se não a deixamos fisicamente, o fazemos espiritualmente.

     Como diz a Bíblia em Atos 7:39, muitos hebreus que deixaram o Egito sob a liderança de Moisés, o libertador enviado pelo Senhor, voltaram para lá em seu coração (Atos 7:39). Da mesma maneira, voltamos ou nos voltamos para o mundo, deixando-nos enganar pela suposta liberdade que há fora da Casa do Pai e, como o jovem da parábola, tornamo-nos pródigos também.

     Ainda no versículo 13, somos informados de que esse rapaz foi para uma terra longínqua. Isso nos leva a entender que ele almejava romper completamente os laços com seu pai e com seu irmão. Não queria correr o risco de sofrer interferências indesejáveis ou indesejadas.

     No início, parece que tudo transcorreu como ele sonhara. Geralmente quem possui dinheiro consegue fazer muitos “amigos”. Ter os namorados ou as namoradas que desejar. Sexo à vontade. E muito mais… Mas, sempre que acaba o dinheiro, tais pessoas desaparecem, como num passe de mágica, pois a riqueza pode “comprar” momentos de atenção e prazer e supostas amizades. Todavia, jamais comprará amor verdadeiro ou amigos de fato.

     Em minha cidade natal, houve um jovem que ganhou milhões na loteria. Comprou uma fazenda, de porteira fechada – com todo o maquinário, toda a estrutura e o todo o gado que nela havia. Carro novo. Conquistou mulheres. Vivia cercado de “amigos”. Sentado num bar, pagava comida e bebida para todos. Entretanto, quando o dinheiro acabou, os supostos amigos e as moças que o bajulavam passaram a ignorá-lo. O choque de se ver sem todas as regalias compradas pelo dinheiro o deixou doente e, por fim, foi parar num hospital psiquiátrico. Quando recebeu alta, passou a ser “invisível”. Aqueles que antes se diziam seus amigos, agora fugiam dele, fingindo não o conhecer.     

     Por certo, ocorreu algo semelhante com a personagem dessa narrativa. No versículo 13, lemos que o moço desperdiçou todos os seus bens, vivendo irresponsavelmente. Para piorar, veio uma grande fome sobre aquela terra e ele começou a passar necessidade (v 14). O tempo de glória acabara.

     Com fome e sem o dinheiro da herança, o jovem busca trabalho para se sustentar e, desesperado, aceita um cargo que nenhum judeu jamais pensaria ocupar: cuidador de porcos.

      Segundo a lei do Antigo Testamento, porcos eram animais impuros, de maneira que aquele que tivesse contato com esses animais também se tornaria impuro. Portanto, a aceitação desse trabalho, demonstra a total degradação a que chegara esse rapaz.

      Por acaso, não acontece algo semelhante com muitos dos que abandonam a Casa do Pai? Ao chegarem espiritual e financeiramente ao “fundo do poço”, fazem coisas que antes eram inimagináveis, por serem impuras, imorais, degradantes ou humilhantes aos olhos de Deus. 

     Apesar de ter conseguido um trabalho, a história relata que o jovem continuava a passar fome, chegando a desejar a comida que era dada aos porcos, mas nem isso lhe davam – Lucas 15:15 e 16. Em outras palavras: naquele momento, ele estava sendo tratado como um ser inferior àqueles animais.

     Quando esse rapaz passa a ser tratado como inferior aos porcos, podemos dizer que, para a cultura da época, ele não tinha mais valor nenhum. Mas, surpreendentemente, este não foi o seu fim. Que bom!

     O início da grande reviravolta começa a acontecer quando entra em cena outra palavra: reconhecimento. No versículo 17, lemos: “E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!”.

     Para entendermos melhor, preciso dizer que, quando escreve “caindo em si”, o autor quer dizer que o jovem reconheceu a situação em que estava e como havia errado com seu Pai. Num sentido comum ou corriqueiro, reconhecer significa tomar conhecimento, trazer à mente de novo, certificar-se. Mas vai além disso.Na prática, quer dizer: ter um novo conhecimento ou olhar com outros olhos para o mesmo objeto ou situação. E, ao fazer isso, a pessoa consegue enxergar aquilo que até então não lhe era visível.

     Agora, com seus olhos abertos, ele consegue fazer um julgamento correto da situação na qual se encontrava e uma comparação justa entre sua vida atual e a que tivera na Casa do Pai. Assim, o reconhecimento torna-se o pontapé inicial para a transformação da história desse rapaz.

     O arrependimento autêntico é o primeiro efeito causado pelo reconhecimento. O segundo, a humildade: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores/jornaleiros” – Lucas 15:18,19.

     Arrependimento verdadeiro sempre é acompanhado pela humildade. Sem ela, até pode haver remorso, vergonha de uma atitude tomada, mas nunca verdadeiro arrependimento. Sem a humildade, é possível que o jovem decidisse ir para uma terra ainda mais distante, para evitar que seu pai, irmão e conhecidos soubessem de sua situação degradante. Entretanto, sendo humilde, ele decide não fugir, mas voltar à Casa do Pai.  

     Seu arrependimento é tão verdadeiro e profundo que entende não mais merecer ser tratado como filho. Para o jovem, era mais prudente pedir que seu pai o aceitasse como um trabalhador diarista, sem compromisso formal, recebendo por dia trabalhado. De fato, ele havia compreendido a gravidade do que fizera. Mas o pai tinha outros planos para seu filho. Como Deus também tem para todos nós, pródigos, que decidimos voltar para Casa.

     No versículo 20, vemos que o jovem realmente volta para casa. Penso que houve um grande conflito interior, que aconteceu uma batalha entre o orgulho e a humildade. Suponho que o jovem temeu enfrentar o pai e que, muito provavelmente, pensou em desistir. Mas prosseguiu. Felizmente!

     Ainda nesse versículo, vemos que o pai avistou o filho ainda longe, correu até ele, e o beijou. Algo parece errado. Não era o filho quem devia correr em direção ao pai? Aliás, esse jovem deveria ter se prostrado aos pés do pai em sinal de arrependimento e humildade. Seria o mais lógico a fazer.

     Há muitas lições importantes nessa parte da história, para as quais devemos atentar. Uma delas é que quando decidimos voltar para a Casa do Pai, ele está à espera e ansioso por esse momento. Observe que o pai o avistou ao longe. Ora, isso dá a entender que esse homem estava olhando para a estrada a esperar o retorno do filho. Como o Pai Celestial também sempre aguarda, ansioso, o regresso de filhos pródigos que compreenderam que a Casa dele é o melhor lugar onde um filho pode estar.

     Outra lição é: o pai sabia que, ao voltar para casa, o filho demonstrava estar arrependido, tendo reconhecido os próprios erros. Por isso, o pai o recebe de braços abertos. Assim também Deus, quando nos vê no caminho de volta para casa, recebe-nos calorosamente, sem apontar para nós um dedo de acusação e/ou nos repreender pelas atitudes vergonhosas.

     Para aquele pai, assim como para nosso Pai Celestial, o arrependimento sincero era mais importante do que os erros cometidos. Como sinal disso, o pai pede a seus empregados que tragam para o filho: roupas novas (para cobrir uma possível nudez), restaurando sua dignidade; um anel (para restaurar seu status de filho e herdeiro) e sandálias, para que pudesse caminhar seguro, sem se ferir.

     Em seguida, aquele pai ordena que tragam o bezerro cevado, reservado para eventos especiais, para fazerem um churrasco e comemorar o retorno do filho – Lucas 15:23. Aquela era uma ocasião especialíssima. Logo, merecia uma festa. Isso lembra o que Jesus disse: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” – Lucas 15:7.  

      A seguir, o pai justifica o motivo da celebração: “… porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se” – Lucas 15:23. Que maravilha! Agora aquele filho estava reintegrado à família! Ele certamente enfrentaria problemas em consequência de seus atos (como a rejeição do irmão). No entanto, ele venceria porque novamente estava na casa e na presença de seu pai e podia contar com ele para ajudá-lo.

     Para concluir, bastam apenas algumas considerações:

  • Ainda que sejamos ou ajamos como pródigos, o Pai Celestial sempre está de braços abertos para receber aqueles que reconhecem seus erros, arrependem-se sinceramente e retornam para Casa.
  • Ainda que o filho não entendesse o que significa graça (favor a quem não merece) e perdão, foi justamente o que o Pai, generosamente, lhe ofereceu. Você pode não entender profundamente também. Não importa. Mesmo sem compreender, é isso que o Senhor tem para lhe oferecer quando decidir voltar para a Casa Dele.
  • Você é mais importante do que seus erros. Por isso, Deus enviou Jesus para morrer em seu lugar: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16
  • Os erros sempre trazem consequências negativas, como aconteceu com Davi. Mas, estando na Casa do Pai, você receberá a ajuda necessária para vencer (Romanos 8:26).
  • Não existe dúvida de que depois do perdão e aceitação recebidos na Casa do Pai, aquele filho tornou-se grato por tudo.
  • Estando na casa do Pai, mesmo que não tenha tudo o que deseja ou pensa que merece, você tem o bem maior – a presença e o amor do Pai.
  • Não seja como muitos, que querem a parte da herança (as bênçãos), mas não querem o Pai e a presença dele.

     Compreendemos, dessa maneira, que não existe nada melhor para alguém do que estar e viver na Casa de Deus. Ainda que as propostas do mundo sejam tentadoras, certamente são apenas passageiras e ilusórias. Assim, a alegria e o prazer que geram não valem a pena. Milhões de pessoas já se iludiram com elas e, depois de muito sofrerem, compreenderam que estavam erradas e voltaram.

     Portanto, se esse for o seu caso, volte também. E, se você não saiu fisicamente, mas seu coração já está no mundo, ainda é tempo de refletir e de tomar a decisão de permanecer na Casa do Pai. Por fim, lembre-se de que seu reconhecimento, arrependimento, humildade gerarão graça, perdão, aceitação e acolhimento da parte do Pai Celestial. E é com elas que se escreve uma nova história de vida, de paz, vitória e felicidade verdadeira.

Para ouvir: Filho Pródigo – Voz da Verdade

 

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Palavras em extinção

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão – disse Jesus.” (Marcos 13:31)

    A língua não é estática. Ao contrário, ela está em constante movimento. Por isso, novas palavras são criadas com certa frequência, para atender às novas demandas do mercado de trabalho e empresarial. Além disso, grupos sociais diversos criam suas gírias, a fim de dar uma identidade exclusiva à galera e facilitar a comunicação entre seus pares.

