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A graça de Deus basta

           “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Coríntios 12:9)

          Todos já passaram por problemas. Muitos estão passando neste momento. E todos nós, mais cedo ou mais tarde, iremos passar por um sem-número deles, pois, infelizmente, não existe vacina para nos imunizar. Certamente, alguns deles são simples e de fácil solução. Outros, porém, muito graves e, até mesmo, irreversíveis como, por exemplo, quando envolve a morte de alguém.

          Também é fato que, quando nos sentimos impotentes diante das dificuldades, buscamos a ajuda de Deus. Logicamente, isso é legítimo, uma vez que o próprio Cristo nos ensinou a recorrer ao Senhor – Mateus 7:7.  

          Por certo, foi por essa razão que o apóstolo Paulo recorreu ao Criador, como ele mesmo nos conta em 2 Coríntios 12:7 e 8: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. ⁸ Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim”.

          Já de início, vale lembrar que nem sempre Deus nos responde do jeito que gostaríamos que acontecesse. Com Paulo, apesar de ele ser uma pessoa fiel e tendo experiências extraordinárias com o Senhor, ocorreu algo diferente do que esperava. Em outras palavras: não recebeu a solução conforme sonhara. Por isso, gostaria de compartilhar com você algumas reflexões e lições a respeito dessa maravilhosa graça que sempre nos basta.

          Como já vimos em 2 Coríntios 12:7 e 8, Paulo estava com um “espinho na carne”. Isso surgiu depois que teve grandes e inefáveis revelações divinas. No entanto, o apóstolo não deixa claro o que o estava incomodando ou prejudicando. Alguns estudiosos da Bíblia, por exemplo, especulam que seria um problema na visão; outros presumem ser outra coisa. Contudo, o mais importante não é saber exatamente o que era, mas a lição que a resposta divina e a conclusão dessa história nos ensinam.

          Antes de prosseguir, importa mencionar que você e eu também temos nossos “espinhos na carne”. Quem sabe, para alguns, é uma enfermidade física que teima em limitar a capacidade de trabalhar para ganhar o pão com o suor do próprio rosto ou que impede de realizar tarefas consideradas importantes. Já a outros, pode ser um problema psicológico ou emocional que, de certa forma, os algema e aprisiona, impedindo-os de viver de forma mais leve e feliz.

           Penso que também há aqueles que sofrem com acusações do maligno por causa de algum erro cometido, o qual gerou sérias consequências a si mesmos ou, pior ainda, a outros, provocando prejuízos financeiros, emocionais, relacionais, profissionais ou mesmo a morte de outrem.

          Para alguns indivíduos, o “espinho na carne” pode ser uma traição cometida, a qual provocou sofrimento ao cônjuge e/ou aos filhos e contribuiu para a destruição ou desestruturação de um casamento, uma família ou uma comunidade.

          Há também vítimas de uma traição do marido ou da mulher. Em consequência disso, as lembranças dessa quebra de confiança e da promessa de fidelidade, de honra e de respeito feita no altar, diante de Deus e das testemunhas, tornaram-se seu “espinho na carne”. E tudo isso provocou (ou ainda provoca) dores emocionais, psicológicas ou psicossomáticas quase insuportáveis, o que é justificável e compreensível dada a gravidade do mal recebido.

          Existem, ainda, outros tipos de espinhos. Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, vemos a história de Ana, cujo “espinho na carne” era a esterilidade – 1 Samuel, capítulo 1º. Para uma mulher que almeja ser mãe, a infertilidade é terrível, devastadora.

          Naquela época e cultura, uma esposa que não gerava filhos era vista como uma pessoa que fracassara em sua missão e uma vergonha para o seu marido. Também dava ao esposo o direito de arrumar outra mulher para lhe gerar descendentes.

          Então, para piorar, havia Penina, a outra. Ela gerara filhos, garantindo a continuidade do nome de Elcana. Por isso, usava esse “privilégio” ou trunfo para, constantemente, provocar Ana, fazendo-a sentir-se ainda mais triste e humilhada.

          Não há dúvida de que durante muito tempo Ana deixou que essas coisas a afligissem. Contudo, um dia, ela tomou a sábia decisão de dar um basta naquele sofrimento e foi buscar a solução em Deus, o único que poderia socorrê-la e ajudá-la a escrever um novo capítulo em sua vida, mas, agora, regado pela alegria de ser mãe.

