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Arquivo da categoria: PALAVRA DE SABEDORIA

Não está tudo bem, mas pode ficar!

Não está tudo bem, mas pode ficar!
Não está tudo bem

     “Pois que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” (Mateus 16:26 – NVI)

          Já faz bastante tempo que tenho observado e refletido sobre muitas situações, comportamentos e atitudes de bastantes cristãos. Isso porque continuamente vemos ou ouvimos coisas que são incoerentes com o exercício da fé professada e, sobretudo, com os ensinos bíblicos.

          Para início de conversa, é importante lembrar que o cristianismo se diferencia de outras religiões por não ser simplesmente um conjunto de regras e rituais. Ao contrário, consiste em um estilo de vida ensinado pela Palavra de Deus e um relacionamento pessoal com o Senhor, cujo maior expoente e modelo é Cristo. Ademais, as Sagradas Escrituras por inteiro devem ser o manual de fé e prática de todo discípulo do Senhor.

          Logo, independentemente de onde ou em que situação estivermos, precisamos agir de acordo com os ensinos bíblicos. Como disse o apóstolo Paulo em sua segunda carta a Timóteo, “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra(3:16-17).  

           Se toda a Escritura é inspirada por Deus, não apenas algumas partes dela, e tem essa finalidade, como cristãos temos que colocar em prática as instruções que ela traz. Caso contrário, iremos na contramão da vontade do Senhor para nossa vida. Consequentemente, estaremos em pecado e deixaremos de desfrutar as bênçãos prometidas por ele, especialmente a salvação eterna. Observe, portanto, a declaração de Tiago em sua epístola: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” – 4:17.

          Para ficar mais claro, vou trazer uns exemplos disso que estou tentando explicar, a fim de que entenda melhor e faça um autoexame (e eu também). E, se verificar que não está tudo bem, você poderá ou deverá rever e corrigir seu modus operandi, isto é, seu modo de operar ou de agir.

          Contudo, preciso enfatizar que meu papel não é o de juiz, mas de porta-voz da Palavra de Deus. Sendo assim, gostaria que você pedisse ao Espírito Santo que desvende seus olhos, para que veja as maravilhas da lei do Senhor, seguindo o exemplo do Salmista (Salmos 119:18). Então, vamos lá?

         – Quando algum servo do Altíssimo mente, sobretudo para obter alguma vantagem, está tudo bem?

         As Escrituras revelam que não. Jesus disse que o diabo (com letra minúscula mesmo, para não dar moral a ele) é o pai da mentira. Também está escrito: “Ficarão do lado de fora [do céu] os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira” – Apocalipse 22:15.

         – Quando alguém é idólatra, está tudo bem?

         Não. Há muitos textos bíblicos ensinando que Deus não admite a idolatria. Veja um deles: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem” – Êxodo 20:3-5.

         Outro texto no qual o Senhor deixa claro que não aceita a prática da idolatria está em Isaías 42:8: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor, às imagens de escultura”.

         Vale recordar ainda que praticar a idolatria vai muito além de prestar culto a imagens ou a pessoas. Tudo aquilo que é colocado no lugar de Deus se transforma num ídolo. Pode ser a formação acadêmica, o trabalho, o cônjuge, filhos, dinheiro, sexo, o álcool e outras drogas, bens e riquezas, o clube do coração ou o time de futebol, os pets e tantas outras coisas.

         Quanto aos animais de estimação, não existe nenhum mal em tê-los e em cuidar bem deles. Aliás, a Bíblia recomenda que devemos tratar bem os animais. Veja: “O justo cuida bem dos seus animais, mas o coração dos ímpios é cruel” – Provérbios 12:10. O problema está nos excessos. Na zoolatria, isto é, no endeusamento que vemos hoje.

         – Quando alguém pratica a fornicação, comete adultério ou se envolve em qualquer outro tipo de imoralidade sexual, está tudo bem?

          Absolutamente, não. O prazer sexual foi algo criado por Deus e, de fato, é algo maravilhoso; uma dádiva carinhosa do Altíssimo. No entanto, como acontece em relação às demais coisas da vida, o Eterno estabeleceu regras e limites, a fim de que realmente seja uma bênção (para o indivíduo, casal, família, igreja e sociedade), não uma pedra de tropeço, geradora de sofrimento e perdição.

         Portanto, quando uma pessoa não obedece aos mandamentos e ensinos divinos, deixa de estar sob o guarda-chuva protetor do Pai. Como consequência, aquilo que geraria alegria e felicidade se torna uma grande pedra de tropeço, que fere todos aqueles que estão, direta ou indiretamente, ligados ao problema.

         Então vejamos alguns textos que falam sobre esse tão relevante assunto:

         “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” – Mateus 5:27-28.

         “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” – Hebreus 13:4.

         “Mas, quanto aos tímidos/covardes, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte” – Apocalipse 21:8.

          “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus” – 1 Tessalonicenses 4:3-5.

          Penso ser importante registrar que um dos motivos pelos quais Deus rejeitou Esaú foi o fato de ele ser fornicador. Observe: “E ninguém seja fornicador ou profano, como Esaú, que, por um manjar, vendeu o seu direito de primogenitura” – Hebreus 12:16. Portanto, todos nós devemos estar atentos à nossa conduta no que tange à área sexual, uma vez que NINGUÉM é forte o suficiente para se permitir ser desafiado com situações relacionadas a sexo.

          Inclusive, enquanto orientava Timóteo, o apóstolo Paulo disse: “Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” – 2 Timóteo 2:22. Nesse caso, então, fugir não é sinal de fraqueza, mas de sabedoria e discernimento espiritual. Fazendo assim, não correremos o risco de ser reprovados e rejeitados pelo Senhor também. Além disso, não faremos outros sofrerem.  

          – Quando alguém mata, pratica qualquer tipo de violência contra seu próximo, age com orgulho, murmura, é ingrato, despreza sua esposa, abandona os filhos à própria sorte ou trapaceia, está tudo bem?

          Evidentemente, não! As Sagradas Escrituras nos mostram que todas as coisas citadas são reprovadas pelo Senhor. E, para tornar mais fácil de entender, o Mestre resumiu quais são os principais mandamentos: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” – Marcos 12:29-31.

          Entendo que uma das coisas que Cristo quis ensinar nessa ocasião foi a seguinte: Se cada um de nós amar a Deus de forma verdadeira e intensa e ao nosso próximo como a nós mesmos, jamais aprovaremos o que ele desaprova.

          Além disso, não agiremos de forma arbitrária e injusta para com o nosso semelhante. E, se por um acidente de percurso, pisarmos na bola com o Eterno e/ou com aqueles que são a imagem e semelhança dele, logo reconheceremos nosso erro, arrepender-nos-emos e buscaremos a reconciliação com Deus e com as pessoas que ferimos. Também estaremos vigilantes, para não cometermos as mesmas falhas e erros já cometidos.

          Há, ainda, algo que entendo ser importante e necessário registrar aqui. Hoje, para muitos, inclusive cristãos, a verdade se tornou relativa. Por isso, argumentam assim: “Isso é a sua forma de entender, mas eu entendo ou penso diferente” ou “Isso é pecado para você, porém para mim não é”.

           Também existem aqueles que argumentam: “Essa é a sua verdade, não a minha”. Todavia, em se tratando do cristão, não há a minha verdade ou a sua verdade. Existe apenas a Verdade, que é a Palavra de Deus. Observe o que diz o texto a seguir: “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. […] Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres”.

          Em outra situação, o Mestre declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” – João 14:6. Em outras palavras: só existe uma verdade, a qual está revelada e personificada em Cristo. E é ela que deve prevalecer sempre. 

          Outros usam a fala de um líder sem compromisso com a Palavra de Deus como muleta para justificar suas atitudes e comportamentos errados: “O pastor Fulano de tal diz que não tem problema fazer isso”. Outros declaram: “O influencer Fulano de Tal disse que não tem problema nenhum fazer isso porque Deus é amor”. Existem também aqueles que justificam suas práticas e condutas dizendo: “Todo mundo faz” ou ainda “Não tem nada a ver”.

          No entanto, apesar de parecerem bons argumentos ou justificativas, são verdadeiras armadilhas que podem prender e escravizar os incautos, irreverentes ou incrédulos. Afinal, devemos fazer o que é reto e justo aos olhos de Deus, não aos nossos. Também não devemos tomar como verdade inquestionável ou padrão de conduta aquilo que prega a sociedade decaída e degradada na qual estamos inseridos.

          Em diversas passagens bíblicas, vemos as seguintes declarações sobre determinados reis: “E fez o que era reto aos olhos de Deus” ou “E fez o que era mau aos olhos de Deus”. Veja um exemplo disso: “E Asa fez o que era bom e reto aos olhos do Senhor, seu Deus, porque tirou os altares dos deuses estranhos e os altos, e quebrou as estátuas, e cortou os bosques” – 2 Crônicas 14:2-3.  

          Leia ainda a declaração sobre o rei Josias: “Josias fez o que era reto aos olhos do SENHOR, andou em todo o caminho de Davi, seu pai, e não se desviou nem para a direita nem para a esquerda” – 2 Reis 22:2.

         Ezequias também foi outro que tinha o selo de qualidade concedido por Deus: “No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.  Ele tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias.  Ele fez o que o Senhor aprova, tal como tinha feito Davi, seu predecessor. Removeu os altares idólatras, quebrou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois até àquela época os israelitas lhe queimavam incenso. Ela era chamada Neustã.  Ezequias confiava no Senhor, o Deus de Israel. Nunca houve ninguém como ele entre todos os reis de Judá, nem antes nem depois dele. Ele se apegou ao Senhor e não deixou de segui-lo; obedeceu aos mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés” – 2 Reis 18: 1-6.

          Veja que esses homens receberam a aprovação do Eterno e o selo de qualidade das suas ações, atitudes e conduta. Além deles, felizmente há muitos outros que fizeram o que era reto, justo e bom aos olhos do Pai. Agindo com integridade, eles levaram o povo a fazer o mesmo, pois geralmente somos guiados pelo exemplo e guiamos outros, para o bem ou para o mal também.

          Por isso, ao instruir Tito, Paulo recomenda: “Em tudo, te dá por exemplo de boas obras; na doutrina, mostra incorrupção/integridade, gravidade [seriedade], sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” – Tito 2:7-8.

          Por outro lado, lamentavelmente outros reis, ao passarem pelo teste de qualidade do céu, receberam o carimbo com a seguinte menção: Reprovados pelo Criador. Veja um desses casos: “Acabe, filho de Onri, fez o que era mau aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que o precederam. Ele não apenas achou que não tinha importância cometer os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, como também se casou com Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e passou a prestar culto a Baal e a adorálo” – 1 Reis 16:25, 30-33.

          Nos exemplos dados, fica muito claro que todos nós devemos estar atentos às nossas atitudes, comportamentos, conceitos e valores. Isso porque o certo é aquilo que o Senhor considera certo. O errado é aquilo que Deus considera errado. Nesse caso, não é a nossa opinião que importa e não somos nós que ditamos as regras, mas o Senhor, que é soberano.

          Portanto, algo não se torna correto porque a maioria ou muitas pessoas fazem. Também não se torna certo porque a mídia, com seus apelos e apeladores, tenta persuadir e incutir na nossa cabeça. Por outro lado, alguma coisa não se torna errada porque a minoria ou poucas pessoas estão fazendo.

          Ao contrário, muitas vezes é sinal de que estamos no caminho certo. Ouça Jesus falando: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” – Mateus 7:13-14.

          Agora, sinto que já posso dizer: Tenho boas notícias para você! Pode até não estar tudo bem no momento, mas pode perfeitamente ficar tudo bem. Como? 

          A Bíblia Sagrada não apenas apresenta nossos problemas, fraquezas, limitações ou pecados. Ela traz o remédio de Deus para todas as coisas. Então, caso estejamos enquadrados naquilo que não é reto, justo nem bom aos olhos do Pai, vejamos o que a Palavra do Eterno tem a nos dizer.

          Comecemos, portanto, pelo texto de Provérbios 28:13: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia”.

          Nesse texto, fica evidente que o segredo do nosso sucesso espiritual está em confessar as transgressões ao Senhor, pois isso mostra que houve reconhecimento, arrependimento, humildade e vontade de obedecer ao Senhor.

          Já em 1 João 1:7-10, está escrito: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.  Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”.

          Que lindo e reconfortante! Não somos perfeitos, mas se formos sinceros, certamente alcançaremos perdão dos pecados e, além disso, o Senhor nos livra do poder do pecado.

          Mike Murdock, grande escritor e palestrante internacional, diz em algumas de suas obras: “Deus não espera que sejamos 100% perfeitos, mas que sejamos 100% sinceros”. Então, havendo essa disposição de mente e de espírito, certamente teremos o discernimento dado pelo Espírito Santo para entendermos o que é bom, reto e justo aos olhos de Deus e o que é mal também aos olhos do Senhor. 

          Assim procedendo, um dia, quem sabe em breve, ouviremos o Senhor Jesus nos dizendo: “Venham, benditos de meu Pai, possuam por herança o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo…” – Mateus 25:34. Então, poderemos participar da ceia juntamente com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e estar com ele por toda a eternidade, “porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16. Então, mesmo que não tenhamos ganhado o mundo inteiro, se nossa alma estiver em paz com o Senhor, na realidade ganhamos tudo.  

     Sugestão de música: Se Deus Não Tiver | Fernanda Tomadon

    

 

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Os improváveis

Os improváveis

     

“Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a altura da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração.” (1 Samuel 16:7)

      Uma das coisas mais admiráveis em Deus é o seu modus operandi, ou seja, seu modo de operar ou agir. A razão pela qual penso assim é que seu jeito de fazer as coisas ou suas escolhas geralmente caminham na contramão daquilo que vemos no mundo. Isso, às vezes, deixa meio confusos aqueles que não têm intimidade com ele. Mas devo confessar uma coisa a você: até quem anda com ele nem sempre consegue entender alguns de seus métodos.

      Outro dia, eu estava lendo para minha esposa mais um capítulo do livro Sabedoria para vencer, do escritor Mike Murdock (Muito bom, por sinal!). De repente, algo que ele escreveu me fez lembrar a história de duas pessoas: Gideão e Davi. E, conversando com ela, veio-me ao coração a vontade de compartilhar com você algumas reflexões sobre os improváveis para o mundo, os quais se tornam prováveis para Deus.   

      Quando lemos o capítulo 6 do livro de Juízes, vemos que o povo de Israel havia se desviado dos caminhos do Senhor e, em consequência disso, estava sendo oprimido pelos midianitas e amalequitas – 6:1-6. Estes privavam os israelitas de suas colheitas, apossavam-se dos seus rebanhos, e os estava deixando na miséria.

      No entanto, havia um remanescente fiel, isto é, pessoas que não se corromperam, que não se envolveram com as práticas pecaminosas do mundo, que não beberam do seu vinho, não comeram dos seus manjares contaminados, nem se prostraram diante dos seus deuses. E esse, pelo que se infere pelo contexto, era o caso de Gideão. Além disso, o texto bíblico também diz “então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor” – 6:6b.

      O Senhor ouviu o clamor deles e, como é misericordioso, decidiu livrá-los mais uma vez (Juízes 6:7-10), assim como acontecera quando seu povo estava sendo escravizado no Egito e clamara por socorro. Para isso, evidentemente, quis envolver pessoas, as quais precisariam de um líder. Afinal, aquilo que o ser humano pode fazer, o Eterno não faz; apenas capacita aquele que ele escolheu.

      Geralmente, quem é escolhido para liderar? Pense numa empresa que se preza. São pessoas fortes, experientes, aptas e habilidosas, que já provaram seu valor e sua competência para exercer tal função. Todavia, o conceito de valor de Deus parece ser bem diferente do nosso.

      Certo dia, estava Gideão malhando trigo no lagar para o salvar dos midianitas. Para início de conversa, lagar é o lugar adequado para espremer uvas, não para fazer esse serviço. Isso significa que esse homem bolou uma estratégia interessante para não ser surpreendido pelos inimigos e, assim, suprir as necessidades da sua família – 6:11. 

      Enquanto fazia o serviço, ainda que não tivesse percebido, estava sendo observado pelo Anjo do Senhor, que se aproximou dele e disse: “O Senhor é contigo, varão valoroso” – 6:12. “Mas Gideão lhe respondeu: Ai, senhor meu, se o Senhor é conosco, por que tudo isto nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egito? Porém, agora, o Senhor nos desamparou e nos deu na mão dos midianitas” – 6:13.

      Pela resposta, percebemos que ele não havia compreendido que o mal que lhes sobreviera era consequência da desobediência do povo ou as circunstâncias adversas o fizeram ter dúvidas, como ocorreu com João Batista em relação a Jesus (Mateus 11:2-11).