    Mas não é somente isso. A língua oficial também sofre mudanças para, pelo menos em tese, tornar mais fácil e prática a comunicação através da escrita, conforme aconteceu faz alguns anos com os países falantes da Língua Portuguesa. Há, ainda, outro fenômeno interessante:  a extinção de algumas palavras e expressões. E esse acontecimento é algo natural.

    Por outro lado, existem algumas palavras que, indevidamente, estão sendo extintas ou, no mínimo, caindo em desuso, mas que não deveriam ser vítimas desse palavricídio, ou seja, assassinato de palavras. (Viu? Acabei de inventar uma! Esse processo se chama neologismo). Pelo menos, essas mortes não deveriam ocorrer pelas mãos de quem declara ser cristão, pois elas demonstram claramente que a fé professada é autêntica e profunda.

    Uma dessas palavras é arrependimento. Ela é de origem grega (μετάνοια, metanoia) e significa conversão (tanto espiritual como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos ou caráter, geralmente conotando uma evolução pessoal”.  

    Em se tratando do sentido bíblico, há verdadeiro arrependimento quando um indivíduo reconhece que pisou na bola com Deus ou mesmo com uma pessoa.  Consequentemente, sente um profundo pesar pelo que fez e está disposto a mudar de direção, de mente e de atitude, uma vez que a ação praticada ou o comportamento adotado afrontou ao Senhor ou causou danos a quem foi vítima disso.

    Diante dessa explicação, entendo que foi por esse motivo que Deus orientou João Batista a iniciar seu ministério como precursor do Messias (aquele que anuncia, prenuncia, prepara ou indica a vinda de alguém ou um acontecimento) pregando a necessidade de arrependimento. Veja o que a Bíblia diz: Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados – Lucas 3:3.  

    Algo semelhante aconteceu logo após a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Agora, cheio de autoridade, Pedro se levanta diante da multidão e anuncia o evangelho aos presentes. Muitos deles creram e perguntaram aos apóstolos o que deveriam fazer para ser salvos – Atos 2:37.

    Então Pedro lhes respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” – Atos 2:38. E foi isso que eles fizeram. Somente naquele dia, quase três mil pessoas se converteram,  porque tinham reconhecido que eram pecadoras e, por essa razão, precisavam do Senhor.


    Em outras palavras, uma conversão é autêntica quando vem precedida de arrependimento sincero. Caso contrário, pode até ser remorso, o qual, no sentido bíblico, é apenas um constrangimento por ter feito algo errado, mas que não é acompanhado de real mudança de comportamento, atitudes, mente e coração.

    Desse modo, quando uma pessoa se declara convertida, inevitavelmente deverá haver uma total rejeição àquilo que afronta a Deus. Por isso, ao ver alguém que se declara cristão dizer que não se arrepende de nada do que fez, conclui-se que tal pessoa não compreendeu o Evangelho e que uma conversão genuína passa, obrigatoriamente, por esse requisito. Afinal, é isso que as Escrituras Sagradas ensinam.

     O livro de Atos dos apóstolos, por exemplo, está repleto de eventos nos quais os homens de Deus falavam da necessidade de crer em Jesus e arrepender-se dos pecados cometidos. E o próprio Senhor fala em Lucas 15:7: Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Portanto, arrepender-se não é opção pessoal, porém uma condição estabelecida por Deus, para que um indivíduo tenha direito ao perdão de seus pecados e à salvação em Cristo.

    Outra palavra em processo de extinção é renúncia. Para entender melhor aonde almejo chegar, vejamos o significado dela: não querer; recusar, rejeitar; desistir da posse de alguma coisa; abdicar. Ou seja, quer dizer abrir mão daquilo que lhe pertence ou que gostaria de possuir, por alguma razão especial ou nobre. Por exemplo, deixar de descansar depois de um dia exaustivo para brincar com um filho que o esperou durante longas horas para passarem alguns momentos juntos.

    No entanto, tem acontecido algo preocupante na sociedade atual. Nessa cultura hedonista, isto é, dedicada ao prazer como estilo de vida, por vê-lo como o bem supremo e finalidade principal da existência, as pessoas têm aberto mão de valores humanos indispensáveis e se lançado de corpo e alma a toda sorte de práticas que contrariam a vontade de Deus.

     Hoje, para se dar bem ou ser “felizes”, muitos roubam, matam, fazem qualquer negócio ou praticam quaisquer tipos de imoralidade, não se importando se estão ferindo seu semelhante ou ao Senhor. Logo, atraem para si toda sorte de males físicos, morais, emocionais, psicológicos e, sobretudo, espirituais.

    Mas o pior é que mesmo entre os que professam a fé em Cristo há quem age dessa forma, ignorando, desse modo, os ensinos das Sagradas Escrituras. Esquecem-se de que, agindo assim, estão virando as costas para o Senhor, invalidando o sacrifício dele lá naquela sangrenta cruz e, em consequência disso, perdendo a salvação eterna. Aliás, muitos já nem acreditam nisso. Que pena! Que perigo!

     Quando olhamos para a Bíblia com os olhos revestidos de reverência e humildade, vemos Jesus dizendo: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” – Mateus 16:24. Lembra-se de que renunciar quer dizer recusar ou desistir da posse de alguma coisa

    Já em Marcos 8:34, o Mestre declara: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Parece ainda mais forte essa declaração do Senhor. Negar-se a si mesmo… Tomar a cruz… Segui-lo…  

    Como é difícil  abrir mão de coisas das quais gostamos!! Pode ser um vício. Um relacionamento com alguém. Um pecadinho de estimação. Um mau hábito. Um comportamento inadequado. Uma crença, um conceito ou outras coisas consideradas legais ou importantes. Como diz um humorista: “É difíci!… Muito difíci!”. Porém… se quisermos aquilo que o Senhor tem para nos oferecer, é necessário.

    Ao falar sobre tomar a cruz, preciso esclarecer umas coisinhas. Existem, por aí, pessoas crendo que tomar a cruz significa aceitar passivamente o sofrimento, a miséria ou quaisquer desgraças que podem sobrevir a nós. Ledo engano! Não tem nada a ver com isso. Cristo quis dizer que quem decide ser cristão, ou melhor, um discípulo dele deve assumir tal responsabilidade e cumprir seus compromissos de seguidor dele. Em outras palavras, deve andar como ele andou. Sobretudo ser reverente e obediente ao Pai – Filipenses 2:8.

    Mas há outra coisinha que não posso deixar de fora dessa argumentação. Quando Deus pede que renunciemos alguma coisa, neguemos a nós mesmos, tomemos nossa cruz e o sigamos, não está sendo um estraga-prazer. Ao contrário, ele o faz porque tem algo melhor para nos oferecer. Por exemplo: paz de espírito, segurança, felicidade, prosperidade e tantas outras tão importantes quanto essas.

    Para entender melhor, pense no que vou dizer a seguir. Contudo, já lhe peço que não me leve a mal por exemplificar dessa forma tão simplória: um cão faminto está roendo um osso sem nenhuma carne, pois é a única coisa que ele tem para enganar a fome. De repente, alguém lhe dá um suculento bife. O que ele vai fazer? Bingo! Você acertou! 

     Logicamente, vai largar o osso e comer com voracidade a carne, porque ela é melhor. Da mesma maneira, Deus faz conosco. Ele tem algo melhor a nos oferecer do que nossos vícios, conceitos, filosofias, pecadinhos de estimação ou outros semelhantes a esses. Basta aceitarmos de bom grado seu presente.

    Todavia, existe outra mais importante do que todas as mencionadas acima: a salvação eterna. Foi para isso que ele enviou Jesus: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16. Veja também I João 2:25: E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

   Mais uma palavra: obediência. Elatambém parece sufocada pela avalanche de males presentes na sociedade atual. Hoje, filhos pensam que não precisam ser obedientes a seus pais. Por esse motivo, os desrespeitam, inclusive publicamente. Por conseguinte, deixam de desfrutar das copiosas bênçãos divinas, já que Deus deu o seguinte mandamento: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá – Êxodo 20:12.

    Em Mateus 19:19, Jesus confirma o texto anterior, dizendo: Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. E em Efésios 6:1 ao 3, Paulo retoma esse mandamento: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  

    Portanto, entendemos que o filho que realmente quer ser abençoado deve levar em consideração essa ordenança divina. Agindo assim, só tem a ganhar. Entretanto, caso proceda de modo diferente, atrairá maldição sobre si. Veja o que diz Deuteronômio 27:16: Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. Então se pode supor que é por essa razão que a vida de muitos filhos não é a abençoada. Não são felizes nem prosperam ou até são bem-sucedidos financeiramente, mas infelizes.

    Observe o que a Bíblia diz em Isaías 1:19: Se vocês quiserem e estiverem dispostos a obedecer comerão o melhor dessa terra. Já em I Samuel 15:22 e 23: Porém Samuel disse a Saul: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria.

    Você percebeu? Para Deus a obediência é algo extremamente importante. Quando somos obedientes a ele, demonstramos reconhecê-lo como Senhor da nossa vida e que é o provedor de todo bem. Por isso, o Senhor abre as janelas do céu e derrama bênçãos sobre o filho obediente. E, mesmo se vierem adversidades, não nos sentiremos sozinhos e descansaremos Nele, em paz e segurança.

   Existem mais palavras seguindo o mesmo rumo dessas que vimos. No entanto, desejo falar sobre mais uma apenas: reverência. Buscando seus significados no dicionário, encontramos os seguintes: veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal; respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência.

    Muito interessantes essas informações que o dicionário nos traz. E, se observarmos atentamente aquilo que acontece ao nosso redor, também concluiremos que ela está caminhando para a extinção. Hoje, o que mais vemos são pessoas completamente irreverentes. Muitas delas, em nome da democracia, da liberdade de expressão e da arte, têm desrespeitado a Deus e a tudo o que lhe diz respeito. A televisão e outras mídias exibem diariamente cenas que ultrajam ao Senhor e aos seus servos.

    Tais indivíduos são verdadeiros escarnecedores. Desse modo, mesmo que sejam aplaudidos pelas multidões, são reprovados pelo Altíssimo. Obviamente, a Constituição Brasileira garante o direito à liberdade de expressar opiniões, e isso é assaz importante. Contudo, não se pode usar dessa liberdade para ofender a fé das pessoas. Não é sensato fazê-lo, porque todos têm o direito de expressar sua fé, mesmo que alguém não concorde com ela. 

