RSS

Arquivo da tag: perdão

Ver ou conhecer Jesus? – Um plano melhor

         “Zaqueu, desça depressa, porque, hoje, me convém pousar em sua casa.” (Lucas 19:5)   

Zaqueu - o publicano 

          Há alguns anos, escrevi um artigo chamado Ver ou conhecer Jesus?*. De lá para cá, já ministrei sobre esse tema em algumas igrejas. E, em cada uma dessas ocasiões, o Espírito Santo levou-me a abordar novas lições que podemos aprender com esse texto, pois a Palavra de Deus, assim como as misericórdias dele, se renovam dia após dia – Lamentações 3:22-23.  

          Agora, gostaria de compartilhar com você mais um pouco daquilo que o Senhor trouxe ao meu coração nesses últimos dias. Para isso, tomarei como base o texto de Lucas 19:1-10, no qual está registrada a rica e enriquecedora história de Zaqueu.

          Para início de conversa, pergunto-lhe: Por que esse homem, mesmo sendo judeu, decidiu trabalhar como cobrador de impostos para o império romano, uma vez que isso geraria sérias consequências de ordem relacional para ele e sua família?

           Talvez, um dos motivos pelos quais ele tomou essa decisão foi o desejo de ter estabilidade financeira para si e para os seus. Quem sabe, desejasse ter proteção, pois, como diz o ditado, se não posso com o inimigo, junto-me a ele. Além disso, podemos supor que tenha sido movido pela ambição, pelo poder, ganância por riquezas, status social, fama ou algo semelhante ao que foi dito.

          Embora as Escrituras não informem a razão de Zaqueu ter feito essa escolha, sabemos que ele se tornou não apenas um cobrador de impostos, mas o chefe deles, e rico, conforme lemos em Lucas 19:2. Isso, por certo, lhe dava autoridade e uma certa respeitabilidade.

          Por outro lado, também gerava olhares de inveja dos romanos e de reprovação por parte dos judeus, seus irmãos. Desse modo, ele não se encaixava nem entre aqueles que dominavam seu povo, nem entre os judeus, os quais o viam como traidor, ladrão e pecador, segundo ainda veremos.

          Neste ponto, preciso fazer outros questionamentos a você: Por que esse homem resolveu procurar Jesus? Será que não havia conquistado tudo o que queria? Afinal, como se diz popularmente, ele já estava com a mula na sombra. 

          Quem sabe, em determinado momento da vida, Zaqueu começou a passar por uma crise existencial, ou seja, um descontentamento que surge devido à insatisfação ou à confusão com a própria identidade, sentido e propósito de vida.

          Presumo que esse homem passou a questionar sua identidade, pois estava agindo como um romano, mesmo sendo judeu. Também suponho que começou colocar em xeque o sentido da sua vida: Será que realmente vale a pena viver? A vida é só isso? Além do mais, penso que ele se viu questionando qual seria o propósito da sua vida.

         Partindo desse raciocínio, penso que ele se sentia imensamente vazio e triste. Por isso, talvez dissesse para si mesmo: A vida deve ser mais do que isso. Deve existir algo maior e melhor do que poder, estabilidade, fama, sucesso, bens e riquezas. Deve haver uma forma de ser realmente feliz e me sentir realizado.         

          Mas… Por que ele tomou a decisão de ver quem era Jesus? Ou ainda: Como ele ficara sabendo da existência do Mestre?

          O evangelista Lucas também não registrou essa informação. Porém, presumo que em suas andanças pelas ruas de Jericó, além de xingamentos e provocações de seus irmãos, ele ouvia as pessoas falando sobre o novo rabi, cujas palavras tocavam profundamente o coração das pessoas e estava realizando coisas extraordinárias, inclusive ressuscitando mortos.

          Quem sabe, foram outros cobradores de impostos que lhe falaram sobre esse homem que estava causando alvoroço com seus ensinos recheados com uma autoridade, poder, carisma e empatia nunca vistos antes. Ou teria sido algum de seus empregados? Será que a esposa dele tinha ouvido de uma de suas amigas enquanto comprava mais um vestido chique no “shopping” da cidade?

          Não sabemos. Mas o que de fato importa é que ele ouviu falar do Mestre e tomou a sábia decisão de ir ver quem era esse homem fantástico. E assim foi. Contudo, havia alguns impeditivos: era de pequena estatura, existia uma multidão ao redor de Jesus e ele não era bem-vindo naquele lugar – Lucas 19:3. O que fazer então?

          Diante desse obstáculo, ele teve a brilhante ideia: “E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver, porque havia [Jesus] de passar por ali” – Lucas 19:4.