      Com muitas pessoas também acontece algo semelhante. Elas têm dificuldade de entender que, muitas vezes, os sofrimentos pelos quais passam é efeito de ações, escolhas e comportamentos errados. Por exemplo: se nos alimentamos mal ou temos uma vida sedentária, por certo teremos problemas de saúde. Se agimos de forma impensada, podemos gerar atritos com o cônjuge, filhos, amigos colegas de trabalho ou quaisquer pessoas.

      Mas o que quero frisar, ou seja, destacar nessa história é a maneira como nós nos vemos e o jeito que Deus nos vê, pois, em muitas ocasiões ou situações, são bem diferentes. Note que, a seguir, o Anjo do Senhor olha para ele e diz: “Vai nesta tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu?” – 6:14.

      Ao observá-lo, o Anjo do Senhor viu valor nele. Notou qualidades ou características que não temos condições de identificar com precisão. Nem ele próprio conseguia enxergá-las. Provavelmente, Deus enxergou fidelidade, insatisfação com a opressão e a vergonha em que viviam, vontade de mudar, espírito de liderança, resiliência e/ou outras tão importantes quanto às mencionadas.

      Por não ter essa percepção de si mesmo, Gideão passa a apresentar justificativas ou razões para mostrar que não era apto para a missão que lhe estava sendo dada. Veja: “E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” – 6:15.   

      Olhando friamente, parece que esse homem tinha razão de pensar dessa maneira. Primeiro, precisamos lembrar que Israel estava enfraquecido militarmente. Segundo, ao que indica ele não era um guerreiro. Porém, mesmo que fosse, as circunstâncias agora eram totalmente adversas. Logo, havia motivo para pensar desse jeito. Em terceiro lugar, sua família era a mais pobre da tribo de Manassés. Em quarto, e para piorar, ele era o menor da casa do pai dele.

      Essa realidade familiar e pessoal o levou a desenvolver um grande complexo de inferioridade. Assim, considerava-se totalmente inapto para fazer aquilo para o que estava sendo chamado. Todavia, mesmo se considerando incapaz, aos olhos de Deus, que a tudo vê de forma integral, Gideão era a pessoa certa para livrar os israelitas daquela terrível opressão que, fatalmente, os levaria à ruína total.

      A seguir, Deus lhe disse: “Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem” – Juízes 6:16. Aqui estava o motivo do sucesso desse homem: O Senhor estaria com ele. Gideão não lutaria sozinho. Além dos homens que estariam ao seu lado (Um grande exército formado por 300 homens!!! –  Juízes 7:7), o General Invicto promoveria uma das mais extraordinárias vitórias que o povo de Israel já havia presenciado.

      Como um bom representante de todos nós, Gideão queria uma prova de que de fato aquela palavra era verdadeira e provinha do Senhor. Então fez a prova do novelo de lã duas vezes – Juízes 6:36 ao 40. E Deus lhe respondeu conforme a solicitação feita.

      Dessa maneira, Gideão, que era um improvável, que tinha tudo para ser um fracassado e ser destruído junto com seu povo, tornou-se um líder respeitado, um sucesso, porque Deus enxergou valor nele.

      Apesar de as Escrituras não dizerem claramente, penso que muitos duvidaram da sua competência e debocharam dele. Talvez para boa parte dos israelitas ele se tornara motivo de chacota. Contudo, para o Altíssimo, não. O Senhor acreditava nele. E isso fez e faz toda a diferença. E ainda faz toda a diferença!

       Mas esse homem não foi o único improvável. Há muitos outros cujos nomes estão na Bíblia. Veja alguns deles:

– Abraão e Sara: Eram de família idólatra (Josué 24:2), Sara era estéril e ambos já estavam numa fase da vida em que gerar filhos passara a ser um sonho distante. No entanto, o Senhor apareceu a ele e ordenou que saísse da casa do pai dele, fosse para uma terra que lhe mostraria e prometeu abençoá-lo, engrandecer o nome dele e torná-lo pai de uma grande nação – Gênesis 12:1-3. E foi justamente o que aconteceu. Ipsis litteris, isto é, tal como está escrito.

– Jacó: não era o primogênito. Logo, não tinha naturalmente o direito à bênção da primogenitura. Todavia, Deus o escolheu, pois viu que ele era diferente de Esaú, o qual era profano e fornicário – Hebreus 12:16.

– Jefté: era filho de Gileade com uma prostituta, ou seja, um bastardo. Por isso, foi rejeitado pelos irmãos e expulso por eles. Apesar de todas as adversidades, tornou-se um homem valente e guerreiro valoroso – Juízes 11:1.

     Como Israel estava sendo oprimido pelos Amonitas, os líderes dos israelitas imploraram pela ajuda de Jefté – Juízes 11 e 12. Assim, esse homem começou a escrever sua nova história, agora como um dos juízes mais proeminentes do povo judeu. E mais: seu nome também faz parte da Galeria dos Heróis da Fé – Hebreus 11:32.    

– Raabe: além de não pertencer ao povo judeu, era uma prostituta. Logo, sua ficha era bem suja. Contudo, pelo que podemos inferir da história dela, quando ouviu falar do Deus de Israel e seus portentosos milagres, reconheceu-o como seu Senhor e recebeu essa menção na Galeria dos Heróis da Fé: “Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias”Hebreus 11:31.  

– Rute: não era judia, mas, por seu temor a Deus, tornou-se bisavó de Davi.

– Davi: era o mais novo de Jessé. Portanto, humanamente falando, não seria o escolhido para ser rei de Israel. Além disso, não era da linhagem real. Até Samuel, que era um homem de Deus, se surpreendeu quando o Senhor o escolheu.

      Assim, apesar da improbabilidade, tornou-se o rei mais importante do Povo de Deus. Entretanto, não foi perfeito. Aliás, sua biografia mostra uma grande nódoa em sua vida: cometeu adultério e foi o mentor intelectual da morte de Urias, marido de Bate-Seba, com quem pecara. Porém, por ter se arrependido de verdade, recebeu o perdão divino e ainda foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus” – Atos 13:22.  Além do mais, o Senhor honrou sua memória, permitindo que da descendência dele nascesse Jesus Cristo, o qual é chamado de Filho de Davi. E o nome de Davi também está na Galeria dos Heróis da Fé – Hebreus 11: 32.

      O que dizer, então, do ex endemoninhado gadareno que se tornou um missionário entre seus conterrâneos, sendo enviado pelo próprio Cristo – Lucas 8:26-39?

E a mulher samaritana, a qual tinha uma vida reprovável, mas, após seu encontro com Jesus, foi transformada e também falou aos samaritanos sobre o Messias, levando muitos deles a reconhecerem Jesus como o Cristo – João 4:1-30? E quanto a Pedro? Ele havia declarado que se fosse preciso morreria com o Senhor. Todavia, pouco tempo depois, negou conhecer o Mestre não uma, mas três vezes e até praguejou, tentando despistar quem lhe apontava o dedo – Lucas 22:54-62. E quanto a Paulo de Tarso? O perseguidor de cristãos, que se tornou o grande evangelista de gentios e o maior escritor do Novo Testamento.

      Por certo, aos olhos da maioria de nós, as pessoas já citadas e tantas outras cujas histórias trazem manchas e cicatrizes jamais poderiam ser consideradas mulheres ou homens de Deus. No entanto, o Senhor não nos vê nem nos trata como nossos pares. Ele vê infinitamente além daquilo que está diante dos nossos olhos. Por isso, se nos arrependermos e permitirmos que Ele nos transforme e forje em nós o caráter dele, o Eterno perdoa nossos pecados (por mais terríveis que tenham sido – Provérbios 28:13; 1 João 1:9) , regenera nosso coração, permite que o Espírito Santo venha morar em nós, transforma nossa vergonha em dupla honra, nossas lágrimas de tristeza em alegria e nos dá a chance de escrever uma nova e vitoriosa história em parceria com ele.           

      Além dessas pessoas mencionadas, há muitas outras, sobre quem o escritor da Epístola aos Hebreus declara: “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel, e dos profetas, os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra.” – Hebreus 11:32 ao 39.

      Mas tenho uma coisa para lhe falar: através dos séculos, há muitos heróis e heroínas da fé, os quais desconhecemos completamente, uma vez que suas histórias não foram registradas ou não chegaram até nós. Entretanto, o Eterno conhece cada um destes pelo nome – 2 Timóteo 2:19, são reconhecidos no céu e, certamente, tem reservado para eles um grande e avultado galardão – Hebreus 10:35.

      Também não poderia deixar de dizer algo assaz importante: Quem sabe, por causa dos erros que você cometeu durante uma fase da sua jornada, muitas pessoas (até da própria família ou comunidade) não o consideram como alguém digno. Talvez, nem mesmo você se considera. Mas você não está sozinho.

      Como já foi dito, bastantes homens e mulheres cometeram erros graves; porém, seu arrependimento e conversão sinceros tocaram o coração de Deus, o qual os perdoou e os transformou em pessoas dignas, honradas, respeitáveis e respeitadas. E, acredito, VOCÊ é ou pode ser um destes heróis da fé.

       Quem sabe, seu problema não seja o cometimento de erros graves, mas uma visão completamente negativa de si mesmo, um grande complexo de inferioridade  a ponto de presumir que não possui nenhum valor ou habilidade. Se for esse o seu caso, tenho boas-novas: como imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26), você é dotado de inteligência e habilidades muito mais do que pode imaginar.

       Todavia, se pensar que ainda é pouco, siga o conselho do sábio Salomão: “Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e, se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então, entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e o entendimento” – Provérbios 2:1-6.

       Portanto, lembre-se de que, enquanto muitos são mestres em criar rótulos, como “ladrão”, “adúltero ou adúltera”, “bêbado”, “drogado”, “mentiroso”, “assassino”, “incapaz” ou o “caso perdido”, por exemplo, Deus é especialista em resgatar e regenerar aqueles que estavam perdidos e transformar improváveis em prováveis.

      Como diz o texto de abertura, o Eterno não vê do mesmo jeito que o ser humano, isto é, somente a aparência. Ele conhece profundamente o coração. E mais do que isso: o Pai os transforma em filhos amados, segundo o coração dele, que lhe dão prazer. Em sal, luz e bom perfume de Cristo, cuja fragrância nos atraiu e nos atrai a cada novo raiar do sol.       Então, traga sempre à sua memória o que disse o salmista Davi: “Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” – Salmos 34:8 – e “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós” – Tiago 4:8a. Também não se esqueça de que pode pedir que o Espírito Santo ajude você a vencer suas fraquezas e limitações – Romanos 8:26.


 

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Encontro transformador

“E disse-lhe Jesus: Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.” (Lucas 19:9)

A maioria das pessoas tem vontade de ver e estar com quem consideram importante. Em tempos de tecnologia avançada e redes sociais, muitos não apenas querem ver, mas também fazer selfies para postar ou compartilhar com seus amigos. Talvez (apenas talvez) alguns desses indivíduos não estão nem aí para os famosos; apenas querem ostentar e ser admirados.

      Por outro lado, há aqueles que realmente querem conhecer aqueles que admiram e estar com eles, mesmo que seja por alguns instantes. Também existem indivíduos que, além de estarem por um momento com seus influenciadores ou referenciais, desejam ouvi-los e aprender com eles, uma vez que os consideram importantes, sábios e agregadores de coisas relevantes à sua vida.

      Quando olhamos para os Evangelhos, vemos que Jesus sempre estava cercado por uma multidão, a qual almejava ouvir seus ensinamentos ou receber uma bênção. Outros apenas tinham a curiosidade de saber quem era aquele homem que estava agitando cidades e vilarejos com seu jeito diferente de ensinar. Também havia pessoas que queriam vê-lo e ouvi-lo somente para criticá-lo ou pegá-lo em alguma contradição, como era o caso de muitos saduceus e fariseus. 

      Dentre essas pessoas, havia um homem chamado Zaqueu*, cuja história está registrada em Lucas 19:1 ao 10. Quem sabe, você já ouviu a história dele muitas vezes (ou pelo menos uma). Ele era um dos que queriam ver Jesus. No entanto, se você não escutou nada sobre ele ainda, passará a conhecê-lo hoje.

      Já ministrei sobre Zaqueu diversas vezes e escrevei um artigo chamado “Ver ou conhecer Jesus”, o qual também está no blog. Ainda assim, gostaria de refletir uma vez mais a respeito da história desse homem, o qual era chefe dos publicanos cobradores de impostos, mesmo sendo judeu.

      Para começar, gostaria de perguntar a você: Por que, mesmo sendo judeu, esse homem se tornou cobrador de impostos para os romanos, os quais eram opressores de seu povo? E mais: Por que passou a ser o chefe deles? Você já pensou sobre isso ou ouviu alguém fazer suposições a respeito dos motivos dele?

      Às vezes, digo que as pessoas são as mesmas em todos os tempos e lugares. Com isso, quero dizer que apresentam os mesmos defeitos e qualidades, medos, sonhos, ambições e necessidades. Inclusive emocionais e espirituais. Evidentemente, há algumas variações de acordo com a época e a cultura, mas a essência disso tudo é a mesma ou, no mínimo, bastante semelhante.  Por isso, farei algumas conjecturas, ou seja, suposições ou hipóteses sobre as razões dessa decisão.

      Talvez Zaqueu visse que se aliar aos romanos era uma forma de fugir da opressão a que seu povo tinha sido submetido. Assim, ele teria mais liberdade e proteção que seus irmãos judeus. Ou seja: ele gozaria de certos privilégios e regalias que os demais compatriotas não possuíam.

      Quem sabe, ele tinha a ambição de ser rico e poderoso. Então, para conseguir seus objetivos estava disposto a trair seu povo e até sua consciência. Afinal, era preciso fazer toda e qualquer coisa necessária para conquistar o sucesso, a fama, a felicidade; enfim, o prazer da realização de seus sonhos.

      Outra possibilidade é que ele tivesse um enorme vazio interior e pensasse que sua existência não fazia nenhum sentido. Então, para mudar o status quo, isto é, o estado atual em que se encontrava, era necessário fazer algo que desse significado à sua vida vazia e, consequentemente, uma razão para se levantar a cada novo raiar do sol. 

      Também é possível que ele realmente fosse um grande materialista e mau caráter. Por isso, não se importava com seu povo, com seus pais, com sua família, com ninguém. Logo, para enriquecer e ocupar seu espaço na sociedade, deixou seu egoísmo, ganância e seu extremo individualismo falarem mais alto, pensando: “Que sofra nas mãos dos romanos quem quiser sofrer. Eu, porém, vou tirar proveito dessa situação. Como diz o ditado, se me deram um limão vou fazer uma limonada”.

      Há, ainda, a possibilidade de ele ter sido vítima de bullying durante toda sua vida por causa da sua pequena estatura. Então, a única forma de se autoafirmar e impor respeito seria se tornar rico, influente e poderoso. E, para isso, o caminho mais curto era se tornando um cobrador de impostos e, posteriormente, chefe dos cobradores. Ele desejava crescer profissionalmente!

       Evidentemente, são apenas suposições, não afirmações. A única certeza é que ele queria ver quem era Jesus – Lucas 19: 1 ao 3. Desse modo, quando soube que o Mestre estava entrando em Jericó, sua cidade, decidiu ver quem era aquele homem que estava quebrando paradigmas e mudando a história de tantas pessoas. Entretanto, existia um problema: ele era de pequena estatura e havia uma multidão cercando o Mestre – Lucas 19: 3.

      Embora estivesse diante de um grande problema, em vez de desistir ou de tentar passar pelo meio das pessoas, Zaqueu bolou uma estratégia interessante: encontrar um lugar com visão privilegiada, ou seja, sem obstáculos que o atrapalhassem. Então saiu correndo e subiu numa árvore – Lucas 19:4. E, segundo o texto, o Senhor ia passar por aquele lugar. Talvez, fosse o único acesso à cidade.

      Para uma pessoa comum, digamos que era algo normal, ou quase. (Hoje, existem pessoas que também sobem em árvores, casas e lajes para assistir a algum evento.) Contudo, para uma pessoa importante ou alguém que exercia autoridade, correr e subir numa árvore não era adequado na cultura da época e o tornaria uma figura risível, ou melhor, que causa ou que provoca riso; ridícula, grotesca, cômica.

      Provavelmente, ao verem aquela cena, muitos começaram a apontar o dedo e a zombar dele. Todavia, ele não se incomodou com isso. Quebrou o protocolo e foi em busca da realização de seu sonho: ver Jesus. Por certo, existia alguma coisa em seu coração que o impulsionava a fazer o que fez, mesmo parecendo ridículo aos olhos das pessoas.  

      Mal sabia Zaqueu que a partir daquele dia sua vida não seria mais a mesma. Pelo que se lê no texto, a expectativa dele era apenas ver o Senhor. Porém, Cristo tinha muito mais a lhe oferecer. Veja: “E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” – Lucas 19:5.

