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Orfandade

13 abr

O mundo está cheio de órfãos. Órfãos de pais, de filhos, de afeto, de atenção... órfãos de tudo!!

“Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.” (João 14:18)

 

Quando se fala em orfandade, logo nos lembramos de coisas extremamente negativas. Por isso, um dos textos bíblicos pelos quais sou apaixonado é o que utilizei na abertura deste artigo. E, justamente por considerá-lo uma das pérolas de maior valor das Escrituras Sagradas, se é que posso fazer tal afirmação já que todos trazem lições assaz relevantes para nós, quero compartilhar com você algumas das reflexões que podemos fazer a respeito dele e dos ensinamentos preciosos que ele traz.

Para isso, convido-o a pensar comigo na palavra orfandade e em suas implicações, pois, como afirmei na introdução, ela nos remete a algo ruim. Vamos lá?

Em primeiro lugar, vale lembrar que ser órfão significa não ter o pai e a mãe ou pelo menos não ter um dos dois genitores. Assim, quando Jesus diz aos discípulos que não os deixaria órfãos, está declarando que eles não ficariam sem pai. Enquanto esteve com eles, o Senhor lhes foi como um pai. Basta lembrar que em João 10:30 ele fala: “Eu e o Pai somos um”. Logo, entendemos que o Mestre assumiu esse papel durante o período de tempo que esteve aqui na terra.

Em segundo lugar, é importante recordar que a ausência dos pais gera nos filhos os sentimentos de solidão, de vazio, de insegurança, de abandono, de medo quanto ao que há de acontecer. Enfim, passam a se sentir perdidos como um barco à deriva num mar tempestuoso.

Em terceiro lugar, um órfão se sente como um marinheiro que não tem um porto seguro onde possa atracar o seu navio. Sente-se um pássaro sem árvore e sem ninho onde possa repousar depois de um dia de vôos, de caçadas e de fugas de implacáveis predadores. Ao dizer isso, passei a pensar em mim mesmo, pois perdi meus pais há muitos anos e até hoje há situações nas quais me sinto desse modo. Tenho vontade de compartilhar alegrias e tristezas com eles, mas não os tenho por perto. Tenho vontade de sentar-me ou deitar-me em seu colo para desabafar ou rir, porém não me é possível fazê-lo.

Em quarto lugar, a falta de genitores também lembra a ausência de um provedor. Dependendo da idade ou das condições financeiras de um indivíduo, existe a carência de alguém que lhe supra suas necessidades primárias, tais como o alimento, a roupa, o calçado, o remédio e outras semelhantes a essas. No entanto, essa dependência ou precisão ultrapassam o limite do que foi posto como exemplo. Ao dizer isso, refiro-me a coisas que o dinheiro não pode comprar ou não podem ser classificadas como materiais. Digo, por exemplo, da provisão de amor, de carinho, de companheirismo, de compreensão, de cumplicidade, de atenção, de palavras de conforto ou de motivação, de estímulo ou cobrança, de elogio ou de um puxão de orelha na hora certa e outros da mesma natureza.

Portanto, quando Jesus falou que não nos deixaria órfão, creio piamente que queria dizer que iria embora, pois sua missão aqui na terra estava sendo concluída. Entretanto, como ele foi o provedor de todas essas coisas enquanto esteve com seus discípulos, haveria outro Consolador, Conselheiro, Ajudador  ou Amigo que estaria com eles. E o melhor de tudo é que o Senhor disse: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16). Aleluia!!!

Ficar conosco para sempre!… Não é fantástico isso? Cristo está dizendo que o Espírito Santo assumiria o controle a partir do momento em que ele retornasse para o céu, isto é, logo após sua morte e ressurreição. Isso significa, na prática, que o fluxo de bênçãos não seria interrompido, uma vez que o Seu substituto ficaria para sempre conosco.

Em outras palavras: o Espírito Santo, o outro Consolador, passou a ser o nosso provedor. De quê? De tudo aquilo que é necessário à nossa sobrevivência neste mundo corrupto e corruptor. É ele que tem tornado possível viver uma vida cristã vitoriosa, mesmo em meio a tempestades e ao pecado, o qual tão de perto nos rodeia (Hebreus 12:1).

Jesus sabia que ninguém conseguiria viver neste mundo como verdadeiro cristão caso se apoiasse em sua própria capacidade, sabedoria, força, justiça ou mérito. Se fosse possível, não haveria necessidade de passar por tudo o que ele passou lá na sangrenta  e humilhante cruz.

Por essa razão, deu-nos esse presente maravilhosíssimo: seu Santo Espírito, o qual regenera o nosso coração, opera em nós o novo nascimento (João 3: 1 ao 8), dá testemunho de que somos filhos de Deus (Romanos 8:14 e 16), revela-nos o plano de salvação, ensina-nos o caminho em que devemos andar (João 14:26), lembra-nos de tudo aquilo que o Mestre ensinou (João 14:260) e intercede por nós até com gemidos inexprimíveis, pois, muitas vezes, não sabemos pedir como convém (Romanos 8:26 e 27). Além disso, capacita-nos para que sejamos úteis no Reino de Deus (I Coríntios 12:7) e nos dá idéias incomuns a fim de sermos cabeça e não cauda, de estarmos por cima e não por baixo (Deuteronômio 28: 13).

Para finalizar, almejo dizer a você que vale a pena servir ao Senhor com um coração humilde, sincero, agradecido e confiante. Há bastantes motivos para que prossiga nessa caminhada em direção ao céu sem olhar para trás, sem murmurar, sem se sentir sozinho. Jesus disse que, mesmo os homens sendo maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai Celestial daria o Espírito Santo aqueles que pedissem a Ele.

Então, não existe nenhum motivo plausível, grande ou forte o suficiente para fazê-lo desistir. Levante sua cabeça e peça ao Espírito Santo que seja de fato seu Amigo, seu Conselheiro, seu Ajudador, seu Mestre, seu Consolador. Você não é um órfão, não está sozinho à mercê das ações do maligno com seus dardos inflamados. Você é um filho amado por quem o Pai pagou um alto preço e a quem presenteou com o seu Espírito Santo (I Coríntios 6: 17, 19 e 20; I Pedro 1: 18 e 19).

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Uma resposta para “Orfandade

  1. Pedro

    10/06/2017 at 15:43

    “E Guerico diz que independe de como qualquer humano levou sua vida na terra, na hora da morte ele vai se avistar com Jesus Cristo.” (Dom Bernardo Bonowitz, americano norte de Nova York e monge no Paraná, falando sobre o que diz um discípulo de São Bernardo dos anos 1200)

     

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