          Você consegue imaginar essa cena inesperada, inusitada e constrangedora, isto é, o chefe rico que estava pagando um grande mico?!

          Imagine você andando na rua e ouvindo falar que uma pessoa muito importante está por ali. Então resolve ir vê-la. Ao se aproximar, vê uma grande autoridade, ou quem sabe seu pastor, correndo e subindo numa árvore para ver também. O que você pensaria? O que diria?

          Certamente pensaria que esse indivíduo havia perdido o juízo. Se fosse seu pastor, talvez você tentaria se esconder para que ele não o visse. E, se alguém dissesse: “Olha o pastor da sua igreja!” Quem sabe, como Pedro você negaria conhecer “aquele homem”. Pode ser que o negasse muito mais que três vezes. E eu me incluo nessa também.

          Para Zaqueu, porém, naquele momento, não importava o que diriam ou pensariam as pessoas que o vissem pagando aquele mico. Ele estava decidido a ir em frente, independentemente do apontar de dedo da multidão. Por esse motivo, elaborou uma estratégia incomum e deu um jeito. Era o Modo Zaqueu de fazer as coisas acontecerem. Assim, finalmente ele poderia ver aquele rabi de quem ouvira falar tantas coisas maravilhosas, inovadoras, revolucionárias.

          Para surpresa dele, quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” – Lucas 19: 5. Esse era o Jeito Jesus de realizar as coisas.

          É sempre assim. Pensamos que temos a solução definitiva para algum problema, mas o Senhor nos mostra uma melhor. Zaqueu queria ver Jesus, o que poderia acontecer a uma boa distância. Por isso subiu na figueira. Entretanto, o Mestre queria relacionamento pessoal; por essa razão, ordenou que ele descesse.

          Em uma das profecias messiânicas, o profeta Isaías declarou o seguinte sobre o nascimento de Jesus: Portanto, o Senhor mesmo lhes dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel – Isaías 7:14. E em Mateus 1:23, lemos o seguinte: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel.” (Emanuel, do hebraico Immanu’El significa: “Deus conosco“.).

          Percebeu? Jesus é Deus conosco. Isso significa que ele está entre nós, perto de nós, junto conosco e em nós. Desse modo, para o Senhor, não bastava apenas ser visto por Zaqueu. Cristo queria proximidade, relacionamento, olho no olho.

          Além do mais, em sua onisciência, ele sabia que existiam necessidades mais profundas do que esse homem imaginara até então. E não somente na vida dele, mas na da sua família também. Afinal, ninguém adoece sozinho. Quando um ente querido não está bem, há reflexos em todos (ou muitos) que estão ao redor, especialmente na vida do cônjuge e filhos.

          Sendo assim, era mais uma oportunidade para mostrar não só a Zaqueu, mas a todos que ele realmente era o Emanuel e queria fazer parte da vida de quem estivesse disposto a se relacionar com ele.

          Quando Zaqueu ouviu o convite do Mestre e teve a percepção do que isso significava, apressou-se, desceu depressa – Lucas 19:6 – e recebeu Jesus gostoso. (Ou, como dizem outras versões, com grande alegria, exultante.)

          O que é receber gostoso? Já vou explicar. No entanto, antes, pergunto-lhe: Por acaso, alguém que você não via há um tempo, ao encontrá-lo, ficou tão feliz que o abraçou tão forte para matar a saudade, que deu a impressão de que quebraria seus ossos? Eu suponho que foi isso que Zaqueu fez.

          Aquela forma de receber o Mestre demonstrou que, mesmo inconscientemente, ele sentia uma grande saudade de Deus e necessidade do amor e do abraço do Senhor. Também revelou o quanto se sentiu valorizado e honrado, o que seu povo não fazia, obviamente com razão.

          Mas pensa que saiu barato esse encontro? Não. Nem um pouco. Veja como Lucas, o evangelista, registra a reação da turma do bocão: “Vendo todos isso, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” – Lucas 19:7.

          Notou o rótulo que deram a Zaqueu? Um homem pecador. Por certo, também o chamavam de ladrão, de traidor e outros adjetivos tão “carinhosos” quanto. E, talvez, também rotulassem sua mulher e seus filhos de “a mulher do pecador, ladrão, traidor…” e “os filhos do pecador, ladrão, traidor…”.

           Nós somos desse jeito. Temos o hábito de rotular as pessoas: o bêbado, o drogado ou o noia, a adúltera, o preguiçoso, o narigudo, o burro, a esquisita, o gordo, a girafa etc. Segundo consta, Gisele Bündchen, modelo mundialmente conhecida, era chamada de Olívia Palito na escola e não arrumava namorado por ser muito magra e alta. Também era considerada o patinho feio da família.   