      Nesse ponto, cabe uma observação: Muitas vezes, nossas expectativas em relação ao Senhor são muito pequenas e se resumem a coisas terrenas e materiais ou a um conhecimento teórico, distante da experiência pessoal com o Senhor. Contudo, ele sempre tem algo maior e mais profundo do que pensamos ou pedimos. Observe: “Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós…” – Efésios 3:20. 

      Com esse homem não foi diferente. Por certo, ele não imaginava que Jesus ia dar-lhe uma atenção especial. Afinal, o Mestre estava cercado por uma multidão e era uma pessoa muito ocupada. Ademais, Zaqueu era um traidor do povo judeu. Entretanto, Cristo sempre para diante de um coração disposto a conhecê-lo e ouvi-lo. E foi o que aconteceu. Como diz o salmista: “… a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” – Salmos 51:17.

      O Senhor parou, olhou para cima e lhe falou: “Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, me convém pousar em tua casa” – Lucas 19:5. O Mestre não riu dele nem reprovou sua atitude. Não questionou por que fizera aquilo. Apenas o acolheu por saber que aquele homem passara por cima de sua posição social e de seu orgulho próprio porque havia uma sede e uma fome em seu interior as quais precisavam ser saciadas urgentemente. Por isso, disse: “… desce depressa”.  

      Mas não parou aí. Ele também declarou: “… porque, hoje, me convém pousar em tua casa”. Ao dizer “porque”, o Senhor mostra que havia uma razão muito especial para a pressa. O Senhor queria dar algo muito maior do que aquele homem imaginara ou imaginava, por saber que por traz daquela máscara existia uma pessoa como outra qualquer, isto é, com medos, sonhos, carências, dúvidas, fraquezas, incompletude. Enfim, com um vazio interior imenso, com necessidade de salvação e ressignificação da sua existência.

      As palavras de Jesus certamente calaram profundamente no coração de Zaqueu. E, naquele momento, ele entendeu que de fato estava diante do Messias. Por esse motivo, desceu depressa e recebeu gostoso o Senhor. Na Nova Versão internacional, diz que ele o recebeu com júbilo – Lucas 19:6. Isso pode significar que esse homem abraçou Cristo fortemente e pulou de tenta alegria (Talvez tenha até dançado.).

      Sem dúvida, Zaqueu era odiado por muitos dos seus irmãos judeus, discriminado e acusado de traição. E, dentro daquele contexto, isso era justo. Todavia, tais pessoas não compreendiam que elas também não eram perfeitas e tinham basicamente as mesmas necessidades, sobretudo a de libertação mental, espiritual e de salvação da sua alma. (Só para deixar registrado: Todos nós temos também.)

      Quando seus compatriotas viram e ouviram Jesus dizendo que ia pousar na casa daquele traidor, criticaram o Senhor – Lucas 19:7. É sempre assim. Todos nós temos dificuldade de compreender e aceitar que pessoas consideradas más ou grandes pecadoras tenham as mesmas oportunidades e a atenção de Deus que as boas têm. Isso, infelizmente, é natural. É humano.

      Não quero, porém, que você entenda ou suponha que Jesus aceita tudo o que fazemos. Jamais. O Senhor aceita todas as pessoas, mas lhes diz o mesmo que falou à mulher que fora pega em adultério e levada a ele: “Agora vá e abandone sua vida de pecado” – João 8:11. E o que é pecado? Tudo aquilo que o Senhor diz que é. Basta lermos as Escrituras com humildade e temor reverente que entenderemos perfeitamente.

      Portanto, se Zaqueu fazia coisas erradas, não há dúvida de que Jesus ordenou que ele abandonasse o pecado e vivesse retamente diante de Deus. Isso também se aplica a cada um de nós, pois, da mesma maneira, precisamos fazer aquilo que é justo e reto aos olhos de Deus, como fizeram muitos reis e outros servos de Deus. Por exemplo: Enoque (Gênesis 5:22,24), Noé (Gênesis 6:8,9), Jó (Jó 1º:1), Simeão e Ana (Lucas 2:25 ao 38).

      O rei Ezequias foi mais um exemplo disso: “E assim fez Ezequias em todo o Judá; e fez o que era bom, e reto, e verdadeiro perante o Senhor, seu Deus. E em toda obra que começou no serviço da Casa de Deus, e na lei, e nos mandamentos, para buscar a seu Deus, com todo o seu coração o fez e prosperou” – 2 Crônicas 31:20,21.   

      Além do que já foi dito, Cristo demonstrou que queria ter comunhão com Zaqueu. Afinal, pousar na casa de alguém requer confiança e amizade de quem vai hospedar e do hóspede. Principalmente do anfitrião. Mas ia muito além de comer uma refeição e de uma simples noite de sono. Havia um propósito nobre da parte do Senhor.

      E qual era? Levar salvação àquela família. Não era apenas a esse homem. O Cristo de Deus desejava salvar todos os presentes naquela casa. Leia: “Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” – Lucas 19:9,10.  

      No versículo 8, lemos o seguinte: “E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens…”.

     Observe que o encontro de Zaqueu com Cristo foi tão impactante que esse homem teve seu coração transformado e preenchido imediatamente. Aquele vazio não existia mais. Logo, os bens materiais já não eram seu ídolo. Ele encontrara alguém (Jesus) e algo (paz de espírito e sentido para sua vida) que eram muito mais valiosos que status, dinheiro e poder.  Por isso, o desejo de ter foi substituído pelo de socorrer os necessitados.

       Além disso, Zaqueu fez outra declaração publicamente: “… e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado”. Note que o texto não diz que ele de fato havia defraudado, ou melhor, desapossado (alguém) de (algo) com dolo; espoliado, fraudado. Ao falar “se”, ele está fazendo somente uma suposição ou falando de possibilidade, não de certeza da existência de uma ação desonesta.

       Ainda que muitos cobradores de impostos fossem desonestos, não se pode afirmar que todos eram. Em qualquer profissão ou ocupação, há pessoas íntegras e outras, desonestas. Portanto, é injusto e temerário afirmar que ele tinha usado da sua posição para enriquecer ilicitamente às custas das pessoas.  

      Como seu encontro com o Senhor foi tão impactante e sua mudança ou conversão autêntica, Zaqueu não queria que ficasse nenhuma nódoa ou mancha que servisse de munição para aqueles que o odiavam e não criam em sua transformação, nem que o maligno tivesse algo do qual acusá-lo diante de Deus.

      Também não queria que houvesse nada que atrapalhasse sua comunhão com Cristo. Assim, pode-se dizer que esse homem entendera a seguinte mensagem: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” – 2 Coríntios 5:17.

      Pelo texto acima, entendemos que se realmente entregamos nossa vida a Cristo para que ele seja nosso Senhor e Salvador, é preciso abandonar as práticas anteriores que estavam erradas aos olhos de Deus. Isso significa a ocorrência de mudanças substanciais não apenas em nossa forma de crer, mas também de viver.

      Caso alguém diga que entregou sua vida ao Senhor, mas continua com os mesmos hábitos e práticas contrários aos ensinamentos bíblicos, é necessário e urgente que faça uma autoavaliação, tomando como referência os ensinos das Escrituras Sagradas. Só assim sua conversão será genuína e autenticada pelo Senhor. Veja: “Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou” – 1 João 2:6.  

      Há ainda outras coisas que considero importantes destacar. Uma delas é que o propósito da vinda de Jesus foi trazer salvação às famílias. Se ele disse: “Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.”, entende-se que existe necessidade de salvação. Logo, não podemos ignorar essa declaração do Senhor.

      Evidentemente, a salvação é individual: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” – Ezequiel 18:20.

      Cada um responde por si mesmo diante de Deus: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” – 2 Coríntios 5:10. Entretanto, a família sempre esteve no coração do Senhor e foi por essa razão ele a instituiu. Portanto, certamente, ele anseia por receber no céu cada uma delas, dizendo: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” – Mateus 25:34.   

      Além disso, preciso mencionar que muitas pessoas também tentam preencher o vazio que há em seu coração com bens materiais, fama, sucesso, aplausos, formação acadêmica; por isso, estudam o tempo todo. Tais indivíduos terminam um curso e imediatamente começam outro (Estudar é muito bom, mas, infelizmente, jamais preencherão com diplomas o espaço de seu coração que tem o formato de Deus.).

      Há pessoas que tentam preencher seu coração com relacionamentos diversos ou com relações sexuais com muitos parceiros ou parceiras. Mas, como já ouvi muitos declararem, após ato sexual sentiam nojo da pessoa com quem se relacionaram e de si mesmas.

      Para piorar, o vazio em seu interior se tornava cada vez maior. Então buscavam satisfação em outras coisas, tais como: viagens, drogas lícitas e ilícitas, baladas comuns ou raves, aquisição de bens, roupas e calçados de marca. E nada. Porém, quando humildemente entregaram sua vida ao Senhor, passaram a ter paz de espírito e satisfação de tal maneira que não mais precisavam daquilo que viviam ou consumiam antes. Além do mais, sua existência passou ter sentido e propósito.   

      Também não posso deixar de destacar que, independentemente de quão pecador alguém seja, existe esperança, pois Cristo falou: “… o Filho do Homem {Jesus} veio buscar e salvar o que se havia perdido”. E mais: “… eu {Jesus} não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento – Mateus 9:13. Note que ele não disse que veio para aqueles que se consideram bons, mas para quem é pecador e está perdido. (Isso inclui eu e você!)

      Infelizmente, tenho que dizer que todos nós nos encaixamos nesta categoria: a dos pecadores e perdidos, porque “na verdade não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque – Eclesiastes 6:20. Mesmo aqueles que mencionei anteriormente (Enoque, Noé, Jó, Simeão e Ana não eram perfeitos). Somente Cristo nunca pecou, conforme afirmam as Escrituras – Hebreus 4:15.

      Paulo, o apóstolo, arremata, declarando: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” – Romanos 3:23 – e “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” – Romanos 6:23. Então NINGUÉM pode se julgar perfeito, inerrante ou infalível. Logo, todos nós precisamos de Cristo, do perdão divino e de salvação.   

      Portanto, ainda que eu não saiba o que está acontecendo com você neste momento, de uma coisa tenho certeza: O Senhor se importa com você e foi justamente por esse motivo e por VOCÊ que ele veio ao mundo, anunciou as boas-novas de salvação, morreu e ressuscitou. Ele quer dar a você paz interior e paz com Deus. Também quer dar sentido e propósito à sua existência. Então: Se hoje você ouvir a voz do Senhor (ou se ouviu através deste artigo), não endureça o seu coração – Hebreus 4:7. Faça como Zaqueu: receba a Jesus gostoso, ou seja, com júbilo. Certamente, esse encontro também será transformador.  

Para ouvir e orar:

Faz um milagre em mim – Regis Danese
 

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“Nem tudo que reluz é ouro”

Ló olhou demoradamente para as planícies férteis do vale do Jordão, na direção de Zoar. A região toda era bem irrigada, como o jardim do Senhor, ou como a terra do Egito.

“Ló olhou demoradamente para as planícies férteis do vale do Jordão, na direção de Zoar. A região toda era bem irrigada, como o jardim do Senhor, ou como a terra do Egito (Isso foi antes de o Senhor destruir Sodoma e Gomorra.).” (Gênesis 13:10)     

     Há um ditado popular que diz: “Nem tudo que reluz é ouro”. Penso que ele é, de fato, muito verdadeiro. Basta-nos buscar em nossa memória episódios nos quais fomos traídos por nossos olhos que os encontraremos. Eles se iludiram com a aparência de coisas e pessoas que, com a convivência ou com um conhecimento mais completo, mostraram-se muito diferentes daquilo que demonstravam ser. Muitas vezes, geraram prejuízos irreparáveis, não apenas financeiros, mas também em outras áreas, como a emocional.

     Na Bíblia, encontramos diversas histórias que ilustram muito bem a afirmação acima. Uma delas, por exemplo, começa a ser contada a partir do momento em que Deus fala com Abrão (o qual passou a ser chamado de Abraão) e lhe diz para sair da terra onde ele morava e do meio da parentela – Gênesis 12:1-3.

     Em Gênesis 12:5, lemos que Ló, seu sobrinho, também seguiu para o lugar ao qual o Senhor decidira levar Abraão e Sara para começar a escrever uma nova história com eles, iniciando um povo, o qual, posteriormente, passaria a se chamar Povo de Israel.

     Quando chegamos a Gênesis 13:2, 5 e 6, lemos o relato de que tio e sobrinho haviam prosperado muito e possuíam grandes rebanhos. Como consequência, careciam de muito espaço e pasto suficientes. Ao que tudo indica, tal necessidade levou os pastores dos dois homens a contenderem seriamente – Gênesis 13:7. 

     Como Abraão era um homem justo, sensato e sábio, chamou o sobrinho e fez o comentário a seguir: “Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos/parentes somos” – Gênesis 13:8.

     Ele sabia que conflitos frequentemente geram prejuízos. Por essa razão, devem ser evitados. Afinal, relacionamentos arranhados por discussões levam à perda da comunhão, da confiança e, inevitavelmente, ao distanciamento. 

     Prosseguindo, o tio disse ao sobrinho: “A região inteira está à sua disposição. Escolha a parte da terra que desejar e nos separaremos. Se você escolher as terras à esquerda, ficarei com as terras à direita. Se preferir as terras à direita, ficarei com as terras à esquerda” – Gênesis 13:9.

     Ei! Espere um pouco! Parece haver alguma coisa errada aqui! Quem foi chamado por Deus? Abraão. Quem era mais velho? Abraão. Quem tinha maior autoridade e direito naquela sociedade? Abraão. A quem Deus fizera as promessas? A Abraão.

     Ora, então era ele quem devia fazer a escolha primeiro! Mas parece que ele não foi justo consigo mesmo, com sua mulher, nem com seus empregados. Como pode isso? Será que ele havia perdido o bom senso?

     Observe que logo acima eu disse “parece”. Na realidade, apenas à primeira vista temos essa impressão, pois, com o desenrolar da história, perceberemos que a decisão tomada por Abraão foi muito sábia. Com ela, ele ensina-nos grandes lições, as quais certamente também podem livrar-nos de grandes perigos disfarçados de campinas verdejantes, com cara de Jardim do Éden ou de Paraíso.

     Um dos ensinamentos já vimos: “Nem tudo que reluz é ouro”. Ou seja: Nem tudo que aparenta ser valioso, verdadeiro ou importante, de fato o é. Pode ser apenas um laço ou uma armadilha que levará à ruína financeira, familiar, relacional, moral ou espiritual. E foi o que aconteceu com Ló e sua família, como veremos a seguir. 

     Como Abraão era um homem temente a Deus, tinha plena consciência de seu chamado e passara a conhecer de perto quem o chamara e lhe fizera promessas. Por isso, estava convicto de que a bênção não estava necessariamente naquela campina bem irrigada, a qual se parecia com o Jardim do Éden – Gênesis 13:10. Ela estava com o Senhor. Logo, em qualquer lugar que escolhesse habitar, seria abençoado e prosperaria, porque o Abençoador, estaria presente – Yahweh-shamah.  

     Evidentemente, muitas vezes Deus orienta uma pessoa a mudar de lugar, de emprego, de condição, de “amigos”, de hábitos, comportamentos, atitudes, conceitos e de muitas outras coisas. E, quando o Altíssimo dá diretrizes assim, é porque ele sabe o que não sabemos, vê o que não vemos e pode fazer por nós o que jamais poderemos sozinhos.

     No entanto, tais mudanças só trarão benefícios se vierem recheadas de obediência, humildade, temor ao Senhor e convicção de que ele se faz presente e cuidará para que suas promessas se cumpram à risca, pois “fiel é o que prometeu” e “vela por sua palavra para fazê-la se cumprir” – Hebreus 10:23; Jeremias 1:12.

     Foi tal certeza que fez com que Abraão não ficasse preso à tradição patriarcal e àquilo que seus olhos estavam vendo. Na verdade, ele descansou nos braços do Pai, sabendo que o Senhor cuidaria de todos os detalhes da sua vida e futuro. E cuidou!

     A partir de Gênesis 13:10 ao 13, começamos a entender que Ló realmente fora traído por seus próprios olhos: no lugar que escolheu para viver, estava Sodoma. Essa cidade, assim como Gomorra, era habitada por homens maus e grandes pecadores contra o Senhor – v 13. Mas, pelo que percebemos, isso Ló não enxergou a princípio, posto que seus olhos estavam ofuscados pelo fascínio das coisas materiais, possíveis lucros e poder.

     Conforme veremos nos próximos capítulos, Ló prosperou grandemente no que diz respeito a conquistas materiais. Também entendemos que ele se tornou uma pessoa importante e influente. Provavelmente um juiz, uma vez que o vemos sentado às portas da cidade (O processo geralmente era realizado nas portas da cidade: os juízes ficavam sentados, os litigantes ficavam de pé ) – Gênesis 19:1.

