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DESQUALIFICADO

28 jun

reprovado1

    Não desista    

        Você é ou está desqualificado para o cargo.

         Provavelmente, essa é uma frase que ecoa de forma estonteante nos ouvidos e age como uma seta venenosa lançada de forma certeira, mas não mortal, no coração de quem foi o alvo dela. Pior ainda, eu creio, ocorre quando ela não é dita de forma direta, porém, pode-se inferir pelas ações e reações das pessoas que a proferem, pois sei que palavras dessa natureza podem gerar traumas e bloqueios que acompanharão o destinatário delas o resto de sua vida.

         Há, na Bíblia, alguém que foi vítima dessas palavras. Mesmo que a frase introdutória do texto não apareça nas Escrituras, podemos decifrá-la ao lermos boa parte da história desse servo de Deus. Mas, graças a Deus, isso não foi dito pelo Senhor. Então, ao chegar ao final desse texto, é o que importará de fato a todos nós.

         Afinal, de quem estou falando?

         Falo sobre Davi, o homem segundo o coração de Deus, conforme nos diz Atos 13:22.

         É, eu sei. Talvez você esteja pensando: “Vai falar de novo a respeito dele!”. Sim, meu amado. Muito já se disse na Bíblia, em literatura e em sermões. No entanto, parece-me que aprouve ao Senhor querer admoestar-nos  de diversas maneiras, tomando como exemplo esse servo. Provavelmente, esse é o motivo por que outro dia veio-me ao coração algumas palavras sobre a trajetória de vida dele, a começar por sua desqualificação. Então, vamos mergulhar um pouco nessa fenomenal história?

         Pesava sobre ele o fato de não pertencer à linhagem real, pois, segundo consta, não era da família de Saul, o rei de Israel. Era muito jovem – talvez estivesse com dezessete anos e fosse imberbe. Era ruivo e de gentil aspecto e o menor de sua casa, o que parece ser algo não muito admirado ou valorizado por aquele povo. E, se formos analisar com imparcialidade, realmente para ser rei era preciso ter um porte físico avantajado, para demonstrar força, coragem, autoridade. Para impor-se até pela sua aparência física. Basta pensarmos nos guerreiros que vemos nos filmes, que teremos uma noção adequada dessa necessidade. Ele precisava ser alguém com ar de “durão”, para impressionar seu povo, mas, principalmente os inimigos de Israel. (Lembra-se do Dunga, quando capitão as Seleção brasileira?)  

         Além disso, pesava sobre ele o fato de ser o irmão mais novo. Pela tradição daquele povo, o primogênito é quem deveria ter prioridade em qualquer coisa. Ao ser escolhido, houve uma ruptura nesse modelo familiar ou social e, por certo, despertou descontentamento em muitos, a começar por seu irmão mais velho, que foi preterido. E estavam certos. Não se rompe com uma tradição assim de uma hora para outra. É preciso respeitá-la e qualquer mudança que se quiser fazer deve ser cuidadosa e processual, visto que sempre causará transtornos e haverá necessidade de tempo para assimilá-la e praticá-la.

         Entretanto, ainda não chegou ao fim essa lista “maldita”. Pesava também sobre ele o fato de não ser reconhecido nem pelo homem de Deus, o profeta Samuel, que pretendia ungir o primogênito Eliabe. Veja você mesmo o que Samuel disse: “E sucedeu que, entrando eles {os filhos de Jessé}, viu {Samuel}  a Eliabe, e disse: Certamente está perante o Senhor o seu ungido” (I Sm 16:6). Acrescente-se a isso a rejeição dos irmãos, uma vez que, pelo desenrolar dos fatos, percebemos que Davi não era mesmo “o queridinho” deles. Leia a fala de Eliabe: “E, ouvindo Eliabe, seu irmão mais velho falar Davi àqueles homens, acendeu-se a ira contra Davi, e disse: Por que desceste aqui? E a quem deixaste aquelas poucas ovelhas no deserto? Bem conheço a tua presunção, e a maldade do teu coração, que desceste para ver a peleja” (I Sm 17:28).

         Por fim, vamos dar o “tiro de misericórdia” nele: Ele não era guerreiro, não tinha armas de ataque nem de defesa e seus opositores eram destros em guerra, especialmente Golias. Se nem os maiores valentes de Saul se habilitavam para enfrentar o gigante, como esse garoto inconseqüente poderia ter a audácia de agir daquela forma diante do grande caos em que se encontrava o exército israelita? E mais: aquele “banho de óleo” que ele tomara parece não ter surtido nenhum efeito positivo, se é que surtira algum. Aparentemente, tudo continuava da mesma maneira, exceto o jeito insano com que passara a agir agora.

         É, realmente Davi era um desqualificado, insensato, inconseqüente, presunçoso, etc…etc…

         Ops!!! Como diz o velho ditado: “Quem vê cara não vê coração”. E foi justamente isso que disse Deus: “Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado, porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Sm 16:7).  