    Quanto a esse fato, Jesus já nos havia prevenido. Veja o que o Mestre disse em Mateus 5:10 ao 12: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.   

    No entanto, o que mais incomoda é que muitos cristãos têm sido irreverentes de várias maneiras. Uma delas é compactuando com esses escarnecedores direta ou indiretamente. Por exemplo, assistindo a seus programas e shows, nos quais ridicularizam Deus e seus servos, aplaudindo como se fossem dignos de aplausos.

    Outra forma é também zombando de homens e mulheres de Deus, como se Deus os estivesse colocado como juízes. Esquecem-se de que nós fomos chamados para ser testemunhas de Jesus, não juízes, pois não temos parâmetros para julgar ninguém e a Bíblia diz que não podemos tocar nos ungidos do Senhor. Somente Deus, que é o justo juiz, julga com equidade, ou seja, faz um julgamento justo e imparcial.  

    Além disso, existem muitos cristãos que não agem com reverência mesmo dentro da igreja. Vão ao culto como se fossem a qualquer lugar. Só para exemplificar, pense em alguém que vai a um tribunal para participar de uma audiência com um juiz. Será que tal indivíduo pode se apresentar diante dele de qualquer maneira, com qualquer roupa, com linguagem imprópria, ou usar o celular ali? Por certo, você dirá que não. Então, por que quando vão à Casa de Deus alguns supõem que podem fazê-lo de maneira irreverente?  

    As Escrituras dizem que devemos guardar nossos pés quando entramos na presença de Deus. Isso quer dizer que devemos agir de maneira respeitosa para com ele. Mas o que temos visto hoje? Pessoas completamente sem noção, supondo que Deus não leva em conta sua conduta. Porém, estão redondamente enganadas. Em Gálatas 6:7, Lemos: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.


    Agora, só resta fazer algumas considerações para terminar essa reflexão. Primeiro: precisamos pedir que o Espírito Santo ilumine os olhos da nossa mente e do nosso coração, para que vejamos e creiamos no que ele tem para nós. Em segundo lugar, carecemos de sabedoria e humildade, a fim de entendermos que, se o Senhor nos pede para renunciarmos alguma coisa, é porque tem algo melhor a oferecer. Com o tempo, aquilo que considerávamos “legal” pode nos prejudicar. Em terceiro, não podemos permitir que essas palavras sejam extintas da nossa vida, pois são sinais de que realmente entendemos a mensagem do Evangelho.    

  Sendo assim, se você é um cristão genuíno, não se esqueça de que só pode trocar sua salvação por alguma coisa mais valiosa ou que tenha, no mínimo, o mesmo valor que ela. Mas, como não existe nada assim, jamais abra mão desse precioso presente de Deus por algo que o mundo lhe oferece, pois, por melhor que seja, é passageiro e não se compara àquilo que o Senhor já nos deu e ainda dará, especialmente a salvação eterna.

Para ouvir:

O melhor desta terra – Nani Azevedo

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Como nos dias de Noé

     “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem – disse Jesus.” (Mateus 24:37)      

     Não me entenda mal, nem me tenha por repetitivo. Mais uma vez, gostaria de iniciar o artigo dizendo que já faz muitos dias que esse assunto teima em povoar minha mente. A princípio, relutei em escrever. Entretanto, compreendi que o Espírito Santo deseja que reflitamos a respeito do que declara a Palavra do Senhor a respeito da vinda de Jesus.

     Antes de começar, porém, sinto ser importante falar que cada pessoa tem o direito de acreditar ou não nos escritos bíblicos. Mas, de acordo com as Escrituras Sagradas, a pessoa de fato temente a Deus sempre crê e procura praticar os ensinos e conselhos presentes no texto Sagrado, porque “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” – 2 Timóteo 3:16,17. Portanto, incentivo você a refletir sobre o que o Senhor Jesus diz a respeito  desse assunto, com sua mente e coração abertos, desprovido de preconceitos.

     O texto de Mateus 24:36 ao 44 faz parte dos ensinos de Cristo sobre os sinais que precederiam sua volta para buscar Sua Igreja. Esta é formada por pessoas de todos os tempos, lugares, povos e culturas que decidiram crer nele, aceitá-lo como seu Único e Suficiente Senhor e Salvador (João 1:11 ao 13) e praticar os ensinamentos divinos.

     Nesse momento específico do ensino, o Senhor está falando que precisamos estar vigilantes, pois ninguém sabe o dia, nem a hora em que ele retornará a terra para buscar seu povo. No entanto, ele continua dando alguns exemplos e algumas pistas dos sinais que precederiam esse evento. Um deles trata do tempo de Noé, cuja história está registrada em Gênesis, capítulos 6, 7 e 8.

     Para facilitar o entendimento, veja a declaração do Mestre: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem. Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado” – Mateus 24:36-40.

    No versículo 36, o Senhor nos ensina que NINGUÉM sabe exatamente quando acontecerá o evento da sua volta para buscar Sua Igreja. Portanto, se uma pessoa ou denominação religiosa marcar a data na qual isso ocorrerá, estão indo em direção contrária àquilo que Jesus ensinou. Consequentemente, não merece crédito.

     A partir do versículo 37, o Mestre passa a nos orientar, tomando como referência os tempos de Noé, dizendo: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem”. Esse ponto merece uma atenção especial de nossa parte, pois, a seguir, ele vai mostrar como eram aqueles dias.

     Aparentemente, naquele tempo não havia nada demais. Veja que eu disse aparentemente. No versículo 38, está escrito: “Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca…”

     Talvez você pense e questione: “Mas o que há de errado nisso?” Como eu disse, aparentemente não existe nada de mal nisso. Todavia, esse texto fala de rotina, de costume. De prioridades equivocadas. De psicoadaptação. Ou seja: da adaptação da mente a certos estímulos. Isso é bom, mas também pode se tornar um grande mal, caso esse adaptar-se envolva coisas que nos afastam de Deus, por serem contrárias aos seus ensinos e mandamentos. 

     Para entendermos melhor, é preciso que voltemos a Gênesis (6 e 7). Veja: “O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal” – 6:5). E mais: “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” – Gênesis 6:11. Aqui, começa a ficar mais compreensível a fala de Cristo.

     Adaptar-se significa ajustar-se, acomodar-se, amoldar-se ou encaixar-se. Então, entendemos que, de modo geral, a mente dos contemporâneos de Noé já estava completamente ajustada, acomodada, amoldada ou encaixada nos valores, comportamentos, crenças e ideologias, os quais o texto bíblico nos revela que eram totalmente contrários à vontade de Deus. Consequentemente, ofenderam tanto ao Senhor, que ele tomou a decisão de trazer um severo juízo àquele povo.

     Retornando à declaração de Jesus sobre comer, beber, casar-se e dar-se em casamento, entendemos que ele fala de estar tão psicoadaptado e integrado aos valores, costumes, comportamentos e ideologias de seu tempo que já não se faz mais uma avaliação de tudo isso, para verificar se são retos aos olhos de Deus ou não. Desse modo, mesmo as pessoas mais dignas e sinceras começam a agir como os outros, seguindo o fluxo ou a multidão, sendo envolvidas por essa perigosíssima rotina.

     Vale lembrar que seguir a multidão pode ser algo muito nocivo. Afinal, a voz do povo, na maior parte das vezes, não é a voz de Deus. Se fosse, não teriam ignorado seus sábios ensinos, muito menos levado o Senhor à sangrenta cruz. Por isso, é preciso que estejamos atentos aos sinais precursores do retorno de Cristo, apesar de muitos acharem que isso é fanatismo religioso.

     Ainda enfatizando o perigo da rotina e da psicoadaptação em seu aspecto negativo, observemos esse trecho: “…até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem” – Mateus 24:38,39.

     De acordo com os registros bíblicos, Noé levou muitos anos construindo a arca. Certamente durante esse período, ele foi advertindo o povo sobre o juízo divino que estava por vir. Veja: “Ele {Deus} não poupou o mundo antigo quando trouxe o dilúvio sobre aquele povo ímpio, mas preservou Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas” – 2 Pedro 2:5. Contudo, as pessoas já estavam de tal maneira conformadas ou ajustadas a todas as injustiças, que “acharam” que Noé estava maluco, que era um intolerante, um ultrapassado, um fanático. Então, não lhe deram ouvidos.  

     Hoje nós, todos nós, corremos o risco de também ser totalmente envolvidos pelas “coisas” do nosso tempo que não avaliamos se elas agradam a Deus ou se são abomináveis aos olhos dele. Talvez os pregadores do verdadeiro evangelho, o que está nas Escrituras Sagradas, também sejam considerados fanáticos, ultrapassados, intolerantes, malucos ou quaisquer outros adjetivos depreciativos. Por essa razão, o Mestre continua fazendo essa advertência. 

     “Até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem”. Às vezes, imagino as pessoas debochando de Noé. Talvez algumas delas até o ajudaram a construir a arca para ganhar algum dinheiro. Outras, simplesmente porque gostavam dele como amigo ou simplesmente para ouvirem suas histórias malucas e darem boas risadas de deboche. Afinal, nunca se falara sobre dilúvio. Mas ele veio. E levou a todos, menos Noé e sua família.

     Imagine o desespero das pessoas quando começou a chover e não parava mais. Quantas pessoas que zombaram de Noé e de sua família esquisita foram bater à porta da arca, pedindo socorro. Mas agora nada podia ser feito, porque “o Senhor fechou a porta” – Gênesis 7:16. E, a porta que Deus fecha, ninguém abre; a porta que ele abre, ninguém fecha, conforme lemos em Apocalipse 3:7 e 8.

     “Assim acontecerá na vinda do Filho do homem – disse Jesus.” Observe que esse trecho do sermão de advertência de Cristo é muito importante. Ele está falando de algo que vai se repetir. Ou seja: haverá um dia em que o Senhor vai trazer juízo sobre toda a terra. E eu penso que, se ele disse, devemos dar crédito. Isso significa que enquanto é tempo devemos fazer o que nos admoesta o profeta Isaías: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” – Isaías 55:6. 