     Entretanto, apesar de ter prosperado e se tornado influente em Sodoma, como vemos nos capítulos 18 e 19 de Gênesis, teve grandes prejuízos, os quais só não foram maiores e piores ainda porque Abraão intercedeu por ele junto a Deus. Mesmo assim, quase entregou suas filhas para serem estupradas pelos homens daquele lugar. Além disso, sua mulher foi transformada numa estátua de sal, visto que desobedeceu a uma ordem expressa de Deus, numa clara demonstração de que o coração dela já estava preso àquele lugar, valores e costumes que ofendiam ao Senhor.

     Se isso não bastasse, na fuga, Ló não teve como levar os bens que conquistara. Aliás, só não foi destruído junto com a cidade porque seu tio intercedeu por eles junto a Deus, conforme já vimos. Assim, notamos claramente que todas as conquistas materiais e o status adquirido ao longo do tempo não valeram a pena, pois quase custaram sua vida e toda a sua família. 

     Por outro lado, com Abraão aconteceu algo indescritível. Após a escolha feita por Ló, o Senhor lhe disse: “De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste: Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre. Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você. Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor” ─ Gênesis 13:14-18.

     Observe que Deus confirmou a promessa de abençoar Abraão e sua descendência. Em outras palavras: Assegurou que estaria com seu servo onde quer que ele estivesse. Isso significa que mesmo o sobrinho tendo escolhido o lugar que parecia ser o melhor aos olhos humanos, não importava. O melhor lugar do mundo é aquele em que o Senhor se faz presente. Inclusive há um cântico cristão que diz: “Em terra ou mar, seja onde for / É céu andar com meu Senhor” (Música Com Cristo é céu / Cantor cristão, 490).

      Hoje não é diferente. Muitas pessoas (e me incluo nisso) têm feito escolhas baseadas apenas em avaliações e conclusões pessoais, as quais resultam daquilo que os olhos veem e a mente limitada e falível considera bom. Por conseguinte, as colheitas geralmente ficam abaixo das expectativas ou geram apenas prejuízos.

     No entanto, se hoje ouvirmos a voz de Deus, e não endurecermos o nosso coração, certamente viveremos isto: “Se vocês estiverem dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra…” ─ Isaías 1:19. E a História mostra que essa promessa se cumpriu à risca na vida de Abraão e na de seus descendentes, enquanto permaneceram dispostos a obedecer às Palavras do Senhor.

      Com você e comigo não é diferente. Em Malaquias 3:6, o Senhor disse a seu povo: “Porque eu, o Senhor, não mudo”. Obviamente, o contexto era outro, mas o princípio, ou seja, a base do entendimento ou raciocínio, é o mesmo. Logo, assim como o Altíssimo foi com Abraão e com tantos outros servos fiéis a ele ao longo da História, também há de ser conosco.  

      Certa feita, Jesus disse: Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão ─ Marcos 13:31. Portanto, aquilo que o Senhor prometeu há milhares de anos a quem lhe obedecesse continua e continuará valendo. Acredito que você mesmo tem experiências concretas da fidelidade de Deus em sua vida e família. Sendo assim: “… cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu Hebreus 10:22,23.

     Antes de concluir este artigo, sinto em meu coração a necessidade de retornar ao episódio envolvendo a esposa de Ló. Como já visto, havia uma ordem expressa do Senhor para saírem daquele lugar apressadamente e não deviam olhar para trás. Todavia, ela olhou e, segundo a Bíblia, foi transformada numa estátua de sal. Mas por que ela desobedeceu a Deus? E por que ele foi tão severo com ela?

     Como eu já disse, o Senhor vê coisas que não vemos, conhece o que não conhecemos e pode fazer o que sozinho não podemos. Então, ele sabia que o “simples” fato de olhar para trás seria uma clara demonstração de que seu coração estava naquele lugar e não estava disposta a mudar, porque o “tesouro” dela passara a ser o estilo de vida e os valores daquelas pessoas, as quais eram más e grandes pecadoras contra o Senhor – Gênesis 13:13.

     Certa feita, Jesus fez uma declaração que vem ao encontro do que aconteceu com essa mulher: “Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” – Lucas 12:34. Portanto, aquela olhadela revelava o que havia se tornado o maior tesouro dela. E não era Deus, nem seus mandamentos. Infelizmente.

     Ao olhar para trás, mesmo que não tivesse proferido nenhuma palavra de lamentação sobre sua necessidade de sair dali, estava declarando ao Senhor que o estilo de vida e valores de Sodoma eram mais importantes do que seu relacionamento com ele. Assim, não deu alternativa ao Pai.

     Esse trágico acontecimento serve de lição e de alerta a todos nós. O estilo de vida e os valores do mundo atual em muitos aspectos não têm agradado ao Senhor. E, segundo as Escrituras, um dia ele também dará a ordem para deixarmos este mundo, uma vez que tem um lugar melhor, reservado para todos os que receberem Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal: “{Jesus} Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” e “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar lugar para vocês e, quando tudo estiver pronto, virei buscá-los, para que estejam sempre comigo, onde eu estiver” – João 1:11 ao 13; 14:1 ao 6.

      Se existe essa promessa da parte do Senhor, precisamos fazer uma avaliação minuciosa do nosso coração, pois, “onde estiver o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração”. Portanto, que o nosso maior tesouro seja o Senhor Jesus Cristo e tudo o que lhe diz respeito.

     Para finalizar, gostaria de fazer umas breves considerações:

  • A bênção não está necessariamente em um determinado lugar, mas onde Deus estiver conosco. Logo, podemos viver uma vida próspera e feliz mesmo em lugares ou condições totalmente improváveis ou desfavoráveis aos olhos humanos (mesmo que esses olhos sejam os nossos mesmo).
  • A escolha feita por Ló pareceu a seus próprios olhos ser a mais inteligente, mas o tempo revelou que ele estava completamente enganado, uma vez que os prejuízos foram enormes e irreversíveis.
  • Abraão pôs seus olhos em Deus e suas promessas. Por isso, ele e sua descendência desfrutaram, e desfrutam, das mais copiosas bênçãos.
  • Se mantivermos nossos olhos no Senhor, também viveremos uma vida próspera e feliz, pois ele continua sendo o mesmo ontem, hoje e eternamente – Hebreus 13:8.
  • Precisamos estar atentos ao que dizem as Escrituras, porque, mesmo que nem todas as coisas sejam pecados, podem ser grandes embaraços que nos afastarão do Caminho: “Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” – Hebreus 12:1,2.
  • Quanto a cada um de nós, vale a pena fazer a seguinte pergunta: “Existe alguma campina verdejante me atraindo?” Talvez, para alguns seja o sexo desaprovado por Deus. Para outros, as drogas, o dinheiro conquistado de forma desonesta, o orgulho, a avareza ou qualquer outra coisa abominável aos olhos do Senhor.
  • “Portanto, quer comamos, quer bebamos ou façamos outra qualquer coisa, façamos tudo para a glória de Deus” – 1 Coríntios 10:31. Que esse seja nosso propósito e nosso estilo de vida! Que almejemos as coisas eternas, não as terrenas e passageiras!
  • “Que a graça, a misericórdia, a paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, sejam com vocês na verdade e amor” – 2 João 1:3.
 

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Família dentro da arca

Arca: metáfora de um lugar de refúgio e salvação, da Igreja e/ou do céu.

“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” – Josué 24:14,15.   

     A história de Noé é uma das mais lindas e enriquecedoras da Bíblia. No capítulo 6 de Gênesis, onde ela está registrada, vemos Deus decepcionado com o ser humano, a quem criara à sua imagem e semelhança, porque este havia se corrompido em extremo.   

     Por causa disso, o Senhor tomou a decisão de destruir a humanidade (versículos 7, 11, 12,13). Porém, quando olhou para a terra, ele viu alguém que não se corrompera: Noé. Por isso, no versículo 8, lemos o seguinte: “Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor”.

     Deus mostrou sua benevolência a esse homem por ter visto nele algumas virtudes, conforme diz o versículo 9: “Esta é a história da família de Noé: Noé era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus”.  Percebeu?

     Havia um grande diferencial na vida de Noé. Ele não tinha se contaminado com a maldade existente em seu tempo. Por esse motivo, o Senhor reservou para ele uma missão de gigantesca relevância: construir uma arca, para que fossem preservadas as espécies que Deus considerava necessárias, ele próprio e a sua família. Por conseguinte, reconstruir a História da humanidade (Gn 6:14 ao 21).

     Você pensa que foi fácil cumprir essa missão? De modo algum. Para começar, nunca havia chovido na terra. Como falar de dilúvio, então? Além do mais, ele jamais fizera trabalho semelhante (Pelo menos não existe nenhum registro bíblico sobre isso.) e com tão poucos recursos tecnológicos.

    Para piorar, muito provavelmente as pessoas incrédulas zombaram dele durante todos os longos anos de construção. Por certo, muitos o chamavam de louco. No entanto, Noé se manteve fiel a Deus e focado naquilo que estava fazendo, pois sabia da importância de sua missão e que Deus cumpriria à risca Sua palavra.

     Todos os fatos dessa história são fantásticos, no bom sentido da palavra. Contudo, o que mais me chama a atenção é ele ter conseguido manter sua esposa, filhos e noras também crentes e confiantes durante todos esses anos.  

     Como ou por que ele conseguiu tal façanha? A resposta a essa indagação, segundo já vimos, está  em Gênesis 6:9. Quando olhamos para esse versículo, parece vir à tona o principal motivo por que isso foi possível: ele se mantivera justo no meio dos injustos.

     Esse homem continuara íntegro (intocado) no meio de pessoas que tinham sido tocadas por toda sorte de coisas impuras e desonestas. Por fim, a chave de ouro: Noé andava com Deus, enquanto os demais ao seu redor caminhavam em sentido contrário ao Altíssimo, fazendo tudo aquilo que agradava somente sua natureza pecaminosa e ao maligno.

    Pelo contexto, pode-se inferir (deduzir ou concluir) que ele continuou a servir e cultuar ao Senhor com fidelidade. Embora convivesse com aqueles que se haviam desviado completamente do caminho, passando a cultuar outros deuses ou já não tivessem nenhum tipo de crença ou fé, Noé se manteve fiel ao Senhor e, sem dúvida, motivou sua família a fazer o mesmo. 

     Penso que as três coisas citadas descortinam diante de nossos olhos o segredo de ele ter conseguido colocar sua família dentro da arca. Desse modo,  tinha a credibilidade e o respeito de cada um deles porque, antes disso, possuía moral perante Deus. Assim, mesmo que fosse difícil acreditar, dadas as circunstâncias, o exemplo desse marido, pai, sogro e sacerdote da família dava a todos a segurança de que estavam no caminho certo.

     E quanto a mim e a você? Será que também temos crédito com Deus e com nossa família? Será que quando nosso cônjuge, filhos ou mesmo outras pessoas olham para nós veem indivíduos confiáveis? Vale a pena refletir sobre isso, não é?

    Se quisermos que nossa família entre na “arca” preparada por Deus, quando o Senhor Jesus vier buscar sua Igreja, é preciso que, como Noé, sejamos justos no meio de tanta gente injusta. Que não sejamos contaminados pelo mal, mesmo vivendo no meio dele. Que andemos de mãos dadas com Deus, mesmo quando a maioria tem virado as costas para ele de forma explícita (através de suas atitudes e comportamentos) ou apenas em seu coração e mente, deixando de ser ou de expressar Sua imagem e semelhança.

     Em Lucas 17:26 e 27, Jesus declarou: “Assim como foi nos dias de Noé, também será nos dias do Filho do homem. O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos”.

     O que o Mestre quis dizer é que as pessoas daquela época estavam preocupadas apenas com as coisas terrenas e temporárias. Por isso ou em consequência disso, haviam se esquecido das espirituais e eternas. Desse jeito, envolveram-se com todo tipo de maldade, trazendo como resultado o juízo de Deus.

    Veja o que diz Gênesis 6: 5 e 6: “O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal. Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra; e isso cortou-lhe o coração”.

    Hoje, não está muito diferente. Talvez a grande maioria esteja vivendo como naquele tempo. Afinal, a perversidade, a corrupção, o individualismo, o egoísmo, a frieza nos relacionamentos, a imoralidade, o culto à fama, ao dinheiro e a si mesmo e outros males vêm crescendo de forma alarmante.

     Mas isso não é novidade, nem nos surpreende. Apenas nos deixa de antena ligada, pois a Bíblia já falou sobre esse problema há quase dois mil anos. Veja: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” – 2 Timóteo 3:1-5. 

     A consequência de tudo isso, conforme disse o Senhor Jesus, será a mesma do tempo de Noé. Porém, você e a sua família também podem se abrigar na “arca”, como já vimos, se continuarem a andar cotidianamente com Deus, sendo justos, íntegros e se afastando do mal.

    Talvez, para muitos, Esse homem foi um pregador fracassado, pois somente a família dele lhe deu ouvidos. No entanto, penso que ele foi um verdadeiro sucesso por ter conseguido manter seus entes queridos e a si mesmo nos trilhos da fé e obediência. Também isso é o que almejo para mim. E você? Também tem esse desejo em seu coração?  

      Se seu coração anseia por conduzir sua famíla à presença do Senhor, siga o exemplo de Josué, o sucessor de Moisés, o qual fez a seguinte declaração quando falava com o povo de Israel: “Agora, pois, temei ao Senhor , e servi-o com sinceridade e com verdade, e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do rio e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor , escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor – Josué 24:14,15.

    

 

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Sabedoria do alto

     “A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento.” (Provérbios 4:7)       

     Um dos tesouros mais importantes e valiosos que uma pessoa pode ter é sabedoria. Por outro lado, também é uma das coisas mais difíceis de se obter e manter porque muitos de nós a buscamos de forma equivocada e na fonte errada. Porém, quando a busca é feita com sinceridade de coração e recorremos a quem pode dá-la, certamente se torna uma joia da qual jamais desejaremos abrir mão.  

     Nas Escrituras Sagradas, essa palavra e outras correlacionadas a ela aparecem muitas vezes, especialmente nos textos que têm como objetivo nos orientar para uma vida relacional de qualidade. Mas não apenas nessa área. Também trata de um requisito básico e indispensável ao nosso relacionamento com Deus. No Salmo 111:10, por exemplo, encontramos o seguinte registro: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre”.

     Evidentemente, há alguns tipos de sabedoria: natural e terrena, que é fruto de uma excelente formação acadêmica e cultural. Existem muitas pessoas eruditas, ou seja, detentoras de um vasto saber sobre um determinado assunto ou, até mesmo, dominam várias áreas do conhecimento.

     Também há indivíduos que são sábios dada sua experiência de vida e maturidade. Nesse caso, mesmo não tendo frequentado a escola ou possuindo uma formação escolar mínima, conseguem se tornar grandes referenciais de vida e excelentes conselheiros ou mentores. Diante destes, devemos nos sentar para ouvir em silêncio suas experiências e instruções.

     Além dessas mencionadas, há outra cuja origem não é terrena, mas divina. E é justamente sobre essa que desejo lhe falar, pois sei que, assim como eu, você almeja ser sábio e, consequentemente, agir com sabedoria em todos os momentos da vida (Eu tenho batalhado para ser.). Para isso, tomarei como base para a argumentação diversos textos bíblicos, a começar por Tiago 3:13 ao 18.  

     No versículo 13, Tiago nos diz: “Se vocês são sábios e inteligentes, demonstrem isso vivendo honradamente, realizando boas obras com a humildade que vem da sabedoria”. Pela leitura desse texto, entendemos que uma das demonstrações de sabedoria consiste em viver de forma honrosa. Isso quer dizer “de maneira respeitosa, que enobrece ou dignifica”.

     Para compreendermos melhor, basta-nos olhar em nosso entorno. Quantas pessoas que conhecemos andam exatamente na contramão do que ensina a Bíblia. Ou melhor: não são respeitosas para com Deus, muito menos com seu próximo. Ao contrário, agem de modo inapropriado, isto é, inadequado ou inconveniente. Sem contar que muitos sempre procuram uma oportunidade para se aproveitarem da boa-fé de seu semelhante, lesando-o financeira, emocional ou espiritualmente. Desse jeito, tratam com desdém a Palavra de Deus. Consequentemente, evidenciam falta da sabedoria dada pelo Senhor.     

     Outra evidência de sabedoria é o realizar boas obras com humildade. Hoje é muito comum a exposição através da mídia de tudo o que se faz. Alguns indivíduos vão realizar alguma doação de alimento, por exemplo, e fazem fotos e/ou vídeos que, posteriormente, serão postos nas redes sociais, constrangendo quem o recebeu.

     Por certo, em algumas ocasiões é importante e até necessário que determinadas obras sejam expostas para que outros também se sintam motivados a fazer o bem, especialmente quando se trata de uma instituição filantrópica. No entanto, cabe a cada um de nós, doadores, vigiar o coração para ver se nossas motivações estão pautadas no amor ensinado nas Escrituras ou não. Afinal, Jesus nos ensinou que nossa mão esquerda não deve saber o que a direita fez – Mateus 6:2-4. Em outras palavras: a motivação deve ser obedecer ao Senhor e demonstrar amor cristão ao próximo. Não receber os aplausos de outros.