          Felizmente, o olhar e o conceito do Senhor sobre nós são diferentes. E isso ficará bem claro no fim da história. Todavia, cabe agora voltar os olhos para a declaração desse novo homem que nasceu a partir do encontro com Cristo: “E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” – Lucas 19:8.

          Observe como o encontro dele com Cristo foi impactante. Segundo vimos, talvez um dos motivos que o levaram a se tornar um chefe dos cobradores de impostos foi a ganância pelo dinheiro, bens ou outras riquezas. Contudo, agora, ele percebeu que tudo isso era pouco perto do que Jesus lhe proporcionara e decidiu, espontaneamente, dar metade de seus bens aos pobres.

          Quero frisar isto: foi uma decisão pessoal. Jesus não o obrigou a fazer a doação. Nem a nós também. Entretanto, o amor ao próximo, o qual resulta em generosidade, inundou a alma desse homem, produzindo esse tipo de atitude.

          E mais: ele disse que, se em alguma coisa tivesse defraudado alguém, restituiria quatro vezes mais. Em outras palavras: não queria que sua nova vida fosse manchada por nada. Queria estar em paz com Deus e com as pessoas, como convém a todos aqueles que decidem se tornar de fato discípulos de Cristo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – 2 Coríntios 5:17 – ARC.

          Agora, leia o mesmo texto na Nova Versão Transformadora: “Logo, todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início!”. Aqui, a mensagem ficou ainda mais clara. E na nova vida com Cristo não podemos ficar arrastando fardos ou dívidas do passado, se houver.

          Diante da postura de Zaqueu, Jesus fez a seguinte declaração: “Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão, porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” – Lucas 19:9-10.

          Cabem aqui algumas reflexões ou considerações:

  • Como Zaqueu, muitas vezes fazemos escolhas com as intenções ou motivações erradas, supondo que está tudo certo. Afinal, achamos que precisamos fazer qualquer coisa para sermos felizes. No entanto, ainda que a princípio tudo pareça bem, com o passar do tempo percebemos que existem outras que são muito mais importantes e necessárias. Principalmente nosso relacionamento com Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador – Efésios 2:1-10.
  • Muitas vezes, queremos apenas ver o Senhor à distância com medo do que as pessoas podem falar, por não querermos um compromisso sério com ele ou com medo de não sermos aceitos, por nos considerarmos indignos do seu amor. E tentamos fazer as coisas do nosso jeito. Todavia, não é do nosso jeito. É como o Mestre quer. Isso ficou claro na estratégia de Zaqueu: subir na figueira. Mas Jesus lhe disse para descer.
  • Ver é algo que se pode fazer à certa distância. Entretanto, o Senhor quer muito mais: ele quer proximidade; quer relacionamento pessoal, pois é o Emanuel, ou seja, Deus conosco: “O Senhor está perto de todos que o invocam, sim, de todos que o invocam com sinceridade” – Salmos 145:18.
  • As pessoas enxergavam esse homem apenas como um pecador, ladrão e traidor. No entanto, Jesus o via como um filho de Abraão. Isso quer dizer “como um filho de Deus” ou “como alguém que, pela fé, é herdeiro das mesmas bênçãos que o Senhor prometeu a Abraão e aos seus descendentes”.

          Com você e comigo não é diferente. As pessoas podem nos rotular de qualquer coisa (e às vezes realmente damos reais motivos para que nos rotulem), pois elas só conseguem ver aquilo que é exterior ou que se manifesta através das nossas atitudes e comportamentos. Mas nosso Senhor e Salvador vai infinitamente além: ele não vê apenas nosso passado, presente e erros; Deus enxerga nosso futuro como um verdadeiro filho dele: “Eu serei seu Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” – 2 Coríntios 6:18.

          Portanto, o que importa de fato é como Deus nos vê e o que diz a nosso respeito, não como as pessoas nos veem e o que falam sobre nós.

  • Mesmo que Zaqueu não fosse um corrupto ou um ladrão, ele era pecador, como todos nós também somos: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” – Romanos 3:23 – e “Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque” – Eclesiastes 7:20.

  E mais: “Se afirmamos que não temos pecados, enganamos a nós mesmos e não vivemos na verdade. Mas, se confessamos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Se afirmamos que não pecamos, chamamos Deus de mentiroso e mostramos que não há em nós lugar para sua palavra” – 1 João 1:8-10.