          A princípio, foi incompreendida por Eli, o sacerdote, o qual supôs que ela estava embriagada dentro do templo, pois orava silenciosamente, movendo apenas os lábios. Porém, para ela, bastava que o Senhor soubesse qual era seu “espinho na carne”. Mesmo assim, compartilhou com ele o motivo da sua dor. Então, o sacerdote a abençoou. E qual foi o resultado disso? O Senhor ouviu sua oração e lhe deu Samuel, que se tornou um grande profeta, e mais filhos e filhas, totalizando seis descendentes.

          Em outras palavras: A graça de Deus bastou para Ana. O poder do Senhor se aperfeiçoou na fraqueza dela. A tristeza foi transformada em riso; a fraqueza em força; a vergonha, em sextuplicada honra; o filho Samuel, uma grande bênção para o povo de Deus.

          E quanto à Penina? Penso que deixou de ser uma influência negativa naquela família e uma pedra no caminho, pois Ana descobrira a fonte da felicidade: a graça e o poder do Pai Eterno. Por outro lado, não ouvimos mais falar de sua oponente.

          Paulo, como vimos, também descobriu isso. Todavia o caso dele é diferente, porque essa mulher recebeu o que buscava, ou seja, gerou filhos. Ele, no entanto, não foi presenteado com a eliminação do mal que o açoitava. Contudo, também se sentiu agraciado por Deus. Por esse motivo, até disse que se gloriaria nas fraquezas, pois sabia que não estava sozinho nessa batalha. E, se o Senhor estava com ele, já era um vencedor.

          Diante disso, preciso lhe dizer uma coisa: Nem sempre vamos receber do Eterno aquilo que pedimos ou da forma desejada. Entretanto, sempre podemos contar com graça divina. Provavelmente você mesmo não recebeu tudo o que pediu. Porém, penso que sempre foi presenteado com essa graça que basta e esse poder que se aperfeiçoa nas fraquezas. (E não me refiro à fraqueza como deformidade de caráter, evidentemente.)

          Talvez tenha que conviver com sequelas ou cicatrizes de batalhas que enfrentou, e isso pode ser muito desconfortável ou lhe causar tristezas e vergonha em muitos momentos. Todavia, se está aqui e de pé, significa que já triunfou em muitas guerras.

          No que diz respeito a Paulo, quem sabe o “espinho na carne” fossem acusações malignas que teimavam em lembrá-lo de que havia consentido com a morte de Estevão, perseguido e prendido outras pessoas simplesmente por serem seguidoras de Cristo.

          Quem sabe, os dedos apontados fossem de indivíduos que conheciam esse passado comprometedor do agora apóstolo e tentavam desacreditá-lo diante dos cristãos. Entretanto, a Palavra de Deus bastou e ele entendeu que maior é o Senhor, que o Justificou, do que o maligno ou pessoas, que o acusavam e condenavam.

          Talvez também haja alguma acusação do adversário por algo de que você realmente foi culpado e se envergonha (Todos nós temos.). No entanto, se seguiu o protocolo divino, já recebeu o perdão e a justificação. Como declara Paulo em Romanos 5:1 – NAA: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”.  Mas qual é esse protocolo?

          Ele está em Provérbios 28:13, onde lemos: “Quem encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e abandona alcançará misericórdia” – NAA.

Também está em Atos 3:19: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” – ARC.

          Posteriormente, o apóstolo João nos traz luz e refrigério para nossa alma ao dizer: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1 João 1:9 – ARC.

          Assim, entendemos perfeitamente o que Paulo diz em Romanos 8:1: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” – Romanos 8:1 – ARC.

          Quanto a mim, ainda tenho meus “espinhos na carne”, bem como sequelas e cicatrizes de grandes guerras que tive que lutar. E mais: diuturnamente preciso enfrentar batalhas tanto na minha mente quanto as que vêm do mundo exterior. Uma delas é contra a timidez, a qual, durante muito tempo, me impediu de crescer em algumas áreas da vida. Para piorar, geralmente um tímido é incompreendido e visto ou considerado como “metido” ou esnobe, gerando o preconceito e o afastamento de muitas pessoas.

           Contudo, decidi que, com a ajuda do Espírito Santo, não vou permitir que tais “espinhos” se tornem meus senhores ou meus carrascos. Com a graça e a força provenientes do Senhor, sou eu quem vai governar sobre eles. Logo, não vão mais me deixar encarcerado, estagnado ou infrutífero.