     Também existem aqueles que usam os talentos e as habilidades dados pelo Espírito Santo não para glorificarem a Deus, mas com o intuito de serem admirados e aplaudidos. Obviamente, é muito bom receber aplausos (e todos nós gostamos de recebê-los).      Todavia, devemos estar cientes e conscientes de que nossa motivação, isto é, o motivo ou a força que aciona e direciona nosso comportamento, levando-nos à ação deve ser honrar ao Senhor e abençoar as pessoas colocadas por ele em nosso caminho. Agindo assim, sem dúvida seremos honrados pelo Altíssimo, pois “diante da honra vai a humildade”Provérbios 18:12.  

     Em Tiago 3:17, somos ensinados que “a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura”. A palavra pureza quer dizer “sem mistura; não alterado pela presença ou inclusão de impurezas ou de elementos estranhos; límpido, claro, transparente”. Ao fazer essa afirmação, esse servo de Deus nos informa, embora indiretamente, que a sabedoria terrena apresenta algum tipo de impureza ou alteração. 

     A princípio, até podemos discordar dele. Contudo, se pararmos uns instantes para analisar friamente, concluiremos que ele tem razão. Tudo que tem a intervenção humana, por menor que ela seja, vem vestido ou contaminado com a visão, conceito, preconceitos e opinião de pessoas limitadas, falíveis e pecadoras como eu e você. Logo, em algum aspecto ou momento vai revelar seus defeitos.

     Por outro lado, a sabedoria gerada em nós pelo Espírito Santo é totalmente pura, ou seja, não está contaminada por agentes humanos. Dessa maneira, ela representará exatamente a vontade de Deus para nossa vida, a qual, conforme nos ensinam as Escrituras Sagradas, é “boa, perfeita e agradável” – Romanos 12:2b.  

     Outra característica dessa sabedoria é que ela é pacífica. Em outras palavras: ela vem recheada pelo objetivo de promover a paz. Se conectarmos esse texto com a fala de Jesus em Mateus 5:9, veremos que tem tudo a ver. Observe: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.  

     Ser um pacificador vai muito além de gostar da paz ou de viver em paz. É ser uma pessoa que promove a paz, que se dedica a fazer reinar a paz. É aquele que através de seus atos e atitudes promove mudanças profundas no meio em que vive e convive. Logo, um indivíduo que apresenta essa característica só pode ser alguém que recebeu a sabedoria gerada pelo Espírito Santo. Sendo assim, ser um agente da paz segundo o conceito bíblico deve ser ou se tornar para cada um de nós um alvo a ser atingido, porque os pacificadores são bem-aventurados e chamados filhos de Deus.

     Ainda em Tiago 3:17, lemos que a sabedoria vinda do Senhor é tratável. Isso quer dizer que quem a possui é amável, afável ou agradável; que se pode tratar; que é gentil ou sociável. Por certo, você conhece muitas pessoas cujas ações, reações, atitudes e comportamentos tornam evidentes a inexistência dessa característica.

     Todos nós, indistintamente, precisamos estar atentos a isso. A Bíblia deixa claro que não podemos ser pessoas intratáveis, desagradáveis ou antissociais. Ao contrário, somos instruídos e admoestados a agir com doçura e mansidão: “… e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós…” – 1Pedro 3:15.

     Logicamente, Pedro referiu-se a uma situação específica. Porém, o princípio (a base de raciocínio) pode ser aplicado a todas as situações da vida. É óbvio que cada pessoa tem sua personalidade e temperamento. No entanto, entendo que o Espírito Santo pode e quer transformar não apenas nosso caráter, mas também o temperamento e até traços da personalidade que não são aprovados por Deus ou geram prejuízos relacionais.

      Tiago ainda declara que a sabedoria que vem do alto é cheia de misericórdia. Olhando para as Escrituras, passamos a saber que misericórdia está ligada a estas palavras hebraicas chenen, chesed e chen, as quais também deram origem à palavra graça, cujo sentido é favor a quem não merece.

      As palavras mencionadas (chenen, chesed e chen) nos informam que ser misericordioso é inclinar-se com bondade para com alguém, favorecer o necessitado e ajudar o pobre. E foi exatamente assim que o Pai Celestial agiu para conosco, mesmo sendo nós pecadores. Então, dentro daquilo que nos é cabível e possível, também precisamos ser cheios de misericórdia para com nosso semelhante, demonstrando sabedoria e entendimento da vontade de Deus para nós.

     Geralmente, queremos que Deus e as pessoas em geral nos tratem com benevolência, compaixão e empatia. Entretanto, quando é nossa vez de tratar nosso próximo, temos dificuldade de lhe estender a mão. Contudo, precisamos estar cientes de que agindo com misericórdia tornamo-nos habilitados para recebê-la também. Veja a declaração do Senhor Jesus em Mateus 5:7: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”

     Ainda no versículo 17, lemos que um indivíduo com essa sabedoria produz boas ações ou obras. Hoje, infelizmente, grande parte das pessoas sempre age com maldade. Aliás, a perversidade tem sido a marca registrada de muitos. Diariamente a mídia mostra casos de pessoas que são vítimas ou vitimadas por indivíduos perversos. Todavia, graças a Deus, ainda há aqueles cujas ações recheadas com compaixão e altruísmo promovem a paz e o bem aos necessitados, seja para suprir uma carência física, emocional, afetiva ou espiritual. Que esse seja o nosso caso!

     Finalizando o versículo 17, Tiago declara que essa sabedoria não trata os outros com parcialidade nem com hipocrisia. Quando se fala em parcialidade, pode-se entender como “qualidade de quem toma partido ao julgar a favor ou contra, tendo em conta sua preferência, sem se importar com a justiça ou com a verdade”. Lamentavelmente, essa tem sido uma prática muito comum no Brasil. Provavelmente, nós também já agimos desse jeito. Assim, fica claro que precisamos da sabedoria que provém do alto.

     Em João 7:24, Jesus ordenou: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça”. Erroneamente, muitos de nós entendemos a palavra julgar somente como sentenciar ou condenar alguém. Mas existem muitos sentidos que fazem parte desse pacote. Por exemplo: avaliar, examinar, considerar, pensar, calcular e outros. Nesse sentido, precisamos, e devemos, analisar. Porém, para não cometermos injustiças, tem de ser feito segundo a reta justiça e recheado com misericórdia. E o que é a reta justiça? Para o autêntico cristão, é aquilo que ensina e ordena a Palavra de Deus.

     E mais: cada um deve julgar a si mesmo. Como disse o apóstolo Paulo: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”1 Coríntios 11:31,32. Note que o texto diz que “somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Portanto, aceitar uma avalição segundo a reta justiça é mais do que uma evidência de humildade, amor-próprio e da sabedoria que vem do Altíssimo. É uma prova cabal.

     Para entender melhor, leia o texto que segue: “O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro” – Provérbios 14:16. Observe que Salomão usa duas palavras contrastantes (sábio x tolo) para nos admoestar. Nesse caso, a evidência de sabedoria é demonstrada por temer e desviar-se do mal, enquanto de tolice é o enraivecer-se e se sentir seguro em relação ao mal.

     Outro texto bastante esclarecedor e importante é: “Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal” – Provérbios 3:7. Aqui, entendemos claramente que ser sábio aos próprios olhos é um grande perigo. Quem se sente assim, tende a tomar decisões completamente equivocadas, inclusive leva-o a aproximar e até mesmo a aliar-se ao mal ou a pessoas más. Portanto, é imprescindível ser sábio aos olhos de Deus, usando as ferramentas que ele nos oferece gratuitamente em sua Palavra.

     Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, encontramos muitos exemplos de pessoas que agiram com sabedoria, desviando-se das coisas erradas aos olhos do Senhor. Uma delas foi Jó: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal – Jó 1:1.

     Em Eclesiastes 7:13 ao 18, lemos algo muito interessante sobre a relevância de ser sábio. Nesse relato, lemos que um sábio pobre livrou sua pequena cidade de um grande rei usando como arma de guerra a sabedoria. Mas é necessário observar um detalhe: ninguém se lembrava dele. Muitas vezes, é assim. Poucos valorizam essa qualidade. Porém, o Senhor a valoriza e muito.

     Fazendo uma conclusão desse registro, Salomão declara: “Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a sabedoria do pobre foi desprezada e as suas palavras não foram ouvidas. As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitos bens” – Eclesiastes 9:16-18.

     Há ocasiões nas quais as armas de guerra são as palavras ditas no calor de uma discussão. Geralmente, o resultado delas são pessoas gravemente feridas, casamentos mortos, famílias e amizades destruídas. Mas veja o que Salomão diz: “Favo de mel são as palavras suaves: doces para a alma e saúde para os ossos” – Provérbios 16:24. Logo, usando as palavras com sabedoria, em vez de guerras e destruição, geramos paz (saúde mental e emocional) e saúde física. 

     No versículo 17, o rei diz que as palavras de um sábio devem ser ouvidas em silêncio. Segundo estudiosos, um dos segredos do sucesso dos judeus é que eles gostam de ser corrigidos e ensinados. Por isso, valorizam os mentores/conselheiros. Portanto, considero fundamental aprender com eles também. E, quando estivermos diante de um sábio, aprendamos a ficar em silêncio, absorvendo e anotando tudo o que ele disser.

     Mas quem é um sábio? – Talvez essa seja sua dúvida. E eu lhe respondo: É todo aquele que ministra a Palavra de Deus como está registrada nas Escrituras. É todo aquele que usa a inteligência para promover o bem e a paz. Também é aquele que sabe de boas coisas que não sabemos ou já teve experiências que ainda não tivemos. Portanto, sempre que estiver perto de alguém, fique atento, pois da boca desse indivíduo, por mais simples que ele seja, pode jorrar palavras de sabedoria.

     Penso que foi por isso que Salomão declarou: “Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal” – Provérbios 13:20. Com quem você quer andar? A colheita será de acordo com a semeadura. Por isso, espero e oro para que faça a escolha certa, receba as mais copiosas bênçãos de Deus e viva vitoriosamente.

     Caso você sinta que ainda lhe falta a sabedoria que vem do alto ou do Altíssimo Senhor, siga a instrução de Tiago, o servo do Senhor: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada” – Tiago 1:5. Afinal, a sabedoria é a coisa principal e “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento. Porque melhor é a sua mercadoria do que a mercadoria de prata, e a sua renda do que o ouro mais fino. Mais preciosa é do que os rubis; e tudo o que podes desejar não se pode comparar a ela. Aumento de dias há na sua mão direita; na sua esquerda, riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz. É árvore da vida para os que a seguram, e bem-aventurados são todos os que a retêm”Provérbios 3:13-18

Força e Sabedoria – Anderson Freire
 

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Mal transformado em bem

“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos. (Gênesis 50:20)       

     Certamente todos nós já fomos vítimas de alguma injustiça ou, pelo menos, nos consideramos injustiçados por alguém. Afinal, as relações humanas são muito complexas e, às vezes, mesmo que uma pessoa não perceba, age de maneira injusta ou algo que fez, até inconscientemente, é interpretado como um ato injusto, causando muito sofrimento à vítima.

     Para piorar, quando a injustiça é praticada por alguém muito próximo e, principalmente por uma pessoa a quem amamos, a dor se torna muito maior. Como resultado, muitos adoecem gravemente por não suportarem esse terrível fardo. Outros passam a planejar uma maneira de se vingar. Tais pessoas consideram que pagando o mal com outro mal se sentirão melhor. Mas seria realmente a melhor forma ou a que o Senhor ensina a fazer?

     Quando olhamos para as Escrituras Sagradas, encontramos diversas histórias de pessoas que foram vítimas de algumas injustiças e traições. Em especial, Jesus. Embora nunca tenha praticado o mal contra ninguém, muitos agiram de forma completamente injusta para com ele, mesmo tendo recebido dele apenas o bem. No entanto, hoje, quero tomar como referência uma das histórias mais enriquecedoras: a de José, filho de Jacó (ou Israel), a qual está registrada em Gênesis, do capítulo 35 ao 50.

    José era o penúltimo filho. Os irmãos dele o consideravam o “queridinho do papai”. Para piorar, o pai o mandava ir aonde os demais filhos pastoreavam os rebanhos e trazer um relatório do que estava acontecendo nos campos. Obviamente, os outros o consideravam um fofoqueiro. Além disso, passou a ter uns sonhos um tanto esquisitos, os quais levaram seus irmãos a entender que José governaria sobre eles, e isso os deixou ainda mais furiosos. Mas a gota d’água foi o fato de o pai deles dar uma túnica colorida para esse jovem, indicando que ele seria o líder. Isso os fez sentir inveja e tomar a decisão de se livrarem daquele peso – Gênesis 37: 1 ao 24.

     Primeiramente, queriam matá-lo – vv 18 – 20. Quando Rúben, o primogênito soube, interveio e não os deixou tirar a vida do irmão. Porém, lançaram-no num poço. Mais tarde, quando passou uma caravana de comerciantes ismaelitas, Judá sugeriu que vendessem José, mesmo sem o consentimento do primogênito, o qual era naturalmente o líder deles. E foi isso que aconteceu. O jovem foi vendido e levado para o Egito – v 25 ao 31. Posteriormente, contaram ao pai aquela história de que uma fera o havia devorado. Essa foi a primeira grande injustiça sofrida pelo moço.

     No capítulo 39, lemos o relato de que José foi vendido como escravo a Potifar, o capitão da guarda do faraó. Lá, Deus o fez prosperar grandemente: “E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio” – Gênesis 39:2.

     Ao perceber que José era uma pessoa diferenciada e abençoada, Potifar o colocou como administrador de todas as coisas em sua casa. E, em consequência disso, veja o que ocorreu: “E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo” – Gênesis 39:3 ao 6.

    Por ser um jovem atraente e de boa aparência, a mulher do patrão começou a cobiçá-lo e desejava se relacionar sexualmente com ele. Contudo, José lhe respondeu dessa forma: “Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo e entregou em minha mão tudo o que tem. Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus?” – Gênesis 39:8,9.

    A mulher, porém, estava decidida convencê-lo. Como o rapaz se recusava a trair Potifar, e sobretudo ao Senhor, ela inventou a história de que José tinha tentado forçá-la a se relacionar com ele. Isso fatalmente o levou à prisão. Afinal, o que supostamente ele fizera era gravíssimo – Gênesis 39:10 ao 20. Assim se torna vítima de mais uma enorme injustiça.   

     Paremos um pouco aqui. Responda-me com sinceridade: Esse jovem não tinha motivos mais do que suficientes para se revoltar contra Deus e as pessoas que lhe provocaram tanto sofrimento? Já que ele estava longe de casa e tendo a possibilidade de se dar bem até com a mulher do “chefe”, a qual devia ser bonita e atraente, por que não o fez? Para a maioria das pessoas de hoje, certamente esse jovem era um grande tolo. Mas… Será que era mesmo?

     Na sequência, mais uma vez encontramos algo maravilhoso: O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor. E o carcereiro-mor entregou na mão de José todos os presos que estavam na casa do cárcere; e ele fazia tudo o que se fazia ali. E o carcereiro-mor não teve cuidado de nenhuma coisa que estava na mão dele, porquanto o Senhor estava com ele; e tudo o que ele fazia o Senhor prosperava – Gênesis 39:21-23.  

    No capítulo 40, encontramos o relato de que o padeiro e o copeiro do rei cometeram um “deslize” e foram parar no cárcere. Lá, cada um deles teve um sonho e o contaram para José, o qual lhes deu a interpretação. E aconteceu exatamente como fora dito. Então, José fez um pedido ao copeiro: “Porém lembra-te de mim, quando te for bem; e rogo-te que uses comigo de compaixão, e que faças menção de mim a Faraó, e faze-me sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e tampouco aqui nada tenho feito, para que me pusessem nesta cova” – Gênesis 40:14,15. No entanto, o copeiro se esqueceu da promessa feita ao intérprete de seu sonho – Gênesis 40: 23. Então, mais uma injustiça foi anotada na lista.

    Segundo vemos no capítulo 41 que, passados dois anos do sonho do copeiro, o faraó teve uns sonhos estranhos, aos quais nenhum dos adivinhadores e sábios do Egito soube dar a interpretação. Nesse momento, o copeiro se lembrou de José, da promessa que lhe fizera e contou para o faraó o acontecido na prisão – Gênesis 41: 9 ao 13.

     Após esse relato, o monarca ordenou que trouxessem José. Então, contou-lhe tudo o que sonhara e ouviu a explicação sobre o significado do sonho. Mas, além da interpretação dada, houve também a sugestão de como o governante deveria agir a partir daquele momento – Gênesis 41:14 ao 37. Nesse dia, começou a mudança radical na vida desse jovem tão fiel a Deus e às pessoas em seu entorno.

