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Quebrando paradigmas e escolhendo ser diferente

Já faz um bom tempo que esse tema tem povoado minha mente. Para dizer a verdade, não sei exatamente por que ele teima em ir e vir. Porém, devo confessar a você que quando isso ocorre entendo que o Senhor tem algo a me ensinar sobre ele. E por que não a você também?

     Partindo, portanto, desse ponto de vista, eu o convido a meditar um pouco sobre ele. Para isso, antes de começar a argumentação, preciso relembrar que paradigma, do grego paradeigma, é algo que serve de modelo, exemplo ou padrão a ser seguido em determinada situação.

     Mas vai além disso. A ideia mais aceita de paradigma remete ao filósofo Thomas Kuhn (1922-1996), autor da obra A Estrutura das Revoluções Científicas (Perspectiva, 1997), em cujas palavras “paradigma é uma estrutura mental composta por teorias, experiências e métodos que serve para organizar a realidade e seus eventos no pensamento humano”.

    Ao analisar a definição dada pelo filósofo, percebemos a abrangência, a complexidade e a importância de tratar dessa questão, especialmente quando o analisamos à luz das Escrituras Sagradas. Razão pela qual desejo falar dessa quebra em algumas áreas da vida: social, espiritual, familiar e pessoal, uma vez que tais modelos ou padrões interferem diretamente em nosso dia a dia, seja de forma positiva ou negativa.

    Para começar a argumentar, convido você a refletir comigo sobre alguns relatos bíblicos, os quais ajudarão a compreendê-lo mais profundamente e poderão nos auxiliar a fazer determinadas quebras e a escolher algo melhor.

    O primeiro deles está em 2 Reis 16:1 ao 9 e trata da história do rei Acaz. No versículo 2, encontramos a seguinte declaração: “… e não fez o que era reto aos olhos do Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai/antepassado”. E, nos versículos seguintes, há uma lista de coisas erradas que ele fez e também das consequências de suas atitudes e ações, as quais atingiram em cheio não apenas o monarca, mas também sua família e todo o povo de Israel.

    O segundo relato está registrado em 2 Reis 18:1 ao 12 e em Isaías 38. Esses textos se referem a Ezequias, filho de Acaz e seu sucessor no trono. Já no versículo 3, encontramos a seguinte declaração: “E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai/antepassado”. A seguir, também temos o registro de diversas ações desse rei, as quais demonstram claramente por que ele foi digno dessa menção honrosa.

    Que interessante!!! Ele cresceu num ambiente cheio de paradigmas nocivos. O pior é que os exemplos ruins vinham de seu próprio pai. Desse modo, o mais provável seria reproduzir aquilo que observava nele. No entanto, vemos que ele ESCOLHEU ser diferente, e para melhor. Por isso, suas ações e seu governo foram aprovados pelo Senhor.  

     Vejamos algumas de suas obras que receberam a aprovação de Deus: ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, não a seus próprios olhos (v 3); aboliu a idolatria (v 4); confiou no Senhor com todo o seu coração (v 5); não se apartou de Deus e guardou seus mandamentos (v 6); conduziu-se com prudência e se revoltou contra a servidão ao rei da Assíria e não o serviu (v 7).  

     Suas ações como rei trouxeram benefícios não só a ele, como também a todos os israelitas. Por amá-lo e aprovar seu governo, quando adoeceu, o Senhor enviou o profeta Isaías para avisá-lo de que deveria pôr sua casa em ordem porque ia morrer. Então ele orou a Deus e foi atendido, recebendo de presente mais 15 anos de vida (Isaías 38). Percebemos, assim, que ele tinha crédito com o Altíssimo.

   A terceira história que quero mencionar é a de Manassés, filho de Ezequias e seu sucessor (2 Reis 21:1 ao 18). Pela lógica, por ser filho de uma pessoa temente a Deus, ele também seria um homem íntegro diante do Senhor. Porém, veja o que se relata dele: “E fez o que era mal aos olhos do Senhor…” (2 Reis 21:2).