     Entendo ser importante lembrar que invocar vem do latim invocare (in= em + vocare= chamar) quer dizer chamar em socorro ou clamar por socorro e sempre está ligado a coisas relacionadas à religião. Mas também nos leva ao sentido de chamar para dentro. Sendo assim, é possível fazer uma ligação com Apocalipse 3:20, onde Jesus diz: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”

     Nesse ponto, cabe-nos umas perguntas. MAS são questionamentos que cada um deve fazer a si mesmo, tomando como fundamento ou princípio o que ensina a Bíblia: Será que Jesus está à porta do meu coração ou dentro dele? Será que já o chamei para dentro ou  tenho ignorado a voz dele, dando preferência às vozes do mundo, sem avaliar se agradam ao Senhor ou se são contrárias aos seus ensinamentos?

     É muito mais fácil, e até cômodo, dar ouvidos às vozes do mundo e convidar suas crenças, valores, comportamentos e ideologias para dentro de nós. No entanto, cada escolha gera uma consequência. Escolher o mal pode até ser mais atraente,  interessante e “politicamente correto”. MAS escolher o bem, embora muitas vezes exija esforço e sacrifício, sempre redundará em aprovação divina e bênçãos, especialmente a salvação eterna: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16.

     Noé entendeu muito bem essa verdade. Por esse motivo, achou graça aos olhos do Senhor – Gênesis 6:8. Atente para isso: aos olhos do Senhor, não do mundo. Quem sabe, do mundo ele só recebeu críticas, insultos, deboches, indiferença e outras coisas ruins. Mesmo assim, decidiu ser diferente e fazer a diferença: “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” – Gênesis 6:9.

     Provavelmente muitos consideram esse homem um pregador fracassado. Tanto tempo falando do dilúvio e apenas sua família foi convencida de que ele falava a verdade. No entanto, o conceito de sucesso e de fracasso de Deus é diferente do nosso. Assim, ele foi um bem-sucedido, pois conseguiu levar seus entes queridos aos pés do Senhor. E nós também seremos um sucesso, se conseguirmos apresentar ao Pai aqueles que ele colocou aos nossos cuidados.

     Existem muitos sinais em nosso tempo que revelam o cumprimento das palavras de Jesus e precisamos atentar para este ensino: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências/paixões mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade/injustiça e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” – Tito 2:11-14.

     Como nos dias de Noé, temos visto a multiplicação da maldade, da perversidade, da violência em todos as áreas sociais. Vemos ainda a corrupção e a iniquidade em todos os setores ou segmentos, especialmente na política, cujo resultado é morte de pessoas e o aumento da miséria. Além disso, o ser humano está numa corrida desenfreada em busca de “felicidade e do prazer”. E, para atingir tal objetivo, não importa os meios empregados, ignorando totalmente os ensinos do Senhor.  

     Aliás, a iniquidade parece ter sido institucionalizada, ou seja, oficializada legalmente. Assim, o certo tornou-se errado e o errado, passou a ser considerado como correto. MAS as Sagradas Escrituras declaram: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; do amargo, doce e do doce, amargo. Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião” – Isaías 5:20,21)

     Também vale lembrar que Deus sempre avisa seus servos sobre as coisas que vão acontecer. Foi assim no tempo de Noé e também no do profeta Amós e de tantos outros: “Certamente o SENHOR Soberano não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas” – Amós 3:7. Do mesmo modo, há de ser quando o Senhor decidir que é o momento de buscar Sua Igreja. Por isso, ele já nos avisou faz quase dois mil anos.

     Para concluir, quero destacar que é assaz importante levar a sério o que o Senhor disse. Deus vela por sua palavra para fazê-la cumprir: “O Senhor me disse: Você viu bem, pois estou vigiando para que a minha palavra se cumpra” – Jeremias 1:12. Portanto, que cada um de nós questione a si mesmo sobre esse assunto. Sonde o próprio coração para ver se está dando prioridade a Deus e fazendo aquilo que é reto e justo aos olhos Dele ou não.

     Caso detecte que não está vivendo de acordo com a vontade do Senhor, é hora de seguir o conselho do apóstolo Paulo: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12:2.

     Também importa estar atento ao que o Senhor Jesus diz: “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” – Marcos 13:33 e ouvir a sua doce, suave e insistente voz a dizer: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” – Apocalipse 3:20.

Sugestão de música: Ele vai voltar – Marinalva

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A verdadeira paz

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)        

    Existem assuntos que são extremamente atuais e importantes. Paz é um deles. Já meditei sozinho ou com a minha família sobre ele, escrevi diversas vezes e fiz palestras a seu respeito. Mas o “curioso” é que faz mais de quinze dias que, muitas vezes, me pego pensando nele novamente.

     Assim, como sempre digo, entendo que preciso falar mais um pouquinho sobre paz.  Entretanto, não baseado no conceito terreno, o qual nos leva a pensar que ela é fruto da ausência de problemas ou que é apenas algo efêmero, isto é, temporário ou passageiro.  A abordagem se dará baseada fundamentalmente no que dizem as Sagradas Escrituras, a qual é a base inegociável de fé e prática do cristão.  

     Para começar, é fundamental saber a origem da palavra paz (do hebraico Shalom –    שלום). Segundo o professor de hebraico Renato Santos[1], ela tem como raiz o vocábulo Shalam, e seu significado primário é “estar seguro na mente e no corpo; estar completo ou tranquilo. Já a professora Karla Damasceno[2] ensina que traz o sentido de “prosperidade geral”, não apenas financeira.

      No sentido comum, geralmente encontrado nos dicionários, essa palavra expressa a ideia de ausência de problemas, violência ou de conflitos, seja na relação com outras pessoas ou consigo mesmo. Logo, parece ser algo totalmente inatingível, pois, seja em âmbito pessoal ou social, sempre existem indivíduos, coisas ou situações que nos desagradam. Consequentemente, tiram-nos a tranquilidade, a alegria, o sono e, para algumas pessoas, a razão de viver.

     No entanto, ao olharmos para a Bíblia, vemos algo reconfortante. Deus se revela com Yahweh-Shalom, que significa: “O Senhor é a nossa paz” – Juízes 6:24. Além disso, quando lemos as profecias sobre a vinda do Messias, encontramos o seguinte: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Deus conosco)” – Isaías 7:14.

     Ainda a respeito do Messias, o Senhor nos fala em Isaías 9:6: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Sar-Shalom)”.

     Diante disso, almejo refletir um pouco com você, a fim de compreendermos melhor esse assunto à luz da Palavra de Deus. Vamos lá?

  • Se o Senhor é a nossa paz, como está registrado em Juízes 6:24, é nele que a temos que buscar. Porém, o que geralmente fazemos é exatamente o contrário disso. Nós a buscamos em coisas materiais, pessoas, formação acadêmica, sexo, drogas, filosofias, ideologias, remédios, dinheiro ou quaisquer distrações desse mundo que nos pareçam adequadas ou promissoras.

     Evidentemente, isso pode até gerar momentos de paz ou de prazer e satisfação. Mas logo tudo, ou quase tudo, volta a ser como antes, deixando-nos preocupados, incomodados, inseguros, insatisfeitos ou perturbados. Portanto, se de fato ansiamos pela paz duradoura, devemos procurá-la na fonte inesgotável, ou seja, no Senhor.

  • Em Jó 22:21, lemos: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”.

     Que revelador esse texto!! Veja que ele nos diz para nos unirmos a Deus. O resultado direto da ação de nos unir ao Senhor é termos paz e desfrutar do bem que nos sobrevirá. Todavia, muitos de nós, ou muitas vezes, nos unimos a tudo e a todos, menos ao Pai. Consequentemente, não usufruímos desse sentimento tão necessário a uma vida de estabilidade emocional, mental e espiritual. Em outras palavras: só podemos ter o sentimento de segurança no corpo, na alma e no espírito se estivermos unidos ao Senhor.

  • Em João 14:27, encontramos Jesus, o Emanuel, dizendo: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo”.

     Primeiro, é importante lembrar que Jesus é nosso Sar-Shalom, ou seja, o Príncipe ou o Principal da Paz. Em segundo lugar, cabe-nos atentar bem para o que Cristo diz: ele ia deixar a paz DELE, a qual é bastante diferente daquela que o mundo dá. A dele é autêntica e duradoura. A do mundo você já sabe como é: passageira e circunstancial, ou seja, depende das circunstâncias/situações que nos envolvem. Por fim, a paz do Senhor anula o medo e a perturbação de espírito.

  • Seguindo essa mesma linha de raciocínio, o Mestre ainda declarou aos discípulos, quando os avisava sobre que seria preso e morto: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” – João 16:33.

     Parece-nos incoerente ou insensato o que Cristo falou para eles. Disse que aconteceriam coisas ruins e tristes e, ao mesmo tempo, que era para terem paz. Obviamente, temos dificuldade de entender e de aceitar o que foi dito. Porém, é justamente aqui que se revela de forma clara o que á a paz do mundo (que é circunstancial e temporária) e a do Senhor, a qual vai muito além do que se pode ver ou sentir.

     Quando refletimos sobre o texto de abertura desse artigo, conseguimos compreender mais profundamente o conceito divino de paz. O apóstolo Paulo nos fala de uma paz que excede todo o entendimento, ou melhor, que está acima ou além da compreensão humana. Por quê? Justamente porque provém de Deus. E mais: ela “guardará os nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus.”

  • Outra coisa que preciso lhe dizer é: “Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo, pois ele é a nossa paz…” – Efésios 2:13,14.

     Observe que o texto fala que Cristo é a nossa paz. Não é uma filosofia de vida. Não é uma ideologia. Não é o sexo. Não são as drogas. Não é o dinheiro e tudo o que ele pode nos proporcionar. Não é um casamento feliz (ainda que seja muitíssimo importante e devemos contribuir para isso). Não são bons amigos (mesmo que sejam preciosos). Não é simplesmente ter uma religião ou cumprir tarefas religiosas. É Cristo. É ter Cristo.

     Mas como podemos desfrutar dessa paz tão importante e necessária?

     Primeiramente, devo dizer que não dá para desfrutar dessa paz, se não estivermos em paz com Deus.

