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Perdendo para Ganhar

08 jul

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“Porque quem quiser  salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor a mim e ao evangelho, esse a salvará.” (Marcos 8:35)  

 

A matemática do Senhor é, sem dúvida,  diferente da dos homens. Daí, o apóstolo Paulo ter dito que “a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (I Coríntios 1:18).

Na matemática terrena, quando alguém abre mão de alguma coisa, está arcando com prejuízo; porém, na do Pai, ocorre exatamente o inverso, ou seja, está gerando uma onda de bênçãos eternas. Portanto, considero assaz relevante refletir com você sobre esse tema grandemente apetitoso e aprender com a história do jovem rico preciosas lições que, se levadas a sério, farão com que nossa vida não seja mais a mesma.

Ao contrário, se assim o fizermos, galgaremos mais alguns degraus na escada da fé e passaremos a viver numa nova dimensão de vida com Deus. Então quero convidá-lo a caminhar comigo pelas revolucionárias palavras de Cristo sobre esse intrigante tema: Perdendo para ganhar.

Para servir de base para a argumentação, tomarei como referência a esclarecedora e enriquecedora história do jovem rico, a qual  está registrada nos três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas). No entanto, centrarei a análise especialmente em Marcos 10: 17 ao 30. Vamos lá?

Para iniciar nossa prosa, é importante lembrar que aquele jovem era uma pessoa bem intencionada e, ao aproximar-se de Jesus, deixou claro reconhecer que Ele era uma autoridade a ser respeitada. Veja que o rapaz disse “bom Mestre”.

Quando um judeu chamava alguém de Mestre, era sinal de que aquela pessoa era realmente digna de ser ouvida. Essa palavra era reservada para as principais autoridades eclesiásticas da época. Além disso, ele chama o Senhor de bom. Logo,demonstra  perceber um diferencial entre Jesus e os demais, talvez por causa da arrogância e hipocrisia dos escribas e fariseus, por não darem bons exemplos, pelo discurso vazio e desprovido de autoridade, constituído somente de palavras e sem as atitudes correspondentes a elas.

Outra observação pertinente é que aquele mancebo preocupava-se com sua salvação. Por isso, interpela Jesus com seguinte interrogação: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”.

Assim, a primeira lição que podemos e devemos aprender é que ser uma pessoa com boas intenções não é o suficiente. A segunda é que apenas reconhecer o Senhor como uma autoridade e, por essa razão, ser digno de respeito também não é tudo. A terceira nos revela a importância de nos preocuparmos com nossa salvação, mas que apenas isso também não basta.

Ao fazer essa pergunta ao Mestre, esse jovem permitiu que Ele lhe trouxesse outra revelação: somente Deus realmente é bom (10:18). Logo, ao atribuir esse adjetivo a Jesus, demonstrava reconhecê-lo como Deus. Logo, assim também devemos entendê-lo e honrá-lo como Senhor.

Contudo, não para por aí. Dizendo que “ninguém há bom senão um, que é Deus”, Cristo nos ensina outra lição: não podemos ser salvos por supormos que somos bons. Somos salvos única e exclusivamente pela graça de Deus para conosco, conforme ensina Paulo em Efésios 2:8 e 9: “Porque pela graça (favor a quem não merece) sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom (presente) de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Outra riquíssima revelação está nos versículos 19 e 20, pois neles o Senhor o levou e nos leva a compreender que não basta ter um conhecimento técnico ou teórico dos mandamentos e guardá-los religiosamente ou mecanicamente. É mister fazê-lo com sabedoria de coração, reconhecer o sacrifício vicário de Cristo lá no Calvário e recebê-lo como seu Senhor e Salvador.

Veja o que diz João 1:11 ao 13: “{Jesus} Veio para os que eram seus, porém os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.  

Quando o jovem disse a Jesus que guardava os mandamentos desde a sua mocidade, O mestre olhou para ele e o amou. Gosto muito desse trecho: “o amou”. E isso porque ele introduz outra grande verdade: Jesus não ignorou o que o mancebo fazia e também o amava.

No entanto, o amor sentido por ele levou-o a mostrar-lhe que ainda faltava alguma coisa: deixar de confiar em suas riquezas. Pelo que se vê, ele não confiava em Deus como o seu provedor. Em outras palavras: suas riquezas, mesmo que não tivesse consciência disso, havia se tornado um deus em sua vida. Assim, acreditava que elas é que lhe dariam estabilidade  e o fariam feliz.

