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Apenas Um

06 fev

apenas um

Onde estão os outros nove?” (Lucas 17:17)

     Entender as pessoas realmente não é nada fácil. Aliás, não existe como compreendê-las plenamente. No entanto, das suas ações, atitudes, comportamentos, de seus acertos e também de seus erros podemos extrair preciosas e benéficas lições.

Se elas forem positivas, para que as imitemos (no bom sentido da palavra, é claro); porém, caso sejam más, para não cairmos nos mesmos erros. Como declara o doutor Mike Murdock: “As pessoas inteligentes aprendem com seus próprios erros; as sábias aprendem com os erros dos outros”. E nós precisamos aumentar cada vez mais o nível do nosso reservatório de sabedoria, não é mesmo?

Como você sabe muito bem, a Bíblia está repleta de belas e enriquecedoras histórias. Uma delas está registrada em Lucas 17:11 ao 19. Nela, vemos que Jesus estava a caminho de Jerusalém e passou pela divisa entre Samaria e Galiléia. Entrando num povoado, dez leprosos se dirigiram a ele, ficando a certa distância, pois, segundo a lei, pessoas com essa doença eram consideradas imundas; logo, não podiam estar com quem era saudável.

Leprosos nem mesmo podiam conviver com sua família. A pessoa que levava a comida tinha que deixá-la a certa distância, retirar-se do local e, só depois, o doente ia pegar o alimento. Que tristeza! Como devia ser terrível estar nessa condição e situação, não é?

Se não bastasse o sofrimento físico e mental causado pela doença do corpo que, aos poucos, ia apodrecendo até a pessoa não suportar mais e morrer, tais indivíduos também sofriam muitíssimo com a discriminação, porque eram considerados amaldiçoados. Isso certamente os fazia adoecer ainda mais da mente e do coração.

Apesar de ainda não existir a palavra depressão, penso que muitos ficavam tão deprimidos que, fatalmente, tornavam-se mais debilitados, pois a condição psicológica interfere diretamente na física. Como consequência, marchavam a passos ainda mais largos para a morte. Logo, o estado físico e mental de pessoas nessa situação devia mesmo ser caótico. Suponho ser impossível se colocar no lugar de alguém assim e compreendê-lo profundamente.

Desse modo, fica um pouco mais fácil entender por que aqueles homens pararam bem longe e clamaram por misericórdia quando souberam que era Jesus quem passava por ali – Lucas 17: 12 e 13. Presumo que alguém lhes dissera haver uma pessoa que se importava com a dor deles, com poder para curá-los daquela moléstia e que agora era a chance de ouro para eles voltarem a viver de fato.

Portanto, não poderiam desperdiçar aquela que, sem dúvida, era uma oportunidade única na vida deles, pois a medicina da época não possuía conhecimento nem recursos para restabelecer a saúde deles. Assim, decidiram agarrar-se firmemente àquele fio de esperança. E foi isso que fizeram. Levantaram um clamor por socorro, dando, então, o primeiro passo rumo a uma nova vida.

Lucas 17:14 mostra-nos que Jesus prontamente usou de misericórdia para com eles e lhes disse que fossem se mostrar aos sacerdotes, conforme a determinação da lei de Moisés, pois somente eles tinham autoridade para receber a oferta estabelecida para casos assim, declará-los curados e aptos para retornar ao convívio familiar e também social.

Creio ser relevante registrar que Jesus não fez uma investigação para saber que pecado eles haviam cometido para terem sido punidos com a lepra. Mesmo que a doença fosse resultado de uma desobediência aos mandamentos de Deus, o Mestre da Vida mostra-lhes, e também a nós, que todo aquele que clama por misericórdia é prontamente atendido pelo Autor da Vida, embora nem sempre o Senhor responda da maneira que desejamos. Afinal, ele é soberano e sabe o que é o melhor e quando deve estender sua amorosa mão para nós.

Pelo pouco conhecimento que tenho das ações do Senhor, entendo ainda que para ele aquelas pessoas eram muito mais importantes do que o erro cometido, se fosse esse o caso. Além disso, Jesus conhecia o coração delas e certamente sabia que tinham se arrependido de seus pecados, caso eles fossem os causadores da lepra, conforme já mencionado.