     Confuso, não é? Mas já esclareço. Muitas vezes, o que tira nossa paz é o sentimento de culpa por algo que fizemos diretamente contra Deus, desrespeitando seus mandamentos ou contra nosso semelhante. Nesse caso, segundo a Bíblia, só existe uma maneira de mudar esse quadro: pedindo perdão a Deus ou à pessoa a quem magoamos e abandonando qualquer conceito ou prática contrários aos mandamentos do Senhor. Afinal, não é possível estar em paz, se estamos na contramão daquilo que Deus espera de nós. Veja:

     “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia. Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal”. (Provérbios 28:13,14)

     “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (1 João 1:7-9)

     “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”. (Romanos 5:1,2)

     Esta manhã, assim que acordei, a história de várias pessoas veio à minha mente. E sinto que devo compartilhá-la com você. Mas antes tenho que falar algo que também veio: talvez, você fez algumas coisas das quais se envergonha e se arrepende amargamente. Quem sabe praticou um aborto ou forçou seu cônjuge ou namorada a fazê-lo e o peso da culpa tem se tornado um torturador que continuamente tira sua paz e o faz sofrer. Talvez traiu alguém, cônjuge ou não, causando muita dor e sofrimento e isso também está corroendo sua vida. 

     Talvez você que está lendo este artigo assassinou uma pessoa ou provocou um acidente, estando embriagado ou mesmo sóbrio, e as consequências desse ato têm tirado sua paz, levado à depressão, a crises de ansiedade ou de pânico, ou ainda às drogas (álcool ou outras), tentando se esquecer ou amenizar a dor que todas essas coisas lhe causam. 

     Quem sabe o que lhe tem provocado sofrimentos semelhantes aos que já foram ditos são outros. Não importa. Os terríveis efeitos são os mesmos ou semelhantes, uma vez que se resumem a estas palavras: pecado culpa arrependimento vergonha = falta de paz interior.

      Mas tenho uma boa notícia para você: existe solução para tudo isso.

     Quando olhamos para o Salmo 32, que é de Davi, conseguimos entender um pouco mais sobre a gravidade do pecado e das consequências dele. Esse homem havia cometido dois erros gravíssimos: adulterado com Bate-Seba, que era casada com Urias, um soldado valoroso do exército de Davi. Para que não fosse descoberto, já que a mulher engravidara, ordenou que marido dela fosse posto na linha de frente da batalha para ser morto pelos soldados inimigos.

     Consequentemente, passou a sofrer muito. Veja o que ele declara: “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia! Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões ao Senhor”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os atingirão. Tu és o meu abrigo; tu me preservarás das angústias e me cercarás de canções de livramento” – Salmos 32:1-7.

  • Os versículos 3 e 4 mostram claramente o estado físico, mental, emocional e espiritual em que o rei se encontrava por causa do pecado e da culpa. Ele estava sendo vítima de doenças psicossomáticas, isto é, que se manifestam na mente e emoções e refletem diretamente no corpo. Por exemplo: ansiedade, pânico ou depressão, que provocam sinais físicos, tais como gastrite, falta de apetite, dor de cabeça e muitos outros. E talvez você esteja se sentindo exatamente desse jeito.

     Lembrete importante: Não estou afirmando que esse é o seu caso. Para ter um diagnóstico, deve procurar um profissional competente, que o ajudará a identificar as causas, mas também fazer um autoexame. No entanto, algumas coisas que o fazem sofrer são tão evidentes, que você já pode e deve buscar a ajuda e o perdão de Deus.

  • No versículo 5, há o registro da confissão a Deus.
  • No 6 e no 7, começamos a ver as mudanças que já estavam acontecendo na vida dele. 
  • Mas é nos versículos 1 e 2 que se encontra o que almejo destacar: por duas vezes o rei usa a palavra feliz ou bem-aventurado para iniciar o que vai dizer. A seguir ele explica a razão dessa felicidade ou bem-aventurança: transgressão perdoada, pecado coberto, maldade não imputada (não atribuída a responsabilidade por algo praticado) e ausência de engano no espírito.  
  • Se você ler o salmo 32 até o fim (é curtinho), verá os efeitos reais da confissão do pecado a Deus e do perdão recebido. Agora, Davi já é uma pessoa restaurada. E foi depois disso que o Senhor declarou: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus…” – Atos 13:22,23.

     Que coisa maravilhosa!!! Sem a iluminação do Espírito Santo, é difícil ou mesmo impossível entender isso. Esse homem pecou tão gravemente e, ainda assim, é visto como uma pessoa segundo o coração de Deus? Sim. Biblicamente falando, quando existe arrependimento sincero, o Pai nos perdoa completamente e nos restaura. Depois nos permite escrever uma nova história em parceria com ele e realizar o bem. Veja que Jesus é descendente de Davi.

    Certa vez, os escribas e os fariseus estavam murmurando contra Cristo porque ele se sentava à mesa para comer e beber com pessoas consideradas pecadoras. Então Jesus disse-lhes: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” – Lucas 5:31,32.

     Outro bom exemplo de completa restauração é Pedro, o discípulo que traiu Cristo. Ele também foi completamente restaurado e se tornou uma das colunas da Igreja do Senhor. Antes, negou o Mestre; depois, com grande ousadia, disse a quem o tentava intimidar: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” – Atos 4:19,20. E mais: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Atos 5:29.

     Além desses exemplos citados, há muitos outros na Bíblia. Mas a maior parte deles não está registrada nas Escrituras. São bilhões de pessoas perdoadas e restauradas pelo Senhor ao longo da História. Pessoas que eram consideradas a escória da sociedade, casos-perdidos, irrecuperáveis, mas que foram completamente transformadas por Deus, após tomarem a decisão de convidarem Jesus para ser seu Senhor e Salvador, abandonando a vida de pecado ou de religiosidade mecânica e vazia que levavam. Afinal, Cristo disse sobre Zaqueu: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem {Jesus} veio buscar e salvar o que estava perdido” – Lucas 19:9,10.

     Conosco também pode acontecer o mesmo. Espiritualmente falando, também somos filhos de Abraão e herdeiros das promessas do Pai – Gálatas 3:29. Então, assim como Deus fez uma aliança eterna com Davi, também pode e quer fazer com cada um de nós. Basta nos voltarmos humildemente para ele, que encontraremos perdão, restauração, salvação e abrigo em seus braços de amor. E digo mais: ainda que existam pessoas (talvez dentro da sua própria casa) que não acreditem em sua mudança, o que importa de fato é o que Deus pensa a seu respeito: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – 2 Coríntios 5:17.  Veja o que diz o Senhor: “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados me não lembro” – Isaías 43:25.

     Por outro lado, quem sabe, sua falta de paz não é consequência de pecados cometidos, mas por causa dos problemas que tem vivido, especialmente em tempos de pandemia. Não importa o motivo. Deus também tem paz para você. Veja o que o Senhor nos diz: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso/ou aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” – Mateus 11:28,29.

     E o apóstolo Pedro orienta: “Lancem sobre ele {Deus} toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” – 1 Pedro 5:7.

     Faz quase dois mil anos que Jesus e Pedro disseram essas palavras. Contudo, parece-me que foram ditas agorinha mesmo, de tão atuais que são. E o melhor: o Senhor diz: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” – Marcos 13:31. Ou seja: o que ele fez enquanto esteve na terra também o faz hoje na vida daqueles que se voltam para ele com um coração sincero e humilde.

     Diante de tudo isso, apenas me resta dizer que, independentemente do motivo pelo qual você perdeu sua paz interior, o Senhor pode e quer restaurar sua vida. Lembre-se do que está escrito em Jó 22:21: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”. Portanto, aqui está o segredo para ter uma paz que excede todo o entendimento e que guarda sua mente e seu coração: estar unido a Deus. Assim, mesmo quando vierem as tempestades da vida, você não se sentirá sozinho. Antes, o sentimento de segurança e confiança andará de mãos dadas com você, pois vai experimentar o que está escrito no Salmo 91:1: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”.       


[1] Prof. Renato Santos: https://www.youtube.com/watch?v=b21kwW5GpL8

[2] Profa. Karla Damasceno: https://www.youtube.com/watch?v=NCutX1b6jvM

 

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Quem é Jesus para você? (Aconteceu de novo!!)

     “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra.” (Jeremias 5:30)       

     Em 2018, pela graça de Deus, escrevi um artigo bíblico chamado Quem é Jesus para você?” (você pode ler também no site da IEQ São Paulo). Nele, trato desse tema de tão grande relevância, especialmente em nossos dias. Agora, sinto-me novamente impelido pelo Espírito Santo a retomá-lo e a escrever mais uma vez sobre ele.

     No artigo anterior, o qual está no blog “palavradesabedoria.net”, refiro-me a dois “artistas” conhecidos através da mídia. Na ocasião, tais indivíduos dirigiram-se a Jesus de forma muito desrespeitosa. MAS, naquele episódio, meu questionamento não foi a eles e, sim, a mim mesmo e a você, leitor. E hoje o faço a nós outra vez.

     A mídia brasileira (televisão, rádio, jornais, internet etc.) tem divulgado grandes escândalos nestes últimos dias. Evidentemente, ela está fazendo o papel que lhe compete e, espero, com honestidade e imparcialidade, pois é o que o cidadão íntegro tem esperança que aconteça. Concorda?

     Sei que há muitos casos que poderiam ser tomados como base para a argumentação. No entanto, almejo destacar quatro deles, por considerá-los suficientes para entender e fazer uma autoavaliação, ou seja, uma avaliação de nós mesmos, das nossas ações, comportamentos e atitudes diante do Senhor, da sociedade, da nossa família e da própria consciência.

     Afinal, como dizem as Sagradas Escrituras em Romanos 14:10b,12: “Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. (…) Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. E, ainda sobre essa questão, em 2 Coríntios 10:5, lemos: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más”.

     Um desses casos trata de uma mãe que expulsou de casa um filho de APENAS dois aninhos de idade![1] Para piorar, ela disse que também já havia expulsado outro filho. Como diz o texto bíblico de abertura, coisa espantosa tem acontecido na terra.

     Quando se fala em mãe, logo pensamos no chamado “instinto maternal”, o qual a leva a fazer de tudo para proteger sua criança. Obviamente, isso também deve se aplicar ao pai. Porém, não foi o que aconteceu. E, lamentavelmente, temos visto muitos casos espantosos, horríveis e revoltantes assim.

     Os outros casos envolvem três líderes religiosos: uma pastora, um padre e um médium espírita. E o curioso é que há diversas coisas em comum entre eles: religião, poder, dinheiro e sexo. Além disso, o primeiro e o terceiro também englobam acusação de assassinato. Por causa disso, mais uma vez, tenho visto alguns setores da mídia explorando exaustivamente essas tragédias, da mesma forma que já vimos em outras ocasiões e com assuntos diversos.