          Ao contrário, assim como o Espírito de Deus já me ajudou a vencer um grande complexo de inferioridade, tenho convicção de que ele me auxiliará também nas demais batalhas da vida. Estou certo e seguro de que ele me auxiliará a transformar, a cada novo raiar do sol, tais espinhos em meu propósito e missão de vida, para ajudar outros em seu processo de cura e libertação de suas mazelas. Afinal, sei que não estou sozinho. Sei que o Senhor está comigo e com ele sou mais que vencedor! – Romanos 8:26; 37 ao 39.

          Com você é a mesma coisa. Quem sabe, até pode pensar ou dizer: “Ele fala isso porque não conhece as minhas dores e as minhas batalhas”. E tem razão. Somente VOCÊ sabe onde o sapato aperta, o que o faz sofrer e o quanto limita sua vida, e não ignoro ou subestimo suas lutas e dores. Mas estou convicto de que Deus continua declarando: “A minha graça te basta e o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

          O Senhor não mudou (Malaquias 3:6) e sua palavra não passará (Marcos 13:31), pois “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” – Números 23:19 – A RC.

          Sendo assim, digo-lhe o seguinte: Caso seu espinho na carne seja fruto de um pecado não confessado e não abandonado, assuma sua responsabilidade diante de Deus e se conserte com o Senhor e/ou com a pessoa que você ofendeu, se for o caso. Se forem acusações injustas e infundadas, não deixe que se tornem seus algozes, sua âncora ou seus grilhões, mas as transforme em um trampolim que o ajudará a chegar aonde Deus quer que você chegue e esteja.

          Também não permita que o medo seja seu senhor. Não se deixe vencer por ele. Antes, coloque-o sob seus pés e cumpra com louvor e excelência o propósito e a missão que Deus lhe deu. Afinal, ele quer que você seja uma pessoa segundo o coração dele (Atos 13:22), um filho amado em quem ele tem prazer, como Jesus (Mateus 3:17), e viva para a glória dele, pois para isso você foi criado à Sua imagem e semelhança (Efésios 1:12,14; Gênesis 1:26).

          Para finalizar, sinto que necessito fazer algumas considerações:

  • Se algum espinho o está incomodando, faça o que Jesus ensinou em Mateus 7:7 ao 11: Peça a ajuda de Deus, busque a resposta, bata à porta do céu em oração.
  • Se a resposta não vier de imediato, persista. Na Parábola do juiz iníquo, Cristo nos ensinou nunca desistir (Lucas 18:1 ao 8).
  • Se a resposta não chegar quando ou como você gostaria, permaneça crendo no Senhor, pois ele sempre sabe o que é melhor para nós: “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos”, diz o Senhor. ⁹ “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos são mais altos do que os pensamentos de vocês” – Isaías 55:8,9.
  • Não faça como muitos têm feito: quando não recebem como e no momento que  gostariam, blasfemam contra Deus e abandonam Sua Casa – Hebreus 10:25. Afinal, Deus já lhe deu o que tinha de mais precioso, Jesus, a prova incontestável e inigualável do amor dele por você – João 3:16. E dentro do Pacotão do Amor de Deus está a vida eterna, ou seja, vai passar a eternidade junto com ele. Por acaso, existe algo melhor do que isso?
  • Lembre-se sempre: Fazendo o que queremos, como e quando queremos, ou não, Deus continua sendo Deus. E a Palavra que ele disse ao apóstolo Paulo continua reverberando em nossos ouvidos: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” – 2 Coríntios 12:9.

          Assim sendo, faça como Paulo: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. ¹⁰ Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nos insultos, nas privações, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte” – 2 Coríntios 12:9,10.

          Por que o apóstolo fez essa declaração aparentemente contraditória ou paradoxal? Porque ele estava plenamente convicto de que quando reconhecia sua fraqueza e depositava seus espinhos e sua incapacidade de resolver os problemas nas mãos de Deus, e confiava que o Senhor cuidaria dele, tornava-se forte, uma vez que não mais estava lutando sozinho. E, se o Eterno estava guerreando com ele, a vitória era certa.

Sugestões de música:

 – Basta-me a Graça do Senhor (Armando Filho)

   – Deus é Deus Delino Marçal   

 
 

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Graça: cerca que protege a vida

“Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens.” (Tito 2:11- Versão Católica)      

     Um dos assuntos mais importantes das Escrituras Sagradas, se assim posso dizer, é a graça do Senhor para conosco. Portanto, entender o que é a graça e suas implicações em nossa vida precisa e deve ser um dos objetivos de todo aquele que deseja compreender o plano de salvação, elaborado por Deus.