     Conforme lemos nos versículos de 38 a 47, José foi nomeado a governador de todo o Egito, sendo menor em poder e autoridade apenas em relação ao faraó. Tudo estava nas mãos desse homem honrado, agora com trinta anos de idade.

     Com a autoridade dada pelo rei, José começou a colocar o plano indicado por Deus em ação. E tudo foi acontecendo como já era de se esperar, pois o Senhor o fez prosperar nesse negócio também – Gênesis 41: 48 ao 57. Mas o melhor da restituição de Deus ainda estava por vir. E veio.

    No capítulo 42, passamos a saber que a fome também chegara à terra de Canaã e, consequentemente, à casa de Israel/Jacó, pai de José. Por isso, quando souberam que no Egito havia alimento para comprar, seus irmãos receberam autorização de Israel para irem até lá adquirir mantimentos. E foram.

     Tempos depois, acabando a comida, seus irmãos precisaram ir novamente ao Egito. Lá, José se revela a eles e recebe autorização do faraó para toda a família morar naquele lugar. Aliás, receberam tudo o que era bom e necessário para viverem naquele país. E assim aconteceu.

     No entanto, passados vários anos, o pai deles morreu. Como seus irmãos ainda tinham a consciência pesada pelo mal que fizeram, ficaram muito temerosos, supondo que José ia se vingar de todos eles: “Vendo, então, os irmãos de José que o seu pai já estava morto, disseram: Porventura, nos aborrecerá José e nos pagará certamente todo o mal que lhe fizemos” – Gênesis 50:15.  

    Em consequência desse medo, enviaram representantes para falar com José: “Portanto, enviaram a José, dizendo: Teu pai mandou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. E José chorou quando eles lhe falavam” – Gênesis 50:16,17.   

    Depois desse episódio, eles mesmos foram ter com o irmão, prostraram-se diante dele e disseram: “Eis-nos aqui por teus servos” – Gênesis 50:18. Certamente, estavam reconhecendo não apenas seus erros do passado, mas também o poder e autoridade de José sobre eles. Isso os deixava amedrontados e sentindo-se reféns daquela situação. Assim, supunham que seriam punidos pela injustiça cometida há tantos anos. E, pelo que declararam, estavam dispostos a aceitar a posição de servos.

     Para dizer a verdade, analisando a situação do ponto de vista humano, José tinha todo o direito de se vingar de seus irmãos e de transformá-los em seus escravos. Afinal, eles o prejudicaram severamente. Quantas coisas ele deixou de viver junto com o pai, o irmão mais novo, amigos e, talvez, com uma namorada! Quanto sofrimento físico e emocional!… Quem sabe, poderia ter se casado, gerado filhos, sido feliz…

    Mas agora o jogo mudara. Estavam no território governado justamente por quem havia sofrido tantas injustiças da parte deles. Portanto, seria mais do que compreensível se o coração desse homem estivesse cheio de ódio, mágoa, ressentimentos, traumas e revoltas a ponto de culminar com uma punição à altura de sua dor. Porém, não foi o que aconteceu.

     Não?! Não! Veja o que José lhes disse: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos. Assim, os consolou e falou segundo o coração deles” – Gênesis 50:19-21.

     Agora chegamos à parte mais importante dessa história. Sendo assim, gostaria que você estivesse atento a cada palavra a seguir:

  • Por que Deus estava com esse jovem e o fazia prosperar em tudo que ele realizava lá no Egito, conforme lemos em algumas passagens bíblicas?

“E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” (Gênesis 39:2)

“O Senhor, porém, estava com José, e estendeu sobre ele a sua benignidade, e deu-lhe graça aos olhos do carcereiro-mor.” (Gênesis 39:21)

Entendo que o Senhor o fez prosperar porque, apesar de ter sofrido tantas injustiças, ele, como Jó – Jó 1:22, não pecou nem atribuiu falta/culpa alguma a Deus. Muitas pessoas, mesmo que indireta ou inconscientemente, culpam o Senhor pelas injustiças ou desgraças que lhes sobrevêm. Por isso, se revoltam e viram as costas para ele.

Ademais, mesmo distante da casa de seu pai e estando no meio de um povo com costumes e valores diferentes dos seus, esse jovem manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade ao Senhor.

Em tese, para ele teria sido muito mais fácil aceitar a proposta da mulher de Potifar. Certamente, isso lhe traria alguns benefícios, regalias e prazer. Sem contar que sua família jamais ficaria sabendo. No entanto, veja a declaração dele: “Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como, pois, faria eu este tamanho mal e pecaria contra Deus? – Gênesis 39:9.

Infelizmente, é muito comum vermos pessoas que de fato foram vítimas de injustiças e traição ou que se sentem prejudicadas se vingarem fazendo o mesmo ou algo semelhante.

Por exemplo: Quando um cônjuge é traído e faz o mesmo, não está revelando somente a deformidade de caráter do outro, mas do seu próprio. Dessa maneira, abrem mão de seus valores e compromisso com Deus e pecam também. Será que agindo assim são, aos olhos de Deus, diferentes dos outros?

Tais pessoas se esquecem de que seu caráter não é e não pode ser formado a partir do caráter de outros, mas do caráter de Cristo, pois o autor e consumador da nossa fé (Hebreus 12:2) e o exemplo a ser seguido é ele, não seus semelhantes – João 13:15. Em outras palavras: José não usou como pretexto ou justificativa o pecado dos que o prejudicaram para pecar também.

  • Outra razão é que esse moço não permitiu que o ódio e outros sentimentos ruins tomassem conta de seu coração. Isso fica claro em suas conversas com seus irmãos, quando diz: “Não temais; porque, porventura, estou eu em lugar de Deus?” – Gênesis 50:19.

Evidentemente, se ele fosse movido por sentimentos ruins, jamais diria essa frase. Ao contrário, teria aproveitado a oportunidade para jogar na cara os erros dos irmãos e vingar-se da melhor maneira que conseguisse.

José entendeu o que muitos de nós não entendem: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor. (…) Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem” – Romanos 12:19, 21.

A justiça humana é sempre imperfeita e parcial, pois somos limitados e não conseguimos ir além daquilo que está diante dos nossos olhos. Mas a de Deus é perfeita e imparcial. Logo, nada melhor do que entregar nossas questões nas mãos dele, pois ele pelejará por nós, e nós nos calaremos – Êxodo 14:14.

  • Outra coisa importantíssima está registrada em Gênesis 50:20: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20.

     Ao dizer isso, ele nos traz algumas revelações muito relevantes: não era aquela forma que Deus ia usar para garantir a sobrevivência e a continuidade de seu povo. Ele sempre tem um plano muitíssimo melhor para seus filhos: “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” – Jeremias 29:11.

     Além disso, vemos a clareza de entendimento de José ao dizer que seus irmãos realmente haviam intentado o mal contra ele, mas que o Senhor tinha transformado o mal em bem. Ele não agiu com hipocrisia. Também entendeu por que o Deus fizera essa transformação.

     Quando estamos no olho do furacão, geralmente não conseguimos enxergar com essa clareza. Ao contrário, vemos apenas a tragédia. Entretanto, penso que hoje Deus também age assim. Até podem planejar o mal contra nós e, a princípio, parece-nos que atingiram seu objetivo. Mas, se tivermos a ajuda do Espírito Santo, certamente teremos condições de ver a ação do Senhor em nosso benefício.

     Talvez, você esteja pensando: “Ele está falando isso por não conhecer a minha história nem a minha dor”. Isso é verdade. Todavia, ainda que eu as conhecesse, provavelmente não faria muita diferença. O que importa de fato é que o Senhor sabe tudo a seu respeito. E, apesar de serem histórias, épocas, culturas e motivações diferentes, o princípio da ação de Deus continua sendo o mesmo: cuidar de seus filhos – Mateus 7:7 ao 11.

    O que quero dizer é que, independentemente do que lhe aconteceu, o Senhor pode mudar por completo o rumo da sua história, como fez com José. Quando tudo indicava que ele ficaria por um longo tempo na prisão, Deus deu sonhos ao faraó, o que gerou a oportunidade perfeita para honrar seu filho. Hoje, ele pode fazer algo semelhante com você.

     Há ainda outro motivo pelo qual Deus fez com que José fosse bem-sucedido em tudo o que fazia, embora não pareça aos olhos humanos, e o tornou governador. Estou me referindo à sua capacidade de perdoar. (Isso está totalmente ligado ao que já foi dito.) Como vimos, com a morte de Jacó, os irmãos pensaram que iam ser punidos. Mas foram perdoados. Aliás, ao que tudo indica, já haviam sido perdoados há muito tempo.

     Perdoar é fundamental. Não porque o ofensor merece. Primeiro, é preciso por ser um mandamento do Senhor: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós” – Mateus 6:14.  E mais: “Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas” – Marcos 11:26. 

     Outro motivo pelo qual devemos perdoar é para nos libertarmos do pesado fardo cheio de mágoa, amargura, ressentimento, ódio e revolta. Tais sentimentos, segundo a Ciência, mas também segundo a Bíblia, só nos fazem adoecer em todas as áreas (emocional, mental, relacional, física e espiritual).

     O apóstolo Paulo apresenta mais uma razão pela qual devemos liberar perdão. Veja o que ele disse: “E a quem perdoardes alguma coisa também eu; porque o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás, porque não ignoramos os seus ardis” – 2 Coríntios 2:10,11.

     Mas… Como seríamos vencidos pelo maligno? Simples: Ele usaria esses sentimentos ruins para nos torturar. Poderia levar-nos à depressão, ao desejo de vingança, à revolta contra Deus por supor que ele é o culpado pelo nosso infortúnio ou infelicidade. Para piorar, em muitos casos, ele sugere o suicídio como maneira de se livrar do sofrimento ou um assassinato. E o tiro de misericórdia é conduzir-nos à perdição eterna, pois quem não perdoa também não recebe o perdão de Deus – Mateus 6:15. Por isso, quando tomamos a decisão de perdoar, o maior beneficiado somos nós mesmos.

     Agora, o motivo final da ação de perdoar é libertar a pessoa que ofendeu e prejudicou. Sei que em muitos casos a pessoa não está nem um pouco preocupada com isso. Nesse caso, a responsabilidade é toda dela e as consequências também. O que importa de fato é que façamos a nossa parte, em obediência a Deus.

     Juntando-se a tudo o que já foi dito, existe outro motivo que o levou a ser honrado: reconhecer que sua capacidade de interpretar sonhos não vinha de si mesmo, mas do Senhor. Veja: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” – Gênesis 41:16. Isso demonstra que realmente conhecia a Deus e era humilde. Afinal, ele poderia aproveitar a oportunidade para se autopromover. Porém, não o fez. Deus a glória ao Senhor.

     Agora, só me resta dizer que faz alguns meses que venho refletindo sobre a história de José, especialmente sobre a parte na qual ele diz: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida a um povo grande” – Gênesis 50:20. E, mais uma vez, a conclusão a que cheguei é que Deus continua transformando o mal em bem, com um propósito: conservar-nos   com saúde relacional, física, mental, emocional e espiritual, ou seja, com vida de verdade. Talvez, seja por querer conservar seu casamento, sua família, seus filhos, sua integridade e dignidade, sua igreja e assim por diante.  

     Também concluí novamente que o caráter de uma pessoa não está diretamente ligado à sua idade, mas ao seu compromisso com o Senhor. Quando José foi para o Egito, tinha cerca de dezessete anos. Era muito jovem ainda. Mesmo assim, manteve sua fé, integridade, dignidade e fidelidade a Deus, a despeito de todas as dificuldades e tentações por que passou.

      Por isso, tentar justificar suas falhas com base na idade é, no mínimo, falta de hombridade e de humildade para reconhecer que errou. Mas não podemos nos esquecer das seguintes palavras: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” – Provérbios 28:13. E ainda: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” – 1João 1:9.

     Por fim, preciso registrar: Deus não aceita desculpas ou justificativas para o erro. Mas “a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” – Salmos 51:17.

 

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Palavras com que se escreve uma nova história

     “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.”               (Salmos 119:18 – ARC)

     Se eu lhe perguntasse quantas vezes leu ou ouviu palestras sobre a Parábola do filho pródigo, certamente você teria dificuldade para dizer a quantidade. No entanto, penso que foram muitas. Afinal, mesmo quem tem pouca familiaridade com as Escrituras Sagradas, conhece alguma coisa a respeito dessa narrativa.

     Desse modo, a princípio parece desnecessário escrever mais um artigo sobre essa história contada por Jesus. Porém, a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de água para o sedento e sempre existe algo para aprender com ela ou, pelo menos, relembrar. E entendo ser justamente por esse motivo que mais uma vez fui levado pelo Espírito Santo a ministrar sobre ela e, agora, a escrever a seu respeito.

     Quando olhamos para o início do capítulo 15 de Lucas, encontramos o seguinte registro: “E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles” – 15:1 e 2. Por causa dos comentários inconvenientes desses homens, o Senhor contou três parábolas: A ovelha perdida, A dracma perdida e O filho pródigo.

     A partir do versículo 11, o Mestre começa a contar essa história, dizendo: “Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda” – Lucas 15:11,12.

     Pedir a herança antes da morte do pai era um grande desrespeito. Soava como se desejasse que ele morresse ou que já estivesse morto. Contudo, esse não é o único significado problemático por trás do pedido do jovem. Pedir sua parte antecipadamente era consequência da ingratidão que habitava sua alma. E o efeito disso não podia ser outro: ele não conseguia ver o que desfrutava estando na casa do pai: amor, proteção, segurança, suprimento para suas necessidades básicas e, sobretudo, a presença de seu genitor.

     A ingratidão sempre culmina com a insatisfação. Por isso, todas as coisas materiais ou imateriais recebidas ou não eram vistas ou não eram valorizadas. O simples fato de estar ali o sufocava e, talvez, o revoltava. Quem sabe, ele se sentia reprimido. Impossibilitado de fazer o que viesse à sua cabeça. De satisfazer todos os seus desejos carnais. Assim, para esse jovem, a casa do pai deixou de ser um lar e passou a ser uma prisão.

     O texto continua: “E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente” – Lucas 15:13

     Uma coisa relevante é que aquele filho não saiu de casa logo após ter recebido a parte da herança que lhe cabia por direito, mas alguns dias depois.

     Essa informação é muito interessante e importante. Indica que ele teve tempo para refletir sobre o que fizera. Para se arrepender e se corrigir diante do pai. Talvez, ele tenha vivido um grande conflito interior. Quem sabe, a consciência o acusou e mostrou a necessidade de que pedisse perdão ao pai. Mas não o fez. Não deu ouvidos a ela e convenceu a si mesmo de que ir para longe do pai era o melhor a fazer.

     E se foi. Resoluto. Inconsequente. Com mil planos em sua cabeça, vislumbrando apenas os supostos benefícios resultantes da decisão tomada. Sem dúvida, se lhe passava na mente algum pensamento negativo, logo ele o afugentava bravamente. Afinal, ele era jovem. Dono da própria vida. Sabia o que estava fazendo. A seus próprios olhos, onipotente.

     Esse cenário é diferente do que vemos hoje? Penso que não. Quantas pessoas conhecidas abandonam a Casa do Pai por se sentirem desse jeito! Infelizmente, muitos de nós, em algum momento, desejamos fazer isso também. E, se não a deixamos fisicamente, o fazemos espiritualmente.

     Como diz a Bíblia em Atos 7:39, muitos hebreus que deixaram o Egito sob a liderança de Moisés, o libertador enviado pelo Senhor, voltaram para lá em seu coração (Atos 7:39). Da mesma maneira, voltamos ou nos voltamos para o mundo, deixando-nos enganar pela suposta liberdade que há fora da Casa do Pai e, como o jovem da parábola, tornamo-nos pródigos também.

     Ainda no versículo 13, somos informados de que esse rapaz foi para uma terra longínqua. Isso nos leva a entender que ele almejava romper completamente os laços com seu pai e com seu irmão. Não queria correr o risco de sofrer interferências indesejáveis ou indesejadas.

     No início, parece que tudo transcorreu como ele sonhara. Geralmente quem possui dinheiro consegue fazer muitos “amigos”. Ter os namorados ou as namoradas que desejar. Sexo à vontade. E muito mais… Mas, sempre que acaba o dinheiro, tais pessoas desaparecem, como num passe de mágica, pois a riqueza pode “comprar” momentos de atenção e prazer e supostas amizades. Todavia, jamais comprará amor verdadeiro ou amigos de fato.