Simplificando: todos nós somos pecadores. E o pecado nos torna “perdidos ou mortos espiritualmente”, ou seja, sem direito à salvação eterna, a qual só é possível por causa da morte de Jesus Cristo: “Pois o salário do pecado é a morte, mas a dádiva de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” – Romanos 6:23.

Então foi para nos reconciliar com Deus e nos dar salvação que Cristo veio ao mundo: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” – João 3:16-18.

  • Naquela ocasião, jesus disse: “Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão, porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” – Lucas 19:9-10.

Note que Jesus levou salvação àquela casa, isto é, não somente para Zaqueu. Todos ali precisavam ser salvos. Conosco e com nossa família não é diferente. Sem Cristo, estamos irremediavelmente perdidos e precisamos de um Salvador. E o único autorizado por Deus é o Senhor Jesus, que declara: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” – João 14:6.

  • Pela leitura do texto, percebemos que a princípio Zaqueu pensou apenas em si mesmo. Talvez porque estivesse tão aflito, angustiado ou não desse o devido valor à sua família. Quem sabe, seu desejo era só uma curiosidade e pensasse que não precisava de Deus, que estava tudo bem. Porém, Jesus tinha um plano melhor e sabia que toda a sua casa precisava de socorro. Esse plano incluía salvação para a família.

Quem sabe a história desse homem se assemelha muito à sua. Talvez você não tenha percebido o quanto precisa de Jesus. Pode até ser que pense que sua família precisa, mas você não. Ledo engano!!! Todos nós precisamos. E o Senhor, que sonda o mais profundo do nosso coração e para quem não há nada encoberto, sabe perfeitamente que precisamos com urgência dele e de salvação.

Portanto, ao encerrar este artigo, quero dizer a você: Aceite o Senhor agora mesmo. Assim, espiritualmente será chamado de filho de Deus: “Mas, a todos que creram nele [Jesus] e o aceitaram, ele deu o direito de se tornarem filhos de Deus” – João 1:12. Faça como Zaqueu: a partir daquele encontro, ele e a família dele começaram a escrever uma nova história em parceira com o Senhor. E você também pode fazer isso. Inclusive exatamente agora, se quiser.

 Porém, caso você já tenha convidado Jesus para ser seu Senhor e seu Salvador, quero incentivá-lo a permanecer firme, pois, “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar/se mantiver firme até o fim, esse será salvo” – Mateus 24:12-13. Assim, certamente ouvirá o Senhor a dizer: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” – Mateus 25:34.

 

Tags: , , , , , , , , ,

A verdadeira paz

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)        

    Existem assuntos que são extremamente atuais e importantes. Paz é um deles. Já meditei sozinho ou com a minha família sobre ele, escrevi diversas vezes e fiz palestras a seu respeito. Mas o “curioso” é que faz mais de quinze dias que, muitas vezes, me pego pensando nele novamente.

     Assim, como sempre digo, entendo que preciso falar mais um pouquinho sobre paz.  Entretanto, não baseado no conceito terreno, o qual nos leva a pensar que ela é fruto da ausência de problemas ou que é apenas algo efêmero, isto é, temporário ou passageiro.  A abordagem se dará baseada fundamentalmente no que dizem as Sagradas Escrituras, a qual é a base inegociável de fé e prática do cristão.  

     Para começar, é fundamental saber a origem da palavra paz (do hebraico Shalom –    שלום). Segundo o professor de hebraico Renato Santos[1], ela tem como raiz o vocábulo Shalam, e seu significado primário é “estar seguro na mente e no corpo; estar completo ou tranquilo. Já a professora Karla Damasceno[2] ensina que traz o sentido de “prosperidade geral”, não apenas financeira.

      No sentido comum, geralmente encontrado nos dicionários, essa palavra expressa a ideia de ausência de problemas, violência ou de conflitos, seja na relação com outras pessoas ou consigo mesmo. Logo, parece ser algo totalmente inatingível, pois, seja em âmbito pessoal ou social, sempre existem indivíduos, coisas ou situações que nos desagradam. Consequentemente, tiram-nos a tranquilidade, a alegria, o sono e, para algumas pessoas, a razão de viver.

     No entanto, ao olharmos para a Bíblia, vemos algo reconfortante. Deus se revela com Yahweh-Shalom, que significa: “O Senhor é a nossa paz” – Juízes 6:24. Além disso, quando lemos as profecias sobre a vinda do Messias, encontramos o seguinte: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel (Deus conosco)” – Isaías 7:14.

     Ainda a respeito do Messias, o Senhor nos fala em Isaías 9:6: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz (Sar-Shalom)”.

     Diante disso, almejo refletir um pouco com você, a fim de compreendermos melhor esse assunto à luz da Palavra de Deus. Vamos lá?