         Mil vezes aleluia!!! Deus não nos enxerga como o homem!!! Então, quando Deus enviou o profeta à casa de Jessé, já havia feito uma avaliação completa, imparcial e perfeita de todos os moços e vira que o único que estava qualificado para cargo de maior relevância do país era Davi. Por  conseguinte deliberou quebrar todos os protocolos da tradição e Elegê-lo rei do reino mais importante e poderoso da terra: Israel.

         Mas o que havia de especial nesse jovem que o diferenciava dos demais?

         O primeiro, e sem dúvida, o principal diferencial era o coração dele. Algo que somente o Senhor conseguia ver. Pelo que conseguimos depreender de toda a história de Davi, notamos claramente que, apesar de estar sujeito às mesmas adversidades, provações e tentações que qualquer um de nós, seu coração era humilde para reconhecer sua pequenez e necessidade de Deus. Essa assertiva encontra fundamento no episódio em que ele peca contra o Senhor adulterando e posteriormente mandando matar Urias, marido de Bate-Seba, a mulher com quem se envolvera. Quando o profeta Natã o repreendeu, em vez de agir de modo violento contra o profeta, prostrou-se diante do Senhor reconhecendo que pecara gravemente (II SM 12:1 ao 17). Como rei que era, poderia simplesmente se achar no direito de fazer o que bem entendesse; contudo, seu temor e desejo de obedecer a Deus o fazia despojar-se dessa prerrogativa e o punha em total humildade ante a face do seu Senhor.

         Outro ponto positivo era sua experiência como pastor das ovelhas de seu pai. Com certeza, não era a melhor profissão e a que poderia ser considerada a carreira profissional mais promissora, cobiçada ou que lhe daria grande status  social nem atrairia os olhares das mulheres mais bonitas; no entanto, foi a mais enriquecedora escola que ele teve. Por quê? Por vários motivos, dentre os quais gostaria de destacar os que seguem abaixo.

         Primeiro: estando ali no campo sozinho (ou praticamente só) tinha muito mais tempo para estar em plena comunhão com o Pai Celestial e com ele aprender e conversar francamente, sem a interferência de pessoas que poderiam dificultar esse contato com o Criador.

         Em segundo lugar, porque estando ali nas pastagens estava sujeito aos ataques de feras selvagens e essa possibilidade o fazia tornar-se plenamente dependente de Deus. Ele estava ciente e consciente de que sua força e destreza para defender-se das feras e também ao rebanho de seu pai teria que provir do Altíssimo, pois não havia outro a quem recorrer. E foi isso que aconteceu: quando um urso ou leão atacou o gado, ele os feriu e os matou (I SM 17:34ao38). Cá entre nós: é impossível acreditar que um jovenzinho de cerca de dezessete anos fosse tão “poderoso” assim, não é mesmo? Logicamente, sua força, destreza e coragem vieram de Deus, já sendo uma “profecia” sobre como ele venceria seus opositores, os povos inimigos: com a capacitação divina.

         Assim, quando viu o gigante desafiando o seu povo e blasfemando contra o seu Deus, não teve dúvida: candidatou-se espontaneamente para aquela missão quase impossível. Veja o que ele mesmo disse: “Tu vens Amim com espada e com lança e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado” (I SM 17:45). Ao fazer essa declaração, ele estava afirmando que não iria apoiado pela sua condição natural, mas que estava convicto de que o Senhor estaria no controle e dirigiria aquela pedra até o ponto fatal e com a força necessária para que Golias caísse por terra e fosse vencido de forma humilhante diante de todos. Para concluir, gostaria que você seguisse comigo esse raciocínio: se todos os soldados de Israel, que eram destros na guerra, que já haviam passado por diversas situações semelhantes  de estresse fugiam diante do gigante e temiam grandemente (I Sm 17:24), um mancebo daquele seria tão “macho” assim? Certamente, não. Numa situação dessa natureza o comum é ficar descontrolado; entretanto, Davi se manteve firme, inabalável. Ela já possuía experiência suficiente para crer que Deus não o abandonaria e que ele triunfaria sobre seu adversário. Afinal, ele não estava querendo dar um “show”. Estava defendendo o nome do seu Deus e livrando aquele povo que tinha uma promessa e um propósito divinos. E foi exatamente o que ocorreu: triunfou brilhantemente sobre aquele incircunciso filisteu.  

         Juntando-se a isso, há mais um detalhe significativo: Davi não se impressionou nem com a estatura de seu oponente (quase três metros) nem com seu material bélico de ataque ou de defesa. Isso se deu, eu creio, porque ele sabia que tudo aquilo nada era se comparado ao Senhor dos Exércitos. Suponho, ainda, que ao tomar essa decisão estava alicerçado na seguinte certeza: “… porque há um maior conosco do que com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco o Senhor nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear por nós…” (II Cr 32:7,8).  