    Na sequência, existe uma grande lista de coisas más que ele realizou: praticou as mesmas coisas abomináveis que os povos pagãos (v 2); era profundamente idólatra (v 3 ao 5); envolveu-se com a feitiçaria e outras práticas ocultistas, o que era proibido por Deus – v 6 – (Ver Deuteronômio 18:9 ao 14; Isaías 8:18) e derramou muito sangue inocente (v 16). Além disso, leia o que ele fez: “Porque Manassés de tal modo os fez errar {fez o povo errar}, que fizeram pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel” – 2 Reis 21:9.

    Nos versículos 6 e 7, ainda lemos o seguinte: “… e instituiu adivinhos e feiticeiros, e prosseguiu em fazer mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira. Também pôs uma imagem de escultura, do bosque que tinha feito, na casa de que o Senhor dissera a Davi e a Salomão, seu filho: Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi de todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre”.

    Observe que ele fez tais coisas para provocar a ira do Senhor. Note que ele era um sujeito petulante, atrevido, desabusado. Desafiou a Deus, como se ele pudesse lutar contra o Senhor. Mesmo tendo o bom exemplo do pai, Manassés ESCOLHEU ser diferente, mas para o lado negativo. Evidentemente, isso trouxe sérios prejuízos a si mesmo e ao povo que governava, gerando muito sofrimento.

    Em 2 crônicas 33:10, lemos: “E falou o Senhor a Manassés e ao seu povo, porém não deram ouvidos”. Observe que Deus tentou trazê-los de volta à razão e à fé. Entretanto, não deram ouvidos e, por essa razão, veio o julgamento do Senhor. Quando o rei caiu em si, arrependeu-se, converteu-se de seus maus caminhos e clamou a Deus, e este usou de misericórdia para com Manassés e o abençoou.

    Veja o que diz o texto: “E ele, angustiado, orou deveras ao Senhor, seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus pais, e lhe fez oração, e Deus se aplacou para com ele, e ouviu a sua súplica, e o tornou a trazer a Jerusalém, ao seu reino; então, reconheceu Manassés que o Senhor é Deus” – 2 Crônicas 33:12,13.

    Diante do caos, Manassés DECIDIU ser diferente e se voltar para Deus. Assim, teve uma segunda chance e a agarrou com unhas e dentes, sendo totalmente restaurado pelo Senhor, o qual sempre está disposto a perdoar e a acolher o pecador arrependido, como lemos em 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”.

     Mas… e quanto a nós hoje?

     Certamente também é necessário que quebremos determinados paradigmas sociais e escolhamos ser diferentes. A sociedade na qual estamos inseridos está recheada de exemplos ou modelos a não serem seguidos.

     Quando observamos as ideologias que a mídia incansavelmente tenta incutir em nossa mente, vemos o quanto precisamos estar enraizados no que nos ensina a Palavra de Deus para não sermos vitimados por elas. Afinal, como disse o salmista no Salmo 119:105: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho”.

     Se a Palavra de Deus é lâmpada e luz para o cristão, e é, deve estar acesa ou ligada. Caso contrário, não cumprirá seu papel. Logo sua Bíblia deve estar aberta e ser lida, estudada e analisada minuciosamente. E isso porque é o que dizem as Sagradas Escrituras, não a mídia, que deve iluminar seus pés e seu caminho e nortear suas ações, comportamentos e crenças.

     Novelas, seriados exibidos pela televisão, filmes e desenhos animados (aparentemente inocentes) e letras de músicas transmitem costumes e comportamentos totalmente contrários aos que o Senhor nos ensina. Basta lembrar as ideologias que determinados Youtubers, chamados de influencers digitais, disseminam e tentam incutir na cabeça de todas as pessoas, especialmente as mais jovens.

     Vemos isso claramente ao tratarem de questões relacionadas ao casamento. À sexualidade, à família, ao culto ao corpo, à busca desenfreada pelo prazer sexual. Ao desrespeito aos pais e ao próximo e tantas outras coisas que são explícitas e, pior ainda, aquelas que vêm de forma implícita ou subentendida e vão, sorrateiramente, se alojando na mente de todos nós.