     Atenção!!! Quero que você entenda que não estou dizendo que casos assim não devem ser noticiados. Precisam e devem ser para, além de informar, alertar-nos para a existência de lobos vestidos de cordeiros. Esse é o papel do jornalismo sério e imparcial.

     MAS também penso que os veículos de comunicação social precisam e devem colocar em evidência, e de modo mais frequente (talvez insistentemente), os bons exemplos, os quais, não existe dúvida, são em quantidade muito maior. Faço essa afirmação porque entendo que tudo aquilo que reforçamos produz um resultado maior. Logo, se reforçarmos os maus exemplos, eles é que ocuparão nossa mente. E o contrário também é verdadeiro. Veja que falei reforçar, não ignorar.

     Para ilustrar, quero que você volte comigo há quase dois mil anos. Em Mateus 4:12 ao 22, vemos Jesus iniciando o processo de seleção de 12 homens que iriam compor o grupo de ajudantes dele. A princípio, foram chamados de discípulos (do grego mathetes). Em seu sentido mais comum, significa ser um aluno, aprendiz ou seguidor de um Mestre.

     O mais curioso de tudo é que entre os selecionados havia um que iria trair Jesus: Judas Iscariotes, o qual se tornou mesmo o traidor. Estranho, não? Será que o Senhor não sabia que isso iria acontecer? E a resposta é: Sim, sabia. Então por que o Mestre o aceitou em seu grupo, se havia tantas pessoas melhores que esse cara?

     A resposta não é tão simples. Mas, pelo contexto bíblico, entendemos algumas coisas claramente: o Mestre dá oportunidade para pessoas de todos os tipos e índole, isto é, conjunto de traços e qualidades inerentes ao indivíduo desde o seu nascimento; caráter, inclinação, temperamento. Se não o fizesse assim, haveria uma contradição, pois a Bíblia diz que o Senhor não faz acepção de pessoas: “…porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” – Romanos 2:11.

     Além disso, Judas passaria por um longo período de treinamento e teria a oportunidade de mudar. Contudo, a decisão de acatar os ensinos do Mestre e de se tornar diferente estava nas mãos dele. Basta lembrar que o Senhor não impõe sua vontade. Ele a  expõe, dá bons exemplos, MAS a palavra final é de cada um de nós: “No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” – João 7:37,38. E hoje continua sendo assim. A escolha é pessoal. (Se quiser, leia Isaías 1:19.)

     Outra observação a fazer é que até no momento em que, traiçoeiramente, Judas entregou Jesus aos soldados ouviu a seguinte frase: “Amigo, a que vieste?” –  Mateus 26:50. Não é que o Senhor não sabia o motivo de estarem ali. Mas queria que esse homem refletisse sobre seus atos, especialmente o daquele momento.

    Sem dúvida, seria impossível reverter a situação. Todavia, Judas teve a oportunidade de se arrepender e de pedir perdão ao Senhor, o qual, certamente, o receberia de braços abertos e o restauraria. Infelizmente, porém, ele não aproveitou a chance e preferiu tirar a própria vida. Que triste!

     Também preciso relembrá-lo de que certa feita Jesus contou uma parábola sobre o trigo e o joio – Mateus 13:36 ao 43[2]. Essas duas espécies são bem parecidas. Crescem de modo muito semelhante. MAS o joio só tem aparência (casca), enquanto o trigo possui a essência, ou seja, os grãos.

     Conforme o Senhor deixou claro na parábola, foi o maligno que semeou o joio no meio do trigo. Porém, chegaria o tempo da colheita, quando cada um tomaria um rumo diferente. Veja: “Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino do seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça” – Mateus 13:40-43.

     Aparentemente, as pessoas que praticam o mal estão no lucro. No entanto, não foi isso que Jesus no ensinou. Haverá, sim, o dia no qual pagarão pelas atrocidades cometidas. Todavia, antes de a justiça de Deus ser executada, a justiça humana deve, urgentemente e de modo imparcial, cumprir seu papel, aplicando as punições previstas na lei. E isso independentemente de se tratar de rico ou pobre, religioso ou não-religioso, novo ou velho, branco ou de qualquer cor ou raça. Afinal, a sociedade merece ser protegida, não ficar vulnerável a todo tipo de mal, especialmente nossas crianças.  

     Outra coisa a registrar é que essas atrocidades não devem surpreender os verdadeiros cristãos. As Escrituras, há muito tempo, nos informam que tais coisas acontecerão. Se você ler 2 Timóteo 3:1 ao 9, verá claramente um desses avisos. Entretanto, não estou querendo dizer com isso que devemos nos acomodar e nos conformar. Antes, se somos genuínos servos de Deus, devemos lutar contra o mal, como nos ensinou o Senhor – Efésios 6:10-18.

     Outro lembrete a fazer é que Jesus nos diz o seguinte em Apocalipse 22:11:  “ Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se”. E na sequência, lemos: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão/recompensa que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”. Ou seja: cada um de nós vai ser recompensado pelo Senhor de acordo com o que fez por meio do corpo, conforme já vimos em 2 Coríntios 5:10.

    Ainda preciso registrar o seguinte: nosso verdadeiro referencial é Cristo. Foi ele quem morreu na cruz em nosso lugar para perdoar os nossos pecados, nos reconciliar com Deus e nos garantir a salvação eterna, segundo lemos em 1 João 2:25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”.

     Na mesma carta, temos a seguinte declaração: “E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida. Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna” – 1 João 5:11-13.

     Já em Hebreus 12:1 e 2, lemos: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos”.  

     Você percebeu? A Bíblia fala que temos de olhar para Jesus. Portanto, os maus exemplos jamais podem ser motivo para descrermos do Senhor, abandonarmos a fé e a Igreja, blasfemarmos, ou tomarmos quaisquer outras atitudes e decisões que não estejam pautadas na Palavra de Deus.

    Muito pelo contrário. Não devemos deixar de congregar: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas nos encorajemos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia – Hebreus 10:25.

     Em outras palavras: o verdadeiro servo do Senhor não se escandaliza, nem tem sua fé enfraquecida por causa de escândalos. Pode até se irar, se revoltar ou se entristecer. No entanto, não usará isso como muleta para justificar sua descrença em Deus ou deixar de frequentar sua igreja. Antes, entenderá que é tempo de se aproximar ainda mais do Senhor, pois só ele tem palavras da vida – João 6:68.

     Se você quiser olhar para os maus exemplos, certamente vai encontrar muitos. Mas, se decidir olhar para os bons, não tenho dúvida de que os encontrará em quantidade muito, muito maior.

     Para cada pastor ruim, quantos bons há? Para cada padre ruim, quantos bons existem? Para cada mãe ruim, quantas boas você conhece? Para cada líder espírita, ateu ou de qualquer outro segmento religioso ou social corrupto ou imoral, quantos são homens e mulheres íntegros?

     Podemos até não concordar com aquilo em que eles creem, é um direito que assiste a cada um de nós, MAS temos o dever de reconhecer o valor que possuem e respeitá-los.

     Como vimos no texto inicial, as Escrituras já nos advertiram, dizendo: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra” (Jeremias 5:30). Portanto, a questão não são os outros e o que eles fazem. A questão somos nós: Quem é Jesus para nós?  

    Em Mateus 16:13 ao 18, vemos um bate-papo entre Jesus e seus discípulos. E o Senhor lhes faz o seguinte questionamento: “Quem os homens dizem que o Filho do homem é?” – v:13.   Mas, na realidade, o que ele queria mesmo saber era o que seus seguidores pensavam sobre isso: “E vocês?,  perguntou ele. Quem vocês dizem que eu sou?” – v 15.

    Naquele momento, Pedro recebeu a revelação de Deus e declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” – v:16. E hoje o Mestre também deseja que tenhamos essa revelação, pois, se a tivermos, nossos olhos estarão nele, não em pessoas falíveis como eu e você, as quais podem cometer erros gravíssimos, imperdoáveis aos nossos olhos, conceitos e julgamentos, e nos decepcionar.

    Mais uma coisa importante: devemos levar em consideração o conselho que as Escrituras nos dão em 1 Coríntios 10:12: “Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!”. Observe que o texto diz “aquele que julga estar firme” ou “estar de pé”, segundo outra versão.

     Muitas vezes, nossos julgamentos são equivocados, especialmente os que fazemos de nós mesmos, pois temos uma fortíssima tendência de sermos muito benevolentes conosco, ou melhor, dispostos a nos absolver, complacentes ou indulgentes.

     Por isso, sempre temos que estar atentos e julgar/avaliar nossas ações, atitudes e comportamentos à luz da Bíblia. Além do mais, constantemente precisamos perguntar a nós mesmos: “Quem é Jesus para mim?”.

      A resposta a essa interrogação, sem dúvida, vai revelar de modo muito claro em quem está alicerçada nossa fé e se somos cristãos genuínos ou apenas religiosos e meros cumpridores de tarefas religiosas. Isso porque a questão principal diante de Deus somos nós, não tais pessoas.

     Por fim, sinto que devo registrar esta declaração de Jesus: “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda” – Mateus 7:24-27. Então, que sua fé esteja edificada nele, que é a Rocha Inabalável.

 

Músicas para ouvir e refletir:

Casa na Rocha (Anayle Sulivan)    

Espera (Marcos Antônio)                 

     


[1] Cidade de Paranaíba – mãe expulsa filho de 2 anos de casa

[2] O trigo e o joio – Vídeo esclarecedor, feito na Suíça – 3:30 min.

 

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Um homem que andou com Deus

     “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3)      

     Uma das histórias bíblicas mais curtas, extraordinárias e enriquecedoras é a de Enoque – Gênesis 5:18 a 24. Por isso, gostaria de compartilhar com você algumas reflexões sobre ela.

     No entanto, antes de começar a discorrer a respeito desse tema tão apetitoso, preciso fazer uma pergunta simples, mas que o ajudará a refletir um pouco sobre sua vida: Com quem você tem andado? Todavia, como cada um de nós deve questionar-se a si mesmo, também vou fazê-la mais uma vez a mim: Com quem tenho andado? Agora, sim, estamos em pé de igualdade.  

     Conforme disse no primeiro parágrafo, é uma história bem curta. Por essa razão, não temos muitas informações sobre esse homem. Porém, as que temos são suficientes para alimentarmos a fé e, caso seja necessário, mudar a rota e atitudes impróprias diante de Deus.