  • Se o Senhor é a nossa paz, como está registrado em Juízes 6:24, é nele que a temos que buscar. Porém, o que geralmente fazemos é exatamente o contrário disso. Nós a buscamos em coisas materiais, pessoas, formação acadêmica, sexo, drogas, filosofias, ideologias, remédios, dinheiro ou quaisquer distrações desse mundo que nos pareçam adequadas ou promissoras.

     Evidentemente, isso pode até gerar momentos de paz ou de prazer e satisfação. Mas logo tudo, ou quase tudo, volta a ser como antes, deixando-nos preocupados, incomodados, inseguros, insatisfeitos ou perturbados. Portanto, se de fato ansiamos pela paz duradoura, devemos procurá-la na fonte inesgotável, ou seja, no Senhor.

  • Em Jó 22:21, lemos: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”.

     Que revelador esse texto!! Veja que ele nos diz para nos unirmos a Deus. O resultado direto da ação de nos unir ao Senhor é termos paz e desfrutar do bem que nos sobrevirá. Todavia, muitos de nós, ou muitas vezes, nos unimos a tudo e a todos, menos ao Pai. Consequentemente, não usufruímos desse sentimento tão necessário a uma vida de estabilidade emocional, mental e espiritual. Em outras palavras: só podemos ter o sentimento de segurança no corpo, na alma e no espírito se estivermos unidos ao Senhor.

  • Em João 14:27, encontramos Jesus, o Emanuel, dizendo: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo”.

     Primeiro, é importante lembrar que Jesus é nosso Sar-Shalom, ou seja, o Príncipe ou o Principal da Paz. Em segundo lugar, cabe-nos atentar bem para o que Cristo diz: ele ia deixar a paz DELE, a qual é bastante diferente daquela que o mundo dá. A dele é autêntica e duradoura. A do mundo você já sabe como é: passageira e circunstancial, ou seja, depende das circunstâncias/situações que nos envolvem. Por fim, a paz do Senhor anula o medo e a perturbação de espírito.

  • Seguindo essa mesma linha de raciocínio, o Mestre ainda declarou aos discípulos, quando os avisava sobre que seria preso e morto: “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” – João 16:33.

     Parece-nos incoerente ou insensato o que Cristo falou para eles. Disse que aconteceriam coisas ruins e tristes e, ao mesmo tempo, que era para terem paz. Obviamente, temos dificuldade de entender e de aceitar o que foi dito. Porém, é justamente aqui que se revela de forma clara o que á a paz do mundo (que é circunstancial e temporária) e a do Senhor, a qual vai muito além do que se pode ver ou sentir.

     Quando refletimos sobre o texto de abertura desse artigo, conseguimos compreender mais profundamente o conceito divino de paz. O apóstolo Paulo nos fala de uma paz que excede todo o entendimento, ou melhor, que está acima ou além da compreensão humana. Por quê? Justamente porque provém de Deus. E mais: ela “guardará os nossos corações e os nossos sentimentos em Cristo Jesus.”

  • Outra coisa que preciso lhe dizer é: “Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo, pois ele é a nossa paz…” – Efésios 2:13,14.

     Observe que o texto fala que Cristo é a nossa paz. Não é uma filosofia de vida. Não é uma ideologia. Não é o sexo. Não são as drogas. Não é o dinheiro e tudo o que ele pode nos proporcionar. Não é um casamento feliz (ainda que seja muitíssimo importante e devemos contribuir para isso). Não são bons amigos (mesmo que sejam preciosos). Não é simplesmente ter uma religião ou cumprir tarefas religiosas. É Cristo. É ter Cristo.

     Mas como podemos desfrutar dessa paz tão importante e necessária?

     Primeiramente, devo dizer que não dá para desfrutar dessa paz, se não estivermos em paz com Deus.

     Confuso, não é? Mas já esclareço. Muitas vezes, o que tira nossa paz é o sentimento de culpa por algo que fizemos diretamente contra Deus, desrespeitando seus mandamentos ou contra nosso semelhante. Nesse caso, segundo a Bíblia, só existe uma maneira de mudar esse quadro: pedindo perdão a Deus ou à pessoa a quem magoamos e abandonando qualquer conceito ou prática contrários aos mandamentos do Senhor. Afinal, não é possível estar em paz, se estamos na contramão daquilo que Deus espera de nós. Veja:

     “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia. Bem-aventurado o homem que continuamente teme; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal”. (Provérbios 28:13,14)

     “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (1 João 1:7-9)

     “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”. (Romanos 5:1,2)

     Esta manhã, assim que acordei, a história de várias pessoas veio à minha mente. E sinto que devo compartilhá-la com você. Mas antes tenho que falar algo que também veio: talvez, você fez algumas coisas das quais se envergonha e se arrepende amargamente. Quem sabe praticou um aborto ou forçou seu cônjuge ou namorada a fazê-lo e o peso da culpa tem se tornado um torturador que continuamente tira sua paz e o faz sofrer. Talvez traiu alguém, cônjuge ou não, causando muita dor e sofrimento e isso também está corroendo sua vida. 