Ainda no versículo 14, somos informados de que enquanto iam se mostrar aos sacerdotes esses homens perceberam que tinham ficado limpos. Isso era um sinal de que foram curados da lepra. O milagre já havia acontecido. Que maravilha, não é mesmo?

Penso que esses homens ficaram extremamente felizes quando perceberam o milagre realizado em sua vida. E não é para menos! Agora, tudo voltaria ao normal. Sendo assim, o mais lógico era que voltassem correndo para agradecer pela cura recebida.

Talvez, até houvesse uma competição entre eles para ver quem seria o primeiro a alcançar o Senhor para prostrar-se a seus pés e agradecê-lo. Afinal, haviam sido tão grandemente abençoados por Aquele que era muito maior que os sacerdotes aos quais deviam se mostrar. Era justo agir assim. É… Mas não foi bem isso que aconteceu, não.

Nos versículos 15 e16, Lucas relata que apenas UM deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz. E mais: ele caiu aos pés de Jesus, com o rosto em terra, dando-lhe graças. Esse homem de fato tinha entendido que o Senhor era digno de adoração e que fora presenteado com um milagre. Além disso, ele era dono de um coração temente e agradecido.

No entanto, havia algo estranho. Ele era um samaritano!!! Samaritanos não eram bem vistos pelos judeus. Ao contrário, eram discriminados pelos israelitas, por não cultuarem o mesmo Deus (segundo a visão dos judeus) ou não cultuarem da mesma forma que eles.

Diante desse quadro, o mais óbvio seria os judeus voltarem para agradecer. Além do mais, eram eles quem devia reconhecer a divindade de Jesus e, por isso, sentir a necessidade de prostrar-se diante do Mestre. Porém, não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, quem devia reconhecer não reconheceu e vive-versa.

Talvez, seja essa uma das razões pelas quais João declara: “{Jesus} Veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” – João 1:12 e 13.

Neste ponto, penso ser muito importante dizer que o Senhor não faz acepção de pessoas (Atos 10:34; Romanos 2:11). Todos aqueles que o reconhecem como o Filho Unigênito de Deus e o aceitam como seu Salvador pessoal e Senhor são bem-vindos na família de Jesus. Por esse motivo, aquele samaritano não foi criticado ou rejeitado pelo Mestre. Foi aceito. Acolhido. Agindo assim, Jesus quebra mais um paradigma: o de que apenas os judeus eram dignos do amor, da atenção e da graça de Deus.

Para dizer a verdade, ninguém é justo o suficiente para ser merecedor do olhar de Deus. As Escrituras dizem que nossas justiças diante de Deus são como trapos de imundície – Isaías 64:6. Isso significa que, por mais que nos achemos justos, ainda deixamos muito a desejar, pois somos falhos e cheios de limitações. O Senhor o faz porque decidiu nos amar e manifestar a nós sua graça, ou seja, seu favor a pessoas não merecedoras – Efésios 2:8 e 9. Entre elas, estou eu. Você também está. Todos estão.

Outra coisa que almejo mencionar é que o Senhor não está preocupado com nossa aparência ou com nossa origem. Ele não é como o homem, o qual dá extremo valor à aparência. Ele leva em conta a nossa essência, isto é, o conteúdo do coração – I Samuel 16:7; Provérbios 28:21; João 7:24.

Sendo assim, quando vamos em direção ao Mestre, ele não está preocupado com nossa aparência exterior, com os títulos que ostentamos, com nossas riquezas materiais, nem com nossa posição social ou fama. Está atento à posição do nosso coração. Por isso, a Bíblia diz: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” – Salmo 51:17; Isaías 57:15.

Mas o que mais desejo destacar aqui é algo relacionado ao reconhecimento e à gratidão. Vimos que dez leprosos clamaram por misericórdia, e foram prontamente atendidos. Contudo, apenas UM demonstrou ter um coração humilde e grato. Somente 10% do total. Muito pouco, você não acha?