     Em minha cidade natal, houve um jovem que ganhou milhões na loteria. Comprou uma fazenda, de porteira fechada – com todo o maquinário, toda a estrutura e o todo o gado que nela havia. Carro novo. Conquistou mulheres. Vivia cercado de “amigos”. Sentado num bar, pagava comida e bebida para todos. Entretanto, quando o dinheiro acabou, os supostos amigos e as moças que o bajulavam passaram a ignorá-lo. O choque de se ver sem todas as regalias compradas pelo dinheiro o deixou doente e, por fim, foi parar num hospital psiquiátrico. Quando recebeu alta, passou a ser “invisível”. Aqueles que antes se diziam seus amigos, agora fugiam dele, fingindo não o conhecer.     

     Por certo, ocorreu algo semelhante com a personagem dessa narrativa. No versículo 13, lemos que o moço desperdiçou todos os seus bens, vivendo irresponsavelmente. Para piorar, veio uma grande fome sobre aquela terra e ele começou a passar necessidade (v 14). O tempo de glória acabara.

     Com fome e sem o dinheiro da herança, o jovem busca trabalho para se sustentar e, desesperado, aceita um cargo que nenhum judeu jamais pensaria ocupar: cuidador de porcos.

      Segundo a lei do Antigo Testamento, porcos eram animais impuros, de maneira que aquele que tivesse contato com esses animais também se tornaria impuro. Portanto, a aceitação desse trabalho, demonstra a total degradação a que chegara esse rapaz.

      Por acaso, não acontece algo semelhante com muitos dos que abandonam a Casa do Pai? Ao chegarem espiritual e financeiramente ao “fundo do poço”, fazem coisas que antes eram inimagináveis, por serem impuras, imorais, degradantes ou humilhantes aos olhos de Deus. 

     Apesar de ter conseguido um trabalho, a história relata que o jovem continuava a passar fome, chegando a desejar a comida que era dada aos porcos, mas nem isso lhe davam – Lucas 15:15 e 16. Em outras palavras: naquele momento, ele estava sendo tratado como um ser inferior àqueles animais.

     Quando esse rapaz passa a ser tratado como inferior aos porcos, podemos dizer que, para a cultura da época, ele não tinha mais valor nenhum. Mas, surpreendentemente, este não foi o seu fim. Que bom!

     O início da grande reviravolta começa a acontecer quando entra em cena outra palavra: reconhecimento. No versículo 17, lemos: “E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!”.

     Para entendermos melhor, preciso dizer que, quando escreve “caindo em si”, o autor quer dizer que o jovem reconheceu a situação em que estava e como havia errado com seu Pai. Num sentido comum ou corriqueiro, reconhecer significa tomar conhecimento, trazer à mente de novo, certificar-se. Mas vai além disso.Na prática, quer dizer: ter um novo conhecimento ou olhar com outros olhos para o mesmo objeto ou situação. E, ao fazer isso, a pessoa consegue enxergar aquilo que até então não lhe era visível.

     Agora, com seus olhos abertos, ele consegue fazer um julgamento correto da situação na qual se encontrava e uma comparação justa entre sua vida atual e a que tivera na Casa do Pai. Assim, o reconhecimento torna-se o pontapé inicial para a transformação da história desse rapaz.

     O arrependimento autêntico é o primeiro efeito causado pelo reconhecimento. O segundo, a humildade: “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores/jornaleiros” – Lucas 15:18,19.

     Arrependimento verdadeiro sempre é acompanhado pela humildade. Sem ela, até pode haver remorso, vergonha de uma atitude tomada, mas nunca verdadeiro arrependimento. Sem a humildade, é possível que o jovem decidisse ir para uma terra ainda mais distante, para evitar que seu pai, irmão e conhecidos soubessem de sua situação degradante. Entretanto, sendo humilde, ele decide não fugir, mas voltar à Casa do Pai.  

     Seu arrependimento é tão verdadeiro e profundo que entende não mais merecer ser tratado como filho. Para o jovem, era mais prudente pedir que seu pai o aceitasse como um trabalhador diarista, sem compromisso formal, recebendo por dia trabalhado. De fato, ele havia compreendido a gravidade do que fizera. Mas o pai tinha outros planos para seu filho. Como Deus também tem para todos nós, pródigos, que decidimos voltar para Casa.

     No versículo 20, vemos que o jovem realmente volta para casa. Penso que houve um grande conflito interior, que aconteceu uma batalha entre o orgulho e a humildade. Suponho que o jovem temeu enfrentar o pai e que, muito provavelmente, pensou em desistir. Mas prosseguiu. Felizmente!

     Ainda nesse versículo, vemos que o pai avistou o filho ainda longe, correu até ele, e o beijou. Algo parece errado. Não era o filho quem devia correr em direção ao pai? Aliás, esse jovem deveria ter se prostrado aos pés do pai em sinal de arrependimento e humildade. Seria o mais lógico a fazer.

     Há muitas lições importantes nessa parte da história, para as quais devemos atentar. Uma delas é que quando decidimos voltar para a Casa do Pai, ele está à espera e ansioso por esse momento. Observe que o pai o avistou ao longe. Ora, isso dá a entender que esse homem estava olhando para a estrada a esperar o retorno do filho. Como o Pai Celestial também sempre aguarda, ansioso, o regresso de filhos pródigos que compreenderam que a Casa dele é o melhor lugar onde um filho pode estar.

     Outra lição é: o pai sabia que, ao voltar para casa, o filho demonstrava estar arrependido, tendo reconhecido os próprios erros. Por isso, o pai o recebe de braços abertos. Assim também Deus, quando nos vê no caminho de volta para casa, recebe-nos calorosamente, sem apontar para nós um dedo de acusação e/ou nos repreender pelas atitudes vergonhosas.

     Para aquele pai, assim como para nosso Pai Celestial, o arrependimento sincero era mais importante do que os erros cometidos. Como sinal disso, o pai pede a seus empregados que tragam para o filho: roupas novas (para cobrir uma possível nudez), restaurando sua dignidade; um anel (para restaurar seu status de filho e herdeiro) e sandálias, para que pudesse caminhar seguro, sem se ferir.

     Em seguida, aquele pai ordena que tragam o bezerro cevado, reservado para eventos especiais, para fazerem um churrasco e comemorar o retorno do filho – Lucas 15:23. Aquela era uma ocasião especialíssima. Logo, merecia uma festa. Isso lembra o que Jesus disse: “Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” – Lucas 15:7.  

      A seguir, o pai justifica o motivo da celebração: “… porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se” – Lucas 15:23. Que maravilha! Agora aquele filho estava reintegrado à família! Ele certamente enfrentaria problemas em consequência de seus atos (como a rejeição do irmão). No entanto, ele venceria porque novamente estava na casa e na presença de seu pai e podia contar com ele para ajudá-lo.

     Para concluir, bastam apenas algumas considerações:

  • Ainda que sejamos ou ajamos como pródigos, o Pai Celestial sempre está de braços abertos para receber aqueles que reconhecem seus erros, arrependem-se sinceramente e retornam para Casa.
  • Ainda que o filho não entendesse o que significa graça (favor a quem não merece) e perdão, foi justamente o que o Pai, generosamente, lhe ofereceu. Você pode não entender profundamente também. Não importa. Mesmo sem compreender, é isso que o Senhor tem para lhe oferecer quando decidir voltar para a Casa Dele.
  • Você é mais importante do que seus erros. Por isso, Deus enviou Jesus para morrer em seu lugar: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3:16
  • Os erros sempre trazem consequências negativas, como aconteceu com Davi. Mas, estando na Casa do Pai, você receberá a ajuda necessária para vencer (Romanos 8:26).
  • Não existe dúvida de que depois do perdão e aceitação recebidos na Casa do Pai, aquele filho tornou-se grato por tudo.
  • Estando na casa do Pai, mesmo que não tenha tudo o que deseja ou pensa que merece, você tem o bem maior – a presença e o amor do Pai.
  • Não seja como muitos, que querem a parte da herança (as bênçãos), mas não querem o Pai e a presença dele.

     Compreendemos, dessa maneira, que não existe nada melhor para alguém do que estar e viver na Casa de Deus. Ainda que as propostas do mundo sejam tentadoras, certamente são apenas passageiras e ilusórias. Assim, a alegria e o prazer que geram não valem a pena. Milhões de pessoas já se iludiram com elas e, depois de muito sofrerem, compreenderam que estavam erradas e voltaram.

     Portanto, se esse for o seu caso, volte também. E, se você não saiu fisicamente, mas seu coração já está no mundo, ainda é tempo de refletir e de tomar a decisão de permanecer na Casa do Pai. Por fim, lembre-se de que seu reconhecimento, arrependimento, humildade gerarão graça, perdão, aceitação e acolhimento da parte do Pai Celestial. E é com elas que se escreve uma nova história de vida, de paz, vitória e felicidade verdadeira.

Para ouvir: Filho Pródigo – Voz da Verdade

 

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Palavras em extinção

“Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão – disse Jesus.” (Marcos 13:31)

    A língua não é estática. Ao contrário, ela está em constante movimento. Por isso, novas palavras são criadas com certa frequência, para atender às novas demandas do mercado de trabalho e empresarial. Além disso, grupos sociais diversos criam suas gírias, a fim de dar uma identidade exclusiva à galera e facilitar a comunicação entre seus pares.

    Mas não é somente isso. A língua oficial também sofre mudanças para, pelo menos em tese, tornar mais fácil e prática a comunicação através da escrita, conforme aconteceu faz alguns anos com os países falantes da Língua Portuguesa. Há, ainda, outro fenômeno interessante:  a extinção de algumas palavras e expressões. E esse acontecimento é algo natural.

    Por outro lado, existem algumas palavras que, indevidamente, estão sendo extintas ou, no mínimo, caindo em desuso, mas que não deveriam ser vítimas desse palavricídio, ou seja, assassinato de palavras. (Viu? Acabei de inventar uma! Esse processo se chama neologismo). Pelo menos, essas mortes não deveriam ocorrer pelas mãos de quem declara ser cristão, pois elas demonstram claramente que a fé professada é autêntica e profunda.

    Uma dessas palavras é arrependimento. Ela é de origem grega (μετάνοια, metanoia) e significa conversão (tanto espiritual como intelectual), mudança de direção e mudança de mente; mudança de atitudes, temperamentos ou caráter, geralmente conotando uma evolução pessoal”.  

    Em se tratando do sentido bíblico, há verdadeiro arrependimento quando um indivíduo reconhece que pisou na bola com Deus ou mesmo com uma pessoa.  Consequentemente, sente um profundo pesar pelo que fez e está disposto a mudar de direção, de mente e de atitude, uma vez que a ação praticada ou o comportamento adotado afrontou ao Senhor ou causou danos a quem foi vítima disso.

    Diante dessa explicação, entendo que foi por esse motivo que Deus orientou João Batista a iniciar seu ministério como precursor do Messias (aquele que anuncia, prenuncia, prepara ou indica a vinda de alguém ou um acontecimento) pregando a necessidade de arrependimento. Veja o que a Bíblia diz: Ele percorreu toda a região próxima ao Jordão, pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados – Lucas 3:3.  

    Algo semelhante aconteceu logo após a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Agora, cheio de autoridade, Pedro se levanta diante da multidão e anuncia o evangelho aos presentes. Muitos deles creram e perguntaram aos apóstolos o que deveriam fazer para ser salvos – Atos 2:37.

    Então Pedro lhes respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” – Atos 2:38. E foi isso que eles fizeram. Somente naquele dia, quase três mil pessoas se converteram,  porque tinham reconhecido que eram pecadoras e, por essa razão, precisavam do Senhor.


    Em outras palavras, uma conversão é autêntica quando vem precedida de arrependimento sincero. Caso contrário, pode até ser remorso, o qual, no sentido bíblico, é apenas um constrangimento por ter feito algo errado, mas que não é acompanhado de real mudança de comportamento, atitudes, mente e coração.

    Desse modo, quando uma pessoa se declara convertida, inevitavelmente deverá haver uma total rejeição àquilo que afronta a Deus. Por isso, ao ver alguém que se declara cristão dizer que não se arrepende de nada do que fez, conclui-se que tal pessoa não compreendeu o Evangelho e que uma conversão genuína passa, obrigatoriamente, por esse requisito. Afinal, é isso que as Escrituras Sagradas ensinam.

     O livro de Atos dos apóstolos, por exemplo, está repleto de eventos nos quais os homens de Deus falavam da necessidade de crer em Jesus e arrepender-se dos pecados cometidos. E o próprio Senhor fala em Lucas 15:7: Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Portanto, arrepender-se não é opção pessoal, porém uma condição estabelecida por Deus, para que um indivíduo tenha direito ao perdão de seus pecados e à salvação em Cristo.

    Outra palavra em processo de extinção é renúncia. Para entender melhor aonde almejo chegar, vejamos o significado dela: não querer; recusar, rejeitar; desistir da posse de alguma coisa; abdicar. Ou seja, quer dizer abrir mão daquilo que lhe pertence ou que gostaria de possuir, por alguma razão especial ou nobre. Por exemplo, deixar de descansar depois de um dia exaustivo para brincar com um filho que o esperou durante longas horas para passarem alguns momentos juntos.

    No entanto, tem acontecido algo preocupante na sociedade atual. Nessa cultura hedonista, isto é, dedicada ao prazer como estilo de vida, por vê-lo como o bem supremo e finalidade principal da existência, as pessoas têm aberto mão de valores humanos indispensáveis e se lançado de corpo e alma a toda sorte de práticas que contrariam a vontade de Deus.

     Hoje, para se dar bem ou ser “felizes”, muitos roubam, matam, fazem qualquer negócio ou praticam quaisquer tipos de imoralidade, não se importando se estão ferindo seu semelhante ou ao Senhor. Logo, atraem para si toda sorte de males físicos, morais, emocionais, psicológicos e, sobretudo, espirituais.

    Mas o pior é que mesmo entre os que professam a fé em Cristo há quem age dessa forma, ignorando, desse modo, os ensinos das Sagradas Escrituras. Esquecem-se de que, agindo assim, estão virando as costas para o Senhor, invalidando o sacrifício dele lá naquela sangrenta cruz e, em consequência disso, perdendo a salvação eterna. Aliás, muitos já nem acreditam nisso. Que pena! Que perigo!

     Quando olhamos para a Bíblia com os olhos revestidos de reverência e humildade, vemos Jesus dizendo: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” – Mateus 16:24. Lembra-se de que renunciar quer dizer recusar ou desistir da posse de alguma coisa

    Já em Marcos 8:34, o Mestre declara: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. Parece ainda mais forte essa declaração do Senhor. Negar-se a si mesmo… Tomar a cruz… Segui-lo…  

    Como é difícil  abrir mão de coisas das quais gostamos!! Pode ser um vício. Um relacionamento com alguém. Um pecadinho de estimação. Um mau hábito. Um comportamento inadequado. Uma crença, um conceito ou outras coisas consideradas legais ou importantes. Como diz um humorista: “É difíci!… Muito difíci!”. Porém… se quisermos aquilo que o Senhor tem para nos oferecer, é necessário.

    Ao falar sobre tomar a cruz, preciso esclarecer umas coisinhas. Existem, por aí, pessoas crendo que tomar a cruz significa aceitar passivamente o sofrimento, a miséria ou quaisquer desgraças que podem sobrevir a nós. Ledo engano! Não tem nada a ver com isso. Cristo quis dizer que quem decide ser cristão, ou melhor, um discípulo dele deve assumir tal responsabilidade e cumprir seus compromissos de seguidor dele. Em outras palavras, deve andar como ele andou. Sobretudo ser reverente e obediente ao Pai – Filipenses 2:8.

    Mas há outra coisinha que não posso deixar de fora dessa argumentação. Quando Deus pede que renunciemos alguma coisa, neguemos a nós mesmos, tomemos nossa cruz e o sigamos, não está sendo um estraga-prazer. Ao contrário, ele o faz porque tem algo melhor para nos oferecer. Por exemplo: paz de espírito, segurança, felicidade, prosperidade e tantas outras tão importantes quanto essas.

    Para entender melhor, pense no que vou dizer a seguir. Contudo, já lhe peço que não me leve a mal por exemplificar dessa forma tão simplória: um cão faminto está roendo um osso sem nenhuma carne, pois é a única coisa que ele tem para enganar a fome. De repente, alguém lhe dá um suculento bife. O que ele vai fazer? Bingo! Você acertou! 

     Logicamente, vai largar o osso e comer com voracidade a carne, porque ela é melhor. Da mesma maneira, Deus faz conosco. Ele tem algo melhor a nos oferecer do que nossos vícios, conceitos, filosofias, pecadinhos de estimação ou outros semelhantes a esses. Basta aceitarmos de bom grado seu presente.

    Todavia, existe outra mais importante do que todas as mencionadas acima: a salvação eterna. Foi para isso que ele enviou Jesus: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16. Veja também I João 2:25: E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

   Mais uma palavra: obediência. Elatambém parece sufocada pela avalanche de males presentes na sociedade atual. Hoje, filhos pensam que não precisam ser obedientes a seus pais. Por esse motivo, os desrespeitam, inclusive publicamente. Por conseguinte, deixam de desfrutar das copiosas bênçãos divinas, já que Deus deu o seguinte mandamento: Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá – Êxodo 20:12.