     Inclusive, com o passar do tempo, tudo isso pode ser reproduzido por nós como se fossem as coisas mais normais ou corretas do mundo. Por isso, não apenas precisamos, mas devemos confrontar aquilo que tem se tornado comum em nosso dia a dia com aquilo que as Escrituras Sagradas ensinam. Assim, não seremos seduzidos e enganados pelo brilho do mal, o qual vem disfarçado com aroma, sabor e cores do bem.

     Outros paradigmas que precisamos quebrar estão ligados a práticas religiosas. Muitas vezes, herdamos de nossos pais ou antepassados determinadas crenças que, apesar de serem repassadas a nós com as melhores intenções e sinceridade, não estão em harmonia com o que a Bíblia ensina.   

   Em Deuteronômio 18:9 ao 14 e Isaías 8:18, por exemplo, vemos que o Senhor abomina e proíbe o ocultismo e todas as suas ramificações. Já em Êxodo 20:1 ao 6, vemos Deus proibindo a idolatria, ou seja, que se considere qualquer ser ou objeto como digno de ser cultuado ou venerado.

    Sendo assim, mesmo que nossos pais nos ensinaram a fazer isso, não podemos fazê-lo, pois a Palavra do Senhor deve prevalecer. Como disse o apóstolo Pedro e outros apóstolos quando queriam obrigá-lo a fazer algo contrário à vontade do Altíssimo: “Mais importa obedecermos a Deus do que aos homens” – Atos 5:29. Ou como está na versão King James: “Ao que Pedro e os demais apóstolos disseram: É necessário que primeiro obedeçamos a Deus; depois, às autoridades humanas”.

     Evidentemente as Escrituras nos ensinam a honrarmos aos nosso pais. Em Efésios 6:1 ao 3, está escrito: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, porque isso é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que vivas bem e tenhas vida longa sobre a terra” (Ver também Êxodo 20:12).

    No entanto, quando os ensinamentos dos nossos pais vão em sentido contrário aos do Senhor, devemos optar por fazer a vontade de Deus. Por outro lado, é preciso explicar com todo o respeito as razões bíblicas pelas quais decidimos cultuar a Deus de outra maneira.

     Em outras ocasiões, precisamos romper padrões familiares ligados não diretamente à forma de cultuar ao Senhor, mas em relação a certos conceitos ou hábitos que não são saudáveis. Em algumas famílias, por exemplo, é comum xingar ou falar palavrões. E, ao olharmos para a Bíblia, vemos que lá está escrito que não devemos falar palavras torpes, mesmo que sejam culturalmente aceitas. Em outras, existe o hábito de beber ou fumar, o que também não é aprovado pelo Senhor, dados os riscos que traz à saúde e à sociedade.  

     Por fim, existem paradigmas pessoais que devem ser destruídos. No meu caso (permita-me dar dois exemplos pessoais), precisei quebrar o complexo de inferioridade, o qual me fazia sentir incapaz de realizar as coisas que chegavam às minhas mãos, mesmo os outros enxergando capacidade em mim. É óbvio que isso me impediu de conquistar muitas coisas.  

    No entanto, quando o Senhor desvendou os meus olhos e me fez enxergar que eu também era capaz, mudei da água para o vinho. Não foi fácil, mas foi necessário. Às vezes, até hoje esse “bicho” quer me atrapalhar; porém, agora tenho as armas de Deus (descritas na sua Palavra) que me ajudam a derrotar esse gigante. E ESCOLHER ser diferente, pois também sou feito à imagem e semelhança do Senhor e posso pedir sua ajuda – Tiago 1:5.  

    Outro paradigma que precisei quebrar diz respeito à demonstração de carinho a meus filhos e à minha esposa. Meus pais não tinham o hábito de falar palavras carinhosas (E não os estou culpando, pois certamente os pais deles também não tinham; apenas fazendo uma constatação). Eles demonstravam amor de outras formas, como preocupação com nosso bem-estar, por exemplo. Mas eu ESCOLHI ser diferente, e Deus tem me ajudado a ser.