     A princípio, precisamos lembrar que, quando criou o ser humano, Deus estabeleceu um limite, o qual Adão devia respeitar. Veja: “E o Senhor Deus ordenou ao homem: — De toda árvore do jardim você pode comer livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal você não deve comer; porque, no dia em que dela comer, você certamente morrerá” – Gênesis 2:16,17 – NAA).  

     Ao estabelecer esse limite, o Senhor não estava agindo como um “estraga prazer”. Ao contrário, desejava ensinar o princípio da obediência ao seu Criador. Também queria mostrar que acima deles havia alguém no comando, a quem precisavam respeitar. Ademais, o Pai pretendia protegê-los do sentimento de autossuficiência, o qual sempre leva as pessoas a suporem que conseguem viver e ser felizes por sua própria capacidade. Talvez, em nossos dias, isso fique ainda mais evidente do que antes.

    Como bem sabemos, Eva não resistiu aos encantos da árvore e à sedução do maligno (ali representado pela serpente), e comeu. Seu marido também fez o mesmo: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto e comeu; e deu também ao marido, e ele comeu” – Gênesis 3:6.

     Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não estou dizendo que a Mulher é que pisou na bola. Pelo contrário. O Senhor tinha dado a ordem a Adão, e foi a ele que se dirigiu primeiro e questionou sua atitude pecaminosa. Mas, como os dois cederam à tentação, ambos sofreram as consequências do pecado, que acabara de entrar no mundo por causa da desobediência a uma ordem expressa do Senhor.

     Quando caíram em si, e viram que haviam desobedecido ao Pai, tentaram dar um jeitinho, fazendo aventais de folhas de figueiras, para esconderem sua nudez – Gênesis 3:7. No entanto, era o ser humano tentando resolver as coisas do seu próprio jeito, o que foi impossível, como o é também hoje e sempre o será.

    Ao ouvirem a voz de Deus no final do dia, tentaram se esconder, como se isso fosse possível – Gênesis 3:8 ao 24. Já no versículo 15, vemos que o Senhor deu uma sentença e fez uma promessa: da semente (descendência) da mulher nasceria alguém que pisaria a cabeça da serpente, ou seja, do maligno. Obviamente, era uma referência à vinda do Messias, para resgatar o ser humano das garras do adversário da nossa alma e do pecado.

     Chegando ao versículo 21, lemos: “O Senhor Deus fez roupas de peles, com as quais vestiu Adão e sua mulher” – Gênesis 3:21. Fazendo isso, o Senhor estava dizendo: “Não é do jeito de vocês que as consequências do pecado vão ser resolvidas, mas do meu jeito”. Aliás, o jeito de Deus é sempre o melhor em tudo, conforme falo com minha família, quando é pertinente ou necessário.

    Aqui, preciso registrar que para fazer as túnicas de pele certamente um animal ou dois tiveram que morrer. Provavelmente, foram ovelhas ou cordeiros que perderam sua vida para que a nudez humana fosse coberta. Isso já apontava para Cristo, o qual é comparado com um cordeiro e com uma ovelha em Isaías 53;7. E, em João 1:29, Jesus é chamado de “O cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

    Em Gênesis 3:22 ao 24, leremos que as consequências da desobediência e do pecado foram a expulsão do jardim do Éden, cujo significado é estepe, planície, prazer ou delícia. Tal fato indica a seriedade do erro. Em Romanos 3:23, Paulo diz: “… pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”. Ou melhor: o pecado nos expulsou da presença de Deus.

    Se a história do ser humano terminasse aqui, seria muito triste. Trágica. Porém, graças a Deus, não termina assim. Antes, o plano de resgate, elaborado pelo Senhor, começa a ganhar corpo. Isso porque ninguém consegue, através de seus próprios esforços, se religar a Deus.

    Quando lemos Efésios 2:1 ao 9, isso fica bem claro. Observe: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” – NVI.

    Segundo você viu no texto acima, o pecado gerou morte. Física e espiritual. Quando se fala de morte espiritual, refere-se ao afastamento ou à separação definitiva de Deus. Assim, para reverter esse terrível quadro, foi preciso isto: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus. A condenação é esta: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal detesta a luz e não se aproxima da luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Quem pratica a verdade se aproxima da luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” – João 3:16-21.