Outra observação a ser feita é que amar não significa concordar, aceitar ou ignorar o erro. É exatamente o oposto disso. Quem ama de fato quer que a pessoa amada enxergue o erro e o abandone. Quem realmente ama almeja conduzir ou reconduzir o outro àquilo que é justo, correto, bom e necessário. E era isso que o Mestre ansiava fazer pelo jovem e o deseja para cada um de nós, seus filhos amados em quem ele se compraz ou quer se comprazer (ver Hebreus 12:5 ao 8).

Nesse ponto, considero relevante falar que creio piamente que Jesus não tinha nenhuma intenção de fazê-lo vender suas propriedades. Apenas anelava ensinar uma lição aos discípulos e também mostrar ao jovem onde é que de fato estava seu coração, pois, como dissera em outra ocasião: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21).  E, lamentavelmente, constatou-se que o coração dele estava mesmo nas riquezas.

Vale lembrar ainda que em nenhum momento o Senhor disse ser errado possuir bens ou dinheiro. Ele tão-somente revelou haver algo superior a isso: ter um tesouro no céu, ou seja, ser salvo e ir morar com Deus. Sobre esse assunto, porém, as Escrituras nos advertem que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Timóteo 6:10).

Aliás, ele, o dinheiro, em si mesmo ou por si mesmo não é bom nem ruim. O que de fato importa é o que vamos fazer e como vamos nos relacionar com ele: tê-lo como servo ou como senhor da nossa vida; usá-lo de modo sábio ou ter nosso comportamento, atitudes e fé guiados por ele como um cãozinho adestrado.

O que está registrado no versículo 22 revela o quanto seu coração estava seduzido pela deusa Riqueza. Veja: “Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades”. Ou seja: ele não entendeu que Jesus lhe tinha prometido um tesouro no céu “onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:19,20).

Que pena!!! O jovem não havia entendido que o Mestre lhe estava propondo trocar algo terreno, corruptível e efêmero por algo celestial, incorruptível e eterno. Não é lastimável isso? No entanto, não é o que muitos de cristãos têm feito: trocado Esse Tesouro por sexo antes do casamento ou fora do casamento, pornografia, baladas, barezinhos, profissão, namorado(a), dinheiro, formação escolar, religiosidade, ou qualquer outro ilícito aos olhos do Senhor, os quais têm se tornado os seus deuses  e também seus algozes, seus carrascos?

Ao observar a reação do moço, o Senhor exclama: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que possuem riquezas!” (v 23).

Ouvindo isso os discípulos, admiraram-se e disseram: “Quem poderá, pois, salvar-se?” (v 26). Talvez, supunham que os ricos tinham prioridade no céu por poderem fazer caridade, dar grandes ofertas e dar dízimos de alto valor.  Sem sombra de dúvida, ainda não haviam entendido que não é por méritos próprios que alguém é salvo, mas, sim, pela maravilhosa graça do Senhor para conosco (Efésios 2:8,9).

Certamente os líderes religiosos da época valorizavam mais isso e os rituais religiosos do que a fé, o amor, a misericórdia e a justiça, como disse Jesus em Mateus 23:23, e tal pensamento e pregação os haviam feito crer erroneamente que isso era o certo. Entretanto, o Mestre desfez mais uma vez conceitos equivocados,  mostrando que há algo maior e mais importante: um tesouro no céu, isto é, a salvação eterna, o estar para sempre ao lado do Pai.

Quero que saiba que não estou dizendo ser errado ou desnecessário ofertar e dizimar na Casa de Deus. Caso o fizesse, estaria indo em sentido contrário àquilo que as Escrituras ensinam a respeito desse assunto (Ler Malaquias 3).

Além desse texto, há muitos outros tanto no Velho Testamento quanto no Novo ensinando sobre essas práticas tão importantes à vida cristã vitoriosa. Vale lembrar que lá em Levítico a Bíblia declara que os dízimos são santos (consagrados, separados) ao Senhor (Levítico 27:30,32). Apenas afirmo, embasado na Palavra, que há algo incomparável e imensamente maior: a vida eterna ao lado do Senhor.