Evidentemente, não vou criar aqui uma “verdade absoluta”, afirmando que apenas 10% das pessoas são gratas pelo favor divino que recebem ou pela ajuda de outros em seu dia a dia. No entanto, as experiências nos mostram que de fato há poucos corações gratos circulando por este mundo. A maior parte não volta para dar graças. Poucos são os usuários da palavra mágica: “Obrigado”. Que pena!

Se nós estamos vivos hoje, já é motivo para sermos agradecidos. “Muitos, ao acordarem hoje, descobriram que estavam mortos”. Se você está lendo este artigo, é porque Deus lhe deu vida, visão, inteligência, usou profissionais para alfabetizá-lo e muito mais. São colheitas da parte de Deus.

Caso você já tenha se alimentado neste dia, também há motivo para agradecer, porque existem milhões de pessoas pelo mundo que passam dias e dias sem fazer uma boa refeição. Tem uma cama para dormir? Milhões dormem no chão duro por estarem fugindo da guerra ou de ataques dos terroristas em vários lugares do mundo. Está empregado? Milhões estão desempregados. Seu corpo tem todos os membros e órgãos? Milhões não os possuem, seja por causa da guerra ou de doenças.

Faz poucos dias que meu querido amigo Caco, companheiro de profissão, enviou-me um vídeo, o qual mostrava uma história bem interessante. Um jovem casal ia a um culto numa moto e passou, sem saber, por um lugar onde havia um tiroteio. Quando os jovens chegaram à igreja, viram que havia algo danificado na Bíblia, mas pensaram que tinha sido amassada por uma criança. No entanto, depois perceberam um corpo estranho dentro dela.

Quando a abriram, encontraram um projétil (uma bala, popularmente falando). Conclusão: tinham sido atingidos por um dos disparos. Como a mulher estava na garupa, correra o risco de ser ferida, o que poderia matá-la, deixá-la paraplégica, tetraplégica ou, pelo menos, causar-lhe um ferimento simples.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção, e alegrou-me, foi ver aquele casal reconhecendo que Deus lhes tinha dado um milagroso livramento. Aqueles jovens não atribuíram ao acaso ou à sorte o fato de não terem sofrido danos. Viram ali a mão de Deus e um milagre. Que lindo!

E quanto a mim e a você? Quantos livramentos nós temos recebido de Deus ao circular pelas rodovias ou pelas ruas destas cidades tão violentas onde moramos? E a provisão da saúde, do pão nosso de cada dia, do trabalho e do salário, da família, dos amigos, de um teto para nos abrigar de tudo?  E no âmbito espiritual: a paz, a alegria, a salvação oferecida gratuitamente a nós através de Cristo? E quanto ao Espírito Santo que nos consola, ajuda, orienta, capacita? E tantas bênçãos mais…

Por tudo isso, então, precisamos ter um coração grato. Vale lembrar que a gratidão é a chave que abre portas e corações aqui na terra. Também é importante recordar que ela atrai o olhar de Deus e abre o coração dele. Como resultado, suas copiosas bênçãos são derramadas sobre nossa vida diariamente. Quer percebamos e reconheçamos ou não.

Para concluir este artigo, não posso deixar de registrar a orientação do apóstolo Paulo aos irmãos de Tessalônica: “Em tudo deem graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para com vocês” – I Tessalonicenses 5:18. Por quê? Porque, seja na bonança, seja na adversidade, podemos contar com o Senhor para nos fortalecer, sustentar, orientar, corrigir a rota e não nos deixar sucumbir nas batalhas enfrentadas diuturnamente.

Também sinto em meu coração a necessidade de dizer que todo presente de Deus é grande. Não há nada proveniente da bondade dele que seja tão pequeno a ponto de não merecer nosso reconhecimento e gratidão. Como não foi a cura dos leprosos. Aliás, ser curado de um mal como este era realmente algo gigantesco. Por isso, convido você para ser ou continuar a ser Um destes que sempre voltam para agradecer a Deus ou ao seu próximo por um favor recebido. Que tal?

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2 Respostas para “Apenas Um

  1. Guacyra Neres

    17/02/2016 at 00:52

    Muito bom. Precisava de palavras assim! Obrigada Jesua

     

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