     Como você viu, todos nós estávamos espiritualmente mortos. Por isso, Deus, em seu infinito amor para conosco, enviou Jesus Cristo para anunciar o evangelho, morrer na cruz e ressuscitar ao terceiro dia, para que nos trouxesse de volta à vida, fôssemos reconciliados e religados ao Pai e pudéssemos ter a certeza de que um dia iremos morar definitivamente com ele.

    Mas, como você leu em Efésios 2:8 e 9, a salvação é pela graça, por meio da fé – Romanos 1:16 e 17. Não vem das obras para que ninguém se glorie, isto é, não é fruto de esforços que resultam em merecimento pessoal. Em outras palavras: ninguém pode salvar-se a si mesmo. Afinal, no Novo Testamento, a palavra grega traduzida como graça é “charis”, a qual tem o sentido de favor a quem não merece. Também pode ser entendida como misericórdia, bondade ou benevolência de Deus para com o homem.

     Desse modo, fica mais fácil entender o que Jesus disse em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ora, se quisermos chegar a São Paulo, não podemos pegar a rodovia rumo ao interior, e vice-versa. Logo, caso desejemos chegar a Deus, Jesus se apresenta como único caminho, que aqui quer dizer meio, forma ou jeito. Não nos adianta procurarmos alternativas, pois simplesmente não existem, segundo dizem as Escrituras Sagradas.

    Os textos a seguir também nos ajudam a perceber claramente que em se tratando de mediador ou intermediário entre Deus e o homem só existe Jesus Cristo. Veja: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” – Atos 4:12 – e 1 Timóteo 2:5,6: “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem, que deu a si mesmo em resgate por todos, testemunho que se deve dar em tempos oportunos” – NVI.

    Afinal, o Mestre foi o único que morreu na cruz em nosso lugar e para nossa justificação: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual obtivemos também acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” – Romanos 5:1,2 – NVI.

     Quando voltamos ao Primeiro Testamento, também encontramos a palavra graça em muitas passagens. Normalmente, é empregada חסד, cuja transliteração é chesed, significando bondade, favor, benevolência, benignidade, misericórdia, amor e caridade. Isso demonstra claramente como Deus sempre manifestou sua graça ao seu povo. No salmo 136, por exemplo, há 26 vezes essa palavra.

     Além do vocábulo acima, existe outro bastante usado nas Escrituras: Chên (חֵן). Ele é formado pelas letras hebraicas chêt, cujos significados são cerca, guardar e proteger e num, a qual representa vida e vigor. Sendo assim, podemos entender que graça é aquilo que protege a vida ou ainda cerca que protege a vida. Portanto, no sentido bíblico, a graça de Deus é mais do que um favor a quem não merece (eu, você, todos nós). Mais do que amor ou generosidade incondicionais. É a cerca que protege ou guarda a nossa vida.

    Como vimos anteriormente em Romanos 3:23, todos nós pecamos, isto é, erramos o alvo, transgredimos ou desobedecemos ao Pai. Por essa razão, fomos destituídos da glória de Deus. Já em Romanos 6:23, lemos o seguinte: “… porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Ainda em Romanos 3:24, encontramos estas palavras motivadoras: “…sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus”.

     Como é maravilhoso ler essas palavras! Sabemos que nossa natureza é essencialmente má. Basta olharmos ao nosso redor que veremos que até as crianças, embora inconscientemente, fazem coisas más ou erradas. Na medida em que crescem, também podemos observar tais ocorrências. E, se olharmos para nós mesmos, adultos, verificaremos que, por mais que tentemos ser bons, muitas vezes agimos mal e até somos estúpidos ou vis em algumas situações.

     Desse modo, biblicamente falando não existe nenhuma possibilidade de sermos merecedores do perdão de Deus e da salvação eterna. MAS, quando aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador e o convidamos para fazer morada permanente em nosso coração, somos justificados gratuitamente, por meio da redenção conquistada por Jesus lá na cruz do Calvário.

    Em João 1:11-13, lemos estas maravilhosas palavras: “{Jesus} Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus”.