     Talvez você que está lendo este artigo assassinou uma pessoa ou provocou um acidente, estando embriagado ou mesmo sóbrio, e as consequências desse ato têm tirado sua paz, levado à depressão, a crises de ansiedade ou de pânico, ou ainda às drogas (álcool ou outras), tentando se esquecer ou amenizar a dor que todas essas coisas lhe causam. 

     Quem sabe o que lhe tem provocado sofrimentos semelhantes aos que já foram ditos são outros. Não importa. Os terríveis efeitos são os mesmos ou semelhantes, uma vez que se resumem a estas palavras: pecado culpa arrependimento vergonha = falta de paz interior.

      Mas tenho uma boa notícia para você: existe solução para tudo isso.

     Quando olhamos para o Salmo 32, que é de Davi, conseguimos entender um pouco mais sobre a gravidade do pecado e das consequências dele. Esse homem havia cometido dois erros gravíssimos: adulterado com Bate-Seba, que era casada com Urias, um soldado valoroso do exército de Davi. Para que não fosse descoberto, já que a mulher engravidara, ordenou que marido dela fosse posto na linha de frente da batalha para ser morto pelos soldados inimigos.

     Consequentemente, passou a sofrer muito. Veja o que ele declara: “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia! Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões ao Senhor”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os atingirão. Tu és o meu abrigo; tu me preservarás das angústias e me cercarás de canções de livramento” – Salmos 32:1-7.

  • Os versículos 3 e 4 mostram claramente o estado físico, mental, emocional e espiritual em que o rei se encontrava por causa do pecado e da culpa. Ele estava sendo vítima de doenças psicossomáticas, isto é, que se manifestam na mente e emoções e refletem diretamente no corpo. Por exemplo: ansiedade, pânico ou depressão, que provocam sinais físicos, tais como gastrite, falta de apetite, dor de cabeça e muitos outros. E talvez você esteja se sentindo exatamente desse jeito.

     Lembrete importante: Não estou afirmando que esse é o seu caso. Para ter um diagnóstico, deve procurar um profissional competente, que o ajudará a identificar as causas, mas também fazer um autoexame. No entanto, algumas coisas que o fazem sofrer são tão evidentes, que você já pode e deve buscar a ajuda e o perdão de Deus.

  • No versículo 5, há o registro da confissão a Deus.
  • No 6 e no 7, começamos a ver as mudanças que já estavam acontecendo na vida dele. 
  • Mas é nos versículos 1 e 2 que se encontra o que almejo destacar: por duas vezes o rei usa a palavra feliz ou bem-aventurado para iniciar o que vai dizer. A seguir ele explica a razão dessa felicidade ou bem-aventurança: transgressão perdoada, pecado coberto, maldade não imputada (não atribuída a responsabilidade por algo praticado) e ausência de engano no espírito.  
  • Se você ler o salmo 32 até o fim (é curtinho), verá os efeitos reais da confissão do pecado a Deus e do perdão recebido. Agora, Davi já é uma pessoa restaurada. E foi depois disso que o Senhor declarou: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus…” – Atos 13:22,23.

     Que coisa maravilhosa!!! Sem a iluminação do Espírito Santo, é difícil ou mesmo impossível entender isso. Esse homem pecou tão gravemente e, ainda assim, é visto como uma pessoa segundo o coração de Deus? Sim. Biblicamente falando, quando existe arrependimento sincero, o Pai nos perdoa completamente e nos restaura. Depois nos permite escrever uma nova história em parceria com ele e realizar o bem. Veja que Jesus é descendente de Davi.

    Certa vez, os escribas e os fariseus estavam murmurando contra Cristo porque ele se sentava à mesa para comer e beber com pessoas consideradas pecadoras. Então Jesus disse-lhes: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” – Lucas 5:31,32.

     Outro bom exemplo de completa restauração é Pedro, o discípulo que traiu Cristo. Ele também foi completamente restaurado e se tornou uma das colunas da Igreja do Senhor. Antes, negou o Mestre; depois, com grande ousadia, disse a quem o tentava intimidar: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” – Atos 4:19,20. E mais: “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Atos 5:29.