         Existe também outro ponto relevante: Saul quis dar-lhe suas roupas e armas. E, numa atitude de educação e respeito, Davi até tentou usá-las. Todavia, logo percebeu que não dava para prosseguir com aquilo. E desistiu. Ficou com aquilo que já lhe era familiar e próprio. Com tal atitude, ele nos deixou uma preciosíssima lição: não podemos usar as armaduras de outro(s) para lutar nossas, pois, por melhores que sejam, não trarão os resultados almejados. É preciso guerrear com nossas próprias armas, ou seja, tomando como base ou apoio as nossas experiências pessoais com Deus e não as de outrem. Faz-se necessário desenvolvermos nosso próprio relacionamento com o Senhor, que Ele certamente aproveitará o que temos para lhe oferecer (no caso de Davi, a funda e os seixos) e conceder-nos-á o triunfo. Isso me faz lembrar do episódio em que alguns homens tentaram expulsar demônio em “nome de Jesus a quem Paulo seguia” e espírito disse que conhecia Jesus e sabia quem Paulo era e concluiu dizendo: “Mas vós, quem sois?”. Depois disso, bateu neles e os afugentou. Esses homens perceberam na prática e de um jeito trágico que não podiam fazer uso da experiência de outros. E fica para cada um de nós a mesma lição: precisamos ter vivências pessoais e profundas com o Senhor.

         Ademais, mesmo não fazendo parte do exército de Israel, ele sabia da sua importância para a coletividade. Se fosse outro, talvez eu e você, falaria consigo mesmo: “Vou dar o fora daqui. Não tenho nada a ver com isso. Que se virem sozinhos. Salve-se quem puder.”. Mas ele agiu de modo diferente. Reconhecia seu Deus e o que Ele podia realizar através da sua vida. Não foi egoísta. Não quis simplesmente “salvar sua própria pele”.

         Além disso, outra impagável lição que esse jovem deixou é que não existe idade específica para ter vivências com Deus nem  para defender o nome do Senhor. Lamentavelmente, muitos de nós cristãos permitimos que o nome do Senhor seja blasfemado por não possuirmos ou acharmos que não temos maturidade e conhecimento suficientes para assumir uma postura correta nessas situações, e nos calamos. Por isso, precisamos aprender com Davi. Não é uma questão de idade física ou na fé; é uma questão de postura de servo de Deus.

         Já caminhando para o fim, quero registra outra “jóia rara” desse texto: Ele sabia que havia uma recompensa para quem aceitasse lutar contra Golias. Ele não foi hipócrita. Sei que se não houvesse uma recompensa dada por Saul ele lutaria do mesmo modo. Porém, já que o rei estava oferecendo, Davi teve desejo de recebê-la. Infelizmente, muitos cristãos, numa falsa demonstração de humildade ou com falsa humildade, diz não desejar recompensa pelo que faz para Deus. É um terrível engano, pois: o que se espera ao aceitar a Cristo? A salvação; quando se ora pedindo cura? Que Deus cure; quando se planta arroz? Que Deus permita haver boa colheita; quando se trabalha o mês inteiro na empresa? Que  seja depositado o pagamento. E o que é isso? Recompensa. Portanto: é bíblico e, por conseguinte, justo que esperemos recompensas do Senhor, uma vez que foi Ele mesmo que estabeleceu a “Lei da recompensa”. Não podemos ser nem hipócritas nem tolos.

         Por fim, há algo que jamais poderia deixar de dizer: a necessidade da plenitude do Espírito Santo. Como diz o texto de I Samuel 16:13: “Então Samuel tomou o vaso de azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos: e desde aquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi”  Sabendo que “apoderar-se” significa “apossar-se; tomar posse por completo”, entendemos que esse jovem passou a ser dirigido e orientado e fortalecido e capacitado totalmente pelo Espírito Santo. Foi a partir dessa ocorrência que Davi tornou-se um grande vencedor. Com Jesus se deu o mesmo: depois ser batizado e de ter recebido o Espírito Santo, veja o que aconteceu: “Como Deus ungiu a Jesus com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus era com ele” (At 10:38). Mesmo sendo filho do Altíssimo, Ele, que em tudo foi exemplo para nós, precisou ser cheio do Espírito Santo para exercer seu ministério com excelência e cumprir o propósito para o qual o Pai o destinara.

         Portanto, podemos concluir que o segredo do sucesso de Davi consiste principalmente no fato de ser temente a Deus e de ter a plenitude do Espírito Santo. Caso almejemos o mesmo, precisamos tomar o exemplo que o Senhor nos deixou através da história desse homem que entrou para a História e passar a ser e a viver como ele e assim passaremos de um desqualificado para alguém qualificado, aprovado para toda boa obra. Que o Senhor nos capacite a ser um homem ou uma mulher segundo seu coração.

 

Professor Marcos Araújo / junho de 2009           

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