    Em Mateus 19:19, Jesus confirma o texto anterior, dizendo: Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo. E em Efésios 6:1 ao 3, Paulo retoma esse mandamento: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  

    Portanto, entendemos que o filho que realmente quer ser abençoado deve levar em consideração essa ordenança divina. Agindo assim, só tem a ganhar. Entretanto, caso proceda de modo diferente, atrairá maldição sobre si. Veja o que diz Deuteronômio 27:16: Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. Então se pode supor que é por essa razão que a vida de muitos filhos não é a abençoada. Não são felizes nem prosperam ou até são bem-sucedidos financeiramente, mas infelizes.

    Observe o que a Bíblia diz em Isaías 1:19: Se vocês quiserem e estiverem dispostos a obedecer comerão o melhor dessa terra. Já em I Samuel 15:22 e 23: Porém Samuel disse a Saul: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria.

    Você percebeu? Para Deus a obediência é algo extremamente importante. Quando somos obedientes a ele, demonstramos reconhecê-lo como Senhor da nossa vida e que é o provedor de todo bem. Por isso, o Senhor abre as janelas do céu e derrama bênçãos sobre o filho obediente. E, mesmo se vierem adversidades, não nos sentiremos sozinhos e descansaremos Nele, em paz e segurança.

   Existem mais palavras seguindo o mesmo rumo dessas que vimos. No entanto, desejo falar sobre mais uma apenas: reverência. Buscando seus significados no dicionário, encontramos os seguintes: veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal; respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência.

    Muito interessantes essas informações que o dicionário nos traz. E, se observarmos atentamente aquilo que acontece ao nosso redor, também concluiremos que ela está caminhando para a extinção. Hoje, o que mais vemos são pessoas completamente irreverentes. Muitas delas, em nome da democracia, da liberdade de expressão e da arte, têm desrespeitado a Deus e a tudo o que lhe diz respeito. A televisão e outras mídias exibem diariamente cenas que ultrajam ao Senhor e aos seus servos.

    Tais indivíduos são verdadeiros escarnecedores. Desse modo, mesmo que sejam aplaudidos pelas multidões, são reprovados pelo Altíssimo. Obviamente, a Constituição Brasileira garante o direito à liberdade de expressar opiniões, e isso é assaz importante. Contudo, não se pode usar dessa liberdade para ofender a fé das pessoas. Não é sensato fazê-lo, porque todos têm o direito de expressar sua fé, mesmo que alguém não concorde com ela. 

    Quanto a esse fato, Jesus já nos havia prevenido. Veja o que o Mestre disse em Mateus 5:10 ao 12: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.   

    No entanto, o que mais incomoda é que muitos cristãos têm sido irreverentes de várias maneiras. Uma delas é compactuando com esses escarnecedores direta ou indiretamente. Por exemplo, assistindo a seus programas e shows, nos quais ridicularizam Deus e seus servos, aplaudindo como se fossem dignos de aplausos.

    Outra forma é também zombando de homens e mulheres de Deus, como se Deus os estivesse colocado como juízes. Esquecem-se de que nós fomos chamados para ser testemunhas de Jesus, não juízes, pois não temos parâmetros para julgar ninguém e a Bíblia diz que não podemos tocar nos ungidos do Senhor. Somente Deus, que é o justo juiz, julga com equidade, ou seja, faz um julgamento justo e imparcial.  

    Além disso, existem muitos cristãos que não agem com reverência mesmo dentro da igreja. Vão ao culto como se fossem a qualquer lugar. Só para exemplificar, pense em alguém que vai a um tribunal para participar de uma audiência com um juiz. Será que tal indivíduo pode se apresentar diante dele de qualquer maneira, com qualquer roupa, com linguagem imprópria, ou usar o celular ali? Por certo, você dirá que não. Então, por que quando vão à Casa de Deus alguns supõem que podem fazê-lo de maneira irreverente?  

    As Escrituras dizem que devemos guardar nossos pés quando entramos na presença de Deus. Isso quer dizer que devemos agir de maneira respeitosa para com ele. Mas o que temos visto hoje? Pessoas completamente sem noção, supondo que Deus não leva em conta sua conduta. Porém, estão redondamente enganadas. Em Gálatas 6:7, Lemos: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.


    Agora, só resta fazer algumas considerações para terminar essa reflexão. Primeiro: precisamos pedir que o Espírito Santo ilumine os olhos da nossa mente e do nosso coração, para que vejamos e creiamos no que ele tem para nós. Em segundo lugar, carecemos de sabedoria e humildade, a fim de entendermos que, se o Senhor nos pede para renunciarmos alguma coisa, é porque tem algo melhor a oferecer. Com o tempo, aquilo que considerávamos “legal” pode nos prejudicar. Em terceiro, não podemos permitir que essas palavras sejam extintas da nossa vida, pois são sinais de que realmente entendemos a mensagem do Evangelho.    

  Sendo assim, se você é um cristão genuíno, não se esqueça de que só pode trocar sua salvação por alguma coisa mais valiosa ou que tenha, no mínimo, o mesmo valor que ela. Mas, como não existe nada assim, jamais abra mão desse precioso presente de Deus por algo que o mundo lhe oferece, pois, por melhor que seja, é passageiro e não se compara àquilo que o Senhor já nos deu e ainda dará, especialmente a salvação eterna.

Para ouvir:

O melhor desta terra – Nani Azevedo

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Como nos dias de Noé

     “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem – disse Jesus.” (Mateus 24:37)      

     Não me entenda mal, nem me tenha por repetitivo. Mais uma vez, gostaria de iniciar o artigo dizendo que já faz muitos dias que esse assunto teima em povoar minha mente. A princípio, relutei em escrever. Entretanto, compreendi que o Espírito Santo deseja que reflitamos a respeito do que declara a Palavra do Senhor a respeito da vinda de Jesus.

     Antes de começar, porém, sinto ser importante falar que cada pessoa tem o direito de acreditar ou não nos escritos bíblicos. Mas, de acordo com as Escrituras Sagradas, a pessoa de fato temente a Deus sempre crê e procura praticar os ensinos e conselhos presentes no texto Sagrado, porque “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” – 2 Timóteo 3:16,17. Portanto, incentivo você a refletir sobre o que o Senhor Jesus diz a respeito  desse assunto, com sua mente e coração abertos, desprovido de preconceitos.

     O texto de Mateus 24:36 ao 44 faz parte dos ensinos de Cristo sobre os sinais que precederiam sua volta para buscar Sua Igreja. Esta é formada por pessoas de todos os tempos, lugares, povos e culturas que decidiram crer nele, aceitá-lo como seu Único e Suficiente Senhor e Salvador (João 1:11 ao 13) e praticar os ensinamentos divinos.

     Nesse momento específico do ensino, o Senhor está falando que precisamos estar vigilantes, pois ninguém sabe o dia, nem a hora em que ele retornará a terra para buscar seu povo. No entanto, ele continua dando alguns exemplos e algumas pistas dos sinais que precederiam esse evento. Um deles trata do tempo de Noé, cuja história está registrada em Gênesis, capítulos 6, 7 e 8.

     Para facilitar o entendimento, veja a declaração do Mestre: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai. Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem. Dois homens estarão no campo: um será levado e o outro deixado” – Mateus 24:36-40.

    No versículo 36, o Senhor nos ensina que NINGUÉM sabe exatamente quando acontecerá o evento da sua volta para buscar Sua Igreja. Portanto, se uma pessoa ou denominação religiosa marcar a data na qual isso ocorrerá, estão indo em direção contrária àquilo que Jesus ensinou. Consequentemente, não merece crédito.

     A partir do versículo 37, o Mestre passa a nos orientar, tomando como referência os tempos de Noé, dizendo: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem”. Esse ponto merece uma atenção especial de nossa parte, pois, a seguir, ele vai mostrar como eram aqueles dias.

     Aparentemente, naquele tempo não havia nada demais. Veja que eu disse aparentemente. No versículo 38, está escrito: “Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca…”

     Talvez você pense e questione: “Mas o que há de errado nisso?” Como eu disse, aparentemente não existe nada de mal nisso. Todavia, esse texto fala de rotina, de costume. De prioridades equivocadas. De psicoadaptação. Ou seja: da adaptação da mente a certos estímulos. Isso é bom, mas também pode se tornar um grande mal, caso esse adaptar-se envolva coisas que nos afastam de Deus, por serem contrárias aos seus ensinos e mandamentos. 

     Para entendermos melhor, é preciso que voltemos a Gênesis (6 e 7). Veja: “O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal” – 6:5). E mais: “A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” – Gênesis 6:11. Aqui, começa a ficar mais compreensível a fala de Cristo.

     Adaptar-se significa ajustar-se, acomodar-se, amoldar-se ou encaixar-se. Então, entendemos que, de modo geral, a mente dos contemporâneos de Noé já estava completamente ajustada, acomodada, amoldada ou encaixada nos valores, comportamentos, crenças e ideologias, os quais o texto bíblico nos revela que eram totalmente contrários à vontade de Deus. Consequentemente, ofenderam tanto ao Senhor, que ele tomou a decisão de trazer um severo juízo àquele povo.

     Retornando à declaração de Jesus sobre comer, beber, casar-se e dar-se em casamento, entendemos que ele fala de estar tão psicoadaptado e integrado aos valores, costumes, comportamentos e ideologias de seu tempo que já não se faz mais uma avaliação de tudo isso, para verificar se são retos aos olhos de Deus ou não. Desse modo, mesmo as pessoas mais dignas e sinceras começam a agir como os outros, seguindo o fluxo ou a multidão, sendo envolvidas por essa perigosíssima rotina.

     Vale lembrar que seguir a multidão pode ser algo muito nocivo. Afinal, a voz do povo, na maior parte das vezes, não é a voz de Deus. Se fosse, não teriam ignorado seus sábios ensinos, muito menos levado o Senhor à sangrenta cruz. Por isso, é preciso que estejamos atentos aos sinais precursores do retorno de Cristo, apesar de muitos acharem que isso é fanatismo religioso.

     Ainda enfatizando o perigo da rotina e da psicoadaptação em seu aspecto negativo, observemos esse trecho: “…até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem” – Mateus 24:38,39.

     De acordo com os registros bíblicos, Noé levou muitos anos construindo a arca. Certamente durante esse período, ele foi advertindo o povo sobre o juízo divino que estava por vir. Veja: “Ele {Deus} não poupou o mundo antigo quando trouxe o dilúvio sobre aquele povo ímpio, mas preservou Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas” – 2 Pedro 2:5. Contudo, as pessoas já estavam de tal maneira conformadas ou ajustadas a todas as injustiças, que “acharam” que Noé estava maluco, que era um intolerante, um ultrapassado, um fanático. Então, não lhe deram ouvidos.  

     Hoje nós, todos nós, corremos o risco de também ser totalmente envolvidos pelas “coisas” do nosso tempo que não avaliamos se elas agradam a Deus ou se são abomináveis aos olhos dele. Talvez os pregadores do verdadeiro evangelho, o que está nas Escrituras Sagradas, também sejam considerados fanáticos, ultrapassados, intolerantes, malucos ou quaisquer outros adjetivos depreciativos. Por essa razão, o Mestre continua fazendo essa advertência. 

     “Até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem”. Às vezes, imagino as pessoas debochando de Noé. Talvez algumas delas até o ajudaram a construir a arca para ganhar algum dinheiro. Outras, simplesmente porque gostavam dele como amigo ou simplesmente para ouvirem suas histórias malucas e darem boas risadas de deboche. Afinal, nunca se falara sobre dilúvio. Mas ele veio. E levou a todos, menos Noé e sua família.

     Imagine o desespero das pessoas quando começou a chover e não parava mais. Quantas pessoas que zombaram de Noé e de sua família esquisita foram bater à porta da arca, pedindo socorro. Mas agora nada podia ser feito, porque “o Senhor fechou a porta” – Gênesis 7:16. E, a porta que Deus fecha, ninguém abre; a porta que ele abre, ninguém fecha, conforme lemos em Apocalipse 3:7 e 8.

     “Assim acontecerá na vinda do Filho do homem – disse Jesus.” Observe que esse trecho do sermão de advertência de Cristo é muito importante. Ele está falando de algo que vai se repetir. Ou seja: haverá um dia em que o Senhor vai trazer juízo sobre toda a terra. E eu penso que, se ele disse, devemos dar crédito. Isso significa que enquanto é tempo devemos fazer o que nos admoesta o profeta Isaías: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” – Isaías 55:6. 

     Entendo ser importante lembrar que invocar vem do latim invocare (in= em + vocare= chamar) quer dizer chamar em socorro ou clamar por socorro e sempre está ligado a coisas relacionadas à religião. Mas também nos leva ao sentido de chamar para dentro. Sendo assim, é possível fazer uma ligação com Apocalipse 3:20, onde Jesus diz: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo”

     Nesse ponto, cabe-nos umas perguntas. MAS são questionamentos que cada um deve fazer a si mesmo, tomando como fundamento ou princípio o que ensina a Bíblia: Será que Jesus está à porta do meu coração ou dentro dele? Será que já o chamei para dentro ou  tenho ignorado a voz dele, dando preferência às vozes do mundo, sem avaliar se agradam ao Senhor ou se são contrárias aos seus ensinamentos?

     É muito mais fácil, e até cômodo, dar ouvidos às vozes do mundo e convidar suas crenças, valores, comportamentos e ideologias para dentro de nós. No entanto, cada escolha gera uma consequência. Escolher o mal pode até ser mais atraente,  interessante e “politicamente correto”. MAS escolher o bem, embora muitas vezes exija esforço e sacrifício, sempre redundará em aprovação divina e bênçãos, especialmente a salvação eterna: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna – João 3:16.

     Noé entendeu muito bem essa verdade. Por esse motivo, achou graça aos olhos do Senhor – Gênesis 6:8. Atente para isso: aos olhos do Senhor, não do mundo. Quem sabe, do mundo ele só recebeu críticas, insultos, deboches, indiferença e outras coisas ruins. Mesmo assim, decidiu ser diferente e fazer a diferença: “Noé era varão justo e reto em suas gerações; Noé andava com Deus” – Gênesis 6:9.

     Provavelmente muitos consideram esse homem um pregador fracassado. Tanto tempo falando do dilúvio e apenas sua família foi convencida de que ele falava a verdade. No entanto, o conceito de sucesso e de fracasso de Deus é diferente do nosso. Assim, ele foi um bem-sucedido, pois conseguiu levar seus entes queridos aos pés do Senhor. E nós também seremos um sucesso, se conseguirmos apresentar ao Pai aqueles que ele colocou aos nossos cuidados.

     Existem muitos sinais em nosso tempo que revelam o cumprimento das palavras de Jesus e precisamos atentar para este ensino: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências/paixões mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade/injustiça e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” – Tito 2:11-14.

     Como nos dias de Noé, temos visto a multiplicação da maldade, da perversidade, da violência em todos as áreas sociais. Vemos ainda a corrupção e a iniquidade em todos os setores ou segmentos, especialmente na política, cujo resultado é morte de pessoas e o aumento da miséria. Além disso, o ser humano está numa corrida desenfreada em busca de “felicidade e do prazer”. E, para atingir tal objetivo, não importa os meios empregados, ignorando totalmente os ensinos do Senhor.  

     Aliás, a iniquidade parece ter sido institucionalizada, ou seja, oficializada legalmente. Assim, o certo tornou-se errado e o errado, passou a ser considerado como correto. MAS as Sagradas Escrituras declaram: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; do amargo, doce e do doce, amargo. Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião” – Isaías 5:20,21)

     Também vale lembrar que Deus sempre avisa seus servos sobre as coisas que vão acontecer. Foi assim no tempo de Noé e também no do profeta Amós e de tantos outros: “Certamente o SENHOR Soberano não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas” – Amós 3:7. Do mesmo modo, há de ser quando o Senhor decidir que é o momento de buscar Sua Igreja. Por isso, ele já nos avisou faz quase dois mil anos.

     Para concluir, quero destacar que é assaz importante levar a sério o que o Senhor disse. Deus vela por sua palavra para fazê-la cumprir: “O Senhor me disse: Você viu bem, pois estou vigiando para que a minha palavra se cumpra” – Jeremias 1:12. Portanto, que cada um de nós questione a si mesmo sobre esse assunto. Sonde o próprio coração para ver se está dando prioridade a Deus e fazendo aquilo que é reto e justo aos olhos Dele ou não.

     Caso detecte que não está vivendo de acordo com a vontade do Senhor, é hora de seguir o conselho do apóstolo Paulo: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” – Romanos 12:2.

     Também importa estar atento ao que o Senhor Jesus diz: “Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” – Marcos 13:33 e ouvir a sua doce, suave e insistente voz a dizer: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” – Apocalipse 3:20.

Sugestão de música: Ele vai voltar – Marinalva

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