Outra explicação acrescentada pelo Mestre foi “… quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!” (v 24). Observe a clareza Dele ao falar sobre isso. É a confiança nas riquezas que se torna um gigantesco empecilho para a pessoa. Logo, faz-se necessário atentar para o que Ele alertou e não permitir que nossa confiança esteja nisso, mas Naquele que é poderoso fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20).

Quando o Mestre ouviu o questionamento “Quem poderá, pois, salvar-se?”, aproveitou o ensejo e lhes revelou outra valiosíssima verdade: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Ele todas as coisas são possíveis” (v 27).

Ao fazer essa declaração ele estava revelando que a salvação é uma obra exclusiva da Sua ação em nossa vida, pois não existe ninguém que possa realizar a regeneração do homem a não ser aquele que o criou, que o teceu no ventre de sua mãe (Tito 3:5; Salmos 139) e enviou Seu filho para morrer no lugar de cada um de nós (João 3:16).

Ouvindo a explanação de Jesus, Pedro – sempre o mais afoito – demonstra  sua preocupação quanto ao fato de ter deixado tudo para seguir o Mestre. Veja o que ele diz: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos” (v 28). Por certo, ele ainda não entendera o que Jesus lhes falara e, provavelmente, pensou naquele momento que tiveram prejuízos ao deixarem tudo para seguir o Mestre. Dizendo isso, revela que sua visão e conceitos ainda estavam contaminados com suas experiências terrenas sobre ganhar e perder.

Diante desse questionamento, o Senhor mais uma vez mostra que o Pai não fica devendo nada a ninguém. Por isso, todos quantos abrem mão de alguma coisa desse mundo por amor Dele e do evangelho é ricamente abençoado. Veja com seus próprios: “Respondeu-lhe Jesus: ‘Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos, por amor de mim e do evangelho, deixará de receber cem vezes mais, já no tempo presente, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna” (v 29 e 30).

Aleluia!!! Que revelação magnífica!!! Deus não fica devendo nada a ninguém!!! Há grande recompensa para quem decide entregar-se a Ele!!! Há avultado galardão!!! Leia o que diz o escritor da Epístola aos Hebreus: “Por isso, não abram mão da confiança que vocês têm; ela  será ricamente recompensada.

Agora, leia o mesmo texto na tradução de João Ferreira de Almeida: “Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem avultado galardão” (Hebreus 10: 35; leia, para entender melhor, até o versículo 39). Em outras palavras, o escritor quis dizer que receberemos uma recompensa que se sobressai; que aparece com destaque; importante.

Além desse texto, quero deixar registrados outros que trazem a mesma palavra motivadora. São eles:

  • Efésios 6: 5 ao 8: Precisamos fazer nosso serviço como ao Senhor, sabendo que a nossa recompensa vem dele.
  • II Crônicas 15:7: “Esforçai-vos, e não desfaleçam as vossas mãos, porque a vossa obra tem uma recompensa”.
  • I Coríntios 15:57 e 58: “Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.
  • Apocalipse 22:12: “Eis que cedo venho e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra”. Ou: “Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez”.

Por tudo isso, é preciso estar atento a esta palavra de Cristo: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Apocalipse 3:11).

Para finalizar, quero apenas fazer algumas considerações, as quais considero relevantes, a fim de que possamos manter-nos plenamente cônscios e, consequentemente, motivados para continuarmos marchando de cabeça erguida em direção ao céu, sabendo que, embora para o mundo estejamos perdendo coisas importantes, mesmo que o maligno tente convencer-nos de que somos tolos (especialmente você que ainda é muito jovem), existe algo maior que nos aguarda lá na glória: a coroa da vida.

Certamente foi por isso que Moisés abriu mão do palácio e de todas a regalias e privilégios a que tinha direito (Hebreus 11:23 ao 29) e também Paulo, que diz em Filipenses 3:14: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Eles haviam entendido claramente que era preciso perder alguma coisa desse mundo (prazeres momentâneos) para poderem ganhar algo celestial – vida eterna com Deus. Eles trocara um Fusca fundido por uma pela mais cara e luxuosa Ferrari novinha em folha. (Ainda que não é possível comparar a salvação eterna com qualquer elemento terreno. Portanto, esse exemplo tem somente o objetivo de criar uma imagem mental.)

Então: vale a pena renunciar algumas coisas deste mundo, que jaz no maligno, para que possamos um dia, quem sabe em breve, ouvir a voz do Mestre Amado a nos dizer: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 25:34)

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