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Deus no banco dos réus

20 ago

banco dos réus 2

Seria isso possível?

Por mais absurdo que pareça ser ou que de fato seja o que diz o título, ele reflete exatamente o pensamento de muitas pessoas. Até mesmo entre aquelas que se dizem cristãs.

Uma vez, por exemplo, ouvi da boca de uma aluna uma declaração que confirma o que foi dito. Segundo me disse, ela era uma serva de Deus e exercia um ministério. Porém, um dia, foi traída pelo marido.

Resultado? Jogou tudo para o alto. Abandonou o marido – e realmente tinha o direito de fazê-lo, pois a Bíblia assegura esse direito à vítima. A igreja e Deus também. Sim, Ele mesmo, porque, conforme desabafou comigo, o Senhor não deveria ter deixado o marido traí-la. Se aconteceu, então Ele era o culpado. E, como tal, foi posto no banco dos réus.

Lamentavelmente, ela não é um caso isolado. Há muitas pessoas assim. Boa parte afastou-se completamente. Outros continuam frequentando assiduamente a igreja, contudo totalmente decepcionados com o Senhor e, como consequência disso, magoados, revoltados e incrédulos.

Na realidade, tais pessoas não mais adoram a Deus em espírito e em verdade, como é o desejo Dele (João 4:23,24). Apenas cumprem “tarefas religiosas”, assinando periodicamente o ponto na igreja, como um indivíduo faz na empresa onde trabalha.

Mas será que o Senhor é mesmo o culpado de nossas tragédias pessoais? Ou é o próprio homem o responsável?

Para entendermos melhor, pensemos num exemplo bem próximo da nossa realidade: João é pai de dez filhos. É amoroso, justo, fiel, um educador extremamente sábio e trata a todos de igual modo. Inclusive quando precisa corrigi-los.  Além disso, não é autoritário; logo, não os obriga a nada. Somente os ensina e mostra-lhes o melhor caminho: da ética, da moral, da justiça, da honestidade, da integridade, do sucesso pessoal, da responsabilidade social, do temor a Deus, etc… etc… E permite que eles façam suas escolhas.

Que pai maravilhoso, não? É do tipo que todos gostariam de ter.

No entanto, um deles se torna a “ovelha desgarrada” da família e opta por andar errante, como ocorreu com o filho pródigo da parábola de Jesus (Lucas 15:11 ao 33). E sua opção inevitavelmente o leva a toda sorte de males, incluindo neles a infidelidade (conjugal ou de outra área), as drogas, a violência, ao crime, a desonestidade. Enfim, a toda forma de corrupção moral.

Pensando e agindo com justiça, por acaso seria certo apontar o dedo para esse pai e atribuir-lhe culpa pelos erros do filho? Seria sensato e humano colocá-lo no banco dos réus? Seria justo julgá-lo, considerá-lo responsável pelas desgraças causadas pelo filho e condená-lo, a fim de que pague por tais crimes?

Tenho certeza absoluta de que, se você é uma pessoa que preza a justiça, dirá que não é justo responsabilizá-lo. Por certo falará que o filho deve pagar por todo o mal que fez. Agirá dessa forma, principalmente se for um pai zeloso e sabedor de que filhos cometem deslizes inexplicáveis, os quais fogem ao controle dos pais. Como dizem as Escrituras em Ezequiel 18:20: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.

Querido, esse mesmo raciocínio pode ser aplicado em relação a Deus. Como Pai perfeito (ao contrário de nós, que somos falíveis e imperfeitos), Ele nos ensinou com esmero  todas a virtudes e valores mais nobres existentes e que são fundamentais a uma vida de integridade e também nos deu o direito de escolha: “Eis que hoje ponho diante de vós a bênção e a maldição; a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Deuteronômio 11:26 ao 28).

Nesse texto, fica bem claro que Deus deu ao seu povo, por meio de Moisés, o livre-arbítrio, porque não quer que sejamos robôs teleguiados por um controle remoto que fica em poder Dele. Infelizmente, por sermos limitados e termos uma natureza pecaminosa, ou seja, que tende sempre a fazer coisas erradas, muitas vezes – ou na maioria delas – optamos pelo mal e não apenas magoamos nossos semelhantes, mas também deixamos o coração de Deus entristecido, dilacerado.

Sendo assim, é completamente injusto e insensato atribuir ao Senhor a culpa pelos erros de nossos semelhantes, sejam eles cônjuges, pais, irmãos, filhos, líderes amigos ou qualquer outra pessoa em quem muito confiávamos e da qual esperávamos um tratamento justo. Também não podemos e não devemos atribuir ao Senhor a culpa pelos nossos próprios deslizes e fracassos. Segundo dizem as Escrituras: “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” – Lamentações 3:39.

Como Pai perfeito, Deus deseja sempre o melhor para nós. Por isso, ainda que tantas vezes o entristecemos, ele sempre nos perdoa quando reconhecemos e pedimos perdão, dá-nos uma nova chance e faz a seguinte declaração: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvireis. E buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor…” (Jeremias 29:11 ao 14a).

Então, que tal tirar Deus do banco dos réus e entronizá-lo em seu coração? Caso assim o faça, certamente desfrutará da verdadeira paz, a qual o Senhor tem reservado para você (Filipenses 4:7).

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