    Quem não o recebeu? Grande parte dos judeus, especialmente aqueles que eram apenas religiosos e se consideravam detentores absolutos da verdade como, por exemplo, os líderes judaicos. Por outro lado, está escrito que aos que receberam Cristo e creram em seu nome, ou seja, que ele era o Ungido do Senhor ou o Messias passaram a ser, espiritualmente falando, filhos de Deus. Obviamente, isso também quer dizer que passaram a ter direito à salvação eterna, como está escrito em 1 João 2:25: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”.

     Há, ainda, algo que considero importante deixar registrado neste artigo: a graça de Deus se manifesta em três tempos distintos, com seus aspectos característicos, produzindo:

  • 1º: Santificação inicial (a porta de entrada): A graça removendo a culpa. Isso acontece quando reconhecemos que somos pecadores e que precisamos do favor de Deus, de seu amor e generosidade incondicionais, uma vez que jamais conseguiremos ser justos o suficiente diante de Deus por mérito ou esforços próprios – Efésios 2:1-9.
  • 2º. Santificação progressiva (o caminho ou a caminhada): Como o sentido da palavra já indica, é algo que avança; que evolui, segue em frente; que se desenvolve gradualmente, aos poucos ou por etapas. Isso quer dizer que é o período da nossa caminhada terrena, no qual o Espírito Santo vai nos aperfeiçoando: “Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” –  2 Coríntios 7:1. 
  • 3º Santificação final (o Alvo a ser alcançado): É a manifestação da plenitude do processo de santificação, ou seja, de consagração a Deus ou de afastamento daquilo que é condenável e condenado pelo Pai. Mas é sobretudo o ponto máximo da vida com Cristo, quando haverá a redenção final. 

A palavra redenção refere-se diretamente ao ato de soltar ou libertar os escravos, através do pagamento do valor estipulado pelo dono. Em se tratando do sentido bíblico ou teológico, trata da libertação e salvação de Deus para a humanidade, por meio de seu filho Jesus Cristo.

A relação existente entre a redenção de escravos (física) e a nossa (espiritual) é que, antes de o Espírito Santo iluminar os olhos do nosso entendimento no que tange às coisas espirituais, éramos escravos do maligno e do pecado, o qual se manifesta de diversas formas, especialmente no desejo de vivermos e de fazermos as coisas do nosso jeito, não da maneira como o Senhor estabeleceu e requer de nós.

Por isso, ao escrever aos irmãos da cidade de Éfeso, o apóstolo Paulo declara: “Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força”Efésios 1:18,19.  

     Assim, a redenção final se dará quando Jesus vier buscar Sua Igreja, a qual é composta por todos aqueles que entenderam a mensagem do Evangelho, que o convidaram para vir morar em seu coração e ser seu Senhor e Salvador. Nesse dia, Cristo dirá a tais pessoas: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” – Mateus 25:34. E eu quero estar entre estes!

     Para finalizar, gostaria de dizer que a graça de Deus, manifesta através do Senhor Jesus Cristo, é um especialíssimo presente do Pai Celestial para cada um de nós. Também quero lembrá-lo de que ela é a cerca que protege nossa vida de tudo aquilo que nos afasta do Senhor e nos causa danos terríveis.

     Ainda preciso falar que cerca parece ser algo negativo, pois traz a imagem de algo que nos limita, tira a liberdade ou impede de seguirmos nosso caminho. MAS, no sentido bíblico, tem o objetivo de nos livrar dos “predadores” deste mundo tenebroso e até de nós mesmos, visto que nosso orgulho e sentimento de autossuficiência muitas vezes nos fazem cair nas armadilhas espalhadas ao longo do caminho onde cumprimos nossa jornada terrena. Então, a quem almeja estar dentro dos limites estabelecidos por ela, essa “cerca” só traz benefícios e paz de espírito.

    Agora, só me resta fazer-lhe uma pergunta: Quando você recebe um presente de uma pessoa especial, o que você faz com ele? Quase ouço você dizer que cuida dele com muito carinho e lhe dá o devido valor. E quanto ao presente que Deus lhe deu, mencionado no texto de abertura deste artigo?

     “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção/especial, zeloso na prática do bem” – Tito 2:12-14” – Versão Católica).

    Sugestão de música: Graça maravilhosa (Voz da verdade)

 

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Crédito com Deus

linha-de-credito

É bom ter crédito na praça?

Logicamente essa pergunta parece absurda. Afinal, todos nós queremos e precisamos ter crédito para podermos fazer as transações comerciais necessárias. Mas não apenas na área financeira. Em todas as coisas e situações isso é importante e se faz necessário.