     Além desses exemplos citados, há muitos outros na Bíblia. Mas a maior parte deles não está registrada nas Escrituras. São bilhões de pessoas perdoadas e restauradas pelo Senhor ao longo da História. Pessoas que eram consideradas a escória da sociedade, casos-perdidos, irrecuperáveis, mas que foram completamente transformadas por Deus, após tomarem a decisão de convidarem Jesus para ser seu Senhor e Salvador, abandonando a vida de pecado ou de religiosidade mecânica e vazia que levavam. Afinal, Cristo disse sobre Zaqueu: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem {Jesus} veio buscar e salvar o que estava perdido” – Lucas 19:9,10.

     Conosco também pode acontecer o mesmo. Espiritualmente falando, também somos filhos de Abraão e herdeiros das promessas do Pai – Gálatas 3:29. Então, assim como Deus fez uma aliança eterna com Davi, também pode e quer fazer com cada um de nós. Basta nos voltarmos humildemente para ele, que encontraremos perdão, restauração, salvação e abrigo em seus braços de amor. E digo mais: ainda que existam pessoas (talvez dentro da sua própria casa) que não acreditem em sua mudança, o que importa de fato é o que Deus pensa a seu respeito: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – 2 Coríntios 5:17.  Veja o que diz o Senhor: “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados me não lembro” – Isaías 43:25.

     Por outro lado, quem sabe, sua falta de paz não é consequência de pecados cometidos, mas por causa dos problemas que tem vivido, especialmente em tempos de pandemia. Não importa o motivo. Deus também tem paz para você. Veja o que o Senhor nos diz: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso/ou aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” – Mateus 11:28,29.

     E o apóstolo Pedro orienta: “Lancem sobre ele {Deus} toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” – 1 Pedro 5:7.

     Faz quase dois mil anos que Jesus e Pedro disseram essas palavras. Contudo, parece-me que foram ditas agorinha mesmo, de tão atuais que são. E o melhor: o Senhor diz: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” – Marcos 13:31. Ou seja: o que ele fez enquanto esteve na terra também o faz hoje na vida daqueles que se voltam para ele com um coração sincero e humilde.

     Diante de tudo isso, apenas me resta dizer que, independentemente do motivo pelo qual você perdeu sua paz interior, o Senhor pode e quer restaurar sua vida. Lembre-se do que está escrito em Jó 22:21: “Une-te, pois, a Deus, e tem paz, e, assim, te sobrevirá o bem”. Portanto, aqui está o segredo para ter uma paz que excede todo o entendimento e que guarda sua mente e seu coração: estar unido a Deus. Assim, mesmo quando vierem as tempestades da vida, você não se sentirá sozinho. Antes, o sentimento de segurança e confiança andará de mãos dadas com você, pois vai experimentar o que está escrito no Salmo 91:1: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará”.       


[1] Prof. Renato Santos: https://www.youtube.com/watch?v=b21kwW5GpL8

[2] Profa. Karla Damasceno: https://www.youtube.com/watch?v=NCutX1b6jvM

 

Tags: , , , , , , ,

Mais que boas intenções

pedro chora

Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!”          (Mateus 26:33)

Faz algum tempo que o tema sobre o qual vou conversar com você tem passeado pela minha cabeça. E, quando isso acontece, começo a dar mais atenção e importância a ele, por entender que Deus quer falar alguma coisa comigo e com sua vida também.

Para situar você, vamos conhecer ou relembrar o contexto no qual Pedro disse a frase presente no texto de abertura, a qual faz parte do seguinte episódio, registrado em Mateus 26:17 ao 35: Estava chegando o dia da Festa dos Pães Asmos e os discípulos perguntaram ao Senhor onde ele queria que eles preparassem a comida da Páscoa. Então, o Mestre os orientou sobre esse assunto com muita precisão.

Mais tarde, quando se reuniram para essa celebração, Jesus disse-lhes que um deles iria traí-lo. Evidentemente, isso os entristeceu e cada um começou a se questionar se seria ele próprio o traidor. Então o Mestre revelou que seria Judas Iscariotes. Depois, todos comeram, beberam, cantaram um hino e saíram para o Monte das Oliveiras.

A partir desse momento, o Senhor começa a falar claramente sobre o que vai acontecer. Assim, Pedro, sempre o mais afoito, disse: “Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei” – Mateus 26:33. Ou, como fala a Nova Versão Internacional, “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei”.