     Sei que muitos de nós temos que derrotar alguns gigantes que nos atrapalham e quebrar alguns modelos, sejam eles sociais, espirituais, familiares ou pessoais. Também tenho convicção de que quase sempre não é fácil ou que muitas vezes relutamos e não queremos reconhecer que tais paradigmas existem e também a necessidade de os destruir. Todavia, quando tomamos consciência disso e agimos, passamos a nos sentir livres de um pesado fardo que carregávamos sobre os ombros. Assim, podemos caminhar a passos largos, firmes e constantes em direção aos sonhos que temos e que desejamos realizar.

    Portanto, quero encorajá-lo a fazer uma busca ou uma varredura em seu interior, a fim de verificar se ainda há algum paradigma a ser rompido. Também o incentivo a escolher ser diferente (para melhor). A escolha é sua. Ninguém pode tomar essa decisão em seu lugar. Só você. Contudo, se achar que não consegue sozinho, quero lembrá-lo de que você tem um ajudador que o ajuda a vencer suas fraquezas: o Espírito Santo – Romanos 8:26.

    Sugestão de músicas:Gênesis” (Brother Simion) e   “Quero Que Valorize/O Mover Do Espírito” (Ludmila Ferber )  

 

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Crédito com Deus

linha-de-credito

É bom ter crédito na praça?

Logicamente essa pergunta parece absurda. Afinal, todos nós queremos e precisamos ter crédito para podermos fazer as transações comerciais necessárias. Mas não apenas na área financeira. Em todas as coisas e situações isso é importante e se faz necessário.

Apesar disso, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) cerca de 56% das famílias brasileiras estão endividadas.  Como consequência, muitos não podem comprar a prazo.

Se gozar da confiança de uma empresa ou de alguém já é algo maravilhoso, imagine ter crédito com Deus?  Não há dúvida de que é fantástico.   E as Sagradas Escrituras estão cheias de exemplos de pessoas que desfrutavam da confiança do Senhor, mas também de outras tantas que não tinham a aprovação dele. Infelizmente.

Quando olhamos para a história dos reis de Israel e de Judá, vemos muitas vezes a seguinte expressão a respeito deles: “E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor”, como está escrito em II Reis 17:2 sobre Oséias ou como está registrado sobre Acaz: “… e não fez o que era reto aos olhos do Senhor Deus, como Davi, seu pai” – II Reis 16:2. Por essa razão, esses homens não tinham crédito com o Senhor e deixaram de desfrutar das bênçãos do Pai.

Por outro lado, também encontramos o seguinte sobre alguns reis: “E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai” – II Reis 18:3. Esse foi o caso de Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, sobre o qual meditaremos um pouco.

E não para por aí. Veja os versículos 5, 6 e 7a: “No Senhor Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele, porque se chegou ao Senhor, não se apartou dele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés. Assim foi o Senhor com ele; para onde quer que saía se conduzia com prudência…”

Que declaração maravilhosa! Porém, mais fantástico ainda foi o que aconteceu com esse homem de Deus, como resultado da sua obediência ao Senhor: recebeu o favor de Deus tanto no exercício do seu governo quanto na vida pessoal.

Em se tratando de seu serviço como governante, quando Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu todas as cidades fortes de Judá, apossou-se delas e começou a fazer uma grande pressão psicológica sobre Ezequias e seu povo, o rei pegou as cartas e as estendeu diante do Senhor e orou apresentando as ameaças que seu adversário havia feito, pedindo livramento para todos os servos do Senhor.

Por causa de sua fidelidade, veja a resposta que o Senhor enviou a ele através do profeta Isaías: “Assim diz o Senhor Deus de Israel: O que me pediste acerca de Senaqueribe, rei da Assíria, ouvi” – II Reis 19:20. A seguir, o Altíssimo enviou um grande livramento ao seu povo.

Em outro momento, Ezequias adoeceu e o Senhor mais uma vez falou com ele através de Isaías: “Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” – II Reis 20:1.

Que notícia terrível, não é? Contudo, lembre-se de que ele havia feito o que era reto aos olhos do Senhor. O rei não fizera o que parecia reto aos seus próprios olhos, e isso lhe garantiu um enorme crédito com Deus ao longo de toda sua vida.

Ao ouvir tal sentença, ele não Read the rest of this entry »

 

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