Apesar disso, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) cerca de 56% das famílias brasileiras estão endividadas.  Como consequência, muitos não podem comprar a prazo.

Se gozar da confiança de uma empresa ou de alguém já é algo maravilhoso, imagine ter crédito com Deus?  Não há dúvida de que é fantástico.   E as Sagradas Escrituras estão cheias de exemplos de pessoas que desfrutavam da confiança do Senhor, mas também de outras tantas que não tinham a aprovação dele. Infelizmente.

Quando olhamos para a história dos reis de Israel e de Judá, vemos muitas vezes a seguinte expressão a respeito deles: “E fez o que parecia mal aos olhos do Senhor”, como está escrito em II Reis 17:2 sobre Oséias ou como está registrado sobre Acaz: “… e não fez o que era reto aos olhos do Senhor Deus, como Davi, seu pai” – II Reis 16:2. Por essa razão, esses homens não tinham crédito com o Senhor e deixaram de desfrutar das bênçãos do Pai.

Por outro lado, também encontramos o seguinte sobre alguns reis: “E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai” – II Reis 18:3. Esse foi o caso de Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, sobre o qual meditaremos um pouco.

E não para por aí. Veja os versículos 5, 6 e 7a: “No Senhor Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele, porque se chegou ao Senhor, não se apartou dele, e guardou os mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés. Assim foi o Senhor com ele; para onde quer que saía se conduzia com prudência…”

Que declaração maravilhosa! Porém, mais fantástico ainda foi o que aconteceu com esse homem de Deus, como resultado da sua obediência ao Senhor: recebeu o favor de Deus tanto no exercício do seu governo quanto na vida pessoal.

Em se tratando de seu serviço como governante, quando Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu todas as cidades fortes de Judá, apossou-se delas e começou a fazer uma grande pressão psicológica sobre Ezequias e seu povo, o rei pegou as cartas e as estendeu diante do Senhor e orou apresentando as ameaças que seu adversário havia feito, pedindo livramento para todos os servos do Senhor.

Por causa de sua fidelidade, veja a resposta que o Senhor enviou a ele através do profeta Isaías: “Assim diz o Senhor Deus de Israel: O que me pediste acerca de Senaqueribe, rei da Assíria, ouvi” – II Reis 19:20. A seguir, o Altíssimo enviou um grande livramento ao seu povo.

Em outro momento, Ezequias adoeceu e o Senhor mais uma vez falou com ele através de Isaías: “Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” – II Reis 20:1.

Que notícia terrível, não é? Contudo, lembre-se de que ele havia feito o que era reto aos olhos do Senhor. O rei não fizera o que parecia reto aos seus próprios olhos, e isso lhe garantiu um enorme crédito com Deus ao longo de toda sua vida.

Ao ouvir tal sentença, ele não Read the rest of this entry »

 

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SEJA FEITA A TUA VONTADE

nas mãos de Deus, Deus cuida

Espírito Santo – Fernanda Brum

Quando lemos o versículo em que Jesus se coloca à disposição de Deus totalmente, – “ Pai, passa de mim esse cálice, todavia seja feita a Tua vontade.”-  nos alegramos pelo fato de Jesus ter morrido na cruz em nosso lugar e por esse motivo temos livre acesso ao trono da Graça. Quando nos deparamos com Paulo que diz: “A tua graça me basta”, nos damos o direito de dizer como ele e nos colocar na plena dependência de Deus, crendo que seremos capazes de viver assim independente da situação. Onde pretendo chegar? Talvez nunca de fato imaginamos o que vem a ser viver apenas com a graça de Deus. Gostaria de refletir com você algumas situações:

  • Se faltar o pão em nossa mesa e o dinheiro no nosso bolso, seremos capazes de dar graças por tudo e viver na dependência de Deus?
  • Se faltar a saúde, diremos e faremos como Jó? Adoraremos a Deus mesmo assim?
  • Se estivermos a beira da morte sem entender o motivo do nosso declínio, seguiremos adorando a Deus até nos restar um último suspiro?
  • Se o Senhor pedir nossos filhos como fez com Abraão, seguiremos firmes na nossa fé?
  • Se o Todo Poderoso Deus entregar em nossas mãos uma criança com necessidades especiais, seremos capazes de entender a vontade de Deus e continuar O adorando em espírito e em verdade? Read the rest of this entry »
 
 

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