Quando olho para esse texto, não posso deixar de admirar esse homem. Ao dizer isso, ele revela o quanto amava o Mestre e reconhecia sua importância na vida dele e dos outros também. Por certo, andar com o Senhor tinha ressignificado sua vida, isto é, atribuído um novo sentido a ela.

Talvez, antes de conhecer Jesus, ele vivia sem esperança, com um vazio interior inexplicável e realizava seus afazeres cotidianos de forma mecânica, simplesmente porque era obrigado a fazê-los. Afinal, precisava trabalhar, sustentar a casa, pagar os impostos… precisava sobreviver naquele mundo injusto e cruel, dominado pelos romanos.

Por isso, ao ouvir o Mestre falar “aquelas coisas”, imediatamente reagiu daquela forma. Ele foi impulsionado pelas boas intenções existentes em seu coração. E creio piamente que Pedro estava sendo 100% sincero ao declarar que ainda que todos abandonassem o Senhor, ele nunca o abandonaria.

É aqui que está o xis da questão. Ele falou movido pelas boas intenções; porém, elas não são suficientes. Diante do caos ou das adversidades em geral, precisamos mais do que isso para ficar ao lado de Cristo. Quantas vezes nós também prometemos alguma coisa ao Senhor, com sinceridade, entretanto, quando não sai do nosso jeito, fracassamos e não cumprimos a promessa, não é mesmo?

Diante disso, conhecendo profundamente a alma humana, o Senhor o alertou, dizendo:  Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará” – Mateus 26:34. E o Mestre não estava sendo rude. Somente tentou mostrar que Pedro ainda não tinha uma compreensão correta do que aconteceria, nem estava pronto para enfrentar a situação caótica que presenciaria. Não porque ele era covarde, mas por ser humano como qualquer outra pessoa; por isso, falível. E Simão precisava conhecer sua fraqueza, para vencê-la.

Por não se conhecer direito, ele faz mais uma declaração corajosa: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros discípulos disseram o mesmo – Mateus 26:35. Ao fazerem isso, os demais também demonstraram que não tinham noção de suas fraquezas e limitações. Que coisa! Esses homens me fazem lembrar de pessoas conhecidas nossas. De quem? De nós mesmos!!!

Se prosseguirmos lendo a história, veremos que Judas realmente traiu o Senhor, que Jesus foi preso, que Pedro ainda teve mais uma atitude corajosa tentando “salvar” Jesus e que todos os discípulos fugiram com medo de serem pegos pelos soldados romanos.

Quando chegamos ao versículo 69, novamente Pedro entra na história. No entanto, não é mais aquele homem destemido, o qual disse que mesmo que fosse preciso morrer, nunca negaria Jesus. Agora, está amedrontado e, quando uma criada se aproximou dele e afirmou: “Você também estava com Jesus, o galileu”, ele negou diante de todos, declarando: “Não sei do que você está falando” – Mateus 26:70.

Veja o que registra o texto na sequência: “Depois, saiu em direção à porta, onde outra criada o viu e disse aos que estavam ali: “Este homem estava com Jesus, o Nazareno”. E ele, jurando, o negou outra vez: “Não conheço esse homem! – Mateus 26:71 e 72.

Observe que a princípio ele apenas negou a Jesus (Se é que posso dizer apenas.). Já no segundo momento, ele jurou que não conhecia o Senhor. Nesse ponto, o medo havia devorado sua coragem e temeu por sua vida. Não era para menos. Afinal, ele tinha visto, de longe, o que estavam fazendo com Aquele que se mostrara poderoso e que se tornara a esperança de uma vida melhor, sem a opressão romana. Mas não parou por aí.

Leia você mesmo as palavras do evangelista Mateus relatando o que aconteceu na sequência: “Pouco tempo depois, os que estavam por ali chegaram a Pedro e disseram: “Certamente você é um deles! O seu modo de falar o denuncia”.
Aí ele começou a se amaldiçoar e a jurar: “Não conheço esse homem!” Imediatamente um galo cantou
” – Mateus 26:73 e 74.

Agora, ele desceu mais um degrau, revelando a fragilidade humana: começou a se amaldiçoar e a jurar. Aqui, há uma revelação de quem somos nós diante da adversidade. Contudo, não pense que estou julgando e condenando Pedro. Provavelmente, nós faríamos o mesmo ou, pelo menos, algo semelhante. Talvez, até pior.

No final do versículo 74, Mateus nos diz que “imediatamente o galo cantou”. Aí a casa caiu. Veja: “Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus tinha dito: “Antes que o galo cante, você me negará três vezes”. E, saindo dali, chorou amargamente”.

O cantar do galo entra no coração desse homem como uma espada afiada Read the rest of this entry »

 

Tags: , , , ,