    Uma das coisas que sabemos a respeito dele é que seu pai se chamava Jarede e que ele faz parte da sétima geração a partir de Adão. Também sabemos que viveu 365 anos, dos quais 300 ele andou com Deus – v 22 e 24 – e teve filhos e filhas. Portanto, era uma pessoa aparentemente comum à sua época, tal qual você e eu somos em nossa geração. 

     Segundo vimos, houve um período de 65 anos nos quais ele não andou com Deus. Por certo, Enoque cresceu ouvindo os mais velhos falarem a respeito do Senhor, da criação do Universo e, especialmente, sobre como Deus havia criado o ser humano – Gênesis 1:1 ao 28. Além disso, penso que ele conviveu com pessoas que lhe falavam da grandeza do Altíssimo e de como o Pai se importava com eles.

     Mesmo assim, decidiu seguir seu próprio caminho. Talvez, como tantas vezes acontece conosco, supôs que tinha condições de levar a vida sem a ajuda de Deus. Ou seja, bateu nele o sentimento de autossuficiência, tão comum a todos nós. Desse modo, foi viver segundo o que era conveniente e lhe aprazia, ou melhor, era agradável.  E seguiu seu rumo…

     Outra possibilidade é que tenha passado por uma grande adversidade, a qual o fez decepcionar-se com Deus, por considerá-lo injusto e mal. Quem sabe, nesse período, ele fez coisas muito ruins. Ou não. Entretanto, chegou um momento no qual sua vida passou por uma grande, significativa e definitiva mudança. E, a partir desse momento, Enoque passou a andar com o Senhor.

     Não sei se você é meio curioso (no bom sentido da palavra) ou imaginativo. Tenho que confessar que sou. E fico imaginando quais teriam sido os motivos que o levaram a mudar a rota. Uma doença? Um problema familiar? A morte de um ente querido? Um problema existencial? Uma experiência sobrenatural? Ou o quê?

    Talvez, antes de seu encontro com Deus, ele fora uma pessoa bem-sucedida financeiramente e também em sua vida relacional (mulher, filhos, pais, amigos e outros). Mas, ainda assim, sentisse um vazio interior ou existencial muito grande, vivia sem um propósito e, por causa disso, não via motivo para continuar existindo.

    Quer saber de uma coisa? Na realidade não importa qual foi a razão que o levou a uma mudança radical de vida. O que de fato importa é que esse camarada passou a viver de maneira diferente e isso agradou a Deus merecendo, inclusive, que sua história fosse inserida no livro de Gênesis e também na Galeria dos Heróis da Fé, a qual está em Hebreus 11: Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; ‘ele já não foi encontrado porque Deus o havia arrebatado’, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus” – v 5.  

    Agora, penso que o momento é oportuno para fazer-lhe mais uma pergunta: Mas, afinal, o que é andar com Deus?

     Para buscarmos as possíveis respostas, e isso com base bíblica, precisamos retornar e retomar o texto inicial: “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? ” (Amós 3:3). E, para facilitar o entendimento, primeiro vamos ver sinais do que é não andar com o Senhor, lembrando que esse “andar” do texto traz o sentido de comungar, compartilhar, concordar ou ainda aprovar as ações e atitudes de outrem.

     Então, parece-me que quase consigo ouvir você me dizer: “Não! Não é possível andar com uma pessoa da qual discordamos”. Também penso assim. Talvez em coisas sem muita importância até é possível. Contudo, quando envolve questões realmente significativas, não dá para seguir o mesmo caminho. Evidentemente, não estou falando de cortar a amizade (a não ser que ela esteja nos levando para coisas ilegais ou que nos fazem infelizes), mas de atitudes, comportamentos e outros semelhantes.

    No Salmo 1º:1, lemos o seguinte: “Bem-aventurado o varão/o indivíduo que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Parafacilitar a compreensão, veja o mesmo versículo na versão NVI: “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!”

    A palavra ímpio apresenta diversos sentidos: 1. Aquele que age com crueldade; desumano.; 2. Que não expressa humanidade nem demonstra piedade ou consideração; cruel, bárbaro, desapiedado. Também pode significar “que não cumpre seus deveres” ou ser usado como o contrário de justo, o que é mais comum nas Escrituras Sagradas.

    Quando o salmista diz: “… nem se detém no caminho dos pecadores…”, ele quer dizer “daqueles que, deliberadamente ou intencionalmente, vivem na prática do pecado”. Isso porque todos nós somos pecadores (Romanos 3:23; 6:23). No entanto, existe uma grande diferença entre cometer um erro por acidente de percurso, sem intenção ou premeditação e viver fazendo o que é mal, mesmo sabendo que está errado e que deve mudar de atitude.  

     Infelizmente, o mundo está cheio de pessoas que se espelham nos que praticam coisas más e reproduzem suas perversidades. Muitas vezes, fazem até pior do que viram outros fazerem. Há muitos exemplos disso na sociedade, seja na política, nas relações comerciais e conjugais, na família. E ainda mais grave: até no meio religioso. Porém, o autêntico cristão sabe que sua referência e maior exemplo é Cristo – Hebreus 12:1,2 –, não pessoas, mesmo as que são corretas, uma vez que elas também são falíveis e em algum momento podem escorregar e decepcioná-lo.  

    A última parte do versículo fala: “… nem se assenta na roda dos escarnecedores”. A palavra escarnecer tem o sentido de debochar, humilhar, avacalhar, ridicularizar, achincalhar, ironizar e outros parecidos. Quando se trata do texto bíblico, escarnecedores são aqueles que agem dessa forma desrespeitosa em relação a Deus e a tudo que lhe diz respeito.  

     Sempre houve pessoas que procederam dessa maneira. Porém, hoje me parece que muitas pessoas perderam completamente a noção e o fazem sem nenhum escrúpulo, inclusive através dos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, internet etc.). Mas o pior é que só o fazem porque normalmente têm uma plateia para aprovar e aplaudir aquilo que dizem. Lamentável!!!

     Tudo o que foi dito nesse versículo são sinais de que um indivíduo não anda com Deus. Entretanto existem outras coisas que evidenciam ainda mais esse não caminhar com o Senhor. Por uma questão de tempo e espaço, mencionarei apenas alguns, à luz da Palavra de Deus, para que possamos fazer uma autoavaliação: “Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta/abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos” – Provérbios 6:16-19.

     Agora, preciso dizer algo para você: todos nós temos a liberdade de acreditar ou não no que ensina a Bíblia. Ninguém é obrigado a seguir seus ensinos. O Senhor sempre deixou muito claro que cada pessoa tem o direito de fazer suas próprias escolhas. Afinal, ele não quer que sejamos robôs teleguiados, nem quem nos aproximemos dele por medo ou para obtermos privilégios.

     Ao contrário, o Pai deseja que nos acheguemos a ele por amor e reconhecimento de que ele nos ama, tem um plano de salvação para quem crê – João 7:37 e 38 – e merece nosso respeito.  Mas, caso você acredite, tenha sede de Deus, deseje andar com ele e obedecer à sua palavra, existem promessas maravilhosas para sua vida e família. Veja algumas delas:

  • “Bem-aventurado/verdadeiramente feliz aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! (Salmos 128:1 – Leia todo o salmo e entenderá melhor)
  • “Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará”. (Salmos 1:3)
  • “Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra.” (Isaías 1:19)
  • “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
  • “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. ” (Mateus 6:33)
  • “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela será ricamente recompensada. Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu.” (Hebreus 10:35,36)
  • “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos- Disse Jesus.” (Mateus 28:20)
  • “Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: ‘Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou’. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’ E acrescentou: ‘Escreva isso, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança’.” (Apocalipse 21:3-5)

     Essas promessas são apenas alguns exemplos, a fim de refrescar sua memória e fortalecer sua fé. Entretanto existem muitas outras, as quais servem de motivação para almejarmos conhecer melhor o Senhor. Agora, porém, é hora de retornarmos a Enoque. Vamos lá?

      Penso que ele procurou ser e agir como ensina o Salmo 1º: não andar segundo o conselho dos ímpios, não se deter no caminho dos pecadores, nem se assentar na roda dos escarnecedores. Em sua época, pelo que vemos nas Escrituras, muitos já não honravam ao Senhor. MAS ele escolheu ser diferente. E o resultado de sua escolha foi a que já vimos: “Pela fé Enoque foi arrebatado, de modo que não experimentou a morte; ‘ele já não foi encontrado porque Deus o havia arrebatado’, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus.” (Hebreus 11:5)

     Em João 14: 1 ao 6; vemos Jesus falando que ia para junto do Pai e que voltaria para nos levar para o céu. E em Mateus 25:34, ele fala: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo”.

     Desse modo, entendemos que Deus não quer apenas Enoque e mais uns gatos pingados juntos dele. Ao contrário, há um lugar VIP (Very Important Person1) reservado para cada pessoa que aceitar o Mestre como Senhor e Salvador da sua vida, porque Jesus “veio para o que era seu {o povo judeu}, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, a todos os que creram em seu nome, deu-lhes o direito/o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” – João 1:11-13.  

     Então, para concluir, preciso ressuscitar as perguntas: Com quem você tem andando? Com quem eu tenho andado?

     Como só podemos andar com o Senhor se estivermos de acordo com ele, desejo dar a mesma resposta que o apóstolo Pedro deu a Jesus quando muitos deixaram de seguir o Mestre. Também gostaria que você fizesse o mesmo, declarando: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 6:68,69).

     Depois que (re) fizermos essa declaração, vamos prosseguir caminhando com o Senhor até ele voltar para buscar sua Igreja, a qual é formada por todos quantos tomaram ou tomarem a decisão de segui-lo.

Sugestão de música:  

Anda com Deus – Ludmila Ferber ( https://www.youtube.com/watch?v=N7GFkthWuBQ)                                  

 

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E se Deus não fizer?

“Mas, se ele não nos livrar, fica sabendo, ó rei, que não cultuaremos aos teus deuses, tampouco adoraremos a estátua que ergueste!” (Daniel 3:18 – Versão King James)      

     Temos vivido tempos trabalhosos em todo o mundo. Infelizmente, no Brasil não também tem sido assim. No entanto, tal problema não chega a nos surpreender (ou não deveria) porque as Escrituras Sagradas deixam bem claro que isso ia acontecer. Basta lermos II Timóteo 3:1 ao 5.

    Há pelos menos três meses, temos convivido com o fantasma do covid-19. Para piorar, a mídia sensacionalista explora tanto esse mal para obter audiência e lucrar com o caos, que muitas pessoas estão apavoradas, adoecendo com crises de ansiedade, de pânico e depressão. Além de outros males psicossomáticos. Existem também aqueles que se jogam na pornografia, no álcool e em outras drogas buscando uma fuga, um refrigério e um descanso para sua alma aflita.

    Além disso, a tensão causada pelas manifestações contra a discriminação racial se soma às preocupações de todos nós. Um câncer que surpreendentemente ainda atinge nossa sociedade, o racismo foi responsável pela morte do americano George Floyd, motivando o início dos justos protestos não apenas nos Estados Unidos, mas também diversas partes do Mundo, inclusive no Brasil.

     Do outro lado de tudo isso, também temos convivido na igreja com uma teologia triunfalista, um dos ramos da teologia da prosperidade que, muitas vezes, mais confunde do que ajuda as pessoas. Segundo os ensinamentos dessa linha teológica, o cristão tem que viver totalmente isento de problemas e doenças. Caso não vivam assim, é consequência de sua falta de fé ou pecado. Desse modo, geram grande confusão na cabeça das pessoas, levando muitos a se decepcionarem com Deus e a abandonar a Casa do Pai. 

    Quando olhamos para os ensinos bíblicos como um todo, percebemos claramente que o triunfalismo é fruto de uma interpretação distorcida ou equivocada das Escrituras. Evidentemente, temos base bíblico-teológica para orar ao Senhor pedindo-lhe suas bênçãos. Por exemplo, em Lucas 18:1 ao 8, Jesus conta-nos uma parábola na qual nos ensina a orar sempre e nunca desanimarmos.

    Todavia em João 16:33, o Senhor Jesus faz a seguinte declaração, que soa como um alerta para todos nós: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” – João 16:33. Diante disso, que parece soar como um impasse teológico, quero dizer que entre esses dois ensinos está algo que se chama “soberania divina”.

    Para fundamentar a argumentação, vou convidar você a caminhar comigo pelo capítulo 3 do livro de Daniel. Nele, encontramos a história de três jovens hebreus, cujos nomes são Misael, Ananias e Azarias, os quais haviam sido levados cativos para a Babilônia quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém, no ano de 586 antes de Cristo.

    Em determinado momento de seu reinado, Nabucodonosor ordenou que construíssem uma grande estátua de ouro. Assim que ficou pronta, o rei fez uma cerimônia de determinou que quando os músicos tocassem todos deveriam se prostrar diante dela e cultuá-la (v 5). Entretanto, os jovens hebreus não se curvaram diante daquela imagem.  

    Vendo isso, a turma do bocão se aproximou de Nabucodonosor e denunciou os hebreus (v 8 ao 12). Então o rei ficou furioso e mandou chamar os rebeldes. Quando chegaram, questionou-os por que não obedeceram às ordens e determinou-lhes que, ao ouvirem o toque dos instrumentos novamente, se curvassem e prestassem culto à imagem. Do contrário, seriam jogados na fornalha – v 13 ao 16. E disse-lhes mais: “E vos indago: Que deus poderá livrá-los das minhas mãos?”.

    Diante disso, veja com seus próprios olhos a resposta dos rapazes: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: Ó Nabucodonosor, não precisamos defender-nos diante de ti. Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” – Daniel 3:16-18 –  Versão King James.

    Agora que você já passou a conhecer ou relembrou um pouco dessa história, vamos analisar algumas coisas importantes, em especial aquelas que tratam do entendimento da soberania de Deus e da fidelidade de Ananias, Misael e Azarias. Vamos lá?

    Os jovens não ficaram se defendendo diante do rei. Eles estavam cientes de que seriam mesmo jogados na fornalha. Ainda assim, não ficaram justificando sua fé e decisão. Além disso, demonstraram que realmente conheciam o Deus a quem serviam. Por essa razão, deixaram clara a certeza de que o Senhor podia livrá-los e de que o Pai livrá-los-ia.  

     Por outro lado, também estavam cientes de que o Senhor é soberano, ou seja, exerce o poder, a autoridade e o domínio supremos. Desse modo, pode ou não fazer aquilo que a pessoa espera. Então eles falam: “Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer”.

     Para mim, é um dos exemplos mais claros de respeito à soberania divina e de fé no meio da adversidade. A vida deles estava em jogo. Seria uma morte cruel, crudelíssima. Já imaginou morrer dessa forma? Contudo, para eles, ainda que isso viesse a acontecer, não prestariam culto àquela imagem. Sabiam que havia algo muito maior do que a vida terrena: a eternidade juntamente com o Senhor.

    A fé deles não estava alicerçada nas coisas que Deus pode fazer ou faz, mas naquilo que o Senhor é. Em outras palavras: estavam cientes de que recebendo ou não livramento da fornalha, ele continuaria sendo Deus e, por esse motivo, digno de confiança e de adoração exclusiva.   

    Agora, gostaria de pedir sua licença para dar um testemunho de família. Meu irmão mais velho era um pastor muito querido e usado nas mãos de Deus. Adoeceu seriamente. Milhares de irmãos em Cristo oravam constantemente, suplicando ao Senhor que o curasse. Ele foi curado da dor, mas morreu aos 39 anos em consequência da doença, que evoluiu e os médicos nada puderam fazer para salvá-lo.

    Por outro lado, minha irmã mais velha, que tinha um problema gravíssimo de coluna, e foi desenganada por muitos médicos, foi agraciada pelo Senhor com um milagre, tempos depois da morte do meu irmão. E, depois de mais de vinte e cinco anos, continua sem problemas na coluna.

     E agora??? Como entender isso? Deus é bom, meio bom ou não é bom? Mesmo sofrendo muito pela perda do meu irmão (principalmente meus pais), continuamos crendo e servindo a Deus com alegria e fé. Faz quase vinte e sete anos que isso aconteceu. Ainda sofremos a dor da saudade. Agora mesmo, estou emocionado ao relatar essa história. Mas entendemos que Deus é soberano. Que continua sendo justo e fiel, embora não respondeu às orações como desejávamos.  

    Outro fato que presenciamos nesses últimos dias foi a morte da cantora cristã Fabiana Anastácio, vítima do covid-19. Mesmo sendo uma mulher de Deus, ela morreu. Muitos outros servos de Deus também morreram. Porém, a respeito dela, muitos incrédulos começaram a escarnecer, questionando sua fé e também o nosso Deus. E talvez isso até deixou alguns cristãos em dúvida, abatidos ou revoltados.

    Talvez você seja uma das pessoas que estão meio confusas ou decepcionadas com Deus por causa de orações não respondidas ou cuja resposta foi diferente do que desejava seu coração. Quem sabe, seja também uma vítima da teologia triunfalista. Por isso, gostaria que lesse com os olhos do coração bem abertos o texto seguinte: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei” – Deuteronômio 29:29. 

    Há coisas que jamais compreenderemos, pois nossa mente é limitada. No entanto, se as analisarmos à luz da Palavra de Deus, o Espírito Santo nos dará o entendimento necessário. E, por certo, uma das coisas que ele nos mostrará é que enquanto estivermos aqui na terra estamos sujeitos a doenças, problemas (financeiros, conjugais, familiares, existenciais), ao desemprego, à incompreensão por parte das pessoas, mesmo as que mais amamos e tantas outras dificuldades. 

     Outra coisa que ele vai nos mostrar é a que Paulo disse: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” – Filipenses 3:20,21. Em outras palavras: o mais importante para nós não é uma vida livre de problemas e dificuldades aqui na terra, mas o destino final traçado pelo Pai, isto é, a vida eterna ao lado dele.  

    E, quando soar a última trombeta, acontecerá o que disse o apóstolo João em Apocalipse 21:4: “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” –  Apocalipse 21:4. Consegue imaginar esse momento?  

    Para concluir, preciso fazer algumas considerações:

  • Deus livrou aqueles jovens hebreus. Por causa disso, o rei passou a crer no Senhor e determinou que em todo o império babilônico as pessoas servissem ao Deus de Israel.
  • Jamais conseguiremos entender todas as coisas que nos acontecem, uma vez que somos limitados.
  • Deus é soberano e justo. Por isso, ainda que não entendamos, a vontade dele é boa, perfeita e agradável – Romanos 12:2. 
  • O melhor que o Senhor preparou para nós não está aqui nesta vida, mas na eternidade juntamente com ele. Foi para isso que Cristo veio e morreu em nosso lugar.
  • Deus continua sendo Deus, mesmo que as circunstâncias sejam completamente adversas, como lemos em Malaquias 3:6: Porque eu, o Senhor, não mudo”.
  • Mesmo que você tenha dúvidas, decida correr para mais perto do Senhor, não para longe dele: Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece” – Jeremias 33:3 – NVI).
  • Siga a instrução de Paulo: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” – 1 Coríntios 15:58.
  • Mantenha sua fé firme no Senhor. Assim você também poderá declarar como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” – 2 Timóteo 4:7,8.  
  • Só encontramos refrigério, alívio e descanso para nossa alma em Jesus – Mateus 11:28 ao 30. 

     Por último: aqueles jovens decidiram não se curvar diante da estátua. Então decida não se curvar diante dos deuses deste mundo nem das adversidades, por mais assustadoras que elas pareçam ser ou que de fato sejam, pois em Mateus 28:20, o Senhor Jesus nos diz: “… eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” –  Mateus 28:20

        Sugestão de música: Deus é Deus (Delino Marçal)

       Assista, no Youtube, ao edificante testemunho do Delino Marçal.

       Link do testemunho: https://www.youtube.com/watch?v=rqkg_tp13vk

Abraão Agradecimento Amar a Deus Amar a si mesmo amigo de deus AMOR DE DEUS Andar com Deus bênção bênção de Deus capacidade Casa na rocha Compromisso Comunhão Coragem CORAÇÃO covid19 cruz Deus Egito Espírito Santo Estudos Bíblicos Feliz Natal Fidelidade Filho de Deus fortalecimento JESUS Jesus Cristo Livre dos temores Mais que vencedores milagres de Jesus Motivação Natal Natal de Jesus PALAVRA DE SABEDORIA palavras de Deus paz de cristo Paz de espírito salvação Segurança Sonhos sucesso Verdades sobre Deus vida abundante Vontade